D. Juan José Aguirre pretende regressar à sua diocese ainda este mês

Lisboa, 09 mar 2018 (Ecclesia) – O bispo de Bangassou, na República Centro-Africana, alertou para a crescente ameaça dos militantes jihadistas no “coração” de África, que afetou a sua diocese, e que motivou o seu regresso temporário ao país-natal Espanha após ameaças de morte.

“Os que ‘produziram’ o Boko Haram e o ISIS (autoproclamado ‘Estado Islâmico’) estão a entrar no coração de África, estão a vir para a África Central”, disse D. Juan José Aguirre.

Em entrevista ao jornal diário ‘ABC’, o prelado recordou que a milícia anti-balaka o considera “traidor por proteger os muçulmanos. um miliciano apontou uma metralhadora à cabeça”.

Segundo informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo de Bangassou recordou que “os seus olhos estavam vidrados das drogas” e essa ameaça de morte fez com que regressasse a Espanha mas de onde espera viajar dia 18 de março com destino à República Centro-Africana.

“Como vou deixar as pessoas lá? Eles vão morrer. A Igreja Católica é a última a desligar a luz. Não podemos sair…”, refere o prelado, que já foi raptado e o resgate foi feito pelos comandos portugueses ao serviço das Nações Unidas na República Centro-Africana.

Há um ano que mais de 1500 refugiados muçulmanos têm guarida no seminário menor da diocese, que agora “é uma ruína”, numa situação de caos humanitário e de violência latente.

O secretariado português da fundação pontifícia assinala que o bispo de Bangassou tem aproveitado a estadia em Espanha para realizar encontros e entrevistas para denunciar a violência e o medo que se instalou nesse país africano, essencialmente, por causa dos grupos Seleka e dos Anti-Balaka.

“Já propusemos levar o campo para outro lugar, onde eles possam ter água e construir uma mesquita, mas nada”, disse noutra entrevista.

A diocese está a ficar devastada e deu conta de roubos, por exemplo, na “casa dos Missionários Espiritanos, dos trabalhadores humanitários e as das redondezas”.

O bispo espanhol, missionário comboniano, denuncia também que a falta crónica de comida tem originado que as mulheres troquem alimentos por sexo com elementos dos Capacetes Azuis.

“O crime contra a humanidade; mulheres violadas, algumas menores de idade”, foi relatado ao secretário-geral da ONU, o português António Guterres, aquando a sua passagem por Bangassou, divulga a fundação AIS.

CB/OC

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