Padre Ricardo Conceição destaca objetivo de «escutar os jovens e fazermo-nos próximos»

Santarém, 12 fev 2018 (Ecclesia) – O diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e do Ensino Superior de Santarém assumiu a intenção de ouvir “os jovens e quem os acompanha”, rumo ao Sínodo de 2018, convocado pelo Papa.

“Queremos perceber o que é que os jovens da nossa diocese querem da Igreja, como é que se pode fazer próxima para os acompanhar, para os ajudar no discernimento da vontade de Deus a seu respeito em ordem a uma escolha, a uma orientação de vida”, disse o padre Ricardo Conceição à Agência ECCLESIA.

O sacerdote adiantou que os responsáveis locais estão a elaborar “um inquérito diocesano para ouvir os jovens”, como é desejo da assembleia do Sínodo dos Bispos 2018, em outubro, e também para “ouvir quem os acompanha”.

“Depois vamos fazer encontros por vigararia para reunir toda a gente que trabalha com os jovens e os próprios jovens, em colaboração escutando-os em ordem ao inquérito para perceber que trabalho vamos fazendo daqui para a frente”, desenvolveu.

O próximo Sínodo dos Bispos tem como tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’ e vai realizar-se entre 3 e 28 de outubro; para preparar a reunião, a secretaria-geral do sínodo convocou uma reunião pré-sinodal que decorre entre 19 e 24 de março.

O padre Ricardo Conceição, que assumiu o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e do Ensino Superior depois de chegar de Roma no final de setembro de 2017, explicou que estão em processo de formar equipa e, com o trabalho que vinha sendo feito, de escutar os jovens e fazerem-se “próximos”.

O sacerdote destaca que outra iniciativa do secretariado foi pedir às casas religiosas que divulgassem “os seus horários de oração e acompanhamento de jovens”.

“Foi uma iniciativa muito bem aceite pela CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal) aqui na nossa diocese”, observou.

Neste contexto, por exemplo, o estudante universitário António Lourenço considera que a “primeira vivência deste sínodo se faz sobretudo na oração”, para cada jovem e cada pessoa perceber “qual é o seu lugar na Igreja”.

“No meu caso e penso que é aplicável para todos na questão do discernimento, perceber onde é que sou chamado a atuar na igreja, qual é de facto a minha missão, a importância de perceber qual é que é o chamamento de Jesus”, exemplificou.

O jovem que está em 6.º ano de Medicina, em Lisboa, divide o tempo com a diocese natal de Santarém e observa que a realidade “é um bocadinho diferente”.

“Em Lisboa há muito mais propostas para jovens do que em Santarém tanto em termos de numero como diversidade e variedade mas, em ambos os casos, o que o Papa pretende no fundo é que os jovens se tornem protagonistas na história, não da Igreja mas sobretudo do mundo”, desenvolveu.

Para António Lourenço os jovens cristãos devem contagiar e ser exemplo para outros de que “é possível viver melhor, num mundo mais justo, mais fraterno, mais unido” e que se podem “empenhar na transformação das realidades terrenas”.

O Papa Francisco convidou e envolveu todos os jovens – Católicos, cristãos, outras religiões e sem qualquer religião – no caminho sinodal e para o estudante de Medicina “é muito importante o diálogo com os não-crentes”.

“Tenho um grande amigo que é não crente e faz-me muito bem falar com ele para perceber qual é a visão de alguém que de certa forma está fora da Igreja como vê a importância da Igreja no mundo, não sendo parte integrante dela”, desenvolveu António Lourenço.

CB/OC

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