Leigos falam do seu papel neste processo

Lisboa, 17 nov 2018 (Ecclesia) – Os 23 jovens em discernimento vocacional no seminário de São José de Caparide, Patriarcado de Lisboa, são envolvidos num ambiente familiar para amadurecerem humanamente e na fé.

António Pereira, além de funcionário do Seminário, tem também uma colaboração como voluntário, juntamente com a família.

“É uma relação fácil, a minha família vem também cá muitas vezes, nos encontros de famílias e quando há saídas também os acompanhamos. Eles vêem-me como mais um que está cá, além do serviço de funcionário, alguém que está com eles para o que é preciso, nos aniversários deles por exemplo tento sempre estar presente”, refere à Agência ECCLESIA.

Naquele seminário, que acolhe o tempo propedêutico, uma etapa do caminho de discernimento vocacional, António Pereira aponta que as refeições são um grande momento para todos se conhecerem.

“À mesa conversa-se sempre, os padres têm o cuidado de não haver mesa presidencial, todos se sentam juntos e assim nos conhecemos melhor”, explica.

Quando questionado sobre os gostos alimentares dos jovens, o paroquiano da Brandoa esclarece as ementas da casa.

Sou eu que faço as ementas e uma das regras da casa é que todos têm de provar de tudo, não há comidas especiais, a sexta é sempre peixe ao almoço e jantar, mas em todas as refeições todos temos de provar. Por exemplo há uns dias eram moelas para o almoço, alguns nunca tinham provado! Mas estes jovens têm de estar dispostos para tudo, a estar com o pobre e com o rico, têm de estar habituados a tudo”.

António Pereira diz ser “uma riqueza lidar com quem diz sim a Jesus Cristo” e, no ano passado, teve uma experiência que não esquece.

“Passámos o Natal aqui com os rapazes, a família alargada, sogros e cunhados vieram também, celebrámos a consoada e no final os jovens e padres foram à missa do galo à Sé e nós fomos para a nossa paróquia. Foi uma noite para partilhar as diversas coisas que se fazem nos vários países, tínhamos um seminarista indiano e dois caboverdianos… O cantar à mesa foi uma riqueza para todos nós, foi uma grande família, éramos mais de 30 pessoas à mesa”, recorda.

Para este leigo o sentido de família é muito importante para um sacerdote “que tem de ser um homem aberto para a vida, para Deus e para o mundo”.

“Tenho algumas conversas com estes jovens, algumas sobre o caminho que a igreja leva atualmente, as suas feridas e os apelos do Papa, coisas que preocupam os jovens”, observa.

Neste tempo propedêutico os 23 jovens, dos 18 aos 32 anos, que este ano estão em Caparide são convidados a um “ano zero” antes de prosseguirem os estudos teológicos.

O padre Rui de Jesus é o diretor deste Seminário de São José de Caparide e sente que o tempo de paragem traz outros horizontes aos jovens.

“Trata-se de reforçar alicerces e haver um maior conhecimento da Igreja, alargar o conhecimento e o amor à Igreja de forma mais ampla, e apurar o sentido de comunidade são objetivos deste tempo. Leigos que vão ajudando nos seminários de Lisboa sempre houve mas reconheço que neste tempo ainda é mais importante porque humanamente os rapazes trazem algumas fragilidades, e aqui proporciona-se um amadurecimento e confronto com estas realidades”, explica o sacerdote.

O padre Rui de Jesus olha ainda a passagem por aquele seminário como uma forma de abertura ao outro, onde os rapazes têm um ambiente familiar e há um maior conhecimento de várias realidades.

Os rapazes vêm à procura do que querem e tem de haver amplitude cristã para dar os fundamentos essenciais para o ser cristão. Há a abertura ao outro, a partilha de experiências, os entusiasmos e as dificuldades, andamos ao mm ritmo… Ajuda ter o ambiente familiar e esforçamo-nos para isso, quer eu quer o padre Filipe (diretor espiritual),  trazemos casais das equipas que acompanhamos para que haja esta interação”.

O sacerdote, que também ali foi seminarista noutros tempos vê a presença de leigos naquele seminário como algo que “sempre existiu” mas que agora ganha outro peso, criando um maior “crescimento maduro humanamente e de fé” e “olhar a fé do modo masculino e feminino, complementa interiormente”, conclui.

SN

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