Cidade do Vaticano, 18 out 2018 (Ecclesia) -Os participantes no Sínodo dos Bispos que está a decorrer no Vaticano desde 3 de outubro, sobre as novas gerações, vão enviar uma “carta aos jovens de todo o mundo”, anunciou hoje o responsável pela Comunicação da Santa Sé.

Paolo Ruffini disse, em conferência de imprensa, que a próxima semana de trabalhos vai ser dedicada à discussão e elaboração do documento final, bem como da referida carta, a ser redigida por oito pessoas: quatro padres sinodais, dois jovens, um convidado especial e um delegado fraterno.

O encontro com os jornalistas contou com a presença do cardeal etíope D. Berhaneyesus Demerew Souraphiel, arcebispo de Adis Abeba, o qual destacou o papel dos jovens no continente africano, dispostos a “mudar a sua situação”, sobretudo no combate à pobreza.

O responsável assinalou que a maior parte das migrações da população juvenil acontece “dentro da África” (cerca de 80%), lembrando que a Etiópia recebe cerca de 1 milhão de refugiados, apesar da sua pobreza.

O arcebispo de Adis Abeba deixou críticas aos países europeus que “fecharam as fronteiras”, bem como aos traficantes de armas e de pessoas ou às empresas multinacionais que exploram os recursos africanos, denunciando os “enormes interesses económicos” na região, que fazem esquecer a morte de muitos jovens, que fogem da guerra e da pobreza.

D. Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha, falou por sua vez de uma grande experiência de comunhão, de conhecimento, de “grande escuta”, que diz respeito a toda a Igreja e não apenas às novas gerações.

“Se os velhos sonharem, os jovens sonharão”, declarou.

Questionado pela imprensa, o arcebispo italiano admitiu ainda que existe um “problema” na relação com os católicos homossexuais, que diz respeito a muitas pessoas e que tem de ser visto como uma questão verdadeiramente “pastoral”, na Igreja, e não como um tema ideológico.

O sacerdote brasileiro Alexandre Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), defendeu na sua intervenção a criação de estruturas diocesanas e nacionais que favoreçam a “unidade” no trabalho da Igreja Católica junto dos jovens.

O Sínodo, acrescentou, é uma dinâmica que prossegue nos próximos tempos, com destaque a Jornada Mundial da Juventude, já em janeiro de 2019, no Panamá, como espaço para um “primeiro eco” da assembleia sinodal em curso.

A irmã Alessandra Smerilli, economista e organizadora das Semanas Sociais dos Católicos, na Itália, falou da necessidade de uma Igreja “profética”, que viva com transparência e credibilidade na área da Economia.

Na abertura da conferência de imprensa, o prefeito para o Dicastério da Comunicação da Santa Sé assinalou que o Sínodo debateu o papel das mulheres, condenando “qualquer forma de machismo”, e o tema da justiça social.

Entre as várias intervenções, acrescentou Paolo Ruffini, houve um pedido de criação de um Conselho Pontifício para os Jovens e de convocação de um Sínodo sobre as mulheres, à imagem do que já tinha sido pedido pelo Conselho Pontifício para a América Latina.

A 15.ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, decorre até 28 de outubro.

A Conferência Episcopal Portuguesa está representada por D. Joaquim Mendes – bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, e D. António Augusto Azevedo – bispo auxiliar do Porto e presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.

OC

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