Documento final denuncia violência e migrações forçadas

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano

Cidade do Vaticano, 28 out 2018 (Ecclesia) – O documento final do Sínodo 2018, apresentado este sábado no Vaticano, presta homenagem aos jovens que, por causa da sua fé, sofrem “vários tipos de perseguição, mesmo até à morte”.

“Nalguns locais, os católicos, juntamente com outras denominações cristãs, são uma minoria, que conhece, por vezes, discriminações e também perseguições”, assinala o texto aprovado pelos participantes, após mais de três semanas e meia de debate.

Os bispos e jovens reunidos no Vaticano sublinham, por outro lado, o impacto dos “fenómenos migratórios” a nível mundial.

“A preocupação da Igreja relaciona-se, em particular, com os que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais provocados pelas alterações climática e da pobreza extrema”, refere o documento, recordando que muitas destas pessoas são jovens.

No Sínodo, acrescenta o texto, soou o “grito de alarme” dos católicos “obrigados a fugir da guerra e das perseguições”, Igrejas que veem nestas migrações forçadas “uma ameaça para a sua própria existência”.

D. Inácio José III Younan, patriarca de Antioquia dos Sírios (Igreja siro-católica), um dos locais mais afetados pela violência e a fuga de cristãos, disse à Agência ECCLSIA que as necessidades na Síria passam, em primeiro lugar, por “inspirar a confiança nas famílias, especialmente nos jovens, para que regressem à sua terra, para reconstruir”.

“Houve danos muito elevados, destruição tanto de casas como de escolas e igrejas. Temos necessidade de reconstruir, é um trabalho muito árduo e esperamos conseguir fazer algo”, precisou.

O cardeal Luís Raphael I Sako, patriarca de Babilónia dos Caldeus (Iraque), pediu no final dos trabalhos da assembleia que a Igreja não se esqueça dos “cristãos do Oriente”, porque sem eles o Cristianismo perde as suas “raízes”.

O responsável, um dos presidentes-delegados do Sínodo 2018, pediu a “ajuda humanitária e espiritual” de todos os católicos para o Médio Oriente, até que “passe a tempestade”

249 padres sinodais (participantes com direito a voto) discutiram e votaram o documento final, com um total de 167 pontos, todos eles aprovados com a requerida maioria de dois terços dos votantes.

Este domingo, o Papa preside à Missa que assinala o encerramento solene da assembleia sinodal, a partir das 10h00 (menos uma em Lisboa), no Vaticano; antes da bênção final, na Eucaristia, vai ser lida a carta aos jovens, escrita pelos participantes na 15.ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos.

O encontro iniciado a 3 de outubro contou com a participação inédita de mais de três dezenas de jovens convidados e foi o primeiro a utilizar o português como língua oficial, nos trabalhos.

OC

A reportagem no Sínodo dos Bispos é realizada em parceria para a Agência Ecclesia, Família Cristã, Flor de Lis, Rádio Renascença e Voz da Verdade, com o apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

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