D. Wilfrid Napier fez notar vários desafios do seu continente que têm estado fora do debate

Foto: Cardeal Wilfrid Napier no encontro com os jornalistas, Créditos: Vatican News

Cidade do Vaticano, 15 out 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Durban, na África do Sul, alertou para o perigo de o Sínodo dos jovens não passar de uma reflexão sobretudo “eurocêntrica”, e realçou a importância de “apresentar a realidade africana de uma maneira mais clara”.

Em conferência de imprensa no Vaticano, publicada pelo portal Vatican News, o cardeal Wilfrid Fox Napier deu como exemplo desafios como “o desemprego, a pobreza ou as migrações”, que são contextos que tocam também os jovens africanos, mas que no instrumento de trabalho (Instrumentum laboris) do Sínodo só são mencionados pelas implicações que têm para a Europa.

Na mesma linha, o cardeal sul-africano realça que não existe no documento qualquer menção a problemas como “a exploração dos recursos minerais e das florestas tropicais”, bem como “da perda de terras cultiváveis, que são a causa de muitas das migrações”, no continente africano.

Ou a outros flagelos, como “o trabalho infantil” e o “comportamento de muitos governos” em África, “que fecham os olhos à corrupção e permitem que a exploração humana continue”.

“Tudo temas que não deveriam faltar no documento final do Sínodo”, sustenta D. Wilfrid Fox Napier, até porque, lembra o responsável católico, é muito devido a estes e a outros problemas sociais que  “África tem vindo a perder as suas pessoas mais talentosas”.

Sobre a relação dos jovens com a Igreja Católica, o arcebispo de Durban descreve uma realidade que está em contra-ciclo com a Europa.

“Enquanto no Ocidente muitos jovens deixam a Igreja, em África, em vez disso, estão à procura de Jesus e buscam na Igreja respostas para seus problemas”, completou o cardeal africano.

JCP

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