«Não se pode esquecer a Síria», alerta por sua vez núncio apostólico

Lisboa, 14 fev 2018 (Ecclesia) – A irmã Myri, monja contemplativa na Síria, denunciou que persiste o “clima de guerra” na região da capital Damasco, “com ataques frequentes contra a comunidade cristã”, em declarações à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“A situação na região de Damasco não é muito boa, pois o governo tem procurado avançar sobre as áreas ainda sob o controlo do ISIS (autoproclamado ‘Estado Islâmico’) ou de outras milícias”, relatou a irmã Myri.

Em informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, a monja portuguesa especifica que os combates “incidem sobre bairros habitados por cristãos” na região da capital síria e são o resultado do esforço do exército libertar a região de milícias armadas.

“Os jihadistas lançam roquetes, e bombardeamentos sobre os vários bairros. Muitas vezes provocam mártires, mas, de vez em quando, há milagres”, assinala.

A religiosa dá conta de registo de ataques, pelo menos, nos bairros de Jobar, Al Midan, Jaramana, Dwel’a e Bap tuma.

A irmã Myri pertence à Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia e vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, em Qara, perto da fronteira com o Líbano, a 90 quilómetros de Damasco.

Maria de Lúcia Ferreira é o nome de batismo da religiosa portuguesa que vai fazer 38 anos em maio e é proveniente da paróquia do Milharado, na Vigararia de Mafra, Patriarcado de Lisboa.

A Fundação AIS dá conta que as declarações da monja portuguesa surgem na mesma altura das do núncio apostólico em Damasco, ao jornal L’Osservatore Romano, que relatou um “campo de batalha”.

“Nestes últimos dias, é preciso estar atento inclusivamente para se sair de casa”, revelou o cardeal Mario Zenari, dando conta de muitos pais que “decidiram já não mandar as crianças para a escola”.

“As pessoas sobrevivem cozinhando sopas feitas com as folhas das árvores, de ervas. É impressionante. Além das bombas e dos disparos, as pessoas não têm o que comer. As imagens são aterrorizadoreas. Cerca de 70% da população síria vive em condições de extrema pobreza”, desenvolveu.

A AIS recorda que o Papa Francisco incluiu “a amada Síria” na jornada de oração e jejum do próximo dia 23 de fevereiro, juntamente com a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul.

“Os esforços diplomáticos das Nações Unidas na busca de acordos devem ser amparados. O mundo não deve esquecer este sofrimento. Um sofrimento que atinge sobretudo os civis e, de modo especial, as crianças”, referiu o núncio apostólico em Damasco, divulga a fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

CB/OC

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