D. Juan Uriarte afirmou no Simpósio do Clero que a formação sobre afetividade e sexualidade é, em geral, «superficial» e agrupou os sacerdotes em quatro grupos relativamente ao celibato

Foto Agência ECCLESIA/PR, D. Juan María Uriarte, bispo emérito de San Sebastian

Fátima, 06 set 2018 (Ecclesia) – O bispo emérito de San Sebastian apresentou no Simpósio do Clero a “nobreza, dificuldades e etapas” do celibato e disse que um celibatário, “com suficiente maturidade”, não tem tentações para se ligar a uma criança.

“Um celibatário, com suficiente maturidade, tem tentações para se ligar a um adulto ou a uma adulta, mas não a uma criança ou um pré-adolescente ou adolescente, como é o tema da pedofilia”, afirmou D. Juan María Uriarte.

Em declarações aos jornalistas, após ter apresentado a sua conferência sobre o celibato a mais de 400 sacerdotes, que participam no Simpósio do Clero, o bispo emérito de San Sebastian fundamentou-se em especialistas e na experiência para afirmar que a relação entre celibato e pedofilia “não existe”.

“A afirmação científica de especialistas, pelo menos cinco ou seis, está comprovada com a experiência. É curioso que os ministros de outras confissões, casados, tanto orientais como protestantes, a percentagem de ministros que incorrem neste tipo de graves delitos é igual ou maior do que os celibatários”, afirmou.

“O fato de que família é o lugar onde mais se pratica a pedofilia e por educadores casados com uma percentagem superior à dos celibatários indica que a relação entre celibato e a pedofilia não é real, não existe”, acrescentou D. Juan María Uriarte.

O bispo de Espanha referiu-se à “tristíssima experiência dos casos divulgados” de pedofilia na Igreja Católica, sublinhando que “tem uma responsabilidade maior pelo seu carácter educativo, exemplar, evangélico”.

Para D. Juan María Uriarte é necessário que outras instituições se comprometam no combate ao abuso de menores para erradicar um fenómeno que “está afligindo todos”.

“O Papa Francisco seguiu uma linha que o Papa Bento XVI começou a realizar com muita determinação”, lembrou o conferencista, referindo que os casos de oposição à firmeza do Papa são de quem  tende a “ocultar a verdade”.

“É muito humano, mas pouco evangélico”, disse D. Juan Uriarte, esperando que Francisco “fique por muitos anos” e referindo que o caminho que está a seguir são “vias sem retorno”.

D. Juan Uriarte disse também que a educação para a afetividade e a sexualidade “são manifestamente insuficientes”, não só nos seminários, mas em geral.

O bispo emérito de San Sebastian considera que a educação sexual que se oferecia antes “pecava por defeito” e a que hoje é proposta “peca por superficialidade” e sustenta que há um caminho a fazer para a “educação para a afetividade e sexualidade celibatárias”.

D. Juan María Uriarte, autor do livro “O celibato – Apontamentos antropológicos, espirituais e pedagógicos” (Edições Paulinas), fez a conferência de encerramento do Simpósio do Clero, que hoje terminou em Fátima, e apresentou aos participantes uma proposta para uma vivência “sã e progressiva” do celibato sacerdotal.

Segundo o conferencista, que elaborou, com outros dois sacerdotes psicólogos, um de Itália e outro da Bélgica, um “estudo sobre alguns aspetos da situação dos presbíteros”, o clero pode dividir-se em quatro grupos relativamente ao celibato.

O primeiro grupo, que não é a maioria mas também “não é um grupo residual ou insignificante”, “vive o seu celibato dignamente e com elegância espiritual impregnada de paz e alegria e interior”, mesmo que conheça “deslizes de ordem menor”.

Para D. Juan Uriarte, no segundo grupo, mais numeroso, o celibato “é uma intensão honesta e um desafio aceitável”, mantendo viva a sua opção de viver um ministério celibatário com “ligeiros deslizes”; o terceiro existe  uma “tensão incómoda e em sofrimento que se repercute na totalidade da pessoa”.

“Existe um quatro grupo, minoritário, instalado na vida dupla, que mantém uma relação amorosa e genital com uma mulher ou uma relação simplesmente genital com várias mulheres”, acrescentou.

D. Juan Uriarte apresentou depois a vivência do celibato ao longo do percurso de vida sacerdotal, identificando as propostas para a experiência celibatária em cada etapa, desde tempos juvenis até à velhice, os possíveis desvios e propondo a formação e o acompanhamento espiritual como meios de sua recuperação.

A organização do Simpósio do Clero informou no encerramento que as conferências apresentadas serão publicadas brevemente num livro de atas.

PR

Noticia atualizada às 19h45

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