Secretário-geral da confederação internacional da organização católica fala num «barómetro» de humanidade

Roma, 21 out 2018 (Ecclesia) – A confederação internacional da Cáritas deu hoje início a uma caminhada de 1 milhão de quilómetros, em todo o mundo, em defesa dos migrantes e refugiados, uma iniciativa que se estende a vários países, incluindo Portugal.

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

“O encontro com os migrantes é provocador, mas é também o barómetro da nossa humanidade. Se rejeitamos os migrantes, eu penso que rejeitamos a humanidade e que rejeitamos Deus, também”, disse à Agência ECCLESIA o secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’, Michel Roy, em Roma.

A campanha global começou, simbolicamente, no coração da Roma antiga, dentro da igreja de Santa Maria da Luz, ponto de referência para a comunidade latino-americana na capital italiana, com a presença do cardeal Luis Antonio Tagle, presidente da confederação internacional da Cáritas.

O cardeal filipino deixou votos de que esta caminhada mundial “seja um ato de comunhão, solidariedade, com milhões de pessoas que estão a caminhar, sem saber onde a sua viagem irá terminar”.

Para o responsável, a ideia de “Partilhar a Viagem” é simbólica, mas também “muito efetiva” para passar a mensagem de solidariedade, por parte da organização católica.

A Cáritas Portuguesa explica, em comunicado, que todas as comunidades são desafiadas a participar nesta peregrinação, “física e espiritual, através da qual todos poderão aprender mais sobre aquele que caminha a seu lado, construir relações e, ao mesmo tempo, transmitir uma mensagem de união aos líderes políticos”.

Juntas, todas as organizações Cáritas no mundo pretendem alcançar um máximo de 1 milhão de quilómetros.

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

A iniciativa em Roma reuniu vários bispos e participantes no Sínodo dos Jovens, além de migrantes e trabalhadores da organização católica.

A nigeriana Beauty chegou a Roma num percurso que passou pela Líbia e a ilha de Lampedusa, como milhões de pessoas, e lamenta o clima de populismo e crispação política que se vive.

“Estou aqui para falar em nome de todas as pessoas que não estão aqui e que precisam da nossa paz em Itália. Precisamos de paz e justiça. Sem paz, não estamos confortáveis e não temos liberdade”, assumiu.

Michel Roy alertou para as consequências de uma globalização que não teve como objetivo “o desenvolvimento humano integral que a Igreja deseja”, mas a criação de “uma riqueza que não é partilhada, que é açambarcada”.

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

O secretário-geral da Cáritas Internacional recorda que a maior parte das migrações são de proximidade, pelo que as pessoas que chegam à Europa são “uma pequena parte dos migrantes, no planeta”.

“Na Europa, depois nos Estados Unidos e num certo número de países, no planeta, em vez de se tomarem em consideração as consequências negativas da globalização – e de se entender que é preciso deixar que todas estas pessoas vivam dignamente -, pelo contrário, voltam a fechar-se as portas”, lamenta.

OC

A reportagem em Roma foi realizada em parceria para a Agência Ecclesia, Família Cristã, Flor de Lis, Rádio Renascença e Voz da Verdade

Vaticano: Papa associou-se a iniciativa da Cáritas em defesa dos migrantes

 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

Deus que amas, Deus de Amor e da Vida, agradecemos-te por nos teres reunido como uma família, uma comunidade. Agradecemos-te por nos teres enviado Jesus, como um de nós. Com Jesus, sabemos que temos um Deus que viaja connosco, em carne, não apenas como um espectador, mas como alguém que conhece as alegrias e as dores, as consolações e as alegrias de fazer uma viagem nesta Terra e neste tempo como um ser humano. Agradecemos-te pelo Espírito Santo, que nos dá força para andar, correr e levantar quando caímos.

Olha com delicadeza para a comunidade reunida aqui esta manhã, ao fazermos esta pequena peregrinação até à Praça de S. Pedro. Que cada passo que dermos esta manhã seja um ato de comunhão, solidariedade, com milhões de pessoas que estão a caminhar, sem saber onde a sua viagem irá terminar. Nós sabemos que a nossa viagem terminará em S. Pedro, mas muitos estão às escuras.

Recebe a nossa pequena oferta. Que ela diminua a dor dos que sofrem a rejeição, as paredes altas e grossas, os preconceitos e discriminações. Que o nosso pequeno sacrifício desta manhã sustenha a maré do medo contra os estrangeiros, da suspeita perante o outro. Como Jesus caminhou nesta terra, imploramos-te, Pai, que nos permitas caminhar um com o outro, com Jesus, com o poder do Espírito. Que as nossas vidas sejam uma jornada para Ti, na Tua direção, na direção da Tua casa, para que possamos partilhar o banquete que preparaste para toda a humanidade e para toda a Criação. Pedimos-te isto em nome de Jesus, com o poder do Espírito Santo, um Deus, de Sempre e para Sempre.

Cardeal Luis Antonio Tagle, presidente da Caritas Internationalis

 

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