Nigéria: Padre católico assassinado por grupo de homens armados

Lisboa, 08 set 2017 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informou que o padre católico nigeriano Ciriaco Onunkwo foi morto depois de ter sido sequestrado por um grupo de homens armados, no Estado de Imo, sul da Nigéria.

Em nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, a AIS divulga que o corpo do sacerdote foi encontrado no dia 2 de setembro e a polícia calcula que tenha sido “estrangulado”, porque o corpo “não apresentava quaisquer feridas de bala ou cortes produzidos por arma branca”.

O secretariado português da AIS contextualiza que o assassinato do padre Ciriaco Onunkwo acontece numa altura em que há um agravamento dos ataques do grupo islamita Boko Haram.

Por sua vez, a Amnistia Internacional contabiliza cerca de quatro centenas de mortos em ataques realizados na Nigéria e na região fronteiriça dos Camarões, desde abril.

 “O Boko Haram está mais uma vez a cometer crimes de guerra em grande escala. Força as jovens a transportar explosivos com a única intenção de matar o maior número de pessoas possível”, alerta o diretor da Amnistia Internacional para a África Central e Ocidental, Alioune Tine.

CB

África: Fundação pontifícia alerta para «centenas de cristãos» presos na Eritreia

Lisboa, 02 abr 2016 (Ecclesia) – A Fundação Pontifícia ‘Ajuda à Igreja que Sofre’ (AIS) alerta que o regime da Eritreia “mantém centenas de cristãos nas prisões” – “mais de 300” -, dando conta das “denúncias recentes” de organizações de defesa dos direitos humanos.

“Os cristãos são uma das comunidades religiosas mais perseguidas, havendo relatos continuados que apontam para a existência da prática de tortura nas prisões eritreias”, informa a AIS.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a fundação pontifícia recorda que a Eritreia foi classificada de “Estado autoritário”, num relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), em junho de 2015.

Com 500 páginas, o relatório da Comissão de Inquérito da ONU explica que “não é a lei que rege os eritreus, mas o medo”, um país onde os cidadãos são controlados por um “grande aparato de segurança que está presente em todos os níveis da sociedade”.

Segundo a AIS, as informações da Eritreia “são muito escassas” e dá conta da página ‘Sactism’, na rede social “Facebook”, onde denunciam-se “violações” aos direitos humanos, e em dois meses conta com mais de 17 mil seguidores.

O jornal britânico ‘The Guardian’ adianta que a página ‘Sactism’ foi criada por um antigo funcionário do governo que fugiu com “uma série de documentos” que pretende ir revelando aos poucos para “expor os crimes” do regime Eritreu.

Já a ‘Amnistia Internacional’ considera que o regime do presidente Isaias Afwerki é “despótico” e alerta para a existência de prisões secretas com “mais de 10 mil presos políticos”.

A AIS também tem denunciado a situação de “extrema violência” registada na Eritreia como no relatório ‘Perseguidos e Esquecidos?’ onde o país integra as nações consideradas críticas “pelos piores motivos”.

No comunicado, a fundação pontifícia recorda que durante o período de tempo avaliado no relatório – 2013 a 2015 – quatro bispos da Eritreia publicaram uma carta onde denunciam que a situação de perseguição no país está associada à migração da população para “viverem em países pacíficos”.

CB

Diálogo Inter-religioso: Papa recebeu líder dos Yazidis

Cidade do Vaticano, 08 jan 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco recebeu hoje no Vaticano o líder da comunidade Yazidi, com uma delegação de quatro pessoas, e manifestou “proximidade espiritual” e “amparo” nas provações pela perseguição dos militantes do Estado Islâmico (EI).

Segundo a Rádio Vaticano, Francisco fez votos que se reestabeleçam condições de justiça para que a comunidade Yazidi, e todas as minorias que são alvo de discriminação e violência por parte do Estado Islâmico, vivam de forma livre e pacífica.

Neste encontro com o Papa no Vaticano para além de Sayid Ali Beg também esteve presente o líder espiritual supremo, “Baba Sheikh”, e uma delegação de três representantes Yazidis.

A delegação agradeceu a Francisco, que foi definido por um dos delegados como “o pai dos pobres”, pelo seu apoio e informou-o sobre as mulheres Yazidis, que foram sequestradas e escravizadas pelo EI, e sobre as relações de solidariedade entre as comunidades Yazidis e cristãs.

O Papa tem manifestado constantemente preocupação pelas minorias religiosas, que como os cristãos, são perseguidos pelos militantes do Estado islâmicos que querem construir um califado.

“Não posso esquecer dos outros grupos religiosos e étnicos que também sofrem perseguição e as consequências destes conflitos”, escreveu, por exemplo, Francisco na mensagem de Natal que dirigiu aos cristãos do Médio Oriente.

A Organização das Nações Unidas contabiliza que cerca de cinco mil membros da comunidade foram mortos e entre cinco a sete mil vendidos como escravos.

A Amnistia Internacional publicou o relatório ‘Escapar do inferno: tortura e escravidão sexual em cativeiro pelo Estado Islâmico no Iraque’ onde denuncia o elevado nível de violência física e psicológica que sofrem as mulheres e raparigas raptadas que são vendidas ou oferecidas a membros do EI para além de serem obrigadas a converterem-se ao Islão.

Os Yazidis praticam uma religião pré-islâmica, na qual é adorada uma divindade normalmente representada na forma de um anjo pavão, e são cerca de um milhão e meio de pessoas no mundo.

“Meio milhão estão no Iraque e os restantes vivem na Turquia, Geórgia, Armênia, entre outros países”, informa a emissora do Vaticano que explica que a maior parte “vive ou é originária da província de Ninawa”, no norte do Iraque.

Durante a década de 1980 cerca de quatro mil aldeias Yazidis “foram destruídas” pelo governo Iraquiano “contra a insurgência dos curdos”, recorda a Rádio Vaticano.

Em agosto de 2007, acrescenta, morreram aproximadamente 500 membros da comunidade numa “série de atentados bombistas, no ataque suicida mais mortífero da Guerra do Iraque”.

RV/CB

Paz: Observatório espera pronta ratificação portuguesa do tratado sobre o comércio de armas

Lisboa, 18 fev 2014 (Ecclesia) – O Observatório Permanente sobre a Produção, Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras revela que Portugal aguarda autorização do Conselho da União Europeia para ratificar o tratado sobre o comércio de armas, que pode acontecer ainda este mês.

Iniciada a sua preparação, nas Nações Unidas, em dezembro de 2006, o processo foi terminado em 2 de abril de 2013 “após inúmeras vicissitudes, que o Observatório acompanhou com algum pormenor”, informa o portal da instituição, ligada à Comissão Nacional Justiça e Paz da Igreja Católica.

Na sessão de 3 a 6 de fevereiro de 2014, o Parlamento Europeu aprovou uma declaração em que “exorta o Conselho a autorizar, no interesse da União Europeia, a ratificação do tratado pelos Estados-Membros”.

Com esta decisão, o Observatório Permanente sobre a Produção, Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras em conjunto com outras cinco entidades da sociedade civil (Amnistia Internacional portuguesa, Comissão Justiça e Paz, Observatório sobre o Género e Violência Armada do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Pax Christi – Portugal, Pro Dignitate – Fundação de Direitos Humanos) “instaram o governo português em maio de 2013 a conduzir o processo interno de ratificação do Tratado sobre o Comércio de Armas”.

À solicitação destas entidades o Ministério dos Negócios Estrangeiros “confirmou o seu interesse em proceder de acordo com o sugerido”, refere a nota publicada no portal do Observatório Permanente sobre a Produção, Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras.

“Ao longo destes anos Portugal e os restantes países da União Europeia e a própria lutaram por um tratado forte e abrangente” levando a que o processo de assinaturas que foi aberto nas Nações Unidas a partir de junho de 2013, tenha já recolhido 116 assinaturas”, estando agora em curso “a fase de ratificação do tratado por parte dos países signatários”, algo que foi feito até agora “por apenas 11 países”.

“Espera-se que, de facto, o processo interno de ratificação corra célere, e que, antes do fim do inverno, a Assembleia da República, possa debruçar-se sobre este assunto”, deseja a entidade criada pela Comissão Nacional Justiça e Paz em finais de 2004.

MD

México: Grupo armado violou, agrediu e roubou jovens católicos

Cidade do México, 16 jul 2012 (Ecclesia) – Um grupo armado violou esta quinta-feira sete raparigas menores que participavam num acampamento de 90 jovens católicos, nos arredores da Cidade do México.

Segundo a notícia divulgada no domingo pela Rádio Vaticano, os assaltantes, que estiveram no acampamento entre a meia-noite e as três da manhã, também agrediram e roubaram os jovens.

Os investigadores colocam a hipótese de o único guarda-florestal do parque ter facultado o acesso aos agressores.

De acordo com um relatório publicado na quarta-feira pela Amnistia Internacional, a polícia resolve um caso de violação de mulheres sobre 21, adianta a Rádio Vaticano.

Na visita ao México que realizou de 23 a 26 de março, Bento XVI deixou uma palavra de “gratidão e admiração pelos que semeiam o Evangelho entre espinhos” e animou-os a testemunhar o cristianismo sem se deixarem “atemorizar pelas contrariedades”.

RJM/OC

Sudão: Plataforma portuguesa alerta para «situação crítica» no Darfur

Lisboa, 13 out 2011 (Ecclesia) – A Plataforma Por Darfur, que reúne várias organizações portuguesas, promove hoje ao Chiado, em Lisboa, um conjunto de manifestações para alertar para a “situação crítica” na região ocidental do Sudão.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, refere-se que a partir das 17h30, na Livraria Bertrand, vai ser entregue o valor obtido pelas vendas do livro ‘Lágrimas do Darfur’ e decorre um encontro com o padre Feliz, missionário comboniano que se encontra desde há duas décadas no Sudão, os últimos cinco na região do Nyala (um dos locais mais violentos da região).

O grupo ‘Tocá Rufar’ vai atuar no local, onde vão ser distribuídos folhetos à população explicando esta iniciativa que está integrada na campanha internacional ‘Beat for Peace’ e que já conta com a participação de centenas de artistas internacionais.

A Plataforma porDarfur (www.pordarfur.org) é dinamizada pela Africa-Europe Faith and Justice Network, Amnistia Internacional, Missionários Combonianos, Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, Fundação AIS, Fundação Gonçalo da Silveira e Associação Mãos Unidas Padre Damião.

As organizações têm como objetivo “informar e sensibilizar os portugueses para a situação crítica que continua a viver-se nesta região do Sudão, com campos de refugiados superpovoados, centenas de milhares de pessoas deslocadas de suas casas e um conflito regional tão sangrento cuja contabilidade já escapa aos próprios observadores internacionais e às autoridades locais: cerca de 450 mil mortos e três milhões de desalojados”.

O montante recolhido pela venda do livro ‘Lágrimas do Darfur’, de Halima Bashir e Damian Lewis, editado em 2009 com a chancela Albatroz, do Grupo Porto Editora, foi de 7331 euros.

OC

EUA: Homem executado apesar dos pedidos de clemência do Vaticano

Lisboa, 22 set 2011 (Ecclesia) – O norte-americano Troy Davis, de 42 anos, foi executado esta quarta-feira na Geórgia, Estados Unidos, pelo alegado homicídio de um agente da polícia, apesar de uma onda de solidariedade que contou com o apoio do Vaticano.

Horas antes do cumprimento da sentença (23h08 locais), no estabelecimento prisional de Jackson, o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, da Santa Sé, tinha apelado às autoridades para que “salvassem uma vida e apostassem na transformação do condenado”.

Em declarações à Rádio Vaticano, o cardeal Peter Turkson realçava ainda que um gesto de clemência “poderia contribuir para o nascimento de um sistema que, em vez de eliminar uma vida favorece a sua reintegração na sociedade”.

Há 20 anos no corredor da morte, Troy Davis sempre alegrou a sua inocência, apoiando-se no facto da sua condenação se ter baseado em testemunhos de pessoas que, na sua grande maioria, prestaram mais tarde declarações onde não o reconheciam como autor do crime.

O seu caso foi sofrendo diversos atrasos e adiamentos, o último dos quais em 2007, depois do Papa Bento XVI ter enviado uma mensagem através do núncio apostólico de Washington, em que pedia a comutação da pena para prisão perpétua.

Mesmo agora, enquanto a injeção letal estava a ser aplicada, decorriam manifestações a favor de Troy Davis, em frente à Casa Branca, por iniciativa da delegação da Amnistia Internacional nos Estados Unidos.

De acordo com aquele organismo, o país tem atualmente mais de 3200 pessoas no corredor da morte, sendo que uma centena de casos dizem respeito a crimes ocorridos no Estado da Geórgia.

RV/JCP