Um lugar para a Eucaristia

“Quando Cristo Senhor estava para celebrar com os discípulos a ceia pascal, na qual instituiu o sacrifício do seu Corpo e Sangue, mandou preparar uma grande sala mobilada (Lc 22, 12). A Igreja sempre entendeu que esta ordem lhe dizia respeito e, por isso, foi estabelecendo normas para a celebração da santíssima Eucaristia, no que se refere às disposições da alma, aos lugares, aos ritos, aos textos…” (Instrução Geral do Missal Romano [4 de Dezembro de 2003], 1). Em 17 de Abril de 2003, o Papa João Paulo II, publicara a Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, no Ano do Rosário que precedeu o Ano da Eucaristia e a primeira Encíclica do Papa Bento XVI, “Deus, caritas est”. Deste modo se vê uma continuidade e aprofundamento do Magistério da Igreja, implicando a praxis cristã. Ao apreço que os fiéis e a Igreja sempre deram e continuam a dar à Eucaristia deverão corresponder formas adequadas de a celebrar. Por isso, importa relembrar a solicitude que a Igreja sempre teve pelos lugares, pelos gestos e atitudes, pelos objectos e pelas artes. Esta pequena série de reflexões porão em evidência o que é dito na Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia ([EE], capítulo V). “Quando alguém lê o relato da instituição da Eucaristia nos Evangelhos Sinópticos, fica admirado ao ver a simplicidade e simultaneamente a dignidade com que Jesus, na noite da Última Ceia, institui este grande sacramento. Há um episódio que, de certo modo, lhe serve de prelúdio: é a unção de Betânia. Uma mulher, que João identifica como sendo Maria, irmã de Lázaro, derrama sobre a cabeça de Jesus um vaso de perfume precioso, suscitando nos discípulos – particularmente em Judas (Mt 26, 8; Mc 14, 4; Jo 12, 4) – uma reacção de protesto contra tal gesto que, em face das necessidades dos pobres, constituía um «desperdício» intolerável. Mas Jesus faz uma avaliação muito diferente: sem nada tirar ao dever da caridade para com os necessitados, aos quais sempre se hão-de dedicar os discípulos – «Pobres, sempre os tereis convosco» (Jo 12, 8; cf. Mt 26, 11; Mc 14, 7) –, Ele pensa no momento já próximo da sua morte e sepultura, considerando a unção que Lhe foi feita como uma antecipação daquelas honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa. “Nos Evangelhos Sinópticos, a narração continua com o encargo dado por Jesus aos discípulos para fazerem uma cuidadosa preparação da «grande sala», necessária para comer a ceia pascal (cf. Mc 14, 15; Lc 22, 12), e com a descrição da instituição da Eucaristia. Deixando entrever, pelo menos em parte, o desenrolar dos ritos hebraicos da ceia pascal até ao canto do «Hallel» (cf. Mt 26, 30; Mc 14, 26), o relato, de maneira tão concisa como solene, embora com variantes nas diversas tradições, refere as palavras pronunciadas por Cristo sobre o pão e sobre o vinho, assumidos por Ele como expressões concretas do seu corpo entregue e do seu sangue derramado. Todos estes particulares são recordados pelos evangelistas à luz duma prática, consolidada já na Igreja primitiva, da «fracção do pão». O certo é que, desde o tempo histórico de Jesus, no acontecimento de Quinta-feira Santa são visíveis os traços duma «sensibilidade» litúrgica, modulada sobre a tradição do Antigo Testamento e pronta a remodelar-se na celebração cristã em sintonia com o novo conteúdo da Páscoa (EE, 47). “Tal como a mulher da unção de Betânia, a Igreja não temeu «desperdiçar», investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia. À semelhança dos primeiros discípulos encarregados de preparar a «grande sala», ela sentiu-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a herança ritual do judaísmo, que nasceu a liturgia cristã. Porventura haverá algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo à Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gerações de crentes o sacrifício que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fiéis? Se a ideia do «banquete» inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu à tentação de banalizar esta «intimidade» com o seu Esposo, recordando-se que Ele é também o seu Senhor e que, embora «banquete», permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no Gólgota. O Banquete eucarístico é verdadeiramente banquete «sagrado», onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus…” (EE, 48). A tentação do acessível, identificado com o medíocre, é constante, sobretudo em mentalidades consumistas. Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto

FNIS encerra Ano do Rosário

A FNIS – Federação Nacional dos Institutos Seculares – realizou, dia 25 de Outubro, uma Peregrinação Nacional a Fátima, que reuniu cerca de 400 pessoas, sendo a maioria membros dos Institutos Seculares que formam esta Federação. A Peregrinação, inserida ainda no espírito do Ano do Rosário, teve como objectivo primordial “testemunhar o amor dos consagrados seculares a Maria – mulher consagrada secular – , mas pretendeu também afirmar a sua fidelidade e adesão à Igreja, muito especialmente ao Santo Padre, respondendo ao seu apelo na oração e divulgação do Rosário” – refere o comunicado da FNIS. Inseridos no Programa de celebrações do Santuário, os consagrados seculares apresentaram, durante as celebrações do Terço, na Capelinha, e da Eucaristia, na Basílica, um símbolo da Campanha do Rosário feita ao longo do ano, oferendo a Nossa Senhora um Terço todo de “frescas rosas, brancas e amarelas, significativas do duplo compromisso de oração e de empenhamento das pessoas comprometidas nesta campanha, e que foram na ordem das dezenas de milhar” – sublinha o documento.

Peregrinação na Festa do Rosário

“O Rosário é oração da família e pela família. Antes era rezado todos os dias nas casas dos cristãos e fortalecia a unidade familiar, ajudava a perdoar e a sofrer com paciência as debilidades e fraquezas dos membros do lar” – referiu D. Teodoro de Faria, bispo do Funchal, dia 5 de Outubro, no encerramento do Ano do Rosário naquela diocese com uma peregrinação ao Terreiro da Luta. Depois da caminhada, os peregrinos rezaram o terço do Rosário e participaram na Eucaristia presidida por D. Teodoro de Faria que tinha junto a si uma parte significativa do seu presbitério. Na sua mensagem, o prelado historiou o Ano do Rosário, como iniciativa de João Paulo II, com a sua carta apostólica intitulada “O Rosário da Virgem Maria”, como oração predilecta do Papa. Nessa carta – refere o bispo do Funchal – João Paulo II “exortou-nos à «contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de Sua Mãe Santíssima». O alcance deste documento do Papa “foi enorme”. “Comoveu e entusiasmou os cristãos, que nalguns países onde esta oração tinha diminuído ou quase desaparecido reapareceu com renovado ardor, como se fosse uma novidade na Igreja”.. Seguidamente, D. Teodoro de Faria passou a esclarecer a essência desta oração, à luz do documento do Papa. “Que aprendemos na «escola de Maria e em sua companhia»? – pergunta o bispo. “O Rosário é uma oração contemplativa do rosto de Jesus Cristo, através do coração de Maria que esteve sempre mais perto do coração do seu Filho” – respondeu o prelado à sua questão. E acrescenta: “A família que reza coloca Jesus no meio da sua casa”.

Braga: Unidades Paroquiais de Acção Pastoral

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, propôs a criação de Unidades Paroquiais de Acção Pastoral, uma experiência pastoral que exige a articulação de “esforços e energias”. A proposta foi apresentada, dia 13 de Setembro, no encerramento da terceira Assembleia Diocesana de Catequistas, que decorreu na basílica do Sameiro, em Braga. Neste encontro, estiveram presentes cerca de seiscentos educadores na fé, a quem foi apresentado o novo coordenador do Departamento Arquidiocesano da Catequese. Presidindo à vigília mariana enquadrada na celebração do Ano do Rosário, que encerra no próximo mês, o Arcebispo de Braga falou da “importância das Equipas Arciprestais para todos os sectores” da pastoral, acrescentando que é também isso que se pretende com a criação das Unidades Paroquiais de Acção Pastoral (UPAP). A sua concretização, reconheceu D. Jorge Ortiga, está relacionada com a diminuição do número de sacerdotes. “Há párocos com várias paróquias” – informou, acrescentando que a nova medida também tem em vista um maior empenho dos leigos na vida da Igreja. “As deslocações não oferecem problemas e os espaços começam a existir” – disse. Criadas as condições, o arcebispo referiu que “torna-se imperioso lutar contra o bairrismo apaixonado ou consciência errada de paróquia”. Esta estrutura nuclear da Igreja “deverá ser, sempre, comunidade aberta e como tal em permanente interacção”. Quanto à concretização das unidades paroquiais, disse D. Jorge Ortiga: “num mundo secularizado e marcado pelo relativismo e individualismo, temos de reconhecer uma perda de referência eclesial e uma grande dificuldade para trabalhar unidos em projectos comuns”.

Igreja Eborense fez-se peregrina de Fátima

O presente ano de 2003 tem registado uma maior afluência de peregrinações diocesanas ao Santuário de Fátima, fluxo talvez resultante da proclamação, pelo Papa João Paulo II deste ano, como Ano do Rosário. Hoje, dia 31, foi a Arquidiocese de Évora, na semana passada, a Diocese de Portalegre – Castelo Branco, para o próximo dia 15 de Junho está prevista a peregrinação do Patriarcado de Lisboa. Foram cerca de 4.000, os diocesanos de Évora que, juntamente, com o seu Arcebispo, D. Maurílio Gouveia, o Bispo auxiliar, D. Amândio Tomás e 50 sacerdotes e diáconos peregrinaram até ao Santuário de Fátima. Para a Igreja Eborense foi uma verdadeira jornada de oração, que teve início, pelas 10h15, com a meditação e recitação dos mistérios do Rosário, na Capelinha das Aparições, ao que se seguiu uma concelebração eucarística, no altar do Recinto de Oração. Esta celebração finalizou com a procissão do «Adeus», onde os fiéis alentejanos saudaram a imagem da Senhora do Rosário de Fátima, não com os tradicionais lenços brancos, mas com os lenços de várias cores que envergavam ao pescoço, símbolos das suas regiões pastorais. Na palavras que dirigiu à assembleia celebrante, o Arcebispo de Évora, comentando os textos bíblicos da Visitação de Nossa Senhora, festa que hoje se celebra, comparou, citando o Concílio Vaticano II, a peregrinação da Arquidiocese a Fátima, à «peregrinação na fé (de Maria), mantendo fielmente a união com o seu Filho até à cruz». No final da homilia, D. Maurílio relembrou que «uma das missões fundamentais da Igreja consiste em educar na fé os seus membros». Uma tarefa que, segundo o prelado, se torna «imperiosa e urgente nos nossos dias, em que o ambiente de secularismo e materialismo em se vive», põe a fé à prova. Terminou, apelando a todos os fiéis para anunciarem aos homens contemporâneos a mensagem de Jesus Cristo, de modo a que, pelo seu exemplo, estes adiram a Cristo e encontrem a solução fundamental para os problemas da existência. Sérgio Carvalho

Bispo do Algarve benze e inaugura capela do Poço Barreto

A comunidade cristã do Poço Barreto, na freguesia de Silves, irá viver no próximo domingo, dia 6 de Fevereiro, um dia memorável pelo qual anseia há muito tempo. O Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, irá proceder à bênção e inauguração da capela local e espaços anexos, um projecto há muito sonhado pela população local. A capela de Nossa Senhora do Rosário, agora pronta para servir de espaço de culto aos habitantes daquela localidade, foi construída em terreno, propriedade da comunidade paroquial, doado há 40 anos atrás por um seu paroquiano. Para além da capela, a nova estrutura integra igualmente quatro salas anexas que irão servir para catequese, reuniões e encontros. Iniciada em Fevereiro de 2001, em pleno Ano do Rosário, a obra orçou em cerca de 350 mil Euros e foram integralmente suportadas pela paróquia de Silves. Conforme adiantou o padre Dinis Ferro, pároco de Silves, «ao longo destes 40 anos várias foram as iniciativas que a comunidade local levou a cabo com a finalidade de angariar fundos para a construção da nova estrutura». A comunidade cristã, constituída por cerca de 80 fiéis, reunia-se uma vez por mês na Escola de E/B 1 local, utilizada até agora para a celebração da Eucaristia, intercalada com a Celebração da Palavra. O padre Dinis Ferro defende que «a partir de agora, com a nova infra-estrutura concluída no princípio do passado mês de Janeiro, estão reunidas as condições mínimas para que se passe a celebrar Eucaristia de 15 em 15 dias, intercalada com a Celebração da Palavra».

Encerramento do Ano do Rosário em Beja

Nestes dias de Outubro a Igreja Católica está envolvida numa grande acção de graças a Deus pelos 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II e pelo dom do Rosário, desde há muitos séculos a oração dos simples e dos sábios, muito pedida em Fátima através dos três pastorinhos e muito recomendada pelo actual Sumo Pontífice, que declarou este vigésimo quinto aniversário do seu papado Ano Santo do Rosário, com encerramento marcado para o próximo domingo, dia 19 de Outubro. Também na diocese de Beja nos queremos unir ao Santo Padre e a toda a Igreja nesta grande acção de graças. Por isso convido a todos os diocesanos, sobretudo aos de mais perto de Beja, para virem até à Sé Catedral, no dia 19, domingo, às 17,00 horas. Vamos fazer uma celebração solene do Terço e da Eucaristia dominical, com a presidência do bispo. Nessa celebração será lida uma mensagem a enviar ao Santo Padre, em nome da Igreja de Beja. Nas paróquias mais distantes de Beja, como foi pedido aos párocos nas últimas reuniões arciprestais, celebrar-se-á este acontecimento do modo mais conveniente, para associar todos os fiéis às intenções da Igreja em todo o mundo. † António Vitalino, Bispo de Beja

Ano do Rosário com recordes de vendas nas publicações religiosas

Centenas de milhares de publicações relacionadas com a Oração do Rosário foram adquiridas em Portugal desde Outubro de 2002, altura em que João Paulo II proclamou a celebração do “Ano do Rosário”. A Agência ECCLESIA sabe que o opúsculo sobre o Ano do Rosário publicado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) superou o meio milhão de exemplares. Embora grande da obra “O Rosário com João Paulo II” tenha sido distribuída gratuitamente no Santuário de Fátima a 500.000 peregrinos, a publicação editada pelo Secretariado Geral da CEP tem nas livrarias uma 3ª edição, correspondente a quase 10.000 exemplares vendidos. A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, por seu turno, iniciou uma campanha inédita em Portugal de distribuição gratuita de 100 mil livros – que auxiliam na meditação dos Mistérios que compõem esta oração – e de 100 mil terços, até ao final deste mês de Outubro, altura em que terminará o Ano do Rosário. A Paulus Editora também dá conta de uma grande adesão dos portugueses às publicações referentes a esta oração mariana. O livro “Rosário da Virgem Maria” vai já na 3ª edição, num total de sete mil exemplares: “na capa desta publicação chamávamos a atenção que de Outubro de 2002 a Outubro de 2003 iria decorrer o Ano do Rosário e penso termos sido pioneiros nesta divulgação”, revela à Agência ECCLESIA o Pe. Agostinho França. “Na sequência da Carta Apostólica de João Paulo II Rosarium Virginis Mariae publicámos um livro sobre os mistérios luminosos que também teve 3 edições, totalizando 9 mil exemplares, mas ainda estamos a receber pedidos”, acrescenta, lamentando que a voz do Papa tenha chegado tarde a certas locais de Portugal. “Os mistérios do Rosário foi outra das publicações, com sete mil exemplares, que ainda se está a vender”, conclui. O CD intitulado “O Rosário”, lançado pelo Movimento dos Focolares também superou todas as expectativas e encontra-se já na sua 2ª edição. Produzido pela Editora Cidade Nova, do mesmo Movimento, este trabalho é composto por 2 CD áudio, com as passagens bíblicas correspondentes aos Mistérios da alegria, da luz, da dor e da glória, além de 9 faixas musicais e um livrete de 32 páginas com o material incluído nos CD’s. Os números revelam, de facto, o grande interesse que as publicações ligadas à oração do Rosário despertaram no nosso país, atendendo a que nesta contagem não se encontram incluídas as obras anteriormente existentes sobre esta matéria e que também registaram uma saída superior ao normal, segundo as editoras. Um total próximo dos 700.000 livros espelha o aumento da oferta e da procura de materiais relacionados com a oração mariana mais popular de todas.

Homilia da Peregrinação Nacional do Movimento dos Convívios Fraternos

14 de Setembro de 2003 Leituras: Núm. 21, 4-9: A serpente erguida, sinal de morte e de vida. Sl 77 (78): Não esqueçais as obras do Senhor. Fil. 2, 6-11: Cristo obediente até à morte de Cruz. Jo 3, 13-17: Deus amou de tal modo o mundo que lhe enviou Seu Filho, não para o condenar, mas para o salvar. “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16) 1. Amados peregrinos do Santuário de N.ª S.ª de Fátima, neste momento, estamos a celebrar a Eucaristia, acontecimento central da nossa fé, que é memória e actualização da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus para nossa salvação. É estranho e incrível que os cristãos celebrem a morte de um condenado na cruz como acontecimento nuclear de salvação! E que hoje até se celebre uma festa com o título de exaltação do instrumento dessa morte, a cruz, cuja liturgia se sobrepôs à do 24.º domingo do tempo comum! Mas, afinal, que Deus é este que nós adoramos e seguimos, que se deixa morrer numa cruz?! Que força simbólica tem essa cruz, a ponto de tantos a quererem ter nas suas casas, nas ermidas, nas igrejas, nas encruzilhadas dos caminhos, nos cemitérios e muitas pessoas, mesmo não se confessando cristãs, a trazerem ao peito?! 2. Detenhamo-nos, por breves momentos, a reflectir sobre o mistério do sofrimento, da morte na cruz e a nossa fé, que nos leva a acreditar na vida e no poder de Deus expresso no aniquilamento da morte na cruz. Trata-se de interrogações a que não podemos fugir e para as quais não podemos deixar de procurar explicações, para entendermos o significado da vida de Jesus e também da nossa vida cristã. Não podemos fazer de conta que o sofrimento e a morte não existem, que Cristo não precisava de sofrer, que a cruz foi um acidente evitável. Se não compreendemos o significado da paixão e Morte de Jesus, ou, pelo menos, aceitarmos esta manifestação do amor de Deus, também não escutaremos o desafio feito por Jesus: Quem quiser ser meu discípulo negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 3. Escutemos algumas perspectivas de resposta dadas pela Liturgia da festa que estamos a celebrar. a) Em primeiro lugar, o evangelho de S. João relaciona a vida e morte de Cristo na cruz com a serpente levantada por Moisés no deserto. A mesma serpente que era instrumento de morte tornou-se instrumento de salvação para quem não hesitasse em encará-la. Assim Jesus é entregue aos homens e levantado na crus para sua salvação. O Filho de Deus identifica-se com a humanidade, frágil e pecadora, assume o seu sofrimento e dá perspectivas de vida eterna a quem olhar para o Crucificado e n’Ele acreditar. b) S. Paulo, na carta aos Filipenses, escreve um hino ao desenrolar da vida de Cristo, entendida como dinamismo do amor, que desde o mistério de Deus baixa até ao homem e consigo arrasta toda a criação até à manifestação da glória final, para alegria e salvação de todos os que se deixam amar. 4. Quase dois mil anos depois destes acontecimentos históricos, somos convidados também a olhar para Jesus, para a Sua Paixão e Morte, para Jesus suspenso na Cruz. Somos desafiados a aceitar a Cruz como bendita, salvadora e a cantar-lhe hinos de louvor. Somos interpelados para fazer da lógica da semente, do grão de trigo lançado à terra, que tem de morrer para dar fruto, também a lógica da nossa vida cristã. Viemos até Fátima pedir ao Senhor por intermédio de sua Mãe, Maria, a força para completarmos em nós o que falta à Paixão e Morte de Jesus, para também nós carregarmos a cruz nossos limites e incapacidades, a cruz das vítimas do pecado dos homens, a cruz tantas vezes imposta ao seu semelhante pelos homens de coração duro, egoísta e insensível, sem capacidade para o amor misericordioso, que perdoa e procura construir a paz, a comunhão. 5. Vivemos numa civilização que tem dificuldade em integrar e aceitar o sofrimento e a morte como parte da vida e condição do amor sem condições ou restrições. Tentamos eliminar tudo o que pode fazer sofrer ou lembrar a dor e a morte. Relegamos os deficientes, os doentes, os idosos e os mortos para dentro das paredes dos asilos, dos lares, dos hospitais, das casas mortuárias. Alimentamos a ilusão da vida sem dor e sem cruz. Por isso desanimamos e quase enlouquecemos quando ela nos bate à porta. Estamos cegos pela nossa visão materialista, que não vê para além das fronteiras da matéria perecível. Esperamos tudo da ciência e pouco do Senhor da vida. Já S. Paulo se queixava que muitos repudiavam a Cruz de Cristo, uns como loucura, outros como escândalo. No entanto, afirma o mesmo S. Paulo, sabedoria de Deus e vida de Cristo e dos seus discípulos (1 Cor 1, 23 ss). 6. Estimados peregrinos de Nossa Senhora de Fátima, estão hoje connosco muitos jovens, a maioria ligados ao Movimento dos Convívios Fraternos, lançado na nossa igreja portuguesa há 35 anos por um sacerdote de Avanca, aqui presente, o Pe. António Valente de Matos. Este apóstolo da juventude compreendeu cedo e bem que a Igreja é mistério de comunhão e participação, convocada para a missão de, em Cristo e por Cristo, reconciliar as pessoas com Deus e entre si, tornando-se cada vez mais sinal e testemunha credível do Reino de Deus. Este sacerdote compreendeu também que todos somos chamados a participar nesta missão, que os jovens não podem ser excluídos, antes pelo contrário, que os jovens são as melhores testemunhas de Cristo e dos valores do seu Reino para os outros jovens. Como diz repetidamente o Papa João Paulo II, os jovens são um laboratório da fé, esperança de uma nova aurora, construtores duma nova sociedade. Jesus Cristo, o Papa e eu, unido a ele, contamos com a resposta dada pelo movimento dos convívios fraternos às aspirações profundas dos jovens. 7. Oxalá esta peregrinação a Fátima, neste dia da festa da Exaltação da Santa Cruz, contribua para compreendermos melhor o mistério do amor de Deus expresso no dom da vida na cruz. Sabemos que há dois mil anos só alguns não fugiram diante de Jesus de Nazaré, suspenso na cruz. Sabem quem ficou de pé, junto à cruz, no Calvário? Maria, Mãe de Jesus, onde a lança também atravessou o seu coração, mais um apóstolo de entre doze e algumas mulheres. Foi lá que essa mulher forte nos foi dada também como nossa mãe. Foi ela que nos trouxe aqui, confiando no seu testemunho de mulher santa e corajosa, na sua protecção como nossa mãe. A ela confiamos as cruzes da nossa vida, apresentamos-lhe as intenções do Santo Padre, em missão apostólica na Eslováquia e encomendamos ao seu amor materno os jovens e todos os que nos são queridos e cujos sofrimentos conhecemos e sentimos, para que também nos mantenhamos firmes junto de todos os que sofrem, sobretudo daqueles com quem vivemos, familiares e vizinhos. 8. Mas hoje é domingo, dia da Ressurreição do Senhor, vencedor da morte e do pecado. Isto dá-nos ânimo, coragem e alegria, pois temos a certeza que, unidos a Cristo, não estamos condenados à injustiça, ao sofrimento e à morte sem sentido, mas à plenitude de vida em Deus, à semelhança de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, modelo perfeito da vocação humana. Por isso, sofremos com paciência e alegria as contradições deste mundo e aqui as viemos confiar a Maria, neste Ano do Rosário. Com ela, queremos deixar ecoar nos nossos corações e nos nossos lares as suas palavras: Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a vossa vontade. Com toda a tradição da Igreja, olhando para a imagem que nos recorda as aparições de 1917, aqui em Fátima, com a simplicidade e a confiança dos pastorinhos, rezamos: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amen! + António Vitalino, Bispo de Beja

Da Palavra à Eucaristia

Passados 40 anos do Concílio, o Ano da Eucaristia pode constituir uma importante ocasião para as comunidades cristãs fazerem um exame sobre este ponto (MND 13). (mais…)

O segredo do Pontificado de João Paulo II

João Paulo II “é um homem temperado e robustecido pelo sacrifício, pelo trabalho e pelo desporto”. Condições deste homem do leste, iniciou o Pontificado em 1978 que “se adivinhava longo e que, apesar dos acidentes de uma saúde contrariada e ferida, acaba de atingir uma duração invulgar ao perfazer 25 anos de actividade” – palavras iniciais da homilia de D. Armindo Lopes Coelho, bispo do Porto, na celebração do Te Deum, dia 19 de Outubro, na Sé do Porto, no 25º aniversário do Pontificado de João Paulo II. Uma homilia que coloca em destaque os valores defendidos por João Paulo II ao longo do seu Pontificado. “Os problemas da saúde, nomeadamente na sua dimensão ética, da biologia e da bioética; a defesa da família à base do projecto revelado de Deus e à luz do evangelho e da melhor tradição cristã; o conjunto dos direitos humanos: a apologia e defesa das crianças, o carinho com os idosos e doentes, a doutrina social da Igreja, as mensagens de paz e as intervenções em favor da paz (mesmo quando a guerra parece inevitável, o Papa não deixa de proclamar que a paz é possível – contra spem in spem credidit – acredita na paz e no seu coração projecta a paz mesmo quando todos se precipitam para a guerra. Tem aversão à guerra: Guerra, nunca mais…)”. Valores não influenciáveis pelo “peso das maiorias” – sublinha D. Armindo Lopes Coelho. Sobre a relação de João Paulo II com os jovem, o prelado do Porto afirma “que os jovens são uma das suas paixões”. E adianta: “Os jovens são e sentem que são a esperança que enche o coração do Papa e preenche grande parte dos seus documentos e apelos”. A homenagem a João Paulo II é a “participação festiva num jubileu” em que de João Paulo II foram e estão a “ser lembradas virtudes, actividades, benefícios para a igreja e para o mundo, e também porventura defeitos, resistências, não cedências doutrinais… Sabem-se do Papa muitas coisas, incluindo muitos segredos. Permito-me, porventura com presunção nem grave nem ferida de exclusividade, indicar o segredo da sua vida, santidade e exemplaridade: Em 16 de Outubro de 2002 João Paulo II publicou uma Carta Apostólica – “Rosarium Virginis Mariae”, para introduzir o Ano do Rosário no início do vigésimo quinto ano do seu Pontificado. Depois de nos contar a história da sua devoção à Mãe de Deus, escreve: “ Com estas palavras, meus caros Irmãos e Irmãs, inseria no ritmo quotidiano do Rosário o meu primeiro ano de Pontificado” – finaliza D. Armindo Lopes Coelho.

Jovens encontram-se com a cruz

“Colaborar com Cristo na salvação dos homens e mulheres do nosso tempo, aceitando a Cruz, que a carne e o mundo fizeram pesar sobre nós” – Foi este o apelo feito pelo Bispo de Viana, D. José Pedreira, dia 9 de Outubro, a propósito da presença em Portugal, até ao próximo dia 22, da chamada Cruz dos Jovens. D. José Augusto Pedreira, que presidiu à missa celebrada na Sé Catedral, disse que se trata de uma oportunidade para os cristãos, particularmente os jovens, terem um “momento forte de encontro com Deus”; de “horas densas” para “descobrir a vocação na Igreja e ir ao encontro dos irmãos, particularmente dos que caminham em sentido contrário ao projecto que Deus traçou”. Estas palavras foram proferidas na presença do ícone mariano que, por todo o mundo, acompanha uma cruz de madeira com 3,8 metros de altura e 1,75 de largura, e que foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em Abril de 1984, no final do Ano Santo da Redenção. Na homilia, D. José Augusto Pedreira acrescentou que “também a cultura contemporânea, centrada na procura do bem-estar, do prazer, da abundância, da satisfação que nos pode advir do gozo do momento presente, não se sente bem com a contemplação de Deus escondido no sofrimento. Prefere a religião das obras ao sofrimento, a glória à cruz, a força à fraqueza, à sabedoria à loucura”. No dia seguinte, 10 Outubro, a Cruz esteve na diocese de Braga onde D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, presidiu à vigília de oração animada pelo departamento da pastoral Juvenil. Aos jovens presentes pediu para “olharem para a Cruz e verem ali o caminho da Redenção”. Quando entregou este símbolo à diocese de Lamego apelou aos jovens que a receberam “para se empenharem no trabalho com a juventude”. Em Lamego, D. Jacinto Botelho aproveitou a presença da Cruz para celebrar os 25 anos de Pontificado de João Paulo II e fazer o encerramento do Ano do Rosário. Em declarações à Agência ECCLESIA o Pe. João Carlos, da Pastoral Juvenil daquela diocese, referiu que “a cruz é uma das intuições mais criativas deste pontificado”. Por sua vez, o prelado sublinhou que “a cruz não é um objecto de magia mas o sinal do amor de Deus para com os homens”. Ao despedir-se da cruz, que esteve dias 12 e 13 de Outubro, em Fátima, alertou para “levai este cristo como sinal da «Boa Nova». Nos próximos dias a Cruz das Jornadas estará: Viseu (14), Guarda (15), Coimbra (16), Algarve (17), Lisboa (18), Santarém (19), Beja (20), Aveiro (21) e Vila Real (22).

Cristãos de Coimbra rezaram mais o terço

No dia 11 de Outubro, as paróquias da diocese de Coimbra irão fazer “uma procissão ou vigília” onde “recitarão o Rosário por intenções comuns” – disse à Agência ECCLESIA D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, a propósito do encerramento do Ano do Rosário. Em todas as paróquias será “distribuída uma folha programática para essa vigília ou procissão conforme as condições climatéricas”. Uma semana depois, dia 18 de Outubro, pensamos “estar presentes no grande encontro do Estádio Nacional para o Terço Vivo” – disse o prelado. Ao fazer uma avaliação do ano do Rosário, D. Albino Cleto refere que os cristãos de Coimbra “ rezaram mais o terço” mas “não creio que tenham rezado com maior consciência da importância do Rosário”. E adianta: “sabiam que este era o ano do Rosário”.

Terço no Perú bate recorde do Guinnes

A arquidiocese de Lima concluirá em Outubro as celebrações do Ano do Rosário com a recitação de um Rosário de dimensões nunca vistas na história, pedindo pelas intenções, saúde e ministério de João Paulo II. Porta-vozes do arquiepiscopado indicaram que para a ocasião será confeccionado um Rosário cujas contas terão 80 cm de diâmetro e se estenderão pelos 428 metros que constituem todo o perímetro da grande Praça Maior de Lima – que servirá também de local para a Celebração da Missa. Tanto a oração do Rosário como a celebração da Missa serão presididos pelo Cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, Arcebispo de Lima e Primaz do Peru.

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