Media: Secretariado Nacional de Liturgia online

www.liturgia.pt

Porque estamos em pleno tempo de preparação para a Páscoa e dada a necessidade de cada vez mais precisarmos de saber o porquê das coisas, o seu significado e sentido, apresentamos como sugestão, o sítio do Secretariado Nacional da Liturgia (SNL), que é o órgão executivo da Comissão Episcopal de Liturgia. Sabemos, é certo, que não é a primeira vez que trazemos a este espaço esta sugestão, mas como temos ao nosso dispor um dos melhores, senão o melhor, sítio da internet sobre a temática da liturgia, escrita em português, achamos conveniente e acima de tudo, pedagógico, olharmos de novo para este sítio.

Na página inicial temos todo o conjunto de informações, que vão para além das habituais notícias, que nos permitem descobrir este grande espaço litúrgico virtual. A agenda é uma ferramenta que nos possibilita aceder à liturgia diária com a indicação das leituras próprias para cada dia, bem como o próprio ofício da celebração da missa. Em “Santo do dia”, temos a lista completa dos santos para cada dia, e ainda um breve resumo da sua história e algumas orações.

Em “livros”, encontramos quase todos os textos litúrgicos proferidos nas nossas celebrações acessíveis para consulta (disponibilização integral em formato pdf). Desde o texto completo da Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, onde, dividido por tempos litúrgicos podemos consultar, ler, rezar e meditar o ano todo. Passando pelos lecionários (leituras próprias usadas na missa), as intenções da Oração dos Fiéis para o Ano Sacerdotal, os rituais (das celebrações do Baptismo, Matrimónio, Penitência e bênçãos; de iniciação Cristã dos adultos; da Sagrada Comunhão e culto do mistério Eucarístico), entre outros.

No item “música”, temos a possibilidade de aceder às diversas publicações que vão sendo editadas pelo secretariado na área musical e ainda, a um enorme conjunto de ficheiros em formato áudio (mp3) de variadíssimas músicas para animação da liturgia.

Duas opções que contribuem para a elevada qualidade deste sítio, são as “questões” e “consultório”, dado que procuram de uma maneira séria e com a ortodoxia exigida aos responsáveis por este secretariado, responder a questões, informar e explicar tudo o que diz respeito no âmbito da liturgia. Desde temas que se prendem com a celebração, e os diáconos, passando pelos ministros extraordinários da comunhão, as músicas e outros de carácter mais diverso. Informa ainda sobre uma quantidade enorme de temas litúrgicos que de uma maneira ou de outra passam ao lado da maioria dos cristãos.

Fica aqui lançada a sugestão, usem e abusem deste espaço, adicionando-o aos favoritos pois este é certamente uma página a consultar várias vezes.

 

Fernando Cassola Marques

Vaticano: Bento XVI recorda sétimo aniversário de pontificado com membros do Colégio Cardinalício

Cidade do Vaticano, 21 mai 2012 (Ecclesia) – Bento XVI almoçou hoje com os membros do Colégio Cardinalício, no Palácio Apostólico do Vaticano, numa iniciativa inserida na comemoração do seu 7º aniversário de pontificado.

Segundo a sala de imprensa do Vaticano, o Papa aproveitou a ocasião para “agradecer os votos de felicitações” que os diversos cardeais lhe enviaram em meados de abril, altura em que também cumpriu 85 anos de vida.

Joseph Ratzinger nasceu na localidade alemã Marktl am Inn, Diocese de Passau, região da Baviera, a 16 de abril de 1927.

O então cardeal Ratzinger foi eleito sucessor de João Paulo II na tarde de 19 de abril de 2005, no quarto escrutínio do conclave iniciado um dia antes, tendo escolhido o nome de Bento XVI.

Nestes sete anos, o Papa alemão realizou 26 viagens na Itália e 23 ao estrangeiro, incluindo uma visita a Portugal, entre 11 e 14 de maio de 2010, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Bento XVI assinou três encíclicas e presidiu a três Jornadas Mundiais da Juventude, para além de ter convocado quatro Sínodos de Bispos, um Ano Paulino e um Ano Sacerdotal; em outubro vai ter lugar um novo Sínodo e inicia-se o Ano da Fé.

JCP/OC

Bento XVI, Papa há sete anos

Cidade do Vaticano, 19 abr 2012 (Ecclesia) – Bento XVI assinala hoje o seu sétimo aniversário de pontificado, num dia sem compromissos públicos, depois de esta quarta-feira ter agradecido publicamente as felicitações recebidas.

A Conferência Episcopal Portuguesa saudou o Papa nesta data, “agradecendo em oração a sua vida e intensa ação apostólica”, como refere o comunicado final da assembleia plenária que decorreu em Fátima desde segunda-feira.

O então cardeal Joseph Ratzinger foi eleito sucessor de João Paulo II na tarde de 19 de abril de 2005, no quarto escrutínio do conclave iniciado um dia antes, tendo escolhido o nome de Bento XVI.

“Na próxima quinta-feira [hoje, ndr], por ocasião do sétimo aniversário da minha eleição para a sede de Pedro, peço-vos que rezem por mim, para que o Senhor me dê a força de cumprir a missão que me foi confiada”, afirmou o atual Papa, no domingo.

Esta quarta-feira, na audiência pública semanal, Bento XVI voltou a pedir orações para “perseverar” no “serviço a Cristo e à Igreja”.

Em sete anos, o Papa alemão realizou 26 viagens na Itália e 23 ao estrangeiro, incluindo um visita a Portugal, entre 11 e 14 de maio de 2010, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Bento XVI assinou três encíclicas e presidiu a três Jornadas Mundiais da Juventude, para além de ter convocado quatro Sínodos de Bispos, um Ano Paulino e um Ano Sacerdotal; em outubro vai ter lugar um novo Sínodo e inicia-se o Ano da Fé.

Joseph Aloisius Ratzinger, que esta segunda-feira completou 85 anos, nasceu na localidade alemã Marktl am Inn, Diocese de Passau, região da Baviera.

Filho de um comissário da polícia e de uma cozinheira, foi ordenado padre a 29 de junho de 1951, tinha então 24 anos, juntamente com o irmão.

A 28 de maio de 1977 recebeu a ordenação episcopal, tornando-se arcebispo de Munique-Freising, tendo escolhido como lema “Colaborador da verdade”, e a 27 de junho do mesmo ano foi criado cardeal por Paulo VI.

João Paulo II nomeou-o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica a 25 de novembro de 1981 e no dia 27 de novembro de 2002 tornou-se decano do Colégio dos Cardeais, após votação dos seus pares.

Num balanço do atual pontificado, o porta-voz do Vaticano destacou que o Papa enfrentou “com coragem, humildade e determinação situações difíceis, como a crise que se seguiu aos abusos sexuais” cometidos por membros do clero ou em instituições católicas de vários países.

“Aprendemos coma coerência e a constância do seu [Bento XVI] ensinamento que a prioridade do seu serviço à Igreja e à humanidade é orientar a vida para Deus (…), que o esquecimento de Deus e o relativismo são perigos gravíssimos no nosso tempo”, afirma o padre Lombardi, no editorial do programa ‘Octava Dies’, do Centro Televisivo Vaticano.

Bento XVI é o sexto Papa mais velho dos últimos 700 anos – superando João Paulo II, que faleceu aos 84 anos, no dia 2 de abril de 2005 – e o mais idoso a manter-se no cargo em mais de 100 anos, desde que Leão XIII faleceu, com 93 anos, no dia 20 de julho de 1903.

Para assinalar o sétimo aniversário da eleição, o Vaticano lança hoje uma aplicação (widget) informática que permite passar de forma automática para outras páginas de internet “os principais conteúdos presentes no site institucional www.vatican.va”.

RJM/OC

Notícia atualizada às 16h42

Homilia do arcebispo de Évora na Missa Crismal

Estimados Irmãos no Episcopado,

Caros Presbíteros e Diáconos,

Meus Irmãos,

 

Todos os anos a Sagrada Liturgia nos concede a possibilidade de nos reunirmos na Igreja mãe da Arquidiocese para esta belíssima celebração da Missa Crismal, no decorrer da qual, os presbíteros, principais cooperadores do Bispo, evocando o dia solene da Ordenação e confiantes no amor de Deus que os chamou, renovam os compromissos sacerdotais perante toda a assembleia celebrante, com o firme propósito de fidelidade ao dom recebido pela imposição das mãos do sucessor dos Apóstolos. Em continuidade, seguindo as normas litúrgicas, procederemos à bênção dos óleos dos enfermos e dos catecúmenos e à consagração do Crisma. Estes óleos irão ser usados durante o ano como sinais da graça sacramental que Deus concede àqueles que vierem a ser ungidos. Desta forma, pela presença dos presbíteros, vindos de toda a Arquidiocese, e pela repartição dos óleos novos por todas as paróquias, se exprime simbolicamente a comunhão entre bispo, presbíteros, diáconos e fiéis, todos eles servidores do mistério que os envolve e os habita, embora cada um a seu modo.

A comunhão que nos une não se fundamenta nem nos esforços de colaboração pastoral nem sequer no sincero desejo de amizade que todos cultivamos. Esses são elementos importantes na vida do presbitério que devemos levar a peito, questionando-nos frequentemente sobre eles, para os purificar e fortalecer. Porém, a comunhão de que falam o livro dos Atos dos Apóstolos (2,42) e a Primeira Carta de S. João (1,3.6-7), traduzida pela expressão estar juntos, tão característica da comunidade primitiva, ultrapassa o nível da vontade dos indivíduos. Ela é um puro dom que vem do alto e constitui um novo modo de ser. Essa comunhão tem por fundamento a união de Jesus com os discípulos, chamados para estarem com Ele, e constitui um modo de participação na comunhão com a Trindade.

A comunhão é um dom que se funda em primeiro lugar na graça batismal. E é o Batismo que nos faz estar unidos com a Igreja dispersa pelos quatro cantos do mundo e com todos aqueles que o Senhor quiser chamar (Act 2,39). O dom da comunhão na vida trinitária é concedido por Deus à Igreja e, dentro da Igreja, é dada a cada um de nós a possibilidade de viver essa experiência de comunhão.

É este o contexto dentro do qual se entende a nossa fraternidade presbiteral, que se concretiza através da graça do sacramento da Ordem e nos torna servidores da comunhão, na esperança de que, posteriormente, nos venhamos a tornar peritos em comunhão. Mas, atenção, a vivência da comunhão presbiteral nunca poderá significar desejo de isolamento ou de promoção de uma qualquer casta de segregação social. Ao contrário, deverá antes conduzir a uma atitude de disponibilidade para acolher o dom que nos une para o serviço da fraternidade universal. Não somos irmãos em consequência de um qualquer privilégio a defender mas em virtude do dom da comunhão do qual somos servidores e se há de manifestar como sinal de unidade para o mundo.

Assim, a comunhão não é algo fechado em si mesmo. Há de ser vivida ao serviço da Igreja e do mundo e implica atenção e abertura ao ambiente em que vivemos, com todos os seus problemas e dificuldades, de modo que apareça como prognóstico de uma sociedade renovada.

Comunhão consiste em estar juntos. Mas também há de ser caminhar juntos. Como Abraão que parte aberto aos planos de Deus, o bispo e os presbíteros também estão a caminho da terra de Deus. Nisso se distingue a espiritualidade do crente da lógica do mundo que prefere a segurança e a acomodação. A atitude de caminhar juntos fará de nós servidores do Evangelho, disponíveis para o anúncio pela mobilidade, que nos permitirá ir aos lugares onde o Evangelho não foi anunciado. E com a nossa disponibilidade evitaremos que a comunidade adoeça por esclerose, colocando o bem das almas (CD, 31), que é a suprema norma da ação pastoral, no seu devido lugar, sem perder de vista que a dedicação incondicional à Igreja implica, por um lado, perseverança no cargo, mesmo à custa de sacrifícios, e por outro, coração livre e disponível para mudar quando o bem da Igreja o exigir.

Nos nossos dias, a vivência da fé implica capacidade de comprometer a própria vida com o anúncio da Boa Nova, até ao ponto de aceitar a expropriação de si próprio para se tornar Corpo de Cristo. Porém, o anúncio da palavra, o trabalho pastoral e o serviço da caridade hão de ser precedidos de uma verdadeira experiência espiritual de comunhão e de comunicação autêntica e existencial, de forma a evitar que a fé fique refém dos programas, dos encontros e das reuniões. Estar juntos na comunhão de fé é premissa fundamental para alcançar a sintonia na pregação e no anúncio e garantia de que o bispo e os presbíteros anunciam a mesma fé (CD, 12; 1 Cor 15,11), falam de comunhão entre eles, pregam a mesma doutrina e vivem no mesmo contexto histórico. A comunhão do anúncio torna visível a unidade. Por sua vez, o testemunho da unidade, juntamente com a união dos espíritos e dos corações constituem o primeiro e indispensável elemento de evangelização.

Ora, para chegar a este grau de comunhão é preciso ter fé, confiança e ousadia. A ousadia de por em prática aquilo que a fé nos propõe. Certamente não será no ambiente social, eivado de materialismo e de indiferentismo religioso, que encontraremos incentivos de audácia para viver a comunhão presbiteral. A nossa audácia tem outros fundamentos. A este propósito, lembro aqui a reflexão feita pelo papa Bento XVI, no encerramento do Ano Sacerdotal, chamando a nossa atenção para a audácia de Deus que se abandonou nas mãos dos seres humanos, apesar das nossas debilidades. E acrescenta: esta audácia de Deus é realmente a maior grandeza que se oculta na palavra sacerdócio. No mundo contemporâneo, o sacerdote é sinal da audácia de Deus e ícone da sua presença na história dos homens. Deus conjuga audácia com confiança. Ele não tem medo de confiar uma missão tão decisiva a um homem. Sabe que vai correr um grande risco. E não se retrai. Dá a cada sacerdote a coragem para realizar a obra extraordinária de transformar a vida de uma pessoa a partir do seu íntimo pelos gestos sacramentais que produzem a graça que significam.

Deus é audaz até ao ponto de confiar em nós que somos frágeis. E a nós não faltam razões para confiar em Deus que, em Jesus Cristo nos revelou o Seu amor incondicional e está sempre connosco para nos amparar e nos guiar no exercício do nosso ministério. Sejamos ousados.Tenhamos a audácia de viver em comunhão.

Évora, 5 de abril de 2012

D. José Alves, arcebispo de Évora