Vaticano e CEAST promovem formação permanente do Clero em Angola

A Congregação para a Evangelização dos Povos (CEP) e a Comissão Episcopal para o Clero da Conferencia Episcopal de Angola e S. Tome e Príncipe (CEAST) realizam um curso destinado aos formadores do Clero sobre “os sacramentos e o ministério ordenado”, a decorrer de 13 a 28 de Janeiro de 2009 no Huambo, a segunda maior cidade de Angola. A delegação do Vaticano é composta por dois presbíteros: o D. Giuseppe Magrin, Responsável pela formação do Clero da CEP e o Pe. José Cordeiro, Reitor do Pontifício Colégio Português em Roma e Professor de Liturgia. Da parte da CEAST intervêm os seguintes conferencistas: D. Damião Franklin, Arcebispo de Luanda e presidente da CEAST; D. Luís Maria, Bispo de Malanje e Presidente da Comissão Episcopal para o Clero; D. Francisco de Mata Mourisca, Bispo Emérito do Uíge; Pe. Bonifácio Tchimboto, Diocese de Benguela; Pe. Adriano Supuleta, Arquidiocese de Huambo; Pe. Venâncio Kapingala, Reitor do Seminário maior do Huambo; Cón. Antero Beji, Arquidiocese de Luanda; Pe. António Rodrigues, Reitor do Seminário Maior de Luanda; Pe. Celestino Phofo, Diocese de Sumbe: Pe. Feliciano Epalanga, União Apostólica do Clero. A abertura ocorreu com uma celebração Eucarística presidida pelo Arcebispo do Huambo, D. José de Queirós Alves. A participação é de 40 presbíteros. O número de participantes já previamente estabelecido é o equivalente a dois Presbíteros por Diocese. Este número representa os formadores dos Seminários e os formadores do Clero (2 por Diocese). O curso realiza-se no Centro Apostólico D. Daniel Junqueira da Arquidiocese de Huambo em regime residencial. O programa de cada dia consta de 4 sessões de trabalho, da celebração da Eucaristia e de todo o ciclo quotidiano da Liturgia das Horas. Por isso o programa diário inicia as 7.15 e termina às 20.00h. Ao longo do curso está previsto algumas visitas a Paróquias e outras realidades eclesiais da Arquidiocese do Huambo e alguns passeios e momentos de convívio entre os participantes. Ao longo destas duas semanas, Bispos e Presbíteros actualizam linguagem e métodos para uma maior fidelidade ao mistério e ao ministério na Igreja presente nas 18 dioceses de Angola. A relação dos sacramentos com o ministério ordenado é tratada de modo interdisciplinar, isto é, ao nível bíblico, patrístico, histórico, magisterial, litúrgico, espiritual, canónico, pastoral e espiritual.

Monsenhor Carreira é um herói que não podemos esquecer

Na comemoração do centenário do nascimento de Monsenhor Joaquim Carreira, sacerdote de Leiria que, enquanto reitor do Colégio Português em Roma, durante a segunda guerra mundial, abrigou naquela instituição dezenas de judeus e outros perseguidos políticos, o bispo de Leiria-Fátima defendeu ser necessário manter vivo na nossa memória o exemplo heróico desta figura. Na sua intervenção exaltou várias qualidades deste notável servidor da Igreja e da sociedade: o seu carácter inovador e ousado, que manifestou tanto na criação de um laboratório de física e química no Seminário, que na época era o melhor das instituições de ensino da cidade de Leiria, como na acção pastoral, especialmente na Boa Vista, cuidado de dar às pessoas do movimento da Acção Católica uma sólida formação humana e espiritual. Foi o primeiro sacerdote com a carta de aviador, criou uma rádio local. Na sua vida transparecia uma fé intrépida e uma espiritualidade profunda. Na defesa dos perseguidos, foi um homem corajoso e de grande caridade cristã. No seu zelo pastoral e na prática do bem, é um sacerdote digno de ser imitado nos dias de hoje. Na mesma sessão solene, que teve lugar no Seminário de Leiria, dia 16 de Setembro, intervieram o padre João Carreira Mónico, sobrinho do homenageado, que apresentou a biografia que escreveu sob o título: “Monsenhor Joaquim Carreira. Apóstolo do bem, na guerra e na paz”. Trata-se de um livro volumoso com fotografias e documentos que nos permitem conhecer a grandeza da vida e da acção deste sacerdote natural da Caranguejeira. Salientou que estamos perante um “sacerdote de corpo inteiro, ao serviço de Deus, da Igreja e dos perseguidos. Foi apóstolo do bem, na guerra e na paz com acções, palavras e escritos”. A José Travassos Santos couve a tarefa de dar a conhecer a acção humanitária de Monsenhor Carreira no acolhimento aos judeus e a outros perseguidos, em Roma. Associou a acção solidária deste sacerdote à de outro português, Aristides Sousa Mendes, na mesma época. E leu alguns depoimentos daqueles que encontraram abrigo no Colégio Português. Com outros participantes na sessão, defendeu que urge divulgar, a nível nacional e mesmo internacional, a obra deste leiriense em favor das vítimas de perseguição. O padre Joaquim Carreira das Neves testemunhou o seu convívio com Monsenhor Carreira e a tentativa que fizera para ouvir do próprio o relato da obra que realizara. Ao que o sacerdote respondeu: “Essas coisas não se dizem, fazem-se”. Dados biográficos Natural da Caranguejeira, Monsenhor Joaquim Carreira nasceu em 1908 e faleceu no ano de 1981. Foi ordenado sacerdote em Roma, onde se formou em filosofia, direito canónico e teologia. Desempenhou o ministério sacerdotal como professor do Seminário de Leiria, capelão na Boa Vista, reitor do Colégio Português em Roma e Conselheiro Eclesiástico da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé. Escreveu vários livros sobre Roma, a mensagem de Fátima e outros temas. As suas obras e as qualidades de que era dotado continuam a merecer-lhe ainda hoje o apreço de quem o conheceu e com ele conviveu. Testemunhos de uma acção heróica A ternura de Deus manifesta-se não apenas directamente mas também através das pessoas. Ele mesmo as escolhe para seus ministros, mensageiros e instrumentos e lhes dá a capacidade de fazerem o bem. Monsenhor Joaquim Carreira, cujo centenários de nascimento ocorre no dia 8 de Setembro, praticou o bem por palavras e gestos simples, mas também por actos heróicos, acolhendo perseguidos, durante a guerra, em Roma, nos anos 1943 e seguintes. Ao seu lado estiveram alunos e funcionários do Colégio Português. Várias cartas relatam e agradecem o amor de que beneficiaram. Quando a gratidão perdura no tempo e se repete é sinal de que o benefício deixou marcas profundas na memória das pessoas. Um dos refugiados refere o aumento destes no Colégio e o tratamento que receberam. Eram dezenas de professores, estudiosos, comerciantes, militares, estudantes, hebreus: “todos puderam, a seu modo, experimentar a bondade e o espírito de altruísmo do Reitor, que, com verdadeira caridade cristã e nobre generosidade, desafiou as ferozes leis de guerra alemãs e fascistas, para ajudar aqueles que, como nós, se encontravam expostos ao perigo”. Nesta acção, os padres portugueses, diz outro, “arriscavam-se a muito – e sabiam-no. Mas nunca nos deram a perceber que estávamos a mais. Pelo contrário, rodeavam-nos, a cada instante, de atenções, procurando tornar-nos a vida o mais agradável possível”. E conclui o depoimento de admiração, afirmando: “Em nome da caridade cristã, um punhado de corajosos sacerdotes portugueses sob a direcção do Rev.º Dr, Carreira fazia à sua maneira a guerra contra a injustiça e contra o arbítrio, contra a violência, contra o despotismo”. Um médico declara que ali experimentou o acolhimento fraternal dos “braços amigos” do reitor e uma “vida que deveria ser a de todos os homens – verdadeiros irmãos, sem distinção de raça, de religião, de nacionalidade”. Mesmo sem esquecer as “tristes e cruéis vicissitudes da guerra, viverá sempre em mim a lembrança daqueles poucos dias passados na paz tão hospitaleira e fraterna do Colégio Português”. Outro médico, na altura estudante, fala do reitor que aparecia “em toda a parte com o seu sorriso a alentar a nossa mocidade deprimida”. Se “Roma sofria as torturas da fome”, no Colégio, “em nossa mesa, nada faltava, graças à estremada diligência e aos sacrifícios de quem nos hospedava. Superior e alunos todos partilhavam das nossas angústias e das nossas alegrias”. Um engenheiro recorda a sua experiência de sete meses: “Guardo, ainda, uma maior admiração e gratidão para com o reitor, Dr. Joaquim Carreira, que foi para mim, mais do que para qualquer um dos hóspedes, pai e irmão, que me dispensou não só o conforto de sacerdote, mas também o da amizade e ainda o exemplo admirável do homem que não se deixa abater pelas dificuldades, que sabe assumir a responsabilidade, ainda que grave, no momento da crise e sabe perdoar de modo perfeito”. “Um oásis de serena espiritualidade, de alta intelectualidade e de afectuosa hospitalidade, eis o que encontrámos quando, perturbados pela situação geral e pessoal, entrámos no inviolável recinto do Colégio Português”, testemunha outro refugiado. E classifica a instituição como “ilha de paz no coração da cidade atormentada”. Outro falou dele como “o coração português na Itália”. Um ano depois do termo da guerra, no aniversário da aparição de nossa Senhora em Fátima, os que tinha encontrado abrigo no Colégio reuniram-se “em torno do altar” para agradecerem o benefício daquele acolhimento. Pe. Jorge Guarda

Sem experiência comunitária não há experiência do Deus de Jesus Cristo

Intensa a experiência humana e eclesial vivida pelos Bispos portugueses, na semana passada, em Roma, nos oito dias da sua visita “ad limina Apostolorum”. Depois da anterior, em 1999, novos bispos foram nomeados e ordenados. Entre eles, D. Manuel Clemente, o nosso Bispo do Porto. Valia a pena pedir-lhe que partilhasse as suas impressões sobre esta forte experiência de comunhão apostólica com o Sucessor de Pedro e com os irmãos no episcopado. Uma entrevista para ser transmitida pela Rádio Vaticano e publicada pela Voz Portucalense, que oferecesse também a ocasião de traçar um primeiro esboço da imagem que da diocese vai tendo o seu Pastor, a oito meses do início da sua missão episcopal no Porto. Acolhida de bom grado a proposta, as declarações recolhidas exprimem bem a clareza de mente do professor que D. Manuel é desde há tantos anos e a sensibilidade e humanidade do Pastor que fala com entusiasmo da “nossa” diocese do Porto, da “realidade muito densa” que esta revela, do seu “laicado fortíssimo”, do “clero heróico”, do “potencial carismático” das religiosas, da atenção a reservar às famílias. Tudo visto e expresso com aquela perspectiva histórica, cultural, sociológica, mas também teológica, que lhe vem da formação académica pessoal, permitindo equacionar as questões de um modo ao mesmo tempo amplo e concreto. Dada a extensão da entrevista, publica-se hoje uma primeira parte, assegurando que a restante contém declarações igualmente interessantes, a não perder, na próxima semana. Por razões práticas, de falta de tempo, esta versão escrita é da responsabilidade do entrevistador, que manteve o tom coloquial das declarações à Rádio Vaticano. José M. Pacheco Gonçalves * P. Pacheco Gonçalves [P.G] – Ao concluir esta intensa semana de visita à Sede de Pedro e ao Santo Padre, quais são, senhor D. Manuel Clemente, as suas impressões e reflexões? D. Manuel Clemente [D.M.C]. – Em termos de “impressões”: excelentes! A começar pelas climatéricas: tivemos aqui um Outono romano brilhante, esplendoroso mesmo, e isso também ajudou com certeza a sentirmo-nos cá muito bem. Depois, pelo acolhimento que tivemos nos diversos locais onde nos dirigimos, onde conversámos e onde fomos passando. Também nas casas em que ficámos, com uma menção muito particular para o Colégio Português em Roma, que foi inexcedível na sua simpatia, no seu acolhimento. As “reflexões”, também assim em termos genéricos, vão no próprio sentido de uma “visita ad limina”, ou seja, de nos encontrarmos – nós, bispos de diversas dioceses (portuguesas, no caso) – com este centro da vida católica, onde as questões particulares são de algum modo alargadas nas questões gerais da Igreja, e por isso podemos também aferir aquilo que andamos a pensar e a fazer com aquelas que são as grandes linhas da Igreja universal, neste momento. Reconfigurar, redefinir a comunidade cristã P.G. – No encontro conclusivo, em conjunto, com o Santo Padre [sábado, 10 de Novembro], tiveram ocasião de ouvir a sua palavra de interpelação, encorajamento, exortação. Do discurso do Papa, o que é que mais ressalta? D.M.C. – Da parte do Papa Bento XVI há uma grande insistência – que não é, obviamente, desta visita só, mas desde o princípio do seu pontificado – naquilo a que nós poderíamos chamar o realismo cristológico e eclesiológico. Ou seja, na realidade-Jesus Cristo, como única realidade que explica a vida da Igreja, e depois na realidade da Igreja como manifestação de Jesus Cristo no mundo. E esta insistência do Papa, que nós já conhecemos desde a sua primeira Encíclica, para não falar do seu primeiro discurso, da sua primeira homilia, depois da eleição, também aqui apareceu. O que leva a uma outra questão, que é aquela que todos nós temos entre mãos, com certeza, nas nossas dioceses em Portugal, e na nossa do Porto em particular, que é a da reconfiguração, da redefinição da comunidade cristã. Ou seja, se a realidade fundamental que a Igreja tem para si, tem para apresentar, é Cristo, Cristo vivo. Se essa realidade de Cristo se manifesta naquilo que o apóstolo Paulo já chamava de “corpo de Cristo, que é a Igreja”, então como é que, em cada comunidade cristã, qualquer pessoa pode ter o contacto vivo com Cristo vivo. No discurso que nos fez, o Papa voltou a citar aquilo que diz também na sua primeira Encíclica, isto é, que “no princípio de qualquer caminho cristão, não há uma ideia, não há uma abstracção, mas há uma experiência, e a experiência é o encontro com Cristo vivo, através da Igreja, que é o Seu corpo. Ora bem: como é que nós, em cada comunidade cristã, podemos proporcionar tal experiência? O Papa volta a retomar este tema, e ainda bem que o retomou. Eu julgo que é este o grande problema, tanto pastoral como doutrinal. Tive ocasião, na visita particular que fiz como Bispo do Porto, com os senhores Bispos Auxiliares, ao Santo Padre, na passada quinta-feira [8 de Novembro], de também levar a conversa (e ele deixou-a levar, de bom grado) para este ponto da reconfiguração, da redefinição, da comunidade cristã. Porque nós sabemos que hoje em dia as mediações tradicionais da fé, que eram a família e a paróquia – mas uma paróquia muito definida, territorialmente aconchegada, diria mesmo – isto hoje há não é bem assim. As famílias, enfim, fazem o que podem, e muitas delas fazem muito, mas em muitos casos elas já não servem de mediação desta fé no Cristo vivo, que nelas se sinta presente. E nas nossas paróquias – também percorridas por gente das mais diversas proveniências, que hoje está e daqui a um ano já não está, porque mudou de sítio, porque mudou de profissão – também se põem problemas graves: como é que elas podem transmitir essa tal experiência de Cristo vivo que, como diz o Papa, está no fundamento de qualquer caminho de fé. Bem, este é um problema que nós temos entre mãos. Repito: é um problema pastoral, porque tem a ver com aquilo que nós fazemos, como é que nós organizamos os nossos esforços e as nossas tentativas. Mas também é um problema doutrinal, porque sem experiência comunitária, não há experiência do Deus de Jesus Cristo – um Deus uno e trino, que portanto só na comunidade se apanha. Diocese do Porto: realidade “muito densa” P.G. – Emergem em todas as suas considerações, a sua sensibilidade e preocupação de pastor, de bispo. Concretamente, desde Março passado, de Bispo do Porto. Um período de quase oito meses, ocupados antes de mais em tomar contacto, ouvir as pessoas, conhecer a realidade local. Passado este período, que “retrato” da diocese se vai delineando no seu espírito? E ainda: parece-lhe possível esboçar desde já algumas perspectivas de acção para a diocese, no seu conjunto? D.M.C. – Com certeza! Eu dizia, na minha apresentação à diocese do Porto, que a procuraria “conhecer, amar e servir”. Esse conhecimento, vou-o fazendo: dediquei-me, dedico-me a ele, quotidianamente. Lembro-me que a seguir à Páscoa e até ao Verão percorri uma a uma as 34 vigararias da diocese, no sentido de me reunir com os respectivos párocos, o que foi extremamente importante, quer para mim, quer – julgo eu – também para eles, porque nos conhecemos pessoalmente. Cada um deles disse o que era a sua paróquia, ou melhor dizendo as suas paróquias, que é o caso mais comum: como é que elas se caracterizam, quer sociologicamente, quer pastoralmente. Estes contactos foram depois complementados por contactos pessoais das mais diversas instâncias: pessoas que estão ligadas à vida social, como à vida universitária, à vida cultural e económica, da região do Porto, já não especificamente em termos de diocese. Depois, também o contacto com as pessoas que me procuraram e que eu mesmo vou encontrando (ando muito a pé pela cidade, e isso proporciona, de maneira inesperada, muitos encontros…). Tudo isso vai dando uma ideia. Além daquelas que são as minhas visitas habituais, semanais, às várias comunidades cristãs, por motivo do sacramento do Crisma ou por outros motivos. E então o que é que poderei dizer, para já, da diocese do Porto? Para já, que é uma realidade muito densa, muito densa. O que é que quero dizer com isto? Que não é linear. É muito compacta, de variadíssimas combinações. E tem um laicado fortíssimo. Eu reparo que são milhares as pessoas que na diocese do Porto, quer no que diz respeito à Palavra – concretamente ao serviço da catequese, quer no que diz respeito à liturgia – desde a música até ao serviço do altar, quer no que diz respeito à caridade – o que nós temos de obra social na diocese do Porto é imenso! – e também as conferências vicentinas. São milhares de pessoas que semanalmente praticam o cristianismo e integram a actividade da Igreja nestes três factores fundamentais da Palavra, da Liturgia e da Caridade. Portanto, é uma realidade – repito o adjectivo – extraordinariamente densa. É uma realidade que nalguns casos já implica e manifesta uma formação específica muito grande. Reparo isso particularmente no campo da liturgia, do canto e da música. É uma coisa espantosa! Eu não sei se encontraremos por esta nossa Europa fora o que encontramos na diocese do Porto, certamente fruto de muito trabalho, ao longo de décadas, na formação destes agentes pastorais – chamemos-lhes assim – no campo da liturgia e da música sacra; mas também nos outros campos, na catequese, com certeza. Muita gente com alguma formação teológica, às vezes até com uma formação teológica razoável, mesmo entre o laicado, quer em Teologia, quer em Ciências Religiosas. É uma diocese que, em termos de organizações, de associações laicais, se contam pelas muitíssimas dezenas, aos diversos níveis, quer locais, quer diocesanos, quer de movimentos e associações, que extravasam a vida da diocese, mas estão lá presentes. “Heróico”, o clero do Porto É uma diocese que tem um clero que eu chamo heróico… porque é escasso para as necessidades. Já disse que o mais vulgar é que os párocos sejam párocos de mais do que uma paróquia, às vezes grandes paróquias. Em muitos casos já com uma idade que ultrapassa os 70 anos e até os 80 (temos na diocese do Porto párocos na casa dos 90!). É por isso que eu sublinho este adjectivo “heróico”. É um clero que desenvolve, com uma generosidade imensa, uma actividade de acompanhamento básico e sacramental da vida do povo de Deus. Mas que tem que ser necessariamente mais ajudado, mais apoiado, e – enfim – com a ajuda de Deus, especialmente, mais completado, em número, nos tempos que aí vêm. Portanto, é uma diocese que tem todas estas realidades em si, que eu intitulei como “densa”, mas que tem muitas outras linhas de envolvimento. No que diz respeito ao clero – quer em termos de presbíteros, de sacerdotes, quer em termos de diaconado permanente (agora renovou-se a respectiva formação – tem que ser muito, muito reforçado, porque as perspectivas quantitativas não são muito animadoras para os próximos anos, como sabemos. Nós temos neste momento uns 24 ou 25 seminaristas, no Seminário Maior, para os próximos sete anos. Ora nos próximos sete anos, atendendo à idade que tem o clero, possivelmente deixarão de poder trabalhar uns 30, 40, 50?… – não sabemos. O que é uma grande desproporção. Temos a ajuda, preciosa, do clero religioso, mas temos que trabalhar muito nisso. Como também em relação às vocações religiosas, porque a vida religiosa feminina, em concreto na nossa diocese, também tem este grande desafio do seu rejuvenescimento. Já tenho tido várias entrevistas com superioras religiosas que me vêm dizer que bem gostariam de desenvolver mais trabalho, mas, pelo contrário, têm é que fechar casas, comunidades, porque já não têm religiosas em número suficiente. Ora esta componente da vida religiosa é fundamental para uma diocese, porque elas têm um potencial carismático sem o qual a Igreja não viveria bem. Portanto, muito trabalho! Nas famílias, no apoio à famílias. Nós temos também, na diocese do Porto, aquilo que eu julgo que não tem muita comparação fora do Porto, com todo o respeito pelo que se faz noutros sítios: temos cerca de 40 centros diocesanos de preparação para o matrimónio, na diocese, espalhados por várias vigararias, e que fazem um trabalho, muito muito consistente, ao longo do ano, na formação dos novos casais. É preciso que seja depois complementado no acompanhamento dos casais já constituídos das famílias, quer em relação à sua própria consistência – a manutenção da vida conjugal, quer em relação à educação dos filhos, quer em relação a um acompanhamento dos familiares idosos, que é hoje uma problemática imensa, que também precisa de ser muito apoiada, essa realidade familiar. Portanto, trabalho não falta, graças a Deus… “Importantíssimo” o papel das Conferências Episcopais P.G. – A visita “ad limina” realiza-se a nível da Conferência Episcopal, mas é significativo que não falte o encontro pessoal de cada Bispo residencial (e Auxiliares) com o Santo Padre. A história da Igreja mostra a importância de figuras de bispos que deixaram a sua marca na vida das suas comunidades locais, influência que irradiava na Igreja universal. Há quem pense que se corre o risco de as Conferências episcopais chamarem a si certo dirigismo, em detrimento da responsabilidade pessoal do Bispo na sua Igreja local. Neste momento de profunda comunhão eclesial com os irmãos no episcopado português e com o Papa (e seus directos colaboradores), como vê, como “sente” esta questão? D.M.C. – Há uma razão, digamos assim, eclesiológica, no que respeita à doutrina da Igreja sobre si própria, como Igreja, e outra que nós poderíamos chamar pessoal e sacramental. No que diz respeito à parte eclesiológica é preciso ver que, segundo a eclesiologia católica como foi formulada no Concílio Vaticano II e com a mais antiga referência, a Igreja existe em qualquer Igreja particular, local, onde haja um apóstolo, que lhe dê também por aí essa continuidade com a Igreja de Jesus Cristo, com a Igreja dos apóstolos, enfim, com os outros ministros sagrados, com tudo aquilo que faz parte da vida da Igreja, nos seus diversos aspectos litúrgico-sacramentais, de anúncio do Evangelho, de prática da caridade. Onde estes elementos existem, existe uma Igreja local, e nessa Igreja local ou particular existe toda a Igreja de Cristo. Agora, esta Igreja local está ligada, por essa mesma apostolicidade, através do seu Bispo, ao conjunto dos Bispos do mundo, sucessores dos apóstolos, e àquele que é o sucessor de Pedro, e que Jesus fez, enfim, o cimento da unidade entre os seus irmãos, como todos nós conhecemos a frase de Jesus ao mesmo Pedro: “Confirma os teus irmãos, na fé”. E por isso também existe a dimensão universal da Igreja, à volta do Sucessor de Pedro. Uma coisa não se opõe à outra, mas estas são as duas instâncias, para falar assim, em que a Igreja existe. E por isso qualquer católico sabe que, quando vai à Missa, ouve o presidente pedir pela Igreja, em união com o seu Bispo e com o Papa. Hoje as pessoas são “trans-diocesanas” (e “trans-paroquianas”) P.G. – Qual é então o lugar das Conferências Episcopais? D.M.C. – Entretanto acontecem estas realidades nacionais, políticas, étnicas, culturais e por aí fora, que são as nações, que são os países, ou as regiões grandes dentro dos países. E é natural que os Bispos das dioceses presentes nessas regiões ou nesses países também se encontrem para tratarem em comum das coisas que a todos dizem respeito. Tanto mais que hoje em dia a circulação das pessoas é muito grande, muito mais do que foi no passado. Uma Igreja como é a nossa em Portugal, seja concretamente a Igreja do Porto, ou a Igreja de Lisboa, ou por aí fora, as pessoas são bastante “trans-diocesanas, como também são bastante “trans-paroquiais”. Também por aí é importante que nós tenhamos, enfim, um entendimento comum das coisas que comuns são. E por isso as Conferências Episcopais têm um papel importantísssimo. Enfim, eu, nestes oito anos que levo de bispo, teria sido muito diferente o que eu fiz e o que eu pensei se não tivesse reunido quatro vezes por ano com os meus colegas bispos de todo o país, debruçado em conjunto sobre problemas que nos tocam a todos. E por isso as Conferências Episcopais são organismos de uma enorme importância para que esta acção que cada Bispo faz na sua diocese seja uma acção conjugado com o que fazem os seus irmãos das outras Igrejas – eu já nem digo “vizinhas”, porque hoje são quase interpenetradas pela própria população que se mexe de um lado para o outro, constantemente, e por notícias que são comuns e desafios que comuns também são. Depois, há também outro aspecto, a que eu chamei sacramental e pessoal. É que, quer no que diz respeito ao Sucessor de Pedro, quer no que diz respeito aos Bispos em cada diocese, nós entendemos, na tradição católica, que se pode falar de um verdadeiro sacramento: o sacramento da Ordem, a sucessão apostólica. E não é por acaso que Jesus não entrega este serviço de unidade e de comunhão, que é o dos apóstolos, não o entrega genericamente, mas sim àqueles homens nomeados um por um (aliás são os únicos que são nomeados, em termos de função, nos Evangelhos!). Depois, enfim, é em cada Bispo que esta missão “apostólica” se concretiza, naquela pessoa. Portanto, a Igreja não tem servidores assim abstractos, mas realizados, concretizados, por isso, sacramentalmente, pessoalmente, nesta ou naquela pessoa, o que melhor que ela possa e saiba, mas sobretudo com a mesma graça de Deus.

Bodas de Diamante do Seminário de Bragança

O edifício do Seminário de S. José, em Bragança, está a celebrar as Bodas de Diamante. A instituição “seminário” tem mais de quatro séculos de vida mas este edifício foi inaugurado a 18 de Outubro de 1932. Em declarações à Agência ECCLESIA o Pe. Silvério Pires, Reitor do Seminário de S. José de Bragança, realça que “durante os 407 anos, o seminário esteve em várias casas e várias terras. Nasceu na sequência do Concílio de Trento e teve como pai o 3º bispo de Miranda, D. Julião d´Alva (1560-1570). Miranda do Douro acolheu esta casa durante 162 anos. Em 1764, D. Frei Aleixo de Miranda Henriques (1758-1770) conseguiu a transferência da Sé episcopal de Miranda para Bragança. Simultaneamente “veio o seminário e o cabido” – realçou o Pe. Silvério Pires. Na cidade brigantina, o Seminário esteve no colégio dos jesuítas (antiga Sé), depois passou para um solar de uma família particular e, posteriormente – na altura da República – o bispo e o seminário “ficaram na rua”. Devido à dificuldade para adquirir um espaço, o seminário e a cúria transferiram-se para um convento dos franciscanos, em Vinhais (1920). “Sentimos a necessidade de voltar à sede episcopal e comprámos uma quinta para construir o seminário de S. José”. Celebram-se os 75 anos do Seminário de S. José naquele edifício. As celebrações jubilares terão o ponto alto no próximo dia 26 de Setembro. “Haverá uma reunião do presbitério, encontro de antigos alunos, lançamento de uma obra com a história do seminário e uma oração de sapiência” – frisou o reitor. A oração de sapiência terá como temática “O Seminário, coração da diocese. Que seminário para hoje?”. Será proferida pelo Pe. José Cordeiro, Reitor do Colégio Português em Roma. Figuras ilustres A obra relata a história da instituição, sendo o último capítulo uma abordagem “nominal de todos os presbíteros ordenados nestes 75 anos” – disse o Pe. Silvério Pires. E acrescenta: “foram cerca de 300 presbíteros”. Daquele seminário já “saiu” também um bispo, D. Manuel António Pires, prelado de Silva Porto (Angola), falecido recentemente. No campo da cultura também “tivemos padres muito ilustres” que fizeram a sua formação no Seminário de S. José. E exemplifica: “o abade Baçal, Pe. António Mourinho (Miranda do Douro); Pe. Firmino Martins (Vinhais), Pe. Belarmino Afonso (Bragança). Por outro lado – frisa o Reitor do Seminário – “temos alunos que frequentaram a casa em todas as profissões” e alguns “chegaram a Ministros e Secretários de Estado”. Integrada nas comemorações, decorreu naquela instituição uma exposição de pintura. “Cerca de 30 quadros de arte sacra feitos por pintores amadores da região” – adianta o reitor. Pinturas de cenas bíblicas e algumas cópias de autores internacionais. Com um passado rico, o seminário “não tem bens próprios que assegurem desafogadamente a sua subsistência” e “vive das ofertas de muitos benfeitores”. – salienta o Pe. Silvério Pires. Do ponto de vista vocacional, o reitor esclareceu que, apesar dos tempos que correm, “estamos bem”. O Seminário Maior tem 11 alunos a estudar Teologia e o Seminário Menor tem 19 alunos. Com as comemorações jubilares “pensamos também reavivar e motivar a pastoral vocacional”. Com 75 anos, o edifício já recebeu milhares de jovens. Como estava a ficar degradado, uma “parte está em obras profundas”. Actualmente, a equipa e os seminaristas estão a viver num bloco enquanto outro está em obras. E finaliza: “a melhor oferta para este aniversário é colaborar no restauro do seminário”.”Sem seminário não há diocese” – disse. E acrescenta: “queremos um seminário mais atractivo” porque “a dignidade de vida também ajuda a elevar”. Outrora, aquela casa tinha sempre mais de cem alunos mas, actualmente, “temos melhor percentagem de ordenações”. Aqueles que vão para o seminário já “têm um percurso (Pré-seminário) e já estão, de certo modo tocados” – afirma O edifício do seminário é semelhante ao comum dos edifícios construídos nas primeiras décadas do século passado. “É em forma de u, com um bloco central (mais emblemático e com um jardim nobre), o bloco lateral esquerdo (Igreja) e o bloco lateral direito (residência dos alunos, cozinha, refeitório)” – referiu. A rodear o seminário “temos uma mata, o melhor pulmão da cidade de Bragança”.

Bodas de Diamante do Seminário de Bragança

Bodas de Diamante do Seminário de Bragança O edifício do Seminário de S. José, em Bragança, está a celebrar as Bodas de Diamante. A instituição “seminário” tem mais de quatro séculos de vida mas este edifício foi inaugurado a 18 de Outubro de 1932. Em declarações à Agência ECCLESIA o Pe. Silvério Pires, Reitor do Seminário de S. José de Bragança, realça que “durante os 407 anos, o seminário esteve em várias casas e várias terras. Nasceu na sequência do Concílio de Trento e teve como pai o 3º bispo de Miranda, D. Julião d´Alva (1560-1570). Miranda do Douro acolheu esta casa durante 162 anos. Em 1764, D. Frei Aleixo de Miranda Henriques (1758-1770) conseguiu a transferência da Sé episcopal de Miranda para Bragança. Simultaneamente “veio o seminário e o cabido” – realçou o Pe. Silvério Pires. Na cidade brigantina, o Seminário esteve no colégio dos jesuítas (antiga Sé), depois passou para um solar de uma família particular e, posteriormente – na altura da República – o bispo e o seminário “ficaram na rua”. Devido à dificuldade para adquirir um espaço, o seminário e a cúria transferiram-se para um convento dos franciscanos, em Vinhais (1920). “Sentimos a necessidade de voltar à sede episcopal e comprámos uma quinta para construir o seminário de S. José”. Celebram-se os 75 anos do Seminário de S. José naquele edifício. As celebrações jubilares terão o ponto alto no próximo dia 26 de Setembro. “Haverá uma reunião do presbitério, encontro de antigos alunos, lançamento de uma obra com a história do seminário e uma oração de sapiência” – frisou o reitor. A oração de sapiência terá como temática “O Seminário, coração da diocese. Que seminário para hoje?”. Será proferida pelo Pe. José Cordeiro, Reitor do Colégio Português em Roma. Figuras ilustres A obra relata a história da instituição, sendo o último capítulo uma abordagem “nominal de todos os presbíteros ordenados nestes 75 anos” – disse o Pe. Silvério Pires. E acrescenta: “foram cerca de 300 presbíteros”. Daquele seminário já “saiu” também um bispo, D. Manuel António Pires, prelado de Silva Porto (Angola), falecido recentemente. No campo da cultura também “tivemos padres muito ilustres” que fizeram a sua formação no Seminário de S. José. E exemplifica: “o abade Baçal, Pe. António Mourinho (Miranda do Douro); Pe. Firmino Martins (Vinhais), Pe. Belarmino Afonso (Bragança). Por outro lado – frisa o Reitor do Seminário – “temos alunos que frequentaram a casa em todas as profissões” e alguns “chegaram a Ministros e Secretários de Estado”. Integrada nas comemorações, decorreu naquela instituição uma exposição de pintura. “Cerca de 30 quadros de arte sacra feitos por pintores amadores da região” – adianta o reitor. Pinturas de cenas bíblicas e algumas cópias de autores internacionais. Com um passado rico, o seminário “não tem bens próprios que assegurem desafogadamente a sua subsistência” e “vive das ofertas de muitos benfeitores”. – salienta o Pe. Silvério Pires. Do ponto de vista vocacional, o reitor esclareceu que, apesar dos tempos que correm, “estamos bem”. O Seminário Maior tem 11 alunos a estudar Teologia e o Seminário Menor tem 19 alunos. Com as comemorações jubilares “pensamos também reavivar e motivar a pastoral vocacional”. Com 75 anos, o edifício já recebeu milhares de jovens. Como estava a ficar degradado, uma “parte está em obras profundas”. Actualmente, a equipa e os seminaristas estão a viver num bloco enquanto outro está em obras. E finaliza: “a melhor oferta para este aniversário é colaborar no restauro do seminário”.”Sem seminário não há diocese” – disse. E acrescenta: “queremos um seminário mais atractivo” porque “a dignidade de vida também ajuda a elevar”. Outrora, aquela casa tinha sempre mais de cem alunos mas, actualmente, “temos melhor percentagem de ordenações”. Aqueles que vão para o seminário já “têm um percurso (Pré-seminário) e já estão, de certo modo tocados” – afirma O edifício do seminário é semelhante ao comum dos edifícios construídos nas primeiras décadas do século passado. “É em forma de u, com um bloco central (mais emblemático e com um jardim nobre), o bloco lateral esquerdo (Igreja) e o bloco lateral direito (residência dos alunos, cozinha, refeitório)” – referiu. A rodear o seminário “temos uma mata, o melhor pulmão da cidade de Bragança”.

Clero da Diocese de Angra em retiro

De 22 a 26 do corrente mês de Janeiro, mais de 30 padres da Diocese de Angra vão participar no retiro anual do clero, promovido pela diocese,em ordem à revisão de vida e reorientação da vida espiritual dos sacedotes. Este ano a orientação está a cargo de D. Amândio José Tomás, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Évora e antigo reitor do Pontifício Colégio Português em Roma. O retiro decorre no Palácio de Santa Catarina, em Angra do Heroísmo. Um segundo turno de retiro para o clero decorrerá em S. Miguel mas no mês de Julho.

D. Teodoro de Faria celebrou Bodas de Ouro Sacerdotais

A Sé do Funchal encheu-se ontem para a celebração das Bodas de ouro Sacerdotais de D. Teodoro de Faria, Bispo local. Na ocasião foi lida uma mensagem de Bento XVI para manifestar “a Comunhão nesta data festiva e afirmar a nossa união no Episcopado. D. Teodoro de Faria vai regressar hoje à tarde à igreja paroquial de Santo António, onde foi baptizado, recebeu o Sacramento da Confirmação e presidiu à celebração da sua Primeira Missa, no ano de 1956. O actual Bispo do Funchal nasceu a 24 de Agosto de 1930, na freguesia de Santo António do Funchal, filho de Henrique de Faria Júnior e Augusta Fernandes Pimenta. Foi baptizado a 21 de Setembro do mesmo ano, na igreja paroquial de Santo António, circunstância que o temos ouvido salientar publicamente, em algumas homilias. Recebeu o Sacramento do Crisma a 18 de Julho de 1937. Ordenou-se de Minorista aos 4, 5 e 7 de Março de 1955, de Subdiácono a 25 de Fevereiro de 1956, de Diácono a 26 de Maio de 1956, e de Presbítero a 22 de Setembro de 1956. Começou o seu múnus sacerdotal, sendo Cura da paróquia onde nasceu: Santo António do Funchal, acumulando ao mesmo tempo como Capelão da Casa de São João de Deus, no Trapiche, tendo sido nomeado a 11 de Outubro de 1956. Foi Professor do Seminário Maior em 1962, e Director da Escola de Senhoras dos Cursos de Cristandade, em Agosto de 1964. A 10 de Outubro de 1957, foi enviado a estudar na Universidade Gregoriana em Roma. Hospedou-se no Colégio Português em Roma, onde foi posteriormente Vice-Reitor, e logo Reitor. Sucedendo ao Bispo D. Francisco Santana, falecido a 5 de Março de 1982, D. Teodoro foi nomeado, cinco dias depois, ou seja a 10 de Março, bispo titular do Funchal. Ordenado a 16 de Maio de 1982, no mesmo Colégio de Santo António dos Portugueses, em Roma, onde era Reitor, tomou posse da Diocese a 30 de Maio do mesmo ano. Redacção/JM

D. Teodoro de Faria saúda 105 anos de Fundação Pontifício Colégio Português de Roma

Desde há 105 anos que a história da Igreja em Portugal não pode ser estudada sem uma referência ao Colégio Português. Encontram-se antigos alunos do Colégio em todos os campos, sobretudo na formação do Clero, seminários, ensino universitário, apostolado dos leigos, vida pastoral e cultural. Onde o Colégio Português teve maior incidência foi na Hierarquia de Portugal, com dezenas de bispos diocesanos, além dos que presidem a dioceses em Angola, Moçambique, Goa e Macau. 1. No dia 15 de Outubro o Pontifício Colégio Português de Roma comemorou 105 anos da sua fundação, 30 anos da abertura do novo edifício na Via Nicoló V, 3 e da presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, e presta homenagem aos antigos reitores. A diocese do Funchal teve uma relação muito forte com o Colégio Português, tendo contribuído com três reitores – Mons. Teodósio Clemente de Gouveia (1934-36), Vice-Reitor (1929-34); D. Teodoro de Faria (1976-82), Vice-Reitor (1967-76); Padre José Tolentino Calaça de Mendonça (2001-2002). Vários sacerdotes diocesanos foram enviados a estudar em Roma, sendo os primeiros Cón. Manuel Gomes Jardim em 1905, Cón. Francisco Fulgêncio de Andrade em 1909, Padre Angelino de Sousa Barreto em 1928, Cón. Agostinho Gonçalves Gomes (1934), Padre Joaquim da Mata em 1936, Padre José Maurício de Freitas (1942), Padre Jorge de Freitas e Padre Orlando Moisés de Freitas Morna (1945), e depois do pedido de Pio XII para as dioceses enviarem ao menos dois sacerdotes, D. Maurílio Jorge Quintal de Gouveia e D. Teodoro de Faria (1957), Padre Abel Augusto da Silva e João Arnaldo Rufino Silva (1958), Padre Sidónio Gomes Peixe (1960), D. Manuel Ferreira Cabral (1962), Cón. Agostinho Figueira Faria (1965), continuando esta tradição até aos nossos dias, actualmente com dois alunos o Padre Marcos Gonçalves e Padre Giselo Andrade. 2 – A criação do Colégio Português em Roma, nasceu de uma ideia laical. Antes da sua criação algumas dioceses enviaram estudantes para outros Colégios romanos principalmente para o Capranica. A 28 de Abril de 1898 reuniu-se em Roma a Comissão promotora para o novo Colégio, nos aposentos dos Viscondes de São João da Pesqueira, estando estes dispostos a proporcionar os meios necessários para a fundação e, em 1900, perante o Papa Leão XIII, tomaram o compromisso de deixar o capital necessário para assegurar o futuro da casa. Os Viscondes conheceram no Porto a beata Maria do Divino Coração que lhes assegurou ser vontade do Coração de Jesus a criação deste Colégio em Roma. O Comendador António Braz, que vivia na cidade de Roma, teve um sonho e ideou esta obra providenciando para que Portugal possuísse um colégio como os outros países europeus. Nascido em Braga em 1816 foi estudar Belas Artes e Matemática em Roma, tendo ali casado e estabelecido definitivamente. O Visconde da Pesqueira visitou todos os bispos portugueses nas suas dioceses, pedindo para enviarem alunos a estudar em Roma, tanto mais que o Santo Padre aprovava esta iniciativa. Os primeiros alunos foram alojados numa Casina de Vila Borghese, obra de Rafael, passando depois a viver no palácio Alberini, junto ao castelo de Sant’Angelo, casa doada pelo Papa Leão XIII. Após algumas adaptações os alunos deram entrada na sua residência no ano lectivo (1900-1901). Todos os Papas mostraram grande solicitude e amizade por esta casa de formação sacerdotal. Pio X recebeu os Condes da Pesqueira, superiores e alunos, acompanhados pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. Bento XV condecorou os Viscondes da Pesqueira com a Ordem do Esporão de Ouro. Pio XI recebeu por duas vezes os superiores e alunos e benzeu a imagem de Nossa Senhora de Fátima que se encontra no Colégio, primeiro gesto de um Papa a favor das aparições da Cova da Iria. Pio XII, nos 50 anos da fundação do Colégio, recebeu em audiência os superiores e alunos. João XXIII, por ocasião dos 80 anos ofereceu ao Colégio uma bela casula. Paulo VI fica ligado ao Colégio pela construção da nova sede. João Paulo II visitou o Colégio, rezou vésperas e tomou uma refeição com os alunos e antigos reitores. Bento XVI, como Prefeito da Congregação da Fé, visitou-o particularmente várias vezes, para repouso e meditação. 3 – Desde há 105 anos que a história da Igreja em Portugal não pode ser estudada sem uma referência ao Colégio Português. Encontram-se antigos alunos do Colégio em todos os campos, sobretudo na formação do Clero, seminários, ensino universitário, apostolado dos leigos, vida pastoral e cultural. Onde o Colégio Português teve maior incidência foi na Hierarquia de Portugal, com dezenas de bispos diocesanos, além dos que presidem a dioceses em Angola, Moçambique, Goa e Macau. Também dioceses estrangeiras, principalmente nas últimas duas décadas, agradecem ao Colégio a formação de muitos sacerdotes, tanto da África e Ásia, como da Europa e América Latina, a pedido dos bispos diocesanos ou da Congregação da Propaganda da Fé. Alguns deles são bispos diocesanos Grande parte dos católicos portugueses desconhece a importância do Colégio para a vida da Igreja em Portugal, embora não tenham faltado sacerdotes e leigos que manifestaram a sua simpatia e ajuda. Para a construção da nova sede, Deus concedeu um grande benfeitor, a Diocese de Colónia, na Alemanha, através do Senhor Cardeal Joseph Hoeffner. O Colégio não pode esquecer a acção generosa e dedicada das religiosas que se tomaram todos os serviços domésticos, litúrgicos e sociais desta casa de formação sacerdotal. As primeiras religiosas que desempenharam estas funções foram as filhas de São José, Instituto fundado pelo beato Clemente Marchisio, seguindo-se em 1938 as Irmãs de São José (de Chambéry) que durante três dezenas de anos serviram os estudantes portugueses com a maior dedicação. A 4 de Outubro de 1975 entraram ao serviço do Colégio as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias que, até hoje, têm demonstrado uma dedicação e simplicidade que faz pare do património espiritual da sua Fundadora, Mary Jane Wilson. A primeira superiora foi a Irmã Irene, hoje depauperada de forças mas rica de méritos, que deixou no Colégio a imagem da bondade, serviço desinteressado, bom gosto e o amor a Deus e à Santa Liturgia. Hoje, como em 1957, podemos afirmar o que Pio XII disse aos superiores e alunos do Colégio: «O espectáculo consolador de tanto bem, por mercê de Deus realizado, obriga a levantar os olhos e o coração ao Céu, para bendizer, louvar e render infinitas graças ao supremo Autor e Dador de todo o bem…» Funchal, 16 de Outubro de 2005 †Teodoro de Faria, Bispo do Funchal

Pontifício Colégio Português em Roma celebra história ao serviço da Igreja

O Pontifício Colégio Português em Roma comemora este fim-de-semana os seus 105 anos de vida, a que se juntam as celebrações do 30º aniversário da inauguração da nova sede do Colégio e da presença e serviço das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. Presentes estarão o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, e o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que presidirão às cerimónias comemorativas. O Pontifício Colégio Português, propriedade da Conferência Episcopal Portuguesa, depende da Santa Sé e do Episcopado Português, sendo o Reitor nomeado pela Santa Sé através da Congregação da Educação Católica sob proposta dos Bispos de Portugal. Fundado para receber os presbíteros que, de Portugal ou de outras nações, são designados e enviados para Roma pelos seus Bispos ou Superiores para completar e aprofundar os seus estudos nas várias áreas do saber humano e teológico, esta casa lusitana em Roma, hoje com um carácter universal, acolhe actualmente 43 Presbíteros residentes de 12 nacionalidades diferentes. Conta, ainda, com o trabalho de uma comunidade de 5 irmãs da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. O Reitor do Colégio, Pe. José Cordeiro, revela à Agência ECCLESIA que estas comemorações visam “recordar o espírito de serviço” que marca a instituição ao longo da sua história. Este responsável sublinha a atenção com que a vida do Colégio é seguida “por parte dos Bispos, dos antigos alunos, da Conferência Episcopal em primeiro lugar, porque todos se sentem muito ligados a esta casa”. A importância do Colégio em Roma pode ser avaliada pelas palavras que João Paulo II proferiu em 1985: “a história da Igreja em Portugal e noutros territórios e Nações de expressão portuguesa, neste século, não poderá ser escrita sem referir a participação que nela tiveram os antigos alunos do Pontifício Colégio Português que conta no seu álbum de honra três Cardeais e quarenta e oito Bispos, sem esquecer os outros quase seiscentos servidores do Povo de Deus, em actividades de grande responsabilidade e, graças ao Senhor, com frutos e projecção que perduram”. Esta presença particular em Roma, “grande observatório da catolicidade”, torna-se pelo seu trabalho “um rosto visível da internacionalidade da Igreja”, como refere o Reitor do Colégio. Na passada quarta-feira, após a audiência geral, o Papa Bento XVI – que conheceu o Colégio nos seus anos de Cardeal da Cúria Romana – deixou uma saudação especial a todos os que aí residem e trabalham, “manifestando a sua estima pela instituição”, como revela o Pe. José Cordeiro. Programa – Sábado, 15 de Outubro Visita ao Palácio Alberini, primeira sede do Colégio, edifício fechado desde 1975; 11h00 – Eucaristia presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo; 12h30 – Almoço e homenagem às Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e aos antigos Reitores do Colégio; 2h00 – Igreja de Santo António dos Portugueses – concerto com “Ançãble” Vocale. – Domingo, 16 de Outubro 17 h00 – Igreja de S. António dos Portugueses – Eucaristia presidida pelo Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga. Nota histórica O Pontifício Colégio Português é uma instituição eclesiástica fundada pelo Papa Leão XIII através da Carta Apostólica “Rei catholicae apud lusitanos” de 20 de Outubro de 1900. Destina-se a acolher os clérigos portugueses que, após a ordenação, são enviados pelo seu Bispo ou Superior a aprofundar a sua formação humana, intelectual, espiritual e pastoral, particularmente através da frequência de alguma das Universidades ou Ateneus Pontifícios. A fundação do Colégio foi obra duma Comissão de eclesiásticos e leigos que reuniu, pela primeira vez, em Roma, nos aposentos dos Viscondes da Pesqueira, para criar um Colégio Português destinado à formação de clérigos “tanto do Reino como do Ultramar”. Além dos Viscondes, o Senhor Luís Maria de Sousa Rebelo Vahia e esposa D. Maria Adelaide Pinto da Silva, desta Comissão faziam parte: D. António José de Sousa Barroso (então Bispo de Meliapor e depois do Porto); Mons. José de Oliveira Machado (Reitor de S. António dos Portugueses); o Cavaleiro António Braz; e os padres estigmatinos italianos Gui Guzzatti e Ricardo Tabarelli. Decidiram que nenhum aluno seria admitido sem autorização do bispo próprio; que os primeiros alunos seriam recebidos gratuitamente; e que o director do Colégio seria o Padre Tabarelli. Dias depois D. António Barroso falou do projecto ao Papa Leão XIII, que recebeu os Viscondes (18.7.1898) e dia 22 de Janeiro de 1899 o Cardeal Secretário de Estado escrevia à Comissão Promotora exortando a avançar com o projecto. Com o apoio da Santa Sé, a Comissão procurou a anuência dos Bispos Portugueses e do próprio Rei para obter a erecção canónica que só viria a ser concedida no dia 20 de Outubro de 1900. Na expectativa da criação do Colégio, já em Novembro de 1898, um núcleo de 4 alunos portugueses reuniu-se nas instalações de Santo António dos Portugueses; porém, o Colégio Português como tal só começou a sua actividade com o ano escolar 1899-1900, abrindo no dia 11 de Novembro de 1899, há precisamente 103 anos. Iniciou com 12 alunos portugueses e a sua primeira sede foi a Casina de Rafael, no jardim da “Villa Borghese” em Roma. A missa inaugural foi celebrada por D. Teotónio Vieira Ribeiro de Castro, bispo de Meliapor, que consagrou o Colégio ao Sagrado Coração de Jesus. A direcção da casa foi confiada aos Padres Estigmatinos e, a partir de Janeiro, a Mons. José de Oliveira Machado que assegurou a direcção do Colégio até ser escolhido e nomeado oficialmente pela Santa Sé o primeiro Reitor do Colégio na pessoa do ilustre sacerdote italiano Mons. Tiago Sinibaldi, que a seguir viria a ser bispo Secretário da Congregação dos Seminários. Em resposta ao pedido dos Viscondes da Pesqueira, no dia 20 de Outubro de 1900, o Papa Leão XIII, com a Bula “Rei Catholicae apud Lusitanos”, erigiu canonicamente o Colégio Português em Roma, aduzindo as seguintes motivações e determinando a sua finalidade: “… para maior glória de Deus, para aumento da Religião Católica, para esplendor e utilidade do ínclito Reino de Portugal, pelas presentes Letras, fundamos e constituímos em Roma, sob a nossa autoridade e tutela e dos Nossos Sucessores, o Colégio Eclesiástico Português e queremos que goze dos mesmos privilégios de que gozam os outros Colégios Pontifícios Eclesiásticos de Roma. Para manifestar mais claramente a nossa benevolência para com o Povo Lusitano … é Nossa resolução provê-lo a expensas Nossas, de um edifício apropriado”. Os viscondes foram os grandes benfeitores do Colégio, comprometendo-se perante o Papa Leão XIII a dotar o Colégio de 1000 liras mensais durante a vida e o capital para assegurar in perpetuum a mesma renda, promessa que viriam a executar no dia 26 de Julho de 1919. Pela ligação à família Pesqueira e por ter feito notar a urgência da formação do clero português, a Beata Maria do Divino Coração de Jesus (Maria Droste zu Vischering), grande mística alemã e promotora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, está de algum modo ligada à fundação do Colégio. Nova sede O Papa Leão XIII concedeu magnanimamente ao Colégio o uso do Palácio Alberini situado na via Banco Santo Spirito. Foi neste edifício, propriedade da Santa Sé, que o Colégio funcionou até final do ano lectivo 1973-1974. O Papa Paulo VI, generosamente, oficializou a dádiva do Palácio Alberini aos Bispos Portugueses para sede do Colégio. Assim, obtida a propriedade do edifício, achou-se por bem vender-se o antigo no dia 16 de Março de 1973 e, com o produto da venda e a ajuda da arquidiocese de Colónia, construir-se um novo, para o qual já o Papa Paulo VI, no dia 13 de Maio de 1967, em Fátima, tinha benzido a primeira pedra. A nova sede do Colégio em Outubro de 1975, apenas com seis alunos. Também, nesse mesmo ano, no dia 4 de Outubro de 1975, começaram a trabalhar no Colégio as beneméritas Irmãs da Congregação das Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, substituindo a Congregação das Irmãs de S. José (de Chambéry) que desde 1938 até 1974 tão dedicadamente serviram na antiga sede do Colégio. O Colégio é uma pessoa jurídica reconhecida pelo Estado Italiano com Decreto do Chefe do Estado e está legalmente inscrito no Registo das Pessoas Jurídicas do Tribunal de Roma, com data de 22 de Julho de 1987. O Reitor do Colégio é também o seu representante legal. www.lusitanum.org

Pontifício Colégio Português de Roma festeja 105º aniversário

No próximo dia 15 de Outubro, do corrente ano de 2005, celebram-se os 105 anos da Fundação do Pontifício Colégio Português em Roma, os 30 anos da abertura do actual edifício e da presença das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. Os primeiros passos para a instalação, em Roma, de um colégio que acolhesse os «clérigos, tanto do Reino como do Ultramar» começaram a ser dados num encontro realizado a 6 de Maio de 1898 no Hôtel de Rome, na Via del Corso em Roma do qual se lavrou a «Acta da fundação do Collegio Portuguez em Roma». Dos participantes desse encontro constam os nomes de D. António José de Souza Barroso, Bispo de Meliapor, Luís Maria de Sousa Vahia Rebelo de Morais e D. Maria Adelaide Pinto da Silva, os Viscondes da Pesqueira, António Braz de Braga, o Reitor de Santo António dos Portugueses, P. José d’Oliveira Machado, o Reitor de S. Nicolau dei Prefetti, P. Ricardo Tabarelli e o Superior Geral da Congregação dos Padres delle Stimatte, D. Pio Gurisatti. Instituído canonicamente pelo Papa Leão XIII em 20 de Outubro de 1900, pela Bula «Rei Catholicae Apud Lusitanos» começou, no entanto, a funcionar no ano académico de 1898/99 em Santo António dos Portugueses. No ano seguinte funcionou na Villa Borghese. Em 1900 passou a funcionar no Palácio Alberini, na Via Banco Santo Spirito onde funcionou até 1974. Paulo VI benzeu a primeira pedra de um novo edifício, em Fátima, a 13 de 1967, e a 15 de Outubro de 1975 foi inaugurado o actual edifício na Via Nicolò V, 3. João Paulo II visitou o colégio no dia 12 de Janeiro de 1985 e recebeu-o em audiência no dia 11 de Janeiro de 2003, por ocasião do seu centenário. O Pontifício Colégio Português depende da Sé Apostólica e da Conferência Episcopal Portuguesa, sendo o Reitor nomeado pela Santa Sé através da Congregação para a Educação Católica sob proposta dos Bispos de Portugal e o Vice-Reitor, ou outros responsáveis do Colégio, nomeados pela Conferência Episcopal Portuguesa com o conhecimento da Santa Sé. Fundado para receber os Presbíteros que, de Portugal ou de outras nações, são designados e enviados para Roma pelos seus Bispos ou Superiores para completar e aprofundar os seus estudos nas várias áreas do saber humano e teológico, o Pontifício Colégio Português conta actualmente com 43 Presbíteros residentes de 12 nacionalidades diferentes. Conta, ainda, com o trabalho de uma comunidade de 5 irmãs da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. Programa Tendo em vista a digna celebração destes 3 momentos decisivos na história do Colégio Português será realizado um programa comemorativo com os seguintes actos: – Sábado, 15 de Outubro, 11h Eucaristia Presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo; 12h30m almoço e homenagem às Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e aos antigos Reitores do Colégio, 21 horas, Igreja de S. António dos Portugueses, concerto com “Ançãble” Vocale; – Domingo, 16 de Outubro de 2005, 17 horas, Igreja de S. António dos Portugueses, Eucaristia Presidida pelo Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga. Sendo lugar privilegiado de encontro sacerdotal e um laço promotor de unidade entre distintas Igrejas locais, o Colégio tem como missão principal o consolidar nos sacerdotes uma mentalidade universal e católica conforme as orientações fundamentais da acção pastoral e ser, ao mesmo tempo, uma casa de comunhão, à luz da contemplação do mistério de Cristo. Pe. João Paulo Quelhas

Nova Direcção no Pontifício Colégio Português em Roma

O Pontifício Colégio Português em Roma tem uma nova direcção para os próximos três anos. Efectivamente, a 3 de Junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Patrono do Colégio, a Congregação para a Educação Católica nomeou para a função de Reitor, o Padre José Manuel Garcia Cordeiro. Ao mesmo tempo, o decreto de nomeação confirmou a nomeação do Vice-Reitor, o Padre José Fernando Caldas Esteves, feita pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) em Abril. O P. José Cordeiro, ordenado a 16 de Junho de 1991, pertence ao Presbitério da Diocese de Bragança-Miranda e o P. José Caldas, ordenado a 26 de Julho de 1998, faz parte do Presbitério de Viana do Castelo. A equipa conta ainda com a colaboração de um director espiritual, de um administrador e de uma comunidade religiosa. O Pontifício Colégio Português, propriedade da CEP, é a residência sacerdotal para aqueles presbíteros enviados pelos respectivos bispos em ordem a completar os estudos nos vários campos do saber teológico. Por ocasião do centenário de fundação, o Papa João Paulo II e o Cardeal-Patriarca D. José Policarpo salientaram a missão do Colégio. Esta tem a finalidade de consolidar, nos sacerdotes, uma mentalidade universal e católica conforme as orientações fundamentais da acção pastoral e ser «casa da comunhão», à luz da contemplação do mistério de Cristo: «Como disse o senhor Cardeal, hoje abrigam-se nele sacerdotes de diferentes países e línguas, tornando-se um lugar privilegiado de encontro sacerdotal e um laço promotor de unidade entre distintas Igrejas locais» (João Paulo II, Osservatore Romano em português 3 (2003) 3). No próximo dia 15 de Outubro comemora-se o 105º aniversário da fundação do Colégio e o 30º aniversário da nova sede, bem como o 30º aniversário da presença e serviço das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. Nestes últimos 30 anos, serviram o Pontifício Colégio Português 5 reitores, 3 dos quais exerceram antes a função de vice-reitor.

Audiência do Papa – Colégio Português em Roma

Audiência do Papa Colégio Português em Roma O Colégio Pontifício Português é um organismo da Conferência Episcopal que acolhe os padres que vão estudar para Roma e que há pouco tempo comemorou o seu centenário. Um desses alunos foi D. José Policarpo que, na qualidade de Presidente da Conferência Episcopal, chefiou a delegação portuguesa na audiência de grande significado com o Papa João Paulo II, ocorrida no passado dia 11 de Janeiro. A delegação era ainda constituída pelo reitor, vice-reitor e director espiritual do Colégio, por todos os alunos que lá estudam neste momento e pela comunidade das irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora das Vitórias, que serve o Colégio há 27 anos. No discurso que proferiu nesta ocasião, João Paulo II lembrou a visita que fiz ao Colégio, há 18 anos, associou-se “ao vosso louvor a Deus pelos cem anos desta Instituição e renovo a esperança nela deposta pelos meus Predecessores, a começar do Papa Leão XIII que, pelo Breve Rei Catholicæ apud Lusitanos de 20 de Outubro de 1900, instituiu o Pontifício Colégio Português”. Falando dos 867 alunos que já passaram por essa casa, “a grande maioria deles sacerdotes que se revelaram pastores esclarecidos e zelosos”, João Paulo II deixou claro que “Roma ajudou a consolidar neles uma mentalidade universal e católica com as linhas essenciais da acção a desenvolver, quando mais tarde, impregnados de um autêntico espírito apostólico, colocavam ao serviço da evangelização o saber acumulado”. O Papa concluiu exortando a “progredir, sem desfalecimento, na formação cristã e sacerdotal, apostólica e cultural, que a Igreja espera de vós” ressalvando que esta Instituição é um “ponto de ligação da Roma católica com os vossos países, testemunho vivo da dedicação e fidelidade dos mesmos a esta Sé de Pedro”. Antes, o Cardeal Patriarca de Lisboa agradeceu a João Paulo II a prontidão com que os recebeu, um sinal do apreço que o Papa tem pela igreja de Portugal: “a visita de Vossa Santidade à nova sede do colégio, em 12 de Janeiro de 1985, constitui um ponto alto na manifestação dessa solicitude dos Sumos Pontífices. Assim interpretamos, também, a prontidão com que Vossa Santidade aceitou receber-nos hoje, o que consideramos também como mais uma manifestação pelo amor de Vossa Santidade pelo povo português e pelas igrejas de Portugal”.