Renúncia de Bento XVI, o relâmpago que apanhou a Igreja de surpresa

Renúncia de Bento XVI, o relâmpago que apanhou a Igreja de surpresa

11 de fevereiro de 2013. Uma reunião ordinária de cardeais, no Vaticano, discutia a aprovação de três causas de canonização, quando os presentes foram surpreendidos por um anúncio, em latim: Bento XVI comunica a sua decisão de resignar ao pontificado a partir do dia 28 de fevereiro, abrindo assim caminho para a eleição de um novo Papa. Depois de ouvir o anúncio da renúncia, o cardeal Sodano disse que a notícia era como um “trovão num céu sereno”. E um relâmpago atingia, nessa tarde, cúpula da Basílica de São Pedro.

Quantos Papas renunciaram na História?

Antes de 2013, o último caso de renúncia, situação pouco comum na história da Igreja, tinha sido o do Papa Gregório XII, em 1415.

Bento XVI emérito admitia a possibilidade de renunciar, num livro publicado em 2010, frisando que esse é um direito do Papa e, nalguns casos, mesmo um “dever”.

Nos últimos 600 anos, no entanto, nenhum Papa tinha resignado; nos mais de 260 sucessores de São Pedro como bispo de Roma houve pelo menos quatro que deixaram o cargo. Os casos mais famosos são os de Gregório XII e São Celestino V, em 1294.

Em abril de 2009, Bento XVI realizara um gesto simbólico ao depositar o pálio – insígnia pessoal e de autoridade – junto da porta santa da Basílica de de Collemaggio, de L’Aquila (Itália), que lhe fora imposto no dia do início de pontificado, em cima do relicário com os restos mortais do Papa Celestino V (1215-1296), pontífice que governou a Igreja Católica apenas durante uns meses, em 1294, antes de apresentar a sua renúncia.

Segundo o jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, “a reconstrução histórica dos casos em que um pontificado foi interrompido antes da morte do Papa conduz a pouquíssimas figuras e em nenhum caso a uma situação como a que se verificou com a decisão de Bento XVI”.

O Código de Direito Canónico prevê a possibilidade jurídica de renúncia por parte do Papa e esta renúncia não precisa de ser aceite por ninguém para ter validade, como indica o Cânone 332.

O que se exige é que o Papa renuncie livremente e que manifeste a sua decisão de modo claro e público.

Gravidade e inovação

“Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos cardeais em 19 de abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h00, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice”, declarou Bento XVI, há cinco anos.

Em encontros posteriores, Bento XVI afirmaria que a sua decisão de renúncia ao pontificado implicou uma “inovação” e disse que a mesma foi para o “bem da Igreja”. “Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito”, explicou, perante mais de 150 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a última audiência geral do pontificado.

Renuncia ao pontificado

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h00, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013

Texto original em latim.

Milão: Papa manifesta pesar pelo falecimento do cardeal Dionigi Tettamanzi

Cidade do Vaticano, 06 ago 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco manifestou o seu pesar pelo falecimento, este sábado, do cardeal Dionigi Tettamanzi, arcebispo emérito da Arquidiocese de Milão, que morreu aos 83 anos.

Em mensagem ao cardeal Angelo Scola, administrador apostólico em Milão, e a D. Mario del Pini, arcebispo eleito de Milão, o Papa evoca “um dos filhos mais ilustres e um dos pastores mais amados” desta comunidade católica italiana.

O cardeal Tettamanzi, que colaborou com Francisco e o Conselho de Cardeais para a reforma da Cúria Romana no setor do Laicado e Família, é recordado pela mensagem pontifícia por causa do seu “alegre testemunho do Evangelho” e a sua “intensa obra cultural e pastoral”.

O Papa sublinha a dedicação do falecido cardeal aos temas “da família, do matrimónio e da bioética”.

D. Dionigi Tettamanzi foi arcebispo de Génova, membro do Conselho dos Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizacionais e Económicos da Santa Sé, no pontificado de João Paulo II, e arcebispo de Milão entre 2002 e 2011.

Com a morte do cardeal Tettamanzi, o Colégio Cardinalício fica composto por 223 membros, dos quais 121 eleitores e 102 não eleitores (com idade superior a 80 anos) num eventual Conclave.

OC

Alemanha: Papa Francisco e Bento XVI deixaram mensagens no «último adeus» ao cardeal Meisner

Colónia, Alemanha, 18 jul 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco e o seu predecessor, Bento XVI, enviaram mensagens para o funeral do cardeal alemão D. Joachim Meisner, arcebispo emérito de Colónia, sepultado este sábado na cidade alemã.

A mensagem de Francisco foi liga pelo núncio apostólico em Berlim, D. Nikola Eterovi?, elogiando o “corajoso empenho” do falecido cardeal em defesa da fé e da Igreja, em particular durante o período da separação alemã.

Já a mensagem do Papa emérito Bento XVI foi transmitida pelo seu secretário e atual prefeito da Casa Pontifícia, D. Georg Gänswein.

O texto, divulgado online pela Fundação Joseph Ratzinger, recorda uma conversa telefónica entre Bento XVI e D. Joachim Meisner na véspera da morte do cardeal, falecido no dia 5 de julho, aos 83 anos.

O Papa emérito recorda o “grande amor” do antigo arcebispo de Colónia pelas Igrejas do Leste da Europa, vítimas da “perseguição comunista”.

A mensagem fala num “pastor apaixonado e pai espiritual” que viveu “num momento em que a Igreja tem necessidade de pastores convincentes e que saibam resistir à ditadura do espírito do tempo”.

“Comove-me que (…) tenha sabido viver o último período da sua vida com a certeza profunda de que o Senhor não abandona a sua Igreja, ainda que às vezes a barca esteja prestes a virar-se”, escreve Bento XVI.

A imagem da Igreja como uma barca que enfrenta “tempestades” é recorrente no pensamento do agora Papa emérito, que usou estes termos em outubro de 2012,  na abertura do Ano da Fé, por ocasião do 50.º aniversário do Concílio Vaticano II (1962-1965) ou no ângelus de 7 de agosto de 2011.

Nessa ocasião, Bento XVI disse que “o mar simboliza a vida presente, a instabilidade do mundo visível; a tempestade indica todos os tipos de tribulação, de dificuldade que oprime o homem. A barca, pelo contrário, representa a Igreja construída por Cristo e norteada pelos Apóstolos”.

O então cardeal Joseph Ratzinger falou da barca “agitada” do pensamento cristão na Missa que antecedeu o Conclave que o viria a escolher como sucessor de São João Paulo II, em abril de 2005.

Aquando da sua renúncia ao pontificado, a 11 de fevereiro de 2013, o Papa alemão também se referiu à Igreja como “a barca de São Pedro”.

OC

Vaticano: Papa lamenta morte do cardeal Lubomyr Husar, arcebispo emérito de Kiev

Cidade do Vaticano, 01 jun 2017 (Ecclesia) – O Papa enviou um telegrama de pêsames ao arcebispo-mor de Kiev, D. Svietslav Shevchuk, pelo falecimento do cardeal Lubomyr Husar, arcebispo emérito de Kiev, que morreu aos 84 anos.

Francisco une-se espiritualmente aos fiéis da comunidade diocesana onde o cardeal Husar exerceu o seu ministério pastoral, esforçando-se para o “renascimento” da Igreja greco-católica após o regime soviético.

O Papa recorda a “tenaz fidelidade” do falecido cardeal a Cristo, apesar das privações e perseguições contra a Igreja na Ucrânia e reconhece ainda o seu esforço de encontrar instrumentos de “diálogo e colaboração” com as Igrejas Ortodoxas.

Com a morte do cardeal Lubomyr Husar, o Colégio Cardinalício é agora composto por 221 cardeais, dos quais 116 eleitores num eventual Conclave.

OC

Peregrinação do Papa Francisco dá «mais credibilidade mediática e existencial» a Fátima

D. António Marto analisa a relação dos vários pontificados com Fátima e o momento atual de receção de uma mensagem que tem na misericórdia a “síntese” interpretativa. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o bispo de Leira-Fátima diz que tem “muito respeito” por cada peregrino e, no contexto da canonização dos pastorinhos, afirma que “é hora de escutar as crianças (mais…)

Vaticano: Papa lamenta morte do cardeal Keeler, referência do diálogo ecuménico

Cidade do Vaticano, 24 mar 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco mostrou-se hoje “profundamente entristecido” pela morte do cardeal norte-americano D. William H. Keeler, de 86 anos, arcebispo emérito de Baltimore.

Numa mensagem enviada ao arcebispo de Baltimore, D. William Edward Lori, através do secretário de Estado do Vaticano, o Papa evoca o “dedicado ministério episcopal” do falecido cardeal, que se distinguiu “pelo seu compromisso duradouro ao diálogo ecuménico e inter-religioso”.

D. William Henry Keeler, antigo presidente da Conferência Episcopal dos EUA, faleceu esta quinta-feira.

O Colégio Cardinalício é agora composto por 223 cardeais, 117 dos quais eleitores (com menos de 80 anos) num eventual Conclave.

OC

Beja: Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas promove experiência-piloto em Santiago do Cacém

Beja, 13 jan 2017 (Ecclesia) – O Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas com sede em Santiago do Cacém promove entre hoje e amanhã uma experiência-piloto na cidade através da abordagem a um aglomerado urbano de oito monumentos-chave.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja destaca que o laboratório vai analisar um aglomerado urbano desde a época romana à criação contemporânea para uma leitura, “também ela dinâmica, do território e das suas linhas de força”.

Com o lema ‘Passado Atual e Presente Futuro’ o programa prevê visitas, conferências, projeções de filmes e debates distribuídos entre uma visita de estudo e um “conclave” que terminam com um plenário onde os convidados vão apresentar as suas impressões sobre o que viram e ouviram.

Segundo o DPHA pretende-se levar “novos olhares” que ajudem a entender “o génio da arquitetura local, os seus materiais e as suas técnicas”, bem como, o futuro dos monumentos e das respetivas envolventes.

Neste contexto, estão convidados especialistas de diversas áreas como arquitetura, arqueologia, História, artistas plásticos e urbanistas a quem se juntam professores e alunos da Faculdade de Arquitetura, da Universidade de Lisboa, e do Departamento de Arquitetura, da Universidade de Évora.

O Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja assinala que da “inovadora proposta”, que pretende “entender as relações” entre arquitetura, património e urbanismo, existe muito para observar em Santiago do Cacém, como o castelo e a igreja matriz, os edifícios da tapada do palácio Avilez, a fonte, a azenha e o aqueduto da Quinta do Rio da Figueira.

A ação assume um carácter “eminentemente prático, transversal e aberto à interação” entre o meio académico e a população local que ainda é “pouco usual” mas corresponde à metodologia que o Centro UNESCO visa difundir, sendo a participação no laboratório livre, através da inscrição para dpdb@sapo.pt.

O DPHA destaca também que o património sacro português tem vindo “a ganhar protagonismo internacional” e em 2016 obteve reconhecimento da UNESCO “pelo esforço feito na sua salvaguarda” com a criação do Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas.

CB/OC

Beja: Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas promove experiência-piloto em Santiago do Cacém

Beja, 09 jan 2017 (Ecclesia) – O Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas com sede em Santiago do Cacém vai promover uma experiência-piloto na cidade através da abordagem a um aglomerado urbano de oito monumentos-chave, nos dias 13 e 14 de janeiro.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, o Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja destaca que o laboratório vai analisar um aglomerado urbano desde a época romana à criação contemporânea para uma leitura, “também ela dinâmica, do território e das suas linhas de força”.

Com o lema ‘Passado Atual e Presente Futuro’ o programa prevê visitas, conferências, projeções de filmes e debates distribuídos entre uma visita de estudo e um “conclave” que terminam com um plenário onde os convidados vão apresentar as suas impressões sobre o que viram e ouviram.

Segundo o DPHA pretende-se levar “novos olhares” que ajudem a entender “o génio da arquitetura local, os seus materiais e as suas técnicas”, bem como, o futuro dos monumentos e das respetivas envolventes.

Neste contexto, foram convidados especialistas de diversas áreas como arquitetura, arqueologia, História, artistas plásticos e urbanistas a quem se juntam professores e alunos da Faculdade de Arquitetura, da Universidade de Lisboa, e do Departamento de Arquitetura, da Universidade de Évora.

O Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja assinala que da “inovadora proposta” que pretende “entender as relações” entre arquitetura, património e urbanismo existe muito para observar em Santiago do Cacém, como o castelo e a igreja matriz; os edifícios da tapada do palácio Avilez; a fonte, a azenha e o aqueduto da Quinta do Rio da Figueira.

A ação assume um carácter “eminentemente prático, transversal e aberto à interação” entre o meio académico e a população local que ainda é “pouco usual” mas corresponde à metodologia que o Centro UNESCO visa difundir e a participação no laboratório é livre, através da inscrição para dpdb@sapo.pt.

O DPHA destaca também que o património sacro português tem vindo “a ganhar protagonismo internacional” e em 2016 obteve reconhecimento da UNESCO “pelo esforço feito na sua salvaguarda” com a criação do Centro UNESCO para a Arquitetura e a Arte Religiosas.

CB/OC