À espera de férias

Ajuda a imigrantes no Centro Jesuíta aos Refugiados. Com o aproximar das férias, constata-se que elas podem ser uma “grande dor de cabeça” para muitos imigrantes: os que trabalham sem descanso e não têm onde deixar os filhos. (mais…)

Encontro nacional de jovens da ACR

A ACR, Acção Católica Rural, é um movimento de Cristãos a nível nacional, organizado em quase todas as dioceses do País, que congrega milhares de Adultos, Adolescentes e Jovens que se preocupam em agir pelo desenvolvimento do meio rural, à luz dos princípios da Doutrina Social da Igreja. Entre múltiplas actividades, A ACR organiza anualmente um encontro nacional de formação e convívio para Jovens e Adolescentes. Em 2004 essa responsabilidade pertence à Diocese do Porto. Assim, o encontro decorrerá a 25 de Abril de 2004, na Casa Diocesana de Vilar e nos Jardins do Palácio de Cristal, na Cidade do Porto. Esperam-se cerca de 700 participantes. Tendo como pano de fundo o “Ano Europeu da Educação pelo desporto” e a realização do EURO 2004, o tema do encontro será “OS VALORES DO DESPORTO”. A preparação decorre há vários meses, nas equipas de jovens e Adolescentes da ACR em todo o país, tendo por base a Nota pastoral – “O Desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos”. Programa do dia: 9,00 – Chegada- Acolhimento na Casa Diocesana de Vilar 10,00 – Oração da Manhã Boas Vindas; Vídeo sobre a Cidade do Porto Apresentação por cada diocese participante, em 2 minutos, de uma representação sobre um valor do desporto. 11,30 – Eucaristia 13,00 – Almoço – partilha de Farnéis 14,00 – Tarde Recreativa / formativa: Divisão em grupos, deslocação aos Jardins do Palácio de Cristal, realização de tarefas durante o percurso; 16,00 – Regresso à Casa – Momento de Envio / Celebração 17,00 – Encerramento / Partida

Santuário dos Milagres com saldo positivo

Santuário dos Milagres – Leiria OBRAS ESTÃO PAGAS Depois de cerca de um ano em obras de restauro exterior, o Santuário do Senhor dos Milagres apresenta-se agora com óptimo aspecto aos devotos e turistas do Senhor Jesus. O esforço foi grande da parte da população dos Milagres que se lançou em mais um grande projecto, dinamizado pelo Conselho Económico que no passado dia 20 de Junho terminou as suas funções. No fim do mês, a equipa que liderou os destinos económicos do Santuário reuniu para fazer o balanço da contabilidade do seu mandato e acabou por pagar todas as obras e, como que por “milagre”, ainda o Santuário ficou com saldo positivo para o novo Conselho Económico. O restauro exterior com limpeza, juntas, pedras, escadas e outros trabalhos rondou custos que se aproximaram dos 150 mil euros. Sem apoios do exterior, os milagrenses uma vez mais deram provas da sua generosidade e da grande estima que têm pelo seu Santuário. Nos últimos tempos tem havido um grande aumento de visitas ao Santuário do Senhor dos Milagres. Isso foi visível durante o Euro 2004, mas cada vez mais agências de viagem, instituições de idosos, paróquias e grupos familiares vão visitando os Milagres.

Colecção Medina volta ao Museu Pio XII

A Colecção Medina, que neste momento se encontra nos Claustros do Seminário de Santiago, vai passar a ocupar o primeiro piso do museu Pio XII. O espólio está à espera de ser transferido para um local condigno, uma vez que o actual é exíguo. A mudança está dependente de uma verba do Programa Operacional da Cultura. Segundo o director do Pio XII, cónego José Paulo Abreu, o legado do pintor Henrique Medina esteve, inicialmente, num salão grande, situado no piso térreo do museu. Entretanto, as peças tiveram de ser retiradas, porque colidiam com a filosofia museológica daquele sítio. Ou seja, não se enquadravam na lógica das exposições temporárias e definitivas previstas para aquela área. Por isso, a colecção passou para os claustros do Seminário, mas a intenção é arranjar um recinto mais amplo, onde possa ser devidamente exibida. Neste sentido, o espaço mais condizente é o primeiro piso do museu. A herança artística de Henrique Medina esteve fechada durante cerca de três anos – desde 1999 a finais de 2002, enquanto decorriam obras no museu diocesano. No entanto, esclarece o cónego José Paulo Abreu, existe um protocolo que prevê que todo aquele espólio esteja aberto ao público. Uma obrigatoriedade que o museu se propõe cumprir, embora não seja fácil conseguir um local com as condições adequadas para albergar 50 quadros e 20 retratos. De acordo com o cónego José Paulo Abreu, o museu diocesano, que completou ontem 20 anos de existência, recebe mais de 400 visitantes por mês. A maioria são escolas, que se deslocam de forma organizada e com marcação prévia. A pensar particularmente nos estabelecimentos de ensino foram programadas visitas guiadas e serviços educativos. Para além do interesse patrimonial e cultural, o museu funciona como espaço lúdico-pedagógico. Os alunos podem realizar diversos jogos, desenhos e outras actividades. A torre é uma das partes mais atractivas, talvez pela panorâmica que oferece. O padre José Paulo Abreu adianta que o Campeonato Europeu de Futebol não inflacionou a afluência. No mês de Junho, o acréscimo de visitantes foi insignificante. Os jogos absorveram por completo a atenção dos adeptos. Este ano, o museu, com o objectivo de cativar diferentes públicos, desenvolveu uma campanha junto das escolas e das paróquias da diocese. As primeiras responderam de forma muito positiva, ao contrário das últimas que se mostraram menos entusiasmadas. No caso das paróquias, foi lançado o repto aos párocos para que incluam na rota dos passeios de catequese e dos grupos corais uma passagem pelo Pio XII. A iniciativa não atingiu o sucesso esperado, pelo que o “convite” vai ser reiterado. José Paulo Abreu lembra que o museu também tem uma vertente pastoral e evangelizadora. Com o intuito de dinamizar aquele núcleo museológico, têm sido desenvolvidas algumas acções culturais. No âmbito do programa de animação para o Euro 2004, foram organizadas uma Feira Medieval e visitas a Braga Medieval e Braga do Renascimento. Além disso, o museu tem colaborado em outros eventos levados a cabo por outras entidades. Para o Cónego José Paulo Abreu, um museu só faz sentido se estiver aberto ao meio, à sociedade, às escolas e à cultura. De outra maneira, não cumpre a sua função formativa. Aquele responsável sustenta que está em curso o estudo das várias colecções, assim como a inventariação das peças, por especialistas das diferentes áreas (pintura, ourivesaria, pedra, numismática e outras). As informações vão sendo compiladas em suporte papel e digital. Algumas colecções virão também a constar em catálogo. As visitas ao museu Pio XII e Colecção Medina podem ser efectuadas todos os dias, excepto à segunda-feira, entre as 9h30 e as 12h30 e as 14h30 e as 18h00.

Adeptos do EURO 2004 visitam Santuário de Fátima

O Santuário de Fátima tem recebido “muitos adeptos das selecções presentes no EURO 2004” – disse à Agência ECCLESIA Leopoldina Reis, do serviço de imprensa do Santuário. Como identificativo, ou euroturistas trazem cachecóis e camisolas das equipas preferidas e pedem a “nossa Senhora sorte para os jogos”. Para além dos adeptos, este elemento do serviço de imprensa do Santuário sublinha que muitas equipas de Televisão dos países participantes no EURO 2004 “fazem filmagens deste local mariano”. Na Sé de Leiria celebrou-se, ontem, dia 15 de Junho, uma missa internacional integrada no acompanhamento da Igreja aos euroturistas. O celebrante, o Pe. Jorge Guarda disse à Agência ECCLESIA que o número de estrangeiros foi reduzido e apelou aos presentes “que saibam acolher aqueles que visitam o nosso país”. O valor do desporto deve “promover o desenvolvimento pessoal e o trabalho de equipa” – realçou. Com o intuito de promover os monumentos religiosos da cidade estão a ser distribuídos panfletos e existe uma equipa de “acolhimento na Sé” – finalizou.

Futebol: desporto, espectáculo ou industria ?

Certamente foi desporto. E ainda o pode ser na sua essência de jogo humano elaborado como competição saudável capaz de desenvolver as virtudes de lealdade, destreza, espirito de equipa… Mas aquilo a que assistimos (e participamos) já é uma “arte” pobre desses valores de gratuidade e equilíbrio que transformou o desporto de “déport”, actividade “sem porte” em acções “com porte” bem pago. E o Ócio, de espaço privilegiado de humanização de “mente sã em corpo são”, tornou-se neg-ócio, por vezes obscuro nos seus meios e nos seus fins. O futebol é, de facto, uma actividade intrigante e fascinante pela sua crescente capacidade de mobilização e envol-vimento emocional de homens e, cada vez mais, mulheres de todas as classes e idades. E o reverso –óbvio- da medalha? Clubismo agressivo, jornalismo de arruaça panfletária, escândalos financeiros, transações suspeitas ordenados sem proporção… Está na hora de ler (ou reler) a Nota pastoral “ O desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos” que a Conferência Episcopal propôs à nossa reflexão, já em Novembro de 2003. É que em 2004, além do Euro de futebol teremos as Olimpíadas e, ainda mais importante, o parlamento Europeu determinou que seja “Ano da educação pelo desporto”. Trata-se, pois, de uma ocasião única de proporcionar espaços e experiências desportivas acompanhadas de sentido crítico para que a juventude, sobretudo, descubra o que é o verdadeiro desportivismo que pode contribuir não só para o desenvolvimento físico mas para criar relações de respeito e de paz, indo mais longe na aceitação dos limites, promove a arte lúdica juntamente com a coragem na luta na obediência às regras da vida social, não desligando a festa da corresponsabilidade, o sentido estético do espírito de equipa na alegria de participar, como diz o velho ideal Olímpico: “mais rápido, mais alto, mais forte”. Escola de virtudes e de valores humanos pessoais e colectivos que tanta falta fazem num mundo desencantado e individualista, aprendidos com leveza, bom humor e companheirismo. Será este o resultado do euro 2004? Também se desejaria promover a educação do “desportistra” de bancada que precisa de aprender a ver e a sofrer e a alegrar-se sem violência, nem ofensa, nem fanatismo. Aliás, um bom lema para esse projecto educativo seria: Saber perder! Quem não sabe perder , não sabe ganhar. Perder com honra, tendo sabido lutar com honestidade é uma vitória tão grande como Ganhar com respeito pelo adversário, sem humilhar… Tudo mais é “perder mal” mesmo quando se ganha o jogo, por se ter perdido em humanismo. “Perder bem” prepara para a vida onde há sempre revezes e dificuldades a enfrentar. É a atitude de quem aprende com a derrota, reconhece os erros e recomeça de novo com esperança, mas sem peneiras, porque na vida, como no jogo, o importante é participar. Tristemente, hoje, encaminham-se os jovens numa atitude individualista em busca do “estrelato” que dará dinheiro fácil e injecta-se uma mentalidade consumista de “ ricos” que pensa que só vale a pena ir a jogo com a equipa mais forte para ganhar. Mais que o jogo buscam-se dividendos e promoção pessoal. Nessa cultura o desporto perde também o seu efeito de relativizar as “guerras” deste mundo transferindo-as para competições saudáveis, regre-dindo às atitudes violentas e mentirosas justificadas pelo dinheiro e os interesses mais mesquinhos de alguns “patrões da bola” que a coberto do futebol movem uma industria multinacional e complexa que vai da construção civil à moda e ao jornalismo. Por este caminho, já está perdido o Euro, o Ano e o Futuro. Que assim não seja. Pe. Vasco Pinto de Magalhães s.j.

Documentário das Nicolinas

O filme “Nicolinas”, realizado por Rodrigo Areias, ante-estreado há um ano em Guimarães no decurso das Festas Nicolinas 2002, depois de ter sido seleccionado pela produtora “Contra Costa” para fazer o roteiro dos festivais nacionais e internacionais vai ser agora lançado ao público, numa edição em DVD. O lançamento terá lugar no próximo dia 28/Novembro, pelas 21.30h, no Largo da Oliveira (ou alternativamente, caso as condições climatéricas impeçam que se realize ao ar livre, no Pavilhão da Escola Secundária Martins Sarmento, pelas 22.00h). Para assinalar o lançamento, o Associação de Comissões de Festas Nicolinas (ACFN) e a Câmara Municipal de Guimarães, conduzirão uma cerimónia que consistirá nas seguintes actividades: Uma breve troca de opiniões, experiências e conhecimentos sobre Nicolinas, prestadas por duas figuras incontestáveis da nicolinidade, Sr. Eng. Hélder Rocha (Nicolino-Mor) e Sr. José Maria Magalhães. Apresentação do site Oficial das Nicolinas na Internet, site organizado e fornecido integralmente pela ACFN, mas que será doravante utilizado pela Comissão de Festas Nicolinas como sendo o veículo oficial de informação nicolina. Exibição do filme-documentário “Nicolinas”, que será exibido ao ar livre, um dia antes do “Pinheiro”, perante toda a população. Este é um desejo pessoal do realizador Rodrigo Areias que sempre quis que o seu filme, que é de Guimarães e para Guimarães, pudesse ser desfrutado por toda a população, em local público. Assim as condições climatéricas o permita Através desta edição em DVD, a ACFN pretende difundir aquele que será certamente um veículo de projecção das nossas raízes a nível nacional e internacional. OUTRAS INFORMAÇÕES SITE OFICIAL DAS NICOLINAS NA INTERNET – www.nicolinas.pt As Festas Nicolinas, procurando demonstrar uma actualização face às novas tecnologias, cada vez mais utilizadas pelo público-alvo das festas, os estudantes, passarão a ter a partir de agora uma página oficial na internet. O site oficial das Festas Nicolinas, disponível em www.nicolinas.pt, será a partir de agora a “voz da Comissão de Festas”, no espaço virtual. O site foi organizado e será mantido e disponibilizado à Comissão de Festas Nicolinas pela ACFN, que com este gesto pretende apenas auxiliar a Comissão de Festas na disponibilização de mais um meio de divulgação das suas actividades. Sendo esta uma contribuição para a divulgação das Festas Nicolinas. O site foi elaborado pelo web designer e também antigo nicolino, Bruno Moura. Tendo sido cedido pela empresa vimaranense POPP-Design Cumpre destacar ainda que de há uns anos a esta parte tem já existido um site, gerido pela Associação Tertúlia Nicolina, que muito bem tem preenchido a lacuna até aí existente de divulgação virtual das Nicolinas. Por esse facto, cumpre-nos destacar e elogiar essa actividade, de uma associação que demonstrou assim saber trabalhar pelas Nicolinas, disponibilizando-lhe meios. Esse site, continuará, juntamente com o oficial, como sendo um veículo privilegiado de informação nicolina ROTEIRO DE FESTIVAIS PERCORRIDO PELO FILME “NICOLINAS” O filme-documentário “Nicolinas” foi objecto de um amplo reconhecimento nos meios cinéfilos nacionais, tendo sido convidado para praticamente todos os grandes festivais nacionais de cinema. Nomeadamente, participou no 23º “FANTASPORTO” – Festival Internacional de Cinema do Porto (o maior festival de cinema nacional), que incluiu o “Nicolinas” na Secção Panorama Nacional. A exibição no Pequeno Auditório do Teatro Rivoli cotou-se como um extraordinário sucesso uma vez que para além de esgotar a capacidade da sala, terminou com uma enorme ovação ao realizador Rodrigo Areias. Posteriormente, o filme participou noutros festivais e eventos do cinema nacional, designadamente o Festival “CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS – X”, no Festival “DOCLISBOA” (o maior festival de documentários a realizar em Portugal) e na “MOSTRA DE VÍDEO PORTUGUÊS” (a maior mostra de vídeo nacional, a realizar na Videoteca Municipal de Lisboa). Em termos internacionais, o “Nicolinas” foi seleccionado para participar no concurso no “5th International Panorama of Independent Filmmakers” do Festival Internacional de Cinema de Thessaloniki (Grécia), um dos mais prestigiados festivais do mundo ao nível de cinema documental, para o qual, apenas são objecto de selecção os melhores filmes-documentários, considerados à escala mundial. Em representação de Portugal, foram seleccionados apenas dois filmes, tendo um deles sido precisamente o “Nicolinas”. RODRIGO AREIAS Com este filme, o realizador vimaranense Rodrigo Areias conseguiu simultaneamente, trabalhar em prol duma tradição bem vincada nas suas origens, promovendo a sua cidade de Guimarães e granjear um reconhecimento e uma notabilidade ímpares ao nível cinematográfico, considerando o facto de se tratar de um realizador ainda jovem. Após a apresentação do “Nicolinas”, Rodrigo Areias foi convidado a participar e co-realizar algumas longas-metragens com alguns dos principais vultos do cinema nacional, tendo mesmo agora em preparação a sua primeira longa metragem, para o que conseguiu a colaboração de algumas das mais importantes produtoras e distribuidoras nacionais. Foi reconhecido igualmente ao nível internacional na medida em que foi convidado pela BBC para auxiliar na realização de um documentário sobre Portugal para ser exibido em Inglaterra e no resto do Mundo por aquela cadeia de televisão, aquando da realização do Euro 2004 em Portugal ACFN – ASSOCIAÇÃO DE COMISSÕES DE FESTAS NICOLINAS A Associação de Comissões de Festas Nicolinas, pese embora a similitude de denominação, não se confunde com a Comissão de Festas Nicolinas, sendo apenas uma de entre as várias associações existentes sobre Nicolinas. Tem apenas como particularidade o facto de ser constituída integralmente por membros que pertenceram, enquanto estudantes do secundário de Guimarães, a uma Comissão de Festas Nicolinas, associando-se depois nesta entidade constituída como tal por antigos membros de Comissões de Festas Nicolinas; daí a sua designação. Este projecto – o filme-documentário “Nicolinas” – foi o mais visível projecto desta associação, e o mais importante na perspectiva de reconhecimento público em que coloca as Festas Nicolinas. Mas não é certamente o único. Ao longo dos anos, a função e motivação de todos os seus membros tem sido apenas a de contribuir até aos limites do nosso entendimento e conhecimento, para o engrandecimento das festas e a preservação das tradições. Sempre presentes junto daquela que é e será sempre a entidades principal das Festas Nicolinas: a Comissão de Festas Nicolinas A ACFN considera o mundo nicolino como de fraternidade e irmandade. Por essa razão, pretende aproveitar esta ocasião para publicamente agradecer os préstimos e dedicação das restantes entidades nicolinas, institucionais ou não, que ao longo dos anos têm trabalhado pelas Nicolinas. Todos juntos faremos das Festas Nicolinas, cada vez maiores e melhores.

Festa entre povos inseguros

“É no universal que nos realizamos como Povo”, afirmou recentemente o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio no dia de Portugal e das Comunidades, em Bragança. Uma constatação que é sinal da globalidade, acolhimento e alegria “marítima” que marcam a nossa alma: identidade nacional! Afinal, sempre fizemos do acolher o outro e de receber em casa, uma festa! Chegaram os “estrangeiros”. O Portugal tranquilo “à beira da Europa plantado” é, outra vez, invadido. Não vêm para trabalhar. Vêm para o Futebol. Contudo, devido à hodierna conjectura global pós-atentados terroristas, o País lança-se, por um lado, em medidas excepcionais de controlo e de criação de estruturas que garantam eficazmente a segurança dos jogadores e do público e, por outro, que impeçam o engrossar das “quotas” da imigração ilegal e os excessos dos mais violentos da bola. Na verdade, está-se diante de um medo diferente daquele que o País tem crescentemente manifestado face aos imigrantes sob a forma de xenofobia e um racismo “politicamente correcto”. A palavra “estrangeiro” é sempre mais associada a medo, a perigo, a invasor… Os tempos mudaram. Não são os da sorridente EXPO 98 é certo, porém o EURO 2004 revela-nos uma Europa “ameaçada” que se tornou espaço inseguro e violento. Por isso, Portugal, em conformidade com as regras internacionais, toma precauções excepcionais para o bem de todos: as fronteiras foram repostas suspendendo o mítico Acordo “Schengen”, o terrorismo ameaça em cada esquina de multidão devido ao perpetuar-se da situação do Iraque e Afeganistão, as claques pacíficas e os “hooligans” violentos coabitam dentro e fora dos 10 estádios, e foram criados os temíveis “centros temporários de detenção para estrangeiros” candidatos à expulsão e repatriamento… O “estrangeiro” adquire uma nova conotação e, por conseguinte, estigmatização e a “liberdade de circulação” é vigiada policialmente! Afinal, o “dogma” europeu da liberdade de movimento parece necessitar de imediata reforma. No entanto, por umas semanas de alguma “alienação nacional”, o País vai esquecer os “apitos dourados”, que ainda continuam a existir e a alimentar a intransparente “indústria” nacional futebolística, como também ocultar outros “pecados sociais” – sem arrependimento à vista! – denunciados pelos bispos. Inesperadamente o negócio e a moda das Bandeiras da República pegaram como nunca; os Estádios modernizados – que os imigrantes ajudaram a construir e a terminar dentro dos prazos previstos – ficaram prontos a horas; o delicado destino da Selecção foi entregue a um estrangeiro de um país irmão da CPLP – o Brasil –; os nossos jogadores “emigrantes”, melhor aplaudidos lá fora do que cá, foram convocados e regressaram temporariamente. Em tudo paira uma “mestiçagem” cultural e cooperação transnacional que tem em cada equipa europeia em campo a “parábola” mais fiel e eloquente da identidade e cidadania europeias. As identidades ultrapassam os limites das fronteiras e até de continentes! Há algo novo no ar de que é preciso tomar consciência: uma outra cidadania, um outro modo de ser nação e povo! O que significa hoje dizer-se português, grego, francês, holandês, lituano, russo? O EURO, como o Encontro de Povos que praticam desporto, surge também como ocasião para “desmistificar” nacionalismos, separatismos e laicismos exacerbados, tacanhos, demagógicos e adversários que noutras matérias políticas, como acontece face à Imigração, à Família, à Vida, ao Trabalho e Asilo, parecem persistir entre os europeus. Mas, desta vez longe da alegria dos estádios e dos técnicas de balneário. Esse outro jogo de interesses que divide os Povos continuará a jogar-se nos Parlamentos e nos fóruns da Sociedade Civil. Será, de maneira especial, aí que nós teremos que agitar a bandeira dos direitos humanos, da justiça e da coesão social. Será um eterno campeonato que promete durar enquanto houver jogadores dispostos a jogar para ganhar troféus de dignidade e humanidade. Assiste-se, nestes dias, a uma excepcional demonstração de patriotismo à volta do futebol. Um sentimento colectivo reforçado pela exaltação “mediática” dos símbolos nacionais – Bandeira e Hino – que lamentavelmente não tem sido visto noutras áreas e momentos aonde ele se poderá tornar decisivo para o presente do País e da Europa no mundo: o Emprego e a Saúde, a Ciência e Tecnologia, a Agricultura e o Ambiente, o Mar e as Pescas, a Migração, as Eleições, só para citar alguns. Pelo contrário, nota-se indiferença social, descomprometimento político e muito pouco orgulho nacional. Por isso, pergunto-me: é patriotismo ou bairrismo provinciano? Estranho?! Em geral, orgulhamo-nos de ser portugueses em questões secundárias e lúdicas, em vez de o fazermos com forte “sentido nacional” e intransigente responsabilidade solidária em questões principais e decididamente vitais para o bem comum nacional ou internacional. A única excepção foi a luta por Timor Lorosae, se a memória não me falha, que uniu o País nos últimos 30 anos. Portugal e Timor pareciam uma única Pátria. “Portugal é a ousadia de um Povo (…). Um futuro para Portugal há-de medir-se pela capacidade de construir pontes entre as culturas, de pôr os homens em diálogo, de contribuir para o progresso da humanidade concebida como uma única família humana”. (cfr. Carta Pastoral “Responsabilidade solidária pelo bem comum”, nº 33). Foi dito recentemente e com razão! Portanto, depois dos Estádios, unamo-nos para construir pontes de diálogo e de progresso para todos! Aprendamos a ver nas migrações internacionais uma formidável oportunidade “pontifícia” de Unidade entre Povos e invistamos com realismo e utopia na edificação universal de uma “sociedade integrada”! Rui M. da Silva Pedro Director da Obra Católica Portuguesa de Migrações

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