Património: Exposição «O Porto e as Igrejas»

Porto, 22 out 2017 (Ecclesia) – A exposição «O Porto e as Igrejas» dá a conhecer, através da objetiva do fotógrafo Egídio Santos, os edifícios religiosos da cidade que, além do seu valor histórico e artístico, constituem importantes marcos da identidade e da memória coletiva daquela localidade.

Este evento foi desenvolvido pelo pelouro da educação da Câmara do Porto, em parceria com a diocese, está patente ao público até 29 de novembro, no museu da Misericórdia do Porto, e foi concebido pelo designer João Borges, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

A exposição e o livro «O Porto e as Igrejas» foram coordenados pelo professor Rui Nunes e também se evoca a memória “de um dos seus principais impulsionadores, D. António Francisco dos Santos, recentemente falecido”, frisou.

Do texto que o antigo bispo do Porto escreveu para o livro «O Porto e as Igrejas», intitulado «A Igreja na Cidade», D. António Francisco Santos realça que “o número de igrejas e sua plurifacetada missão dizem-nos quanto a cidade lhes deve na moldura da sua alma, na vida das suas gentes, na génese dos seus valores, na grandeza da sua história, no apelo à transcendência que aí se encontra e no serviço permanente que aí se presta”.

LFS

Futuro da arquitectura religiosa está em aberto

Ninguém sabe como serão as igrejas do futuro. Esta poderia ser a grande conclusão do colóquio sobre arquitectura religiosa que se realizou este Sábado, em Lisboa, com a presença de especialistas portugueses e alemães, para debater o panorama e contexto histórico do último século, à volta de temas como “A liturgia como programa de Igrejas” e “Arte na Igreja e Igreja na Cidade”.

O colóquio, que decorreu no auditório do Goethe-Institut em Lisboa, partiu da experiência germânica, confrontada e traduzida para a realidade nacional. Ao longo do dia, várias propostas e perspectivas apresentadas deixaram a certeza de que, nesta área, tudo está em aberto.

Na abertura dos trabalhos marcou presença D. Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa e uma das maiores autoridades da Igreja Católica em Portugal nesta matéria, para quem existe a “necessidade de uma nova reconciliação entre a estética moderna e a imagem cristã”. Um passo que é uma imposição para o “cristianismo do futuro”.

Segundo este responsável, é essencial passar o debate “das impressões para as expressões”, “procurar a inculturação da fé, que não fica só ao nível da linguagem”

D: Carlos Azevedo considera que o desencontro entre cristianismo e arquitectura se deve à “falta de iniciação às expressões da arte contemporânea”, à sua linguagem

“Novas expressões criam resistência”, alertou, pedindo “disponibilidade interior” para as compreender. “O que conta não é a imediatez ou a intensidade da emoção”, acrescentou.

João Belo Rodeia, presidente da Ordem dos Arquitectos, assegurou que este é um “tema interessante há muito tempo” e que no nosso país, a relação com a arquitectura religiosa foi fundamental para a afirmação da modernidade, uma “nova abordagem ao mundo e à arquitectura, em particular, na sua prática e no seu quotidiano”.

João Alves da Cunha, arquitecto e comissário da exposição “Made in Germany: Arquitectura + Religião”, patente ao público em Lisboa, afirmou que a concretização das directivas do Concílio Vaticano II “veio a revelar-se nada evidente”, admitindo “desconforto e pouco reconhecimento em várias obras de arte e arquitectura religiosa”.

“É um tempo de debate”, destacou, antes de lembrar a importância da Alemanha nessa reflexão, da qual Portugal se tem mantido “um pouco longe”.

Para este especialista, o futuro passa por novas abordagens, novas perspectivas, novos espaços, para que “pouco a pouco se possa virar a página”

Um lugar para a comunidade que celebra

O teólogo alemão Walter Zahner, especialista no trabalho de Rudolph Schwarz, apresentou um itinerário por algumas das igrejas alemãs mais relevantes do século XX, lembrando as suas raízes históricas, com exemplos representativos do período antes da II Guerra Mundial e do pós-guerra. Da sua reflexão surgiu o destaque para a reunião da comunidade em torno do altar, das relações entre o simbolismo exterior e o Centro interior e das várias opções arquitectónicas para a disposição do espaço da celebração, que variam entre a monoaxialidade e o anel que rodeia o altar.

Segundo Zahner, as palavras-chave da actualidade na arquitectura religiosa são “espaço, luz e liturgia”, com o objectivo de “dar uma casa à comunidade”.

Para o interior das igrejas, este especialista deixou como perspectiva a aprofundar no futuro a ideia da disposição em dois pólos: a mesa da palavra e a mesa do pão, com um centro livre (em elipse), para uma comunidade que se reúne em torno do ambão e do altar.

O arquitecto Paul Boehm falou do seu projecto para a igreja de São Teodoro, em Colónia, frisando que após os anos 60 do século passado, a construção sacra foi na direcção de ser, cada vez mais, um espaço multiuso, similares a complexos desportivos ou centros de congresso. Neste caso, observou, o arquitecto alemão quis “criar um espaço que realmente, em primeiro lugar, sirva para celebrar a eucaristia, meditar e orar”, um “espaço apto a criar atmosfera de meditação”.

Soluções diversas procuraram dar ao espaço “um carácter especial de transcendência e de abertura”, como, por exemplo, o distanciamento entre o tecto e as paredes para as entradas de luz. O centro paroquial, por seu lado, pretende fomentar a “vida comunitária”. Da intervenção ressaltaram ainda alguns desafios curiosos que Paul Boehm teve de enfrentar, como o de criar cadeiras multifuncionais e fáceis de arrumar.

Arquitectos e comunidades

O arquitecto José Fernando Gonçalves (co-autor da igreja do Convento dos Dominicanos, Benfica, entre outros), foi desafiado a falar do encontro entre a dimensão plástica e a dimensão litúrgica na obra arquitectónica, afirmando que “os arquitectos procuram sempre uma boa desculpa para construir significado”, algo que está “absolutamente legitimado” no espaço religioso.

Abordou também a sua experiência de “relação complicada” entre o arquitecto e a comunidade, explicando que para muitos a construção da igreja surge como “confirmação de alguns valores” que estão consagrados na experiência, uma “iconografia enraizada na comunidade”: telhado de duas águas, porta no meio e uma torre. Neste contexto, apontou, pode viver-se num “diálogo de surdos”.

“Cabe ao arquitecto construir desafios, mas tem de saber muito bem que caminhos quer traçar”, alertando para o perigo do relativismo, que pode dar legitimidade ao “puro disparate”.

“Uma igreja não é um centro comercial”, apontou José Fernando Gonçalves.

Sobre a interacção do arquitecto com a comunidade foi chamado a intervir Luiz Cunha, a respeito da experiência que viveu com a igreja de Santa Joana, em Aveiro. “Havia um entusiasmo tão grande na comunidade que eu tinha de ser mais um travão do que um acelerador”, confessou.

Neste contexto, falou de um episódio em que a maqueta da igreja foi transformada num bolo, que permitiu à comunidade olhar para o projecto de uma maneira diferente.

Propostas de organização

Já o arquitecto Diogo Lino Pimentel, responsável pelo Departamento das Novas Igrejas do Patriarcado de Lisboa, afirmou que “a utilização de uma igreja, começando pela sua presença na cidade, é um programa funcional que é posto e que tem de ser respondido”. A este, sobrepõe-se “um programa litúrgico”.

Numa igreja, explicou, tem de ser possível ver, ouvir, tem de haver espaço para todos e funcionar cheia ou vazia.

Estas duplas funcionalidades e paradoxos do plano funcional e litúrgico são um desafio para a arquitectura, que tem reconstituir um “quadro significante”.

“Ultimamente, pelo menos entre nós, tem-se esquecido completamente o valor da arquitectura, ligando muito ao valor da decoração”, lamentou.

Para o Pe. João Norton, arquitecto, também comissário da exposição “Arquitectura e Religião”, o conjunto de iniciativas que se têm desenvolvido em torno desta temática pretendem ser uma “provocação positiva” para reabrir o debate, questionando a qualidade do que se tem construído e a tipologia do espaço litúrgico.

“Ao reequacionar a tradição, abram-se muitas possibilidades, não há uma solução feita”, assegura.

O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Tolentino Mendonça, falou à ECCLESIA, da importância da arte enquanto “reflexão sobre a condição humana em chave de transcendência”.

O padre e poeta participou numa mesa-redonda sobre o tema “Arte na Igreja e Igreja na Cidade”. A necessidade de “virar a página” e de construir um “novo pacto com o mundo da arte” são ideias defendidas por Tolentino Mendonça, para quem as iniciativas em volta da arquitectura religiosa são “um sinal dos tempos”.

“A Igreja em Portugal precisa de um projecto cultural, consistente, pensado”, conclui.

A igreja na cidade

1. A Igreja é antes de mais comunidade de pessoas, comunidade de comunhão como expressou o concílio Vaticano II. O conteúdo desta comum-união é a participação no Espírito de Cristo, que gera o corpo social e místico que é a comunidade cristã. O Espírito não precisa de outro templo senão a pessoa humana e a comunidade. O corpo social é que tem necessidade de um lugar de encontro, de acolhimento, de celebração da fé, de trabalho – necessita de um edifício na cidade. A comunidade está antes do edifício. O erro da polémica igreja do Restelo não está, primeiramente, no estilo próprio do arquitecto, mas no facto da comunidade não ter sido o sujeito do processo, quem escolheu a tipologia litúrgica, a expressão do edifício e o arquitecto. Tanto a funcionalidade como a forma simbólica do edifício-igreja derivam da comunhão cristã que é fundamentalmente abertura ao Outro, abertura da comunidade à transcendência de Deus, mistério da existência, e à presença de Deus na própria vida das pessoa e da cidade. Esta abertura opõe-se ao gueto ou à seita, que são fechamento, separação. A Igreja não tem sentido sem relação com a cidade. Uma relação específica que não se caracteriza pelo poder mas pelo serviço (Lc 20,25-26), que não exclui mas acolhe na comunhão, que não se impõe mas se propõe. Estas características espirituais da igreja-comunidade é que devem caracterizar a igreja-edifício, como seu prolongamento e sua imagem na cidade.

2. Por outro lado, a cidade contemporânea está em processo acelerado de transformação urbana e cultural. No passado a Catedral ocupava o centro, desde aí definia e organizava o território geográfico e o território dos valores e do sentido. Hoje, o centro histórico tende a ser um lugar do passado, esvaziado de habitantes, itinerário pitoresco de turistas, absorvendo neste conceito as suas igrejas. O estatuto da igreja na cidade vê-se alterado na sociedade plural, onde culturas, valores e formas de vida diversas partilham o espaço comum. Nele, a igreja-instituição já não representa o todo cultural, mas ocupa o espaço público, a par de outras instituições de significados desiguais. A igreja-edifício não tem porque ocupar o lugar do poder, o centro, ou a extrema dominante das avenidas. O edifício constrói-se a partir da comunidade, como sua casa, domus ecclesia, à escala das suas necessidades espirituais e capacidade de serviço. A igreja sobrevive como sinal e lugar de uma comunidade de identidade espiritual forte. Só quando esta enfraquece ou se ensoberbece é que volta nostalgia da monumentalidade.

Outro aspecto é a crise da cidade como lugar humano. A cidade descentralizou-se, multiplicando os seus centros, diluindo as suas periferias no suburbano. A complexidade crescente da cidade contemporânea organiza-se por valores ligados quase exclusivamente às leis do mercado, valores pragmáticos e não espirituais. O predomínio do económico e do material gera o desejo do espiritual, a saturação da informação e da imagem gera o desejo da escuta e do silêncio, a fragmentação da vida gera a busca de sentido. O urbanismo e a arquitectura são valores espirituais que promovem a cidade como lugar humano. Um desafio semelhante põe-se à presença da igreja nos novos fóruns disseminados da cidade, nas periferias e não-lugares. Saberá a igreja recriar aí tempos de paragem e reflexão? Reforçar centralidades, lugares de encontro e celebração? Recuperar espaços de identidade e de pertença, na precariedade e vulnerabilidade da cidade em mutação?

3. Finalmente, que linguagem arquitectónica para o edifício-igreja na cidade? Percorremos aspectos sociais, culturais e espirituais que condicionam o desenho da igreja-edifício na sua relação com a cidade. Em última instância a arquitectura dá-lhes um valor formal definitivo, a igreja reconhece-se finalmente pela sua forma. Mas será que esta forma sobrevive reconhecível às rupturas próprias da arquitectura como disciplina, nomeadamente ao questionamento do modernismo? Não redefiniu, a igreja-instituição também, no último Concílio, a compreensão de si e da sua relação com o mundo? O resultado, ainda que prometedor, é, actualmente, uma grande experimentação de formas e tipologias.

Os arquitectos cultivados lêem na história das formas, seleccionadas pelo tempo, a reflexão de cada época sobre a igreja e a cidade. Há no entanto que traduzi-la para hoje. Só uma reflexão aprofundada na comunidade cristã, em conjunto com o mundo da arquitectura como disciplina, pode consolidar as boas práticas.

A igreja-edifício é uma metáfora na cidade secular, pronunciada na linguagem do seu tempo. A sua estrutura poética e paradoxal deve surpreender crentes e descrentes, conduzi-los ao silêncio do mundo, despertar uma atenção inhabitual. Tem portanto necessidade do talento artístico do arquitecto.

Pe. João Norton, sj, arquitecto

Made in Germany: Arquitectura + Religião

A Ordem dos Arquitectos, em parceria com o Goethe-Institut Lisboa, apresenta em Fevereiro a exposição Made in Germany: Arquitectura + Religião, a que estarão associados alguns eventos paralelos, propostos pelos arquitectos João Alves da Cunha e João Norton de Matos na qualidade de comissários desta iniciativa.

A exposição, propriedade do Goethe-Institut Munich, faz a sua penúltima paragem em Lisboa, antes de concluir, em Madrid, um programa de itinerância mundial iniciado em 2005, que passou por cidades como Brasília, Atenas, Nairobi, Toulouse, Kiev, Mumbai, Bruxelas, Caracas, Casablanca e Bangkok.

Esta exposição, que na sua estada em Lisboa está exposta na Sala do Veado dos Museus da Politécnica, tem como objectivo proporcionar uma visão sobre a nova arquitectura religiosa, através da apresentação de nove edifícios recentes de várias confissões na Alemanha.

Estes nove exemplos de arquitectura contemporânea alemã são apreciados pelas respectivas comunidades como locais de paz e meditação, mas assumem também uma relevância cultural inquestionável, enquanto espaços que testemunham as idiossincrasias do nosso tempo, tão marcado pelo balançar entre ruptura e repetição.

De igual modo, e porque bem exemplificativos das opções de uma nova geração de arquitectos no difícil caminho da integração do carácter estético e artístico da arquitectura religiosa com a sua função devocional, estes edifícios tornam-se casos de estudo de elevado valor e interesse.

Dentre estes destacam-se a premiada Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Munique (Allmann, Sattler e Wappner), a Igreja de São Teodoro, Colónia (Paul Böhm), a Capela da Reconciliação, Berlim (Reitermann e Sassenroth), a Ecuménica Igreja de Maria Madalena, Freiburg im Breisgau (Kister Scheithauer Gross) e a nova Sinagoga de Dresden (Wandel, Hoefer, Lorch + Hirsch).

Em complemento à exposição, realizar-se-á um colóquio, no dia 20 de Fevereiro, com a participação de cinco convidados alemães – o teólogo Walter Zhaner e os arquitectos Paul Böhm, Amandus Sattler, e Ulrich e Ilse Königs – onde serão debatidos o panorama e contexto histórico da arquitectura religiosa alemã do último século, ilustrados com maior detalhe por três obras recentes de particular interesse para a realidade portuguesa.

Após as respectivas conferências, divididas pela parte da manhã e tarde, realizar-se-ão duas mesas redondas, onde se juntarão quatro convidados portugueses – os padres Tolentino Mendonça e Bernardo Miranda e os arquitectos Diogo Lino Pimentel e José Manuel Fernandes – para debater temas como “A liturgia como programa de Igrejas” e “Arte na Igreja e Igreja na Cidade”.

O colóquio, que se realizará no auditório do Goethe-Institut em Lisboa procura, a partir da experiência germânica, confrontada e traduzida para a realidade nacional, promover uma séria reflexão e debate de perspectivas sobre esta temática, para o que também contribuirá a síntese de encerramento apresentada pelo arquitecto e padre jesuíta João Norton de Matos.

Aproveitando a presença em Portugal dos cinco convidados alemães, realizar-se-á, nos três dias anteriores ao colóquio, um itinerário com arquitectos portugueses, proporcionando a visita a várias obras relevantes do território nacional no contexto da arquitectura religiosa, permitindo o aprofundamento cultural, a troca de conhecimentos, reflexões e pontos de vista, com início na cidade do Porto e chegada a Lisboa, passando pelas cidades de Fátima, Portalegre e Évora.

Esta viagem de estudo e aprendizagem será marcada pela partilha, debate e vivência de participantes de Portugal e Alemanha, e enriquecida pela presença e orientação guiada de alguns dos autores das obras visitadas, como os arquitectos João Luís Carrilho da Graça e José Fernando Gonçalves.

Fazem parte do percurso obras como a Igreja de Santa Maria, em Marco de Canavezes (Álvaro Siza Vieira), o Museu de Serralves, no Porto (Álvaro Siza Vieira), a Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima (Alexandros Tombazis), a Igreja de Santo António, em Portalegre (João Carrilho da Graça), o Museu de Arte Sacra, em Évora (João Carrilho da Graça) e a Igreja do Convento dos Dominicanos, em Lisboa (Paulo Providência e José Fernando Gonçalves).

Com este encontro de culturas, pensamentos e ideias, dedicado a um programa arquitectónico tão pouco debatido em tempos mais recentes, espera-se catalisar novas abordagens, novas perspectivas e novos passos para a arquitectura religiosa portuguesa do presente século, promovendo a qualidade artística e arquitectónica dos edifícios religiosos, referências incontornáveis na construção da identidade e fisionomia das nossas cidades.

Arquitectura alemã

Ao longo do século XX, a arquitectura religiosa alemã recebeu numerosos impulsos, tendo sido decisivamente influenciada pelo teólogo e filósofo Romano Guardini, autor do “Espírito da Liturgia” (1918), bem como pelo livro “Arquitectura Religiosa Cristocêntrica” (1922) de Johannes van Acken.

Após a vasta destruição causada pela Segunda Grande Guerra Mundial, a reconstrução das cidades, associada à expansão dos subúrbios, levou a que se tenham construído mais igrejas na Alemanha após 1945 do que em qualquer época anterior.

Já nos anos 1960, o foco caiu sobre a edificação de centros comunitários. Em lugar de edifícios exclusivos para o culto, surgiram espaços polivalentes, servindo tanto para os serviços divinos como para reuniões sociais da congregação – de encontros para a terceira idade a berçários.

A década de 1990 assistiu a um novo ímpeto na construção de igrejas, apesar do declínio registado no número de membros. Nesta fase, percebe-se um retorno aos espaços solenemente sagrados, frequentemente com carácter meditativo, numa tentativa de compensar o défice espiritual das sociedades ocidentais.

Nos últimos anos, para além do florescimento dos edifícios de culto cristão na Alemanha, assistiu-se também à construção de numerosos novos centros comunitários judaicos e sinagogas.

Todos estes projectos assumem frequentemente formas arquitectónicas modernas, mas o desenho inovador dos espaços sagrados – apesar da diversidade religiosa da Alemanha contemporânea – ainda é muito limitado em muitas comunidades.

(Da Introdução do Catálogo)

Arquitectura e Religião na Alemanha

A Ordem dos Arquitectos, em parceria com o Goethe-Institut Lisboa, apresenta em Fevereiro de 2010, a exposição “Made in Germany: Arquitectura + Religião”, a que estarão associados alguns eventos paralelos, propostos pelos arquitectos João Alves da Cunha e o padre jesuíta João Norton de Matos na qualidade de comissários desta iniciativa.

Esta exposição temática, que na sua estada em Lisboa será exposta na Sala do Veado dos Museus da Politécnica, tem como objectivo proporcionar uma visão sobre a nova arquitectura religiosa, através da apresentação de nove edifícios recentes de várias confissões na Alemanha.

Em complemento à exposição, realizar-se-á um colóquio e duas mesas redondas, no dia 20 de Fevereiro, com a participação de cinco convidados alemães – o teólogo Walter Zhaner e os arquitectos Paul Böhm, Amandus Sattler, e Ulrich e Ilse Königs – e quatro convidados portugueses – o Pe. Tolentino Mendonça e o arquitecto Bernardo Miranda e os arquitectos Diogo Lino Pimentel e José Manuel Fernandes. Aqui serão debatidos o panorama e contexto histórico da arquitectura religiosa alemã do último século, ilustrados com maior detalhe por três obras recentes de particular interesse para a realidade portuguesa.

Exposição
De 5 a 28 de Fevereiro 2010, no Museu Nacional de História Natural, Sala do Veado, Lisboa
Obras
Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Munique (1996-2000); Allmann, Sattler e Wappner
Igreja de São Teodoro, Colónia (1999-2001); Paul Böhm
Pavilhão de Cristo, Volkenroda (2001); Von Gerkan, Marg e associados
Igreja de Maria Madalena, Freiburg im Breisgau (2002-2004); Kister Scheithauer Gross
Casa de Retiro, Meschede (1999-2001); Peter Kulka e Konstantin Pichler
Capela da Consagração, Munique (1999-2000); Prof. Andreas Meck e Stephan Köppel
Capela da Reconciliação, Berlim (1996-2000); Reitermann e Sassenroth
Crematório Baumschulenweg, Berlim (1992-1998); Axel Schultes e Charlotte Frank
Sinagoga, Dresden (1998-2001); Wandel, Hoefer, Lorch + Hirsch

Programa do Colóquio
20 de Fevereiro 2010
Goethe-Institut, Campo dos Mártires da Pátria, Lisboa
Programa
09h00 – Recepção e entrega de documentação
09h30 – Abertura
D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa
Joachim Bernauer, Director do Goethe-Institut Lisboa
João Belo Rodeia, Presidente da Ordem dos Arquitectos
João Alves da Cunha, arquitecto
10h00 – Conferência – Walter Zhaner, Comissão para a Arquitectura Eclesiástica da Conferência Episcopal Alemã
10h45 – Apresentação do projecto «Igreja de São Teodoro, Colónia (2001)»; Paul Böhm arquitecto
11h45 – Intervalo
12h00 – Mesa Redonda «A liturgia como programa» Walter Zhaner, Paul Böhm, Diogo Pimentel, Bernardo Miranda| moderador João Norton de Matos sj
13h00 – Almoço
15h00 – Apresentação do projecto «Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Munique (2000)»; Amandus Sattler, arquitecto
15h45 Apresentação do projecto Igreja de S. Francisco, Regensburg (2004); arqºs Ilse e Ulrich Königs
16h45 – Intervalo
17h00 – Mesa Redonda «Arte na igreja e igreja na cidade»; Amandus Sattler, Ulrich Königs, José Manuel Fernandes, Pe. Tolentino Mendonça
moderador – João Alves da Cunha
18h00 Encerramento
João Norton de Matos SJ

Intercâmbio Portugal-Alemanha
16, 17, 18 ,19 de Fevereiro 2010
Porto > Marco de Canavezes > Fátima > Portalegre > Évora > Lisboa
Encontro de culturas, pensamentos e ideias, enriquecido pela partilha, debate e vivência de participantes de Portugal e Alemanha. Viagem de estudo e aprendizagem, de troca de conhecimento, reflexões e pontos de vista, num percurso por Portugal, catalisador de novas abordagens, novas perspectivas e novos passos. Tempo para olhar o presente e pensar o futuro.

PROGRAMA
16 de Fevereiro 2010

Tarde

Chegada e recepção dos participantes
Capela de São José, Vila Nova de Gaia
| Visita guiada pelo arq. José F. Gonçalves 

17 de Fevereiro 2010
Manhã
Igreja de Santa Maria, Marco de Canavezes
| Visita
Tarde
Museu de Serralves, Porto | Visita guiada pelo arq. Álvaro Siza Vieira
Noite

Casa da Música, Porto
| Encontro aberto

18 de Fevereiro 2010
Manhã

Igreja de N. Sra. do Rosário, Fátima
| Visita
Tarde

Santuário de Fátima, Fátima
| Visita guiada pela arq. Joana Delgado
Igreja de Santo António, Portalegre
| Visita guiada pelo arq. João L. Carrilho da Graça
Noite

Sé de Évora
| Concerto

19 de Fevereiro 2010
Manhã
Museu de Arte Sacra, Évora
| Visita guiada pelo arq. João L. Carrilho da Graça
Parque das Nações, Lisboa

Tarde

Igreja e Centro Cultural Dominicano, Lisboa
| Visita guiada pelos arq. José F. Gonçalves e Paulo Providência
Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa | Visita
Noite

Centro Cultural de Belém, Lisboa
| Encontro aberto 

A Igreja na Cidade, sob o patrocínio de São Vicente

1. A Solenidade de São Vicente convida-nos a reflectir sobre a presença da Igreja na Cidade, do seu compromisso em procurar, através da sua missão específica, a construção de uma comunidade humana baseada na verdade, na justiça e na fraternidade. A construção da cidade é tarefa de todos os cidadãos, o que supõe o respeito pelas diferenças e a procura de convergências em prol do bem-comum.

São Vicente abraça, na sua protecção, a Igreja e a Cidade. A origem histórica da devoção dos habitantes de Lisboa a São Vicente, pode ser inspiradora do presente. Estávamos no início da nacionalidade do Portugal independente, depois da reconquista cristã. Conquistada Lisboa por D. Afonso Henriques, com a ajuda decisiva dos cruzados, a população de Lisboa sofre o abalo das grandes mudanças. Na Cidade coabitam muçulmanos, cristãos moçárabes, judeus, e os cristãos ligados à cruzada que, vindos do Norte e de outros países da Europa, se fixam em Lisboa. Os cristãos moçárabes são o grupo que mais sente as convulsões da mudança. Eles eram, até aí, o rosto visível da Igreja presente em Lisboa. Segundo o cronista, autor da Carta a Osbérnio, o seu Bispo foi assassinado pelos cruzados. Olhados com desconfiança pelos muçulmanos, devido à sua fé cristã, não reconhecidos pelos cristãos que vieram com a cruzada, dispersam-se fugindo da Cidade e confiam no seu santo protector, São Vicente. É, certamente, para lhes dar um sinal de apoio e confiança que D. Afonso Henriques, com grande sabedoria, consegue trazer para Lisboa a relíquia do Santo Mártir de Saragoça. É significativo que as comunidades que, ainda hoje, têm São Vicente como Padroeiro, se situem na periferia de Lisboa, o que resta dessas comunidades fugidas da confusão da Cidade: São Vicente de Fora, isto é, fora das muralhas, Alcabideche, Vila Franca de Xira, Cercal nas faldas da Serra do Montejunto. A devoção a São Vicente aparece como elemento protector e congregador da nova Cidade, da nova comunidade humana a construir.

Sem tentar definir simplisticamente a Lisboa dos nossos dias, a pluralidade dos seus habitantes e as suas diferenças exigem novas forças aglutinadoras em volta de um projecto para Lisboa, digno da sua história e capaz de construir, com os seus habitantes, uma verdadeira cidade de prosperidade, de justiça e de paz. É nesse quadro que a Igreja se mostra disponível e empenhada na construção da nossa Cidade, invocando, para os seus problemas e projectos a protecção de São Vicente.

 

2. A participação da Igreja na construção da Cidade tem de processar-se em convergência cooperante com outras instituições com responsabilidade: os poderes políticos, de modo particular o poder autárquico, a Santa Casa da Misericórdia, outras instituições da sociedade civil. Aliás o princípio da cooperação entre a Igreja e os poderes públicos inspira a nova Concordata, celebrada entre a Santa Sé e o Estado Português. Nessa participação no bem-comum da Cidade, a Igreja está com os seus valores próprios: o dinamismo do amor fraterno, que a leva a conceber a Cidade como comunidade, onde os mais pobres e necessitados suscitam uma atenção privilegiada. Mas a Igreja está na Cidade também com a sua verdade, a sua visão sobre o homem, sobre a dignidade da vida, aberta à dimensão transcendente. Ninguém estranhará que, através da Igreja, o amor solícito de Deus ganhe foros de cidadania.

Passo a referir alguns pontos concretos que desafiam o compromisso cooperante de todos os intervenientes na construção da Cidade.

 

3. A recuperação e valorização do património artístico de Lisboa. Recuperemos o rosto belo de Lisboa e poremos a claro um aspecto fundamental da nossa Cidade. A beleza é para ser fruída e abrirá os espíritos para a afirmação da prioridade da vida em todas as circunstâncias, mesmo as mais difíceis. Só valorizando o seu património, Lisboa impedirá que se desfeie a Cidade ao fazê-la crescer. A cidade do futuro tem de ser uma irradiação da cidade histórica, marcada pela beleza. Todos juntos somos poucos para realizar este objectivo.

 

4. A solidariedade com os mais pobres e necessitados, para que nos alerta o “Ano Internacional da luta contra a pobreza”. Esta ganhou expressões novas a acrescentar às que já conhecíamos. Urge conhecer, cada vez melhor, o verdadeiro mapa da pobreza na Cidade. Todos conhecemos o volume e a importância das instituições da Igreja nesta resposta à pobreza, nas quais se concretiza, aliás, o princípio da cooperação entre a Igreja e o Estado. Mas essa cooperação pode aprofundar-se, não apenas com o Ministério do Trabalho da Solidariedade Social, mas com a Autarquia, com a Santa Casa da Misericórdia, com outras instituições de solidariedade. Não deveríamos caminhar para um organismo coordenador de todos estes intervenientes na luta contra a pobreza?

 

5. A pobreza, sobretudo as novas situações de precariedade motivadas pela crise económica, atinge de modo particular as famílias: o desemprego, o endividamento familiar, o custo da casa, as despesas com a educação, a tendência para a baixa da natalidade. O apoio à família deve empenhar-nos a todos com determinação renovada. Não se salvará a Cidade se não se salvar a família.

Mas aqui está um ponto em que a Igreja, no seu empenho a favor da família, só pode estar com a sua verdade, porque está consciente de que ajudar a família é, antes de mais, respeitá-la na sua dignidade e na sua natureza antropológica de instituição baseada no contrato entre um homem e uma mulher, que origine uma comunidade específica, onde acontece a procriação e a caminhada em conjunto na descoberta da vida.

O Projecto de Lei, recentemente votado na Assembleia da República, em ordem a reconhecer que uniões entre pessoas do mesmo sexo são casamento e fundam uma família, altera a dignidade da família natural, levará ao enfraquecimento da sua auto-estima, e contribuirá para o enfraquecimento da comunidade familiar. A Igreja nunca aceitará a equivalência ao casamento das uniões entre pessoas do mesmo sexo, seja qual for o enquadramento legal que, porventura, lhe venha a ser dado. Esta circunstância levar-nos-á a um empenhamento renovado no apoio aos casais, valorizando a complementaridade e a estabilidade dos esposos, em ordem à fidelidade e à harmonia, hoje, tantas vezes ameaçadas pela cultura ambiente, que veicula a provisoriedade de tudo e a dimensão consumista do próprio amor. A comunhão entre os esposos é bela, mas não é fácil. Os católicos sabem que a fidelidade e a profundidade do seu amor só é possível com a força de Deus, garantida no sacramento do matrimónio. E nunca permitiremos em nenhuma expressão da nossa acção com famílias, que as uniões de pessoas do mesmo sexo toldem a beleza e a verdade dos autênticos casamentos.

 

6. E, finalmente, um acontecimento especial dinamizará a Cidade de Lisboa: a visita do Papa Bento XVI. Muitas vezes, na sua história, a Cidade de Lisboa peregrinou até Roma, para se encontrar com o Papa. Pela terceira vez é o próprio Papa que visita Lisboa. Mas o sentido desses encontros é fundamentalmente o mesmo: a profunda relação de Lisboa e de Portugal à Sé de Pedro, dimensão fundacional da sua história. É uma visita que nos mobilizará a todos: Igreja, Estado, Autarquia, Povo de Lisboa. Vamos recebê-lo naquela que é a mais bela sala de visitas da Cidade: a Praça do Terreiro do Paço, onde a Cidade e o Rio se abraçam num desafio comum: estar sempre disposto a partir para ajudar, para anunciar, para sermos cidadãos do mundo; sempre de braços abertos para acolher quem chega, para nos visitar, para se refugiar entre nós, para connosco trabalhar. A Igreja é, por excelência, o lugar de intercâmbio universal e o Papa é o seu sinal visível. Com ele, entre nós, escutando a sua palavra, vamos certamente sentir-nos mais no coração do mundo.

 

Homilia proferida na Solenidade de São Vicente, Padroeiro Principal do Patriarcado de Lisboa

Sé Patriarcal, 22 de Janeiro de 2010

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

Olhão: Antiga discoteca transformada em igreja

O Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, presidiu no passado Sábado à inauguração e bênção do altar de uma nova igreja na cidade de Olhão. A mesma pertence à paróquia de Quelfes e está localizada num bairro social na área daquela comunidade paroquial, o Siroco. No espaço da igreja, agora aberta ao culto, funcionou uma discoteca e nos últimos anos estava a ser aproveitado como armazém. Para além da igreja, propriamente dita, o espaço adquirido pela paróquia de Quelfes contempla ainda um salão, seis salas para catequese e reuniões diversas e um logradouro com 3 metros ao longo das traseiras do edifício. Anteriormente, a comunidade do Siroco celebrava a Eucaristia, a poucos metros dali, na cave de um edifício, adquirida e adaptada para o efeito, que servia simultaneamente para a realização da catequese e de reuniões. D. Manuel Quintas apreciou o trabalho feito na recuperação do espaço, destacando os elementos mais importantes de uma igreja: “Num espaço como este salienta-se o lugar onde se proclama a Palavra de Deus – o ambão –, o altar, que nos recorda a Última Ceia quando Jesus instituiu a Eucaristia, e o sacrário, onde guardamos a reserva eucarística”, concretizou, sublinhando que estes “são os elementos centrais para quem quer caminhar, fortalecer-se e crescer na fé”. O Bispo diocesano lembrou, a propósito, que “proclamar a Palavra é proclamar e escutar a própria Pessoa de Cristo”. “Devemos escutá-la reunidos como assembleia e como povo de Deus. Se já é bom escutarmos e alimentarmo-nos da Palavra, mais importante é ainda alimentarmo-nos da Eucaristia se pudermos e estivermos preparados”, defendeu, lembrando à numerosa assembleia presente que a participação na Eucaristia permite o regresso à vida com renovada esperança. “Reunimo-nos em assembleia eucarística para regressarmos à vida com mais força, vigor e entusiasmo porque levamos Cristo connosco”, disse. D. Manuel Quintas considerou que inaugurar um espaço como aquele “é motivo de alegria para todos, mas, ao mesmo tempo, é abrir aos outros o coração, a partir da Palavra escutada da Eucaristia”. Congratulando-se com o facto de o novo equipamento ter “condições para as crianças, jovens e idosos, para encontros e convívios”, o Prelado deixou um apelo. “É necessário usá-lo bem, promovendo iniciativas que nos ajudem a aproximarmo-nos uns dos outros e de Deus”, pediu. D. Manuel Quintas incitou ainda os membros daquela comunidade a não se contentarem com a participação na Eucaristia dominical. “Precisamos também encontrar disponibilidade para aprofundarmos a fé e para crescermos como comunidade”, exortando os presentes a aderir sempre que há qualquer proposta de aprofundamento da fé, de convívio ou de encontro. A concluir, D. Manuel Quintas, constatando a existência agora de espaços para convívio, solicitou que no espaço reservado à celebração do culto, onde está presente o Santíssimo Sacramento, se privilegiasse muito a oração e o silêncio a seguir à Eucaristia. O pároco local, padre Jorge Carvalho, explicou que a recuperação do espaço foi um “trabalho árduo” que contou com a ajuda de “muitas pessoas” e também da Câmara de Olhão que contribuiu com 20 mil euros. Actualmente a dívida da obra representa ainda 105 mil euros, mas o sacerdote manifestou confiança em Deus, na autarquia e nos particulares. O prior reconheceu que as obras realizadas foram mais significativas no espaço da igreja e que houve ainda a oferta de materiais, para além do apoio da diocese do Algarve numa obra que, conjuntamente com a aquisição do primeiro espaço na cave de um edifício na mesma rua, constituiu um investimento que ascendeu aos 150 mil euros. O sacerdote deixou ainda a promessa de não fazer mais obras nos próximos tempos. “Tenho de me dedicar mais à pastoral”, reconheceu, sublinhando que a importância da construção da verdadeira Igreja. “A Igreja somos nós todos, não é um edifício de pedra, pois em qualquer lado podemo-nos reunir”, observou. Fonte: Folha do Domingo