Cultura: Percurso pela «rota cisterciense transfronteiriça» une Alto Minho e Galiza

Melgaço, 30 jun 2017 (Ecclesia) – Os municípios de Melgaço e Arcos de Valdevez, na Diocese de Viana do Castelo, vão dinamizar uma visita à «rota cisterciense transfronteiriça» com passagem por mosteiros no norte de Portugal e na Galiza, este sábado, das 06h15 às 18h00.

“Valorizar o legado histórico, cultural e antropológico dos conjuntos monacais das duas regiões” – Alto Minho e Galiza – é o objetivo do percurso pela rota cisterciense transfronteiriça promovido pelo Município de Melgaço e o de Arcos de Valdevez.

No programa enviado à Agência ECCLESIA, a organização informa que o itinerário vai ligar o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria do Ermelo, com visita às 08h00, ao Mosteiro de Santa Maria de Oseira, na Galiza (Espanha), que vai ser visitado às 16h30.

Pelo meio, no percurso que vai ser realizado de autocarro, existe ainda a visita ao Mosteiro de Santa Maria de Fiães, em Melgaço, às 11h00, antes do almoço passado uma hora, e a visita ao Mosteiro de Santa Maria S. Clódio de Leiro, já na Galiza, às 14h30.

Segundo os municípios,

A Rota Cisterciense do Alto-Minho e Galiza vai ser concretizada este sábado, 1 de julho, através do itinerário cultural pelos caminhos dos mosteiros promovido pelos dois municípios em colaboração com o antropólogo José Rodrigues Lima para quem “os caminhos monacais estão enriquecidos pela história, arquitetura, antropologia, música e mística, onde se respira o legado secular do ‘ora et labora’”.

O percurso pretende contribuir para a “conservação, divulgação e promoção” do património que a Ordem de Cister “legou” à Europa e “está bem evidenciado” na zona transfronteiriça.

A Ordem de Cister fixou-se em Portugal no século XII e acompanhou a formação do território e a afirmação política da primeira dinastia.

CB

Braga: Basílica de São Bento da Porta Aberta celebra fundadores de Cister

Braga, 26 jan 2017 (Ecclesia) – A Basílica de S. Bento da Porta Aberta (Braga) acolhe hoje a festa dos santos fundadores da Ordem de Cister, promovida pelas monjas desta família monástica.

A celebração festiva, às 16:00, dos santos Roberto, Albérico e Estevão é presidida por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

A Irmandade de São Bento da Porta Aberta associa-se a esta “comemoração de forma entusiástica”, tendo presente que estes santos fundadores deram origem, em 1098, a uma “forma mais rigorosa de viver a Regra de S. Bento”, a família monástica de Cister, tendo como primeiro abade São Roberto.

A única comunidade de mongas de Cister em Portugal vive em São Bento da Porta Aberta.

LFS

Braga: Basílica de São Bento da Porta Aberta celebra fundadores de Cister

Braga, 25 jan 2017 (Ecclesia) – A Basílica de S. Bento da Porta Aberta (Braga) acolhe, esta quinta-feira, a festa dos santos fundadores da Ordem de Cister, promovida pelas monjas desta família monástica.

A celebração festiva, às 16:00, dos santos Roberto, Albérico e Estevão é presidida por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

A Irmandade de São Bento da Porta Aberta associa-se a esta “comemoração de forma entusiástica”, tendo presente que estes santos fundadores deram origem, em 1098, a uma “forma mais rigorosa de viver a Regra de S. Bento”, a família monástica de Cister, tendo como primeiro abade São Roberto.

A única comunidade de mongas de Cister em Portugal vive em São Bento da Porta Aberta.

LFS

História: Colóquio «Cister, os Templários e a Ordem de Cister» reflete sobre papel da ordem militar na sociedade

Tomar, Santarém, 20 ago 2014 (Ecclesia) – A Associação Portuguesa de Cister e o Instituto Politécnico de Tomar vão promover o Colóquio Internacional ‘Cister, os Templários e a Ordem de Cister’ de 10 a 12 de outubro, no Convento de Cristo, em Tomar.

“A Ordem de Cister esteve na génese de algumas ordens militares medievais, entre elas a Ordem do Templo, e algumas outras adotaram uma observância e uma espiritualidade de matriz cisterciense”, explica a organização, em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

Segundo Associação Portuguesa de Cister o painel do II colóquio internacional, com o tema “Cister e as Ordens militares na Idade Média – guerra, Igreja e vida religiosa”, vai ser “constituído por um conjunto de conferências a cargo de alguns dos maiores especialistas portugueses e estrangeiros”.

Os 13 conferencistas, nos dias 10 a 12 de Outubro, vão refletir sobre temáticas como: “Cister e a reflexão teológica sobre a guerra”; “Violência sagrada e disciplina religiosa: normativa estatutária e regular das ordens militares”; e “a guerra e a religião nas manifestações artísticas e vestígios materiais”.

As sessões do colóquio vão ter lugar no scriptorium do Convento de Cristo, no Claustro dos Corvos; o número de participantes é limitado à lotação da sala e as inscrições vão ser “consideradas por ordem de chegada”, informa a Associação Portuguesa de Cister.

A associação destaca também que a cidade de Tomar foi, “sucessivamente, a sede da Ordem do Templo e da Ordem de Cristo e ainda hoje conserva os mais importantes legados materiais destas instituições” como o Castelo dos Templários, o Convento de Cristo e a Igreja de Santa Maria do Olival.

CB

Amares: Santuário de Nossa Senhora da Abadia recebe monges de Cister

Amares, Braga 14 set 2013 (Ecclesia) – O Santuário de Nossa Senhora da Abadia vai receber, este domingo, os monges de Cister, para um momento de oração com a presença de D. Jorge Ortiga e monges cistercienses de Espanha.

O regresso dos monges da Ordem de Cister, que estiveram na origem da Abadia, vai ficar marcado por dois momentos de oração a partir das 16h30, com as vésperas, através do canto gregoriano, e depois a celebração da eucaristia.

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, “faz questão de se associar a esta iniciativa” e vai presidir à celebração eucarística.

O prelado apela aos cristãos que participem numa cerimónia com particular simbolismo “pelo facto dos cistercienses terem tido uma particular influência cultural nesta região”, explica a diocese de Braga.

Os abades dos mosteiros cistercienses de Santo Isidro, de Dueñas e de Oseira, em Espanha, vão marcar presença neste regresso, acompanhados por alguns monges.

No fim da cerimónia, que termina com o canto do Magnificat, D. Juan Javier, abade de Santo Isidro de Dueñas, disponibiliza-se para falar com os participantes.

Os monges estiveram na origem deste Santuário, localizado na freguesia de Santa Maria do Bouro, em Amares, diocese de Braga.

A Associação Portuguesa de Cister participa “com alegria” na organização deste evento e vai realizar a sua Assembleia Geral, no Santuário de Nossa Senhora da Abadia, este domingo.

CB/PR

Alcobaça: Congresso debate legado da Ordem de Cister

Alcobaça, Leiria, 14 jun 2012 (Ecclesia) – O Mosteiro de Alcobaça, no Patriarcado de Lisboa, acolhe entre hoje e domingo o congresso internacional ‘Mosteiros Cistercienses: Passado, Presente e Futuro’.

“Centro religioso de primeira importância, sustentáculo de reis, panteão régio, pólo difusor de cultura e espiritualidade, o Mosteiro de Alcobaça foi durante séculos a cabeça da presença Cisterciense em Portugal”, destacam os organizadores do evento, na página do congresso na internet.

“É a Ordem de Cister e os seus mosteiros, os quais deixaram uma indelével marca na história, no território e na memória de Portugal, que queremos celebrar neste congresso. Fazemo-lo no mais emblemático dos seus cenóbios em Portugal, o de Alcobaça. O futuro das Casas da Ordem merece também o olhar sobre o seu amanhã”, acrescentam.

OC

Portugal anseia pela Ordem de Cister

A Ordem de Cister deu a Portugal alguns mosteiros com a “maior tradição histórica, artística e espiritual da nação” – disse à Agência ECCLESIA José Ribeiro Dias, elemento da organização do IV Congresso Internacional Sobre Cister em Portugal e na Galiza.

De 1 a 3 deste mês decorreu em Braga e também em Oseira (Espanha) este congresso para aprofundar o papel de Cister na cultura portuguesa e da Galiza. “Os mosteiros eram foco de civilização” porque “foram eles que contribuíram para arrotear as terras do país” – sublinhou. E acrescenta: “ainda hoje se fala da agricultura de Alcobaça”.

Sobre a possibilidade do regresso da Ordem de Cister a Portugal, José Ribeiro Dias afirma que Portugal “sente a falta de uma realidade que foi uma força grande neste país”. A diocese da Guarda foi um dos locais apontados para este regresso. Segundo este elemento da organização “existe o desejo para que voltem”, mas “não existe um sítio definido”.
Num mundo secularizado, as congregações religiosas têm dificuldades no recrutamento de vocações. Apesar deste deficit vocacional, “já existem alguns noviços nos mosteiros espanhóis”. Estes também manifestam interesse “em lançar uma semente em Portugal” – disse.

Mosteiro de Alcobaça: uma jóia da arquitectura cisterciense
Uma obra admirável, tanto pelo tamanho que impressiona qualquer um como pela beleza da sua arquitectura interior e exterior. Referimo-nos ao Mosteiro de Alcobaça. Verdadeira jóia da arquitectura cisterciense na Europa, este templo foi fundado em 1153 por D. Afonso Henriques, em cumprimento da promessa pela conquista de Santarém aos árabes, sendo então doado a S. Bernardo, abade de Claraval. Nesse longínquo século, o monarca entregou aos «Monges Brancos», conhecidos como tal por oposição aos monges Beneditinos, uma vasta área, denominada couto de Alcobaça. Entrega para promover o cultivo das terras.

Nas comemorações dos 750 anos da Sagração da Igreja e dos 850 anos da Fundação da Abadia e da morte de S. Bernardo de Claraval, D. Manuel Clemente, bispo do Porto, acentuou que “os mosteiros foram e continuam a ser, no coração da Igreja e do mundo, um sinal eloquente de comunhão, um lugar acolhedor para aqueles que buscam Deus e as coisas do Espírito, escolas de fé e verdadeiros centros de estudo, diálogo e cultura para a edificação da vida eclesial e também da cidade terrena, à espera da celeste”.

Património Mundial rodeado de terrenos férteis
Com a classificação atribuída pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em 1989, o Mosteiro de Alcobaça domina esta cidade, situada numa fértil região agrícola marcada por suaves colinas e pelos rios Alcoa e Baça. Alguns historiadores adiantam mesmo que é um dos poucos monumentos europeus que conserva intacto o conjunto das dependências medievais e a sua Igreja é a maior em estilo gótico primitivo construída em Portugal, na Idade Média.

Um patamar – para onde convergem cinco escadarias e rodeado por pináculos – conduz à entrada da Igreja do Mosteiro, de cuja fachada primitiva resta um formoso portal gótico ladeado pelas imagens de S. Bento e S. Bernardo. Estas estão encimadas por quatro virtudes e, ao centro, uma rosácea de aprimorado rendilhado. Caminhamos para a maior Igreja de Portugal e estamos perante uma das abaciais de maiores dimensões levantadas pelos cistercienses.

Esta Igreja, um magnífico templo de três naves, é um exemplo típico da arquitectura religiosa gótica. A nave central tem uma profundidade e uma altura das abóbadas de ogiva absolutamente impressionantes. No transepto, os túmulos de Inês de Castro e de D. Pedro (as melhores realizações escultóricas da tumulária medieval portuguesa) estão colocados frente a frente por vontade real, de modo que os olhares se cruzem. Um juramento de «amor eterno» – segundo a interpretação de alguns. Para outros, simboliza o imaginário cultural português. No fundo a história resume-se a uma paixão de D. Pedro com Inês de Castro, uma jovem e bela dama de honor de sua mulher, Constança de Castela.

A História da sua fundação, em 1153, está contada em painéis de Azulejos do século XVIII que forram as paredes da Sala dos Reis. Ao «lermos» estes painéis, ficamos a saber que D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, prometeu dar a S. Bernardo as suas terras de Alcobaça se conquistasse a praça de Santarém aos mouros, o que aconteceu em 1147. No plano superior a estes painéis de azulejos, o visitante encontra as estátuas dos nossos monarcas até D. José I. Estatuária moldada pelos monges barristas de Alcobaça. O claustro de D. Dinis ou do silêncio, a Sala do Capítulo, o Parlatório, o Dormitório e a celebre cozinha deste mosteiro mostram também a grandiosidade desta jóia do gótico. No final da visita, tem-se a sensação de ter saído de uma longa aula de história.

Primeira Escola Pública do Reino
Em 1178 inicia-se a construção do mosteiro, à semelhança da Abadia de Claraval, a Casa Mãe, em França, da nova Ordem de Cister. A cidade de Alcobaça ficou ligada à obra civilizadora que os monges de hábito branco aí iniciaram: uma escola pública e o aproveitamento das terras para o cultivo. Uma Escola de Agricultura que, nos tempos actuais, ainda dá frutos proveitosos à localidade.

O poder do abade estendia-se a muitos quilómetros de distância: S. Martinho do Porto, Aljubarrota, Alvorninha e S. Pedro de Muel. Os antigos portos de Alfeizerão e da Pederneira, que actualmente não recebem as águas do Atlântico devido ao assoreamento do golfo existente na época medieval, ainda faziam parte do Couto de Alcobaça. Locais estratégicos para o comércio na altura.

De referir que foi em Alcobaça que surgiu a primeira farmácia de Portugal e a primeira Escola Pública do reino, em 1269, tendo como professores os monges. Leccionava-se Gramática, Lógica e Teologia. As pedras do mosteiro são «testemunhas» que foi ali que se escreveu grande parte dos códices medievais portugueses e se produziu o maior estudo histórico sobre Portugal (Monarquia Lusitana, século XVII) dirigido por Frei António Brandão. Por iniciativa do abade de Alcobaça foi criada em Portugal a primeira Universidade de Coimbra.

No século XVII (1648) foi criado o colégio Nossa Senhora da Conceição, Escola de Ensino Superior, que terá sido extinta em meados do século XVIII, e que conferia diplomas de valor igual aos concedidos pela Universidade de Coimbra. Naquele mosteiro chegou a existir a maior biblioteca do país e, no período áureo, uma das maiores do mundo. Um espólio riquíssimo que desapareceu com as invasões francesas e do saque que se seguiu à extinção das ordens religiosas, em 1834.

A Ordem de Cister em Portugal e na Galiza

A cidade de Braga irá acolher, dia 1 e 2 de Outubro, o IV Congresso Internacional Sobre Cister em Portugal e na Galiza, com o apoio da Universidade Católica. As sessões terão lugar na Faculdade de Filosofia desta Universidade.

Programa
Dia 1 de Outubro
09,00 – Entrega da documentação
09,30 – Sessão inaugural.
10,00 – I Conferência (História – Portugal)   
Frei Geraldo Coelho Dias, OSB (Universidade do Porto) –  «Cistercienses e São Bernardo nos primórdios da Portugalidade»
10,45 – Intervalo
11,00 – Comunicações – Sessão plenária
Mista – M   
13,00 – Intervalo para almoço
15,00 – II Conferência (Arte – Galiza)    
Eduardo Carrero Santamaría (Universitat de les Illes Balears) – «Arte y arquitectura en torno a San Bernardo y el Cister gallego»
15,45 – Comunicações – Sessões paralelas
História – H1    
Arte – A1       
17,45 – Intervalo
18,00 – III Conferência (Espiritualidade)     
D. Bernardo Bonowitz, OCSO (Abade do mosteiro de Nossa Senhora do Novo Mundo – Brasil) – «A Peregrinação como Caminho de Conversão na tradição protestante: A Obra de John Bunyan, contemporâneo de Rance»
19,00 – Degustação de cervejas trapistas*
20,00 – Intervalo para jantar
21,30 – Recital de canto (soprano Begoña Alonso)*

Dia 2 de Outubro
09,00 – Comunicações – Sessões paralelas
História – H2      
Arte – A2                
10,45 – Intervalo        
11,00 – Comunicações – Sessões paralelas
História – H3        
Espiritualidade – E1     
12,00 – IV Conferência (Espiritualidade)
D. Manuel Clemente (Bispo do Porto) – «Peregrinação e monacato»
13,00 – Intervalo para almoço
15,00 – V Conferência (Arte – Portugal) 
Nelson Correia Borges (Universidade de Coimbra) – «Lorvão e Arouca: arte e glorificação de Cister»
15,45 – Comunicações – Sessões paralelas
História – H4     
Espiritualidade – E2       
17,45 – Intervalo
18,00 – VI Conferência (História – Galiza) 
José Miguel Andrade Cernadas (Universidade de Santiago de Compostela) – «La acogida en los monasterios del Camino de Santiago»
18,45 – Apresentação de livro
20,00 – Intervalo para jantar
21,30 – Filme de Alberto Luna (em antestreia)*
“João de Castillo. O construtor do mundo”

Dia 3 de Outubro
08,00 – Saída para Oseira
11,30(E) – Sessão solene de encerramento
Conferência de Encerramento
D. Juan António Martinez-Camino (Bispo Auxiliar de Madrid)
13,15(E) – Solene missa monástica de Acção de Graças, em gregoriano.
14,30(E) – Almoço Conventual para convidados e congressistas
16,30(E) – Visita ao mosteiro
18,00(E) – Regresso a Braga

Observações:
1) – Todas as sessões (conferências e comunicações) dos dias 1 e 2 se realizam na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica.
2) – As sessões culturais indicadas com asterisco* terão lugar no Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga.

 

Rede turística e cultural das abadias de Cister

O número de abadias da ordem de Cister existentes em toda a Europa ascende a 750, sendo 150 as que estão abertas ao público e uma centena as que se encontram em bom estado de conservação. Este foi um dos balanços feitos no decurso da assembleia-geral anual da Fundação Carta Europeia dos Mosteiros e Sítios Cistercienses. De acordo com Jean-François Leroux, presidente daquela fundação, a maior parte dos mosteiros encontra-se em ruínas devido à revolução francesa e de sucessivas guerras religiosas. No encontro realizado, recentemente, em Alcobaça, participaram mais de cem delegados, representando 40 abadias europeias, vindos de Itália, Polónia, Alemanha e França. O objectivo da fundação, segundo Jean Leroux, consiste em reunir o maior número de lugares cistercienses na Europa para criar uma rede turística e cultural de qualidade. “Pensamos que o turismo cultural de qualidade está em grande desenvolvimento e as abadias cistercienses apresentam características próprias, definidas pela arquitectura, paisagem, organização e amor ao trabalho, mas também pela ecologia e pela ideologia que as individualizam e que constituem um forte elo de ligação em toda a Europa” – afirma. A maior parte dos mosteiros de Cister foi construída nos séculos XII e XIII. No caso português, das 37 abadias existentes apenas três estão inscritas na Carta Europeia: Alcobaça, Tarouca e Salzedas. Com Público

Mosteiro cisterciense encerra no Algarve.

Este mês, o mosaico dos institutos religiosos femininos no Algarve ficou mais pobre, após o encerramento do Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Marana-Tha, sedeado em Santa Catarina da Fonte do Bispo. Após 4 anos de vida eremítica, a irmã Miriam Godinho regressou à abadia de Sainte Marie de Rivet, em França, de onde tinha saído com destino a Portugal. Mais do que a diocese do Algarve, é o próprio País que fica a perder, uma vez que o pequeno mosteiro algarvio era o único da Ordem de Cister existente em Portugal, desde que, em 1834, as ordens religiosas foram expulsas do País. Antes do regresso a França, e depois de quase 14 anos de permanência no Algarve com um projecto de fundação de uma comunidade que acabou por não resultar, a irmã Miriam Godinho, natural de Namibe, no Sul de Angola, mas com raízes na Beira Baixa, concedeu à Folha do Domingo uma entrevista em que analisa a sua passagem pela diocese e a sua própria realidade vocacional. “Pensava que as raízes de Portugal estivessem mais vivas e quando cheguei notei que essas raízes já estavam muito diluídas. Com a continuação destes anos todos vejo que o processo de deterioração das vocações está a aumentar”, indica. “Há qualquer coisa que não está a favorecer o desabrochar das vocações. A partir da minha perspectiva contemplativa acho que há pouco militantismo. Há muito poucas pessoas empenhadas em viver como Igreja e em saber viver em serviço. Segundo especialistas da Pastoral Vocacional, se não há um empenhamento muito forte na vida cristã, em geral não há vocações”, acrescenta a religiosa. Redacção/Folha do Domingo

Rota de Cister melhorada

A Rota de Cister vai ter o seu primeiro traçado de visitas concluído em 2010 incluindo todos os mosteiros portugueses ligados à antiga ordem religiosa, anunciou ontem fonte da Associação Anima Património (AP), de Arouca. A AP, que lidera o projecto, iniciou em 2007 a recolha do legado patrimonial cisterciense espalhado por Portugal, num levantamento que «será a base» do primeiro traçado da rota. Numa primeira fase, será estabelecido um «circuito visitável» à escala nacional, após o que cada localidade, em que exista um mosteiro ligado a Cister, criará um roteiro interno. «Os diferentes mosteiros cistercienses existentes são hoje testemunho vivo do espírito dinâmico dos monges e monjas, que moldaram as regiões onde se instalaram à sua imagem, trabalhando a terra e contribuindo para o seu desenvolvimento económico», disse à Lusa o presidente da Anima Património, Manuel Bastos. O primeiro passo para revitalizar a Rota de Cister foi dado em 2007 com a assinatura de um protocolo de colaboração envolvendo diferentes organismos, como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto, Câmara de Arouca e os mosteiros de Alcobaça e de São Cristóvão de Lafões. Manuel Bastos falava em Arouca à margem da cerimónia de abertura da quarta edição da iniciativa “Cister, Sabores e Saberes”, dinamizada pela Anima Património. O certame – a decorrer no mosteiro local – conta, como habitualmente, com a participação de representantes de espaços ligados às ordens beneditinas e cistercienses, alguns dos quais vindos de Espanha. Em 2007, a organização registou cerca de 12 mil visitantes, um número que espera ultrapassar este fim-de-semana. Debates, exposições temáticas, visitas guiadas, intervenções de comunidades religiosas e concertos integram o programa diário. O evento – que tem o apoio da autarquia local – inclui ainda espaços de fabrico e venda de doçaria, licores, ervas medicinais e vinhos da região. O Mosteiro de Santa Mafalda, em Arouca, foi remodelado entre os séculos XVII e XVIII precisamente pela Ordem de Cister. Em 1886, com a morte da última freira, foi extinto e todos os seus bens transitaram para a Fazenda Pública. De fundação pré-românica (século X) o convento, hoje monumento nacional, recebeu Carta de Couto no século XII. Com LUSA

24 horas num Mosteiro

17 pessoas viveram o desafio do silêncio e da vida monacal numa proposta do Secretariado da Pastoral das Vocações de Coimbra (mais…)

Jovens de Coimbra vão viver experiência de 24 horas no mosteiro de Celas

A Pastoral das Vocações de Coimbra vai promover nos dias 8 e 9 de Março, uma actividade vocacional para jovens a partir dos 20 anos, intitulada “24 horas no mosteiro”. Segundo um comunicado enviado à nossa redacção, o objectivo desta jornada pretende proporcionar aos participantes a possibilidade única e inédita de viverem 24 horas, de acordo com o ritmo que pauta o quotidiano de uma monja num mosteiro de Cister, a Irmã Miriam Godinho (Monja da Ordem de Cister da Estrita Observância – Trapa) que orientará também este encontro. Uma parte da actividade decorrerá no mosteiro de Celas, em Coimbra, sendo que o período da noite e da manhã de Domingo será passado numa casa com condições mais apropriadas para o efeito. O programa consiste, sobretudo, em períodos de oração, de silêncio e de partilha. Para mais informações sobre esta actividade poderão contactar o Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações através do telemóvel 960292702 ou por e-mail: 24horasnomosteiro@gmail.com Miguel Cotrim

Alcobaça, Batalha e Jerónimos: Maravilhas a não perder

Os Mosteiros de Alcobaça, Batalha e dos Jerónimos constam entre as 7 Maravilhas de Portugal anunciadas no passado mês de Julho, em Lisboa. Em tempo de férias, surgem como alternativas ao sol e à praia. O território português está marcado, desde o alvorecer do Cristianismo, por notáveis edificações religiosas que nos permitem lançar luz sobre o contexto histórico e religioso das populações que lhe deram vida. O conjunto de ruínas ou monumentos do património cristão, nos seus exemplares mais significativos, é não só um testemunho dos tempos, mas também um roteiro de revelações e oportunidades a que ninguém deveria ficar indiferente. Alcobaça O Mosteiro de Alcobaça constitui um caso ímpar do ponto de vista arquitectónico, por tratar-se do primeiro exemplo português de arquitectura gótica, segundo as normas cistercienses, sem continuidade imediata noutros templos. Igualmente fundamental para a compreensão da arte religiosa desta época é o surgimento e a difusão do “Modelo Mendicante”. As Ordens mendicantes surgem no século XIII e são instituições de vida religiosa que pretendem restaurar a pureza evangélica na Igreja e combater as heresias. Mosteiro de Alcobaça : É considerado o monumento mais expressivo da arquitectura cistercense na Europa. No que se refere à igreja da abadia e não obstante as suas dimensões a estética cistercense é seguida. A estrutura domina sobre a decoração e não existem apontamentos ornamentais. Tem planta basilical em cruz latina com três naves e doze tramos. Existe componente românico na formulação planimétrica da cabeceira com deambulatório mas já com componente gótico nos alçados. O corpo do transepto e o das naves têm as soluções novas com abobodamento nervurado da mesma altura nas naves central e laterais. Esta elevação das naves laterais quase á altura da nave central constitui elemento original nos edifícios cistercenses. As naves laterais são contrafortes da nave central sendo aproveitados como corredores de passagem. A espessura das colunas de separação confere alguma O transepto é composto por duas naves sendo a mais larga a da face oriental .No transepto e de cada lado estão colocados os túmulos de D.Inês de Castro e de D.Pedro I que constituem dos melhores exemplares de escultura medieval portuguesa. O mosteiro de Alcobaça tem influencia predominantemente da Borgonha como toda a ordem de Cister originária daquela zona francesa. O conde portucalense D.Henrique dela foi contemporâneo e conterrâneo não admirando por isso a influência que a Ordem teve no novo país fundado pelo seu filho. É construído segundo o plano tipo da casa mãe em que se articulam em volta do claustro, a igreja e todas as outras dependências :casa do capítulo, cozinha ,refeitório dormitório ,livrarias oficinas. Reproduz a planta da abadia de Claraval II . A grande igreja da abadia que se desenvolve paralelamente à galeria sul do claustro tem orientação nascente poente. O refeitório segue a tipologia cistercense sendo perpendicular ao claustro e não paralelo como em S.Bento. O claustro só foi construído no reinado de D.Dinis em 1308. Influenciou posteriormente mas no mesmo século a construção dos claustros episcopais de Coimbra, Lisboa e Évora Batalha O maior monumento gótico português – o Mosteiro da Batalha, fundado em 1388 – baseia se na tipologia mendicante. A sua estruturação segue os preceitos da arquitectura dominicana. Para celebrar a vitória de Aljubarrota, que garantiu a independência de Portugal, o iniciador da nova dinastia, D. João I, fundou o mosteiro da Batalha. Iniciado em 1388, deve-se ao desenho de Afonso Domingues, que esteve à frente das obras até 1402. Este mestre arcaizante, que parece ter sido formado na charola da sé de Lisboa, deu origem a uma igreja de notável grandeza. O obradoiro pertencerá a outro arquitecto, Huguet, activo até 1438. Optará pelo estilo tardo-gótico ou flamejante e por soluções nas abóbadas da capela-mor que indiciam influência do Norte da Europa. Há outro requinte e inovação na rica gramática decorativa e na simbólica real. Pertence ao mestre Huguet o risco para a capela-panteão de D. João I, no lado sul da igreja (1426-1434), o claustro real, a cobertura da sala capitular, com uma arrojada abóbada em estrela. Começou ainda a levantar nova capela funerária para D. Duarte, de plano central e oito capelas laterais, conjugando arrojo e novidade de plano com virtuosidade técnica e fausto decorativo. São as chamadas capelas imperfeitas (1433-1438). D. Afonso V acrescentar-lhe-ia novo claustro. Ele resulta da intervenção do arquitecto Fernão de Évora e, estilisticamente, é uma obra que contraria o tardo-gótico de raiz flamejante, tendo-se optado deliberadamente pela austeridade arquitectónica, que rejeita até a inclusão de capitéis a marcar o arranque dos arcos. A Batalha teve outras fases construtivas igualmente relevantes, como o Manuelino ou o Renascimento. Todavia, a mudança dinástica verificada com D. Manuel privilegiou outros locais e, só no século XIX, o Mosteiro voltou a ser intervencionado, desta vez com o objectivo de restaurar o conjunto, campanha que se prolongou por meio século e que é um capítulo fundamental da nossa História do Restauro monumental. Jerónimos O Mosteiro dos Jerónimos é uma obra fundamental da arquitectura manuelina. O risco inicial é de Boitaca (1502), que lançou os fundamentos da igreja e do claustro, e cuja campanha de obra inclui os arranques do portal principal, actualmente abrindo para um nártex abobadado formado pelo varadim coberto que estabelece ligação com as arcadas do corpo fronteiro (onde está sediado o Museu Nacional de Arqueologia). O portal é em arco polilobado, abatido, encimado por representações alusivas ao mistério de Belém; de cada lado da entrada destacam-se, sobre mísulas, as estátuas de vulto de D. Manuel e de D. Maria. A meio da fachada sul, voltada para o Tejo, rasga-se o belo pórtico de João de Castilho, estruturado ao modo de monumental relicário de ourivesaria, sobrepujado pela estátua da Virgem de Belém e o Arcanjo S. Miguel, e decorado com esculturas dos Apóstolos, Profetas, Doutores da Igreja, Sibilas e anjos. No registo inferior, ao centro do mainel que divide a porta, uma estátua do Infante D. Henrique. O portal é ladeado por dois janelões de arco redondo. A igreja é de planta longitudinal, em cruz latina, com três naves cobertas por abóbada única, rebaixada, apoiada em oito pilares octogonais de grande altura, sistema que possibilita a criação de um espaço transparente, unificado e luminoso. A actual Capela-mor, maneirista, é da autoria de Jerónimo de Ruão, e guarda os túmulos, classificados, de D. Manuel I, D. Maria, D. João III e D. Catarina. O belo retábulo-mor é de autoria de Lourenço de Salzedo, pintor régio. No transepto estão os túmulos de D. Sebastião e do Cardeal D. Henrique, e no primeiro tramo do sub-coro estão os cenotáfios de Luís de Camões e de Vasco da Gama. O Claustro, a Norte, é de dois andares abobadados, decorado com motivos relevados cristológicos, pontuados por heráldica régia. A Casa do Capítulo, a Nascente do Claustro, foi reconstruída em 1884, e alberga o túmulo de Alexandre Herculano. No Refeitório, paralelo à parede Oeste do Claustro e coberto por uma única abóbada, abatida e polinervada, conserva-se uma pintura de Avelar Rebelo representando São Jerónimo. Mais informações: www.ippar.pt

Guarda atenta à vida monástica cisterciense em Portugal

Frei José Luís dos Santos Farinha, um jovem padre da Diocese da Guarda, acaba de publicar o livro “Buscadores de Deus – No caminho cisterciense”. “Este guia pretende ser mais um passo em ordem a um futuro renascimento da vida monástica cisterciense em Portugal” escreve o autor, na introdução do livro, publicado pela Paulinas Editora. Este religioso ingressou em 2003 no Mosteiro de Santa Maria de Sobrado (Corunha – Espanha), da Ordem Cisterciense da Estreita Observância, onde, recentemente, fez a Profissão Temporária. O autor explica que procurou que “este livro fosse uma síntese teórica e pratica do carisma monástico cisterciense, onde o leitor encontrasse informações e respostas essenciais acerca do mesmo”. Segundo Frei José Luís o título dado ao livro “pretende condensar o espírito da vida monástica, já que o monge se define essencialmente como um buscador de Deus”. No prefácio da obra, D. Carlos Gutiérrez Cuartango, Prior Titular de Santa Maria de Sobrado escreve: “é para mim, uma alegria muito grande ver publicado este opúsculo, simples, e, ao mesmo tempo, denso, que pretende desenterrar, de forma actualizada, o carisma cisterciense para as gentes do povo português” E acrescenta: “sublinho a palavra desenterrar, porque o fenómeno cisterciense não é algo desconhecido dos portugueses, pois nas suas terras e nas suas próprias entranhas estão as sementes deste genuíno estilo de vida”. Numa análise geral do livro, D. Carlos Cuartango diz que “estamos perante um óptimo manual prático e espiritual da vida cisterciense, adaptado ao leitor da querida terra portuguesa”. No livro, Frei José Luís “soube apresentar, num espaço relativamente reduzido, o essencial do carisma cisterciense, valendo-se, para tal, da obra de Thomas Merton «The Cistercian Life» (…) e dos documentos primitivos da Ordem de Cister: o Pequeno Exórdio e a Carta de Caridade. Ao mesmo tempo, de sua própria lavra, apresenta uma síntese, muito bem conseguida, da história da Ordem Cisterciense no mundo e em Portugal, bem como alguns esclarecimentos, em forma de pergunta-resposta, que podem ajudar a aclarar questões de interesse para aquelas pessoas que se sentem interpeladas pela vida cisterciense concreta e que se abeiram hoje dos nossos mosteiros”. Recorde-se que, em Portugal, “a Ordem de Cister deixou profundas marcas nos âmbitos da vida religiosa e cultural devido à sua prolongada presença: de 1142 a 1834. No entanto, já lá vão muitos anos desde que os monges brancos desapareceram do nosso querido Portugal e, por conseguinte, existe um certo desconhecimento acerca da sua história, enquanto carisma vivo do Espírito Santo dado à Igreja”. Assim, este livro pretende “prestar um humilde serviço de mediação ao chamamento que Deus quer fazer a muitas pessoas do nosso querido País para o buscarem, servirem, amarem e contemplarem na «escola da caridade», designação dada ao mosteiro pelos Padres cistercienses”. De referir que, nos últimos anos, a Diocese da Guarda tem vindo a desenvolver contactos regulares com o Mosteiro de Sobrado, tendo em vista a implantação de uma comunidade de monges brancos na Diocese. Frei José Luís dos Santos Farinha nasceu a 2 de Outubro de 1974 na freguesia de Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão. Após os estudos primários, frequentou os seminários diocesanos, do Fundão e Guarda. Em 2000, obteve o grau de Licenciatura em Teologia na faculdade de Teologia da UCP – Porto. Ordenado presbítero a 27 de Junho de 1999, desempenhou diversas tarefas pastorais na Diocese da Guarda, quer como coadjutor paroquial, quer como formador no Seminário Maior. Francisco Barbeira