II Concílio do Vaticano: João XXIII sacudiu a poeira do trono de São Pedro

A ideia do concílio não amadureceu nele como “o fruto de uma demorada meditação, mas como a flor espontânea de uma inesperada Primavera”, referiu um dia. Numa conversa com um embaixador, o Papa João XXIII disse-lhe o que esperava desta assembleia magna que teve o seu início em outubro de 1962: “Espero que traga um pouco de ar puro… Há que sacudir a poeira que, desde Constantino, se vem acumulando no trono de São Pedro”. (mais…)

Multimédia: Dia Mundial das Comunicações Sociais

Na vigília da Festa de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, foi divulgada a 49ª mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais intitulada “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. Como sabemos, esta é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II (decreto ‘Inter Mirifica’, 1963), e é celebrada no domingo que antecede o Pentecostes.

Esta semana, iremos apresentar os primeiros vinte títulos, relativos a este dia mundial, que foram escritos pelos beatos Paulo VI e João Paulo II.

1ª – «Os meios de comunicação social», 7 de Maio de 1967 – papa Paulo VI

2ª – «A imprensa, o rádio, a televisão e o cinema para o progresso dos povos», 26 de março de 1968 – papa Paulo VI

3ª – «Comunicações sociais e família», 7 de abril de 1969 – papa Paulo VI

4ª – «As comunicações sociais e a juventude», 6 de abril de 1970 – papa Paulo VI

5ª – «Os meios de comunicação social a serviço da unidade dos homens», 25 de março de 1971 – papa Paulo VI

6ª – «As comunicações sociais a serviço da vida», 21 de abril de 1972 – papa Paulo VI

7ª – «As comunicações sociais e a afirmação e promoção dos valores espirituais», 12 de maio de 1973 – papa Paulo VI

8ª – «As comunicações sociais e a evangelização no mundo contemporâneo», 16 de maio de 1974 – papa Paulo VI

9ª – «Comunicação social e reconciliação», 19 de abril de 1975 – papa Paulo VI

10ª – «As comunicações sociais diante dos direitos e deveres fundamentais do homem», 11 de abril de 1976 – papa Paulo VI

11ª – «A publicidade nas comunicações sociais: vantagens, perigos, responsabilidades», 12 de maio de 1977 – papa Paulo VI

12ª – «O recetor da comunicação social: expectativas, direitos e deveres», 23 de abril de 1978 – papa Paulo VI

13ª – «Comunicações sociais e desenvolvimento da criança», 23 de Maio de 1979 – papa João Paulo II

14ª – «Comunicações sociais e formação cristã da opinião pública», 1 de Maio de 1980 – papa João Paulo II

15ª – «As comunicações sociais e a promoção cristã da juventude», 10 de maio de 1981 – papa João Paulo II

16ª – «As comunicações sociais, instrumento de encontro entre fé e cultura», 10 de Maio de 1982 – papa João Paulo II

17ª – «Comunicações Sociais e promoção da paz», 25 de Março de 1983 – papa João Paulo II

18ª – «As comunicações sociais e os problemas dos idosos», 24 de Maio de 1984 – papa João Paulo II

19ª – «As comunicações sociais a serviço da liberdade responsável do homem», 15 de Abril de 1985 – papa João Paulo II

20ª – «Comportamento ativo das famílias perante os meios de comunicação social», 24 de Janeiro de 1986 – papa João Paulo II

21ª – «Comunicações sociais e promoção da justiça e da paz» – 31 de Maio de 1987 – papa João Paulo II

22ª – «Comunicações sociais e promoção da solidariedade e fraternidade entre os homens e os povos» – 15 de Maio de 1988 – papa João Paulo II

23ª – «A religião nos mass media» – 7 de Maio de 1989 – papa João Paulo II

24ª – «A mensagem cristã na cultura informática atual» – 27 de Maio de 1990 – papa João Paulo II

25ª – «Os meios de comunicação para a unidade e o progresso da família humana» – 12 de Maio de 1991 – papa João Paulo II

26ª – «A proclamação da mensagem de Cristo nos meios de comunicação» – 31 de Maio de 1992 – papa João Paulo II

27ª – «Videocassete e audiocassete na formação da cultura e da consciência» – 23 de Maio de 1993 – papa João Paulo II

28ª – «Televisão e família: critérios para saber ver» – 15 de Maio de 1994 – papa João Paulo II

29ª – «Cinema, veículo de cultura e proposta de valores» – 28 de Maio de 1995 – papa João Paulo II

30ª – «Os mass-media: areópago moderno para a promoção da mulher na sociedade» – 19 de Maio de 1996 – papa João Paulo II

31ª – «Comunicar o Evangelho de Cristo: Caminho, Verdade e Vida» – 11 de Maio de 1997 – papa João Paulo II

32ª – «Sustentados pelo Espírito, comunicar a esperança» – 24 de Maio de 1998 – papa João Paulo II

33ª – «Mass media: presença amiga ao lado de quem procura o Pai» – 16 de Maio de 1999 – papa João Paulo II

34ª – «Proclamar Cristo nos meios de comunicação social no alvorecer do Novo Milénio» – 4 de Junho de 2000 – papa João Paulo II

35ª – «Anunciai-o do cimo dos telhados: o Evangelho na era da comunicação global» – 27 de Maio de 2001 – papa João Paulo II

36ª – «Internet: um novo forum para a proclamação do Evangelho» – 12 de Maio de 2002 – papa João Paulo II

37ª – «Os meios de comunicação social ao serviço da paz autêntica, à luz da Pacem in terris» – 1 de Junho de 2003 – papa João Paulo II

38ª – «Os mass media na família: um risco e uma riqueza» – 23 de Maio de 2004 – papa João Paulo II

39ª – «Os meios de comunicação: ao serviço da compreensão entre os povos» – 8 de Maio de 2005 – papa João Paulo II

40ª – «A mídia: rede de comunicação, comunhão e cooperação» – 28 de Maio de 2006 – papa Bento XVI

41ª – «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação» – 20 de Maio de 2007 – papa Bento XVI

42ª – «Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para partilhá-la» – 4 de Maio de 2008 – papa Bento XVI

43ª – «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade» – 24 de Maio de 2009 – papa Bento XVI

44ª – «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra» – 16 de Maio de 2010 – papa Bento XVI

45ª – «Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital» – 5 de Junho de 2011 – papa Bento XVI

46ª – «Silêncio e palavra: caminho de evangelização» – 20 de Maio de 2012 – papa Bento XVI

47ª – «Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização» – 12 de Maio de 2013 – papa Bento XVI

48ª – «Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro» – 1 de Junho de 2014 – papa Francisco

49ª – «Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor” – 17 de Maio de 2015 – papa Francisco

Fernando Cassola Marques

II Concílio do Vaticano: A expectativa da primeira encíclica de Paulo VI

A expectativa que antecedeu a publicação da primeira encíclica de Paulo VI, a 6 de agosto de 1964, é talvez só comparável à surpresa que a sua leitura causou, surpresa que nasceu, não tanto das afirmações do sucessor de João XXIII, mas do contraste entre o teor da «Ecclesiam Suam», e o da «Pacem in Terris» por exemplo. (mais…)

Discurso do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa na abertura da 184.ª Assembleia Plenária

Senhor Núncio Apostólico, Senhores Arcebispos e Bispos, Reverendos Padres, Senhoras e Senhores:

Dirijo-vos breves palavras de abertura duma sessão que, na circunstância e na temática, traz motivos de particular relevo.

Reunimo-nos a seguir à feliz canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II, dos quais temos memórias bem “ao vivo”, nos respetivos pontificados. Lembramo-nos certamente das imagens do Concílio Vaticano II, que o primeiro convocou e a cuja primeira sessão presidiu, transmitidas já pela televisão, com a reforçada presença do catolicismo universal nas nossas vidas e empenhamentos eclesiais. Tais imagens, que retemos na memória e no coração, bem como tudo o referente ao “Bom Papa João”, são para nós uma lembrança sempre motivadora, para uma herança conciliar ainda em fase de receção e pleno cumprimento.

Do Papa Wojtyla, temos memórias mais próximas, tanto no tempo como na geografia, quer nas suas visitas a Fátima quer a várias das nossas Dioceses, além das vezes que o vimos em Roma e noutros lugares do mundo. De tudo ressalta a força da sua contagiante convicção e o grande impulso para a “nova evangelização” que igualmente queremos levar por diante, na centralidade de Jesus Cristo “Redentor do homem”, para O recebermos assim, e O levarmos aos outros, com “novo ardor, novos métodos e novas expressões”.

Com o Papa Francisco, que tão feliz e oportunamente os canonizou, e com a intercessão destes dois grandes Pontífices, ainda mais levaremos por diante a “renovação da pastoral da Igreja em Portugal”, a que nos propusemos na nota pastoral de abril do ano passado.

 

Desde a nossa última reunião, faleceram dois membros muito estimados do Episcopado Português, a quem estamos agradecidos pelo respetivo ministério, largo no tempo e na contribuição: D. Joaquim Gonçalves, que foi Bispo de Vila Real e o Cardeal D. José da Cruz Policarpo, que foi Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa em vários e marcantes mandatos. Deus os recompensará pelos seus muitos trabalhos e pela participação ativa e estimulante que sempre tiveram na nossa Conferência.

Foi nomeado e tomou posse como Bispo do Porto, o Senhor D. António Francisco dos Santos, que era Bispo de Aveiro. A grande generosidade e clarividência pastoral com que tem exercido o ministério, garante-lhe excelente continuação na diocese portucalense.  

Tomou posse do cargo de Bispo das Forças Armadas e de Segurança o Senhor D. Manuel Linda, esclarecido que foi o seu estatuto no quadro eclesiástico-militar competente, de acordo com o artº 17 da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa, de 18 de maio de 2004. Desejamos-lhe as maiores felicidades neste importante serviço, que conjuga, com a devida autonomia dentro dum Estado secular e democrático, duas instituições centrais da sociedade portuguesa – Igreja Católica e Forças Armadas e de Segurança – em benefício dos cidadãos crentes e da coletividade em geral.

   Em Quinta-Feira Santa, foram nomeados para Bispos Auxiliares de Braga e de Lisboa, respetivamente os Senhores D. Francisco José Senra Coelho e D. José Augusto Traquina Maria. Augurando-lhes fecundo ministério, estamos certos que as duas dioceses muito ganharão com o seu bem demonstrado zelo pastoral.

 

Vivemos entretanto, com os nossos concidadãos, o 40º aniversário da revolução de 25 de abril de 1974, que possibilitou a instituição do regime democrático em Portugal, em que felizmente vivemos e em cujo aprofundamento nos comprometemos.

Na verdade, quer no programa do Movimento das Forças Armadas, quer na Constituição de 1976, encontramos uma geral consonância com o que a própria Conferência Episcopal Portuguesa tinha referido na Carta Pastoral de 4 de maio de 1973, nos seguintes termos: «Ao olhar para o mundo contemporâneo, no qual a Igreja se encontra e age, não pode ela permanecer indiferente perante múltiplas situações de injustiça que impedem o correto desenvolvimento dos homens, tais como: a condição infra-humana em que tantos vivem, diminuídos por graves carências alimentares, habitacionais, sanitárias, de emprego, educacionais e culturais; a existência de limitações, não raro injustificadas, ao pleno exercício dos direitos e garantias fundamentais das pessoas e dos grupos; o agravamento de numerosas formas de alienação, de medo e de mentira; a expansão de uma economia que não está ao serviço de todos e cujo móbil primário é o lucro; a difusão de motivações que induzem a satisfazer necessidades não verdadeiramente sentidas nem conducentes à genuína realização humana; a oferta e aceitação de condições de trabalhos despersonalizantes, nas quais o homem é equiparado à máquina, com prejuízo da sua capacidade criadora; a implantação de estruturas urbanas em que faltam condições dignas de alojamento, de acesso aos locais de trabalho e aos equipamentos coletivos; o alastramento de formas de marginalidade, algumas criminosas e imorais; e a crescente insatisfação da juventude que não encontra padrões de vida ajustados às suas reais necessidades» (Conferência Episcopal Portuguesa, Carta Pastoral no décimo aniversário da “Pacem in Terris”, 4 de maio de 1973. Documentos pastorais 1967-1977, p. 113-114).

Sendo verdade que os Bispos portugueses tinham bem presente a situação do país em 1973, temos de concluir, agora nós em 2014, que muito se fez entretanto e na esteira da Revolução de Abril para responder às lacunas referenciadas. Mas ainda faltará outro tanto, para que sejam definitivamente ultrapassadas aquelas e outras que sobrevieram, no atual condicionalismo socioeconómico e cultural. A nossa gratidão aos obreiros da democracia portuguesa tem de acrescentar-se com o empenho permanente no seu reforço, em tudo e para todos.

 

Dentro dos pontos de agenda desta assembleia plenária, destaco apenas um nestas palavras de abertura, pelo seu relevo muito especial. Trata-se da reforma dos Manuais de Educação Moral e Religiosa Católica. No quadro concordatário que nos rege de há dez anos para cá, e em que, designadamente, «a República Portuguesa, no âmbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação dos filhos, garante as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação» (Concordata, artº 19, § 1), compete-nos concretizar sempre mais e melhor as finalidades da disciplina. Finalidades já aprovadas pela Conferência Episcopal e que convém lembrar: A Educação Moral e Religiosa Católica visa «a formação global do aluno, que permita o reconhecimento da sua identidade e, progressivamente, a construção de um projeto pessoal de vida. Promove-a a partir do diálogo da cultura e dos saberes adquiridos nas outras disciplinas com a mensagem e os valores cristãos enraizados na tradição cultural portuguesa».

Também por esta via pedagógica, desejamos colaborar na construção duma sociedade que, sendo plural, deve contar com a contribuição de cada uma das partes que inclui, mormente quando se trata do legado vivo da tradição católica, tão presente na vida nacional e decerto das gerações passadas para as presentes e futuras.

Outros temas se incluem na agenda desta Assembleia Plenária, além da eleição para os órgãos da CEP num novo triénio. Disso mesmo se dará conta no comunicado final.

Fátima, 29 de abril de 2014

D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa