Pastoral das Prisões vai integrar juristas nas suas equipas

Passos efectivos estão a ser dados para que a Pastoral prisional possa contar, quer no seu trabalho como nas equipas de visitadores, com o apoio de juristas. Esta parceria é algo de novo em território nacional mas está a acolher um grande entusiasmo num encontro que decorre entre um grupo de juristas das dioceses portuguesas e a coordenação nacional da Pastoral das Prisões. Uma vontade de trabalhar conjuntamente que se estende a advogados que, “mesmo não trabalhando na área penal, querem dar o seu contributo”, explica à Agência ECCLESIA o coordenador nacional da Pastoral Prisional, o Pe. João Gonçalves. “A área jurídica vai poder enriquecer o trabalho de quem se dedica à pastoral prisional”, aponta o coordenador. Os juristas poderão intervir quer na reflexão, na consciencialização, humanização e também intervir na elaboração legislativa. “Atitudes que poderão criar na sociedade uma maior abertura para com os reclusos e as suas famílias”. O Pe. João Gonçalves aponta que o acompanhamento do advogado ao seu cliente não deve ser circunscrito ao processo do julgamento. “Um advogado cristão deve estar preocupado em defender o seu cliente, mas acompanhá-lo também no modo como a pena está a ser aplicada, cumprida e mesmo para a forma como a pessoa está a ser preparada para a sua reinserção social”. Factores que podem beneficiar “em muito os reclusos e a pastoral prisional”. A participar neste encontro está Cármen Bernabé, coordenadora da Equipa Europeia da Área Jurídica da Pastoral Penitenciária, “uma pessoas com uma grande experiência na área e conhecedora de variados casos por toda a Europa” e também o Pe. José Luís Bernabé, coordenador da Área Jurídica no Departamento de Pastoral Penitenciária. O coordenador nacional adianta mesmo que “são as melhores pessoas para nos falar da possibilidade efectiva de desenvolver passos similares”.

Eliminar os comportamentos desumanos nas prisões

A Igreja está “preocupada com as torturas e maus tratos nas prisões” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. João Gonçalves, Coordenador Nacional da Pastoral Prisional e um dos participantes do Congresso Internacional da Pastoral das Prisões sobre «Descobrir o rosto de Cristo em cada pessoa presa. Jesus chama-nos». Nesta iniciativa – decorreu em Roma, de 5 a 12 de Setembro – o Pe. João Gonçalves referiu também que apesar da Pena de Morte não ser aplicada em Portugal “temos países onde ela é aplicada tal como a tortura para obter declarações e isso preocupa os capelães”. E acrescenta: “este assunto preocupa também as Nações Unidas”. Um dos prelectores das Nações Unidas sublinhou que as torturas são “utilizadas em muitas prisões do mundo”. Determinados castigos – “isolamento nas celas e vedação à leitura” – são consideradas torturas. As minorias étnicas e religiosas e os doentes mentais são as pessoas onde se utiliza mais este tipo de castigos. Na mensagem que enviou ao Congresso, Bento XVI manifestou-se contra o tratamento dado aos presos em várias cadeias do mundo, afirmando que a tortura não pode ser aplicada “em nenhuma circunstância”. “Reitero que a proibição da tortura não pode ser violada em nenhuma circunstância”, disse o Papa, citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Aos participantes, Bento XVI pediu para que sejam intermediários “na ajuda à eliminação destes comportamentos desumanos”. A Pastoral Penitenciária não passa somente no trabalho com os reclusos mas “também com os seus familiares e, posteriormente, com a reinserção social”. “Não posso silenciar aquilo que ouvi” – afirmou o Pe. João Gonçalves. E avança: “Os governos têm um grande apreço pelos serviços desta pastoral”. Ao longo dos dias, as dezenas de congressistas visitaram alguns locais italianos e uma exposição com trabalhos feitos por reclusos. A Igreja Católica tem “muita força” nas prisões. Perante tal constatação, o Coordenador Nacional da Pastoral Prisional realça que as comunidades devem “envolver-se mais nesta pastoral”. Notícias relacionadas • Igreja denuncia situações desumanas nas cadeias de todo o mundo

Igreja denuncia situações desumanas nas cadeias de todo o mundo

A Igreja Católica considera que ainda há demasiados “pontos negros” nas cadeias de todo o mundo, pedindo que sejam respeitados os direitos dos presos e que se aposte na sua reabilitação. Os responsáveis pela chamada “pastoral das prisões” estiveram reunidos em Roma, para o seu XII Congresso internacional, que reuniu com cerca de 200 delegados de 62 países do mundo inteiro. O coordenador nacional das Pastoral das Prisões, Pe. João Gonçalves, marcou presença no encontro que tem como temática geral “Descobrir o rosto de Cristo em cada pessoa presa. Jesus chama-nos”. No comunicado final do encontro, os participantes afirmam que em muitos países “não são garantidos os direitos humanos” e que “a liberdade religiosa não é assegurada, não se permitindo que a Igreja responda às necessidades espirituais e materiais dos presos”. Segundos os capelães e membros da Igreja empenhados neste campo, é necessário erradicar a prática da pena de morte e da tortura, apostando no “aperfeiçoamento humano”, para a reintegração dos presos na sociedade”. Perante manifestações “desumanas de crueldade institucional”, como enforcamentos, o comunicado pede que sejam aplicadas as “normas mínimas da ONU no âmbito da prevenção do crime e no do sistema de justiça criminal”. Os participantes no Congresso consideram que os sistemas prisionais de muitos países “não respondem às necessidades das crianças e dos grupos mais vulneráveis”, pedindo “programas, leis e sistemas” que respondam às necessidades destes grupos. Na mensagem que enviou ao Congresso, Bento XVI manifestou-se contra o tratamento dado aos presos em várias cadeias do mundo, afirmando que a tortura não pode ser aplicada “em nenhuma circunstância”. “Reitero que a proibição da tortura não pode ser violada em nenhuma circunstância”, disse o Papa, citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. “Quando as condições das prisões não tendem ao processo de reconquista do sentido de dignidade, com os deveres a ela ligados, as instituições falham na prossecução de um dos seus objectivos essenciais”, referiu ainda. Bento XVI indicou que as cadeias devem ser lugares de reabilitação para os presos, “facilitando a sua passagem do desespero à esperança”. Nesse sentido, deixou um forte convite de “dar de novo um sentido à vida de quem se encontra na prisão”. Depois de ter recordado que a função dos capelães das prisões é uma missão vital, o Papa observou que “o capelão deve ajudar os presos a redescobrirem um sentido de projecto, de maneira que, com a graça de Deus, possam reformar as suas vidas, reconciliar-se com famílias e amigos, e quanto for possível assumir responsabilidades e deveres que os tornem depois capazes de viver honestamente em sociedade”, apontou. O Papa observou que as instituições judiciais e penais “desempenham um papel fundamental na protecção dos cidadãos e na salvaguarda do bem comum, mas ao mesmo tempo devem contribuir para reabilitar quem errou”.

Cardeal Martino condena violência nas prisões

O Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, veio condenar a violência nas prisões, afirmando que “a violência só pode gerar violência e nunca justiça, paz e reconciliação”. Este responsável acrescentou que seria uma contradição “combater as situações injustas com as mesmas armas que criam as injustiças, assim como seria desastroso que as pessoas identificadas como instrumentos de paz e pregadores de reconciliação pretendessem vencer a violência recorrendo à violência ou pôr fim à marginalização marginalizando e lutar contra corrupção corrompendo”. O Cardeal indicou que o objectivo da Pastoral Prisional, desenvolvida pela Igreja, é levar aos presos “a Boa Nova do amor redentor de Cristo, tornando concreta e tangível a misericórdia e a compaixão do Bom Samaritano”. Além disso, o membro da Cúria Romana identificou na defesa dos direitos humanos dos presos um dos principais desafios que os capelães prisionais devem enfrentar, já que “a violação de tais direitos nas prisões provoca mais marginalização, exclusão e sofrimento”. O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz falava durante o II Congresso Internacional da Pastoral das Prisões, a decorrer em Roma, com cerca de 1500 delegados de 56 países do mundo inteiro. O coordenador nacional das Pastoral das Prisões, Pe. João Gonçalves, marca presença no encontro que tem como temática geral “Descobrir o rosto de Cristo em cada pessoa presa. Jesus chama-nos”.

Papa condena uso da tortura

Bento XVI manifestou-se hoje contra o tratamento dado aos presos em várias cadeias do mundo, afirmando que a tortura não pode ser aplicada “em nenhuma circunstância”. “Reitero que a proibição da tortura não pode ser violada em nenhuma circunstância”, disse o Papa, citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. O Papa falava aos participantes do 12.º Congresso Mundial da Comissão Católica Internacional para a Pastoral das Prisões, que decorre em Roma. “Quando as condições das prisões não tendem ao processo de reconquista do sentido de dignidade, com os deveres a ela ligados, as instituições falham na prossecução de um dos seus objectivos essenciais”, referiu. Bento XVI indicou que as cadeias devem ser lugares de reabilitação para os presos, “facilitando a sua passagem do desespero à esperança”. Nesse sentido, deixou um forte convite de “dar de novo um sentido à vida de quem se encontra na prisão”. Depois de ter recordado que a função dos capelães das prisões é uma missão vital, Bento XVI observou que os presos muitas vezes podem ser “subjugados por sentimentos de isolamento, vergonha e recusa que ameaçam desmoronar as suas esperanças e aspirações futuras”. “Cooperando com as autoridades civis, o capelão deve, portanto, ajudar os presos a redescobrirem um sentido de projecto, de maneira que, com a graça de Deus, possam reformar as suas vidas, reconciliar-se com famílias e amigos, e quanto for possível assumir responsabilidades e deveres que os tornem depois capazes de viver honestamente em sociedade”, apontou. O Papa observou que as instituições judiciais e penais “desempenham um papel fundamental na protecção dos cidadãos e na salvaguarda do bem comum, mas ao mesmo tempo devem contribuir para reabilitar quem errou”. O 12.º Congresso Mundial da Comissão Católica Internacional para a Pastoral das Prisões tem como tema “Descobre em cada preso o rosto de Cristo”, juntando responsáveis de 56 países dos cinco continentes. O Congresso tem como objectivos despertar e fomentar maior sensibilidade e preocupação, em toda a Igreja, pela acção pastoral e apostólica nas cadeias e promover a humanização, revisão e reforma dos sistemas prisionais de todo o mundo. (Com Rádio Vaticano)

Ajuda aos católicos brasileiros

Quase todo o mundo conhece o Cristo Redentor do Corcovado, que se ergue majestosamente sobre a cidade do Rio de Janeiro. Todos os dias, numerosos turistas desfrutam desde o monte das impressionantes vistas da cidade e do mar. Também o Padre Werenfried, fundador da organização católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) subiu ao alto do Corcovado durante a sua primeira visita ao Brasil, em 1962, mas não como turista. O Padre Werenfried percorreu a América Latina para conhecer a miséria que atingia a região e, no Rio de Janeiro, dirigiu uma oração ao Cristo do Corcovado para protestar contra o sofrimento das pessoas que encontrou na sua viagem. Na sua “Conversa com o Cristo do Rio”, fala sem rodeios: “Senhor Jesus Cristo (…) permite-se dizer-te que aquilo que encontrei neste continente é escandaloso”. O fundador da AIS visitou as favelas miseráveis, com casas de cartão, levou a Cristo o nome das crianças que ali conheceu e que apontou um a um, porque a necessidade é mais do que estatísticas, estruturas e problemas. A pobreza não é uma abstracção, a miséria tem milhões de rostos humanos e cada um tem o seu nome próprio. Muitas das pessoas que acabaram nos subúrbios das grandes cidades provêm do Nordeste brasileiro, onde chega a não chover durante anos. Nesta região não era possível providenciar ao sustento familiar e muitos pensaram que nas cidades a situação melhoraria. Contudo, os sonhos e esperanças caíram por terra. Depois de gastar as últimas poupanças para pagar a viagem rumo à “terra prometida”, o único trabalho que os mais afortunados encontraram foi a recolha do lixo. A maioria, contudo, não conseguiu emprego e assim entrou no círculo vicioso da destruição familiar, da dependência do álcool, das drogas e da violência. Estas pessoas desenraizadas e desiludidas são presas fáceis para muitas seitas, daí a sua proliferação nos subúrbios das grandes cidades. Uma pequena zona chega a contar com uma estreita rede de templos, até 50. A sua mensagem é demasiado bonita para ser verdade, mas mesmo assim são muitos os que acreditam nas promessas de salvação fácil e rápida. A Igreja Católica não pode prometer-lhes um caminho fácil para o bem-estar material, mas pode oferecer-lhes, isso sim, outra coisa: a Boa Nova de Cristo. No entanto, para isso é necessário que alguém a proclame e os 130- 155 milhões de católicos do país apenas dispõem de 18 700 padres. Regra geral, as paróquias abarcam territórios muito extensos e há vários casos com mais de 100 mil paroquianos. No Evangelho encontramos uma passagem que ilustra a situação no Brasil: “A messe é grande e os trabalhadores são poucos”. Por esse motivo, a Ajuda à Igreja que Sofre apoia preferencialmente, neste país, como em muitos outros, a formação de sacerdotes. Além disso, também são necessárias igrejas, sobretudo nos subúrbios das grandes cidades e nas zonas de recente assentamento populacional no Brasil central e na Amazónia. Quando os crentes não dispõem de um local para se reunirem e celebrar a Missa, são apanhados pelas seitas, que dispõem de suficientes recursos económicos para erigir rapidamente vistosos templos. Bíblia para Crianças Nunca é demasiado cedo para lançar a semente do Evangelho nos corações, e os mais pequeninos devem saber que Deus os ama e que têm um lar. Quem, desde criança, lançou raízes por dentro não procura, quando cresce, a sua salvação nas drogas, no álcool ou nas promessas de falsos profetas que apenas querem tirar o dinheiro às pessoas. Há já 29 anos que existe a Bíblia para Crianças “Deus fala aos seus Filos”, traduzida em 153 línguas. O Padre Werenfried queria que a imagem de Jesus ganhasse vida no coração dos meninos e meninas, mas muitos deles não podem sequer sonhar com comprar um livro. Como poderiam conhecer a Palavra de Deus e a Boa Nova? O Padre Werenfried encontrou a solução: a quem não pudesse comprar uma Bíblia, era preciso oferecer uma. Assim surgiu, em 1979 – Ano Internacional da Criança – o projecto da Bíblia para Crianças. Desde o início, o Brasil foi um dos principais países receptores: durante a visita de Bento XVI, ele próprio entregará a edição comemorativa dos 10 milhões de exemplares distribuídos. Este é um número notável e, também aqui, cada exemplar da Bíblia está associada a uma criança, a uma história com nome próprio. Muitos recebem os cuidados e o carinho das religiosas, como as Franciscanas do Campo Limpo, que ajudam meninos especialmente necessitados, na sua maioria abandonados ou rejeitados pelos pais. No seu asilo infantil, 60 crianças encontraram um novo lar e outros 180 meninos de rua passam pelo centro, durante o dia. Na aula da Religião entram em contacto com a Palavra de Deus e as coloridas ilustrações da Bíblia para as Crianças transmitem o amor do Pai e fazem com que a figura de Jesus ganhe vida nos seus corações. Quando os rapazes deste centro receberam os exemplares, encheram-nos de beijos, tal era a sua alegria por causa deste tesouro. Outras crianças estão hospitalizadas e aprendem que Cristo curou os doentes, outras preparam-se com este livro para a Primeira comunhão. A Bíblia para Crianças é recebida em todos os lugares com gratidão e entusiasmo, não só pelos mais pequeninos, mas também por pais e avós, pois é o único livro de que dispõem muitos lares. É também utilizada na pastoral das prisões, porque muitas seitas tentam cativar os presos, pelo que a Igreja deve, fiel ao encargo de Jesus, “redimir os cativos”, estar ao serviço destas pessoas e das suas almas. Neste âmbito, a Missa é importante, mas não suficiente. Fazenda da Esperança Dizem que prevenir é melhor do que remediar e a Igreja realiza grandes esforços para impedir que as pessoas percam o pé. Para os jovens que caíram no círculo vicioso das drogas, da criminalidade e da prostituição também há esperança. Em 1983, o frade franciscano alemão Hans Stapel fundou a primeira Fazenda da Esperança, onde os toxicodependentes aprendem a viver com dignidade, através do trabalho e da oração. Hoje, há 33 fazendas em todo o Brasil. A taxa de sucesso é superior a 84%, sem drogas de substituição ou tratamentos médicos. Em vez disso, os jovens ganham o seu sustento trabalhando em grupo, forma de aprenderem que a comunidade é importante. Cada fazenda desempenha uma tarefa específica, que varia em função da sua localização e das possibilidades de vender determinados produtos. Assim, por exemplo, algumas dedicam-se à agricultura ou à jardinagem, à carpintaria ou mesmo à confecção de pizzas. Todas as manhãs, os grupos reúnem-se para ler uma passagem da Bíblia e para escolher uma citação que os ajudará no decorrer do dia. Como objectivos são propostos pequenos actos, como não faltar o respeito a ninguém, mas pouco a pouco acaba por conseguir-se muito. À noite, voltam a reunir-se e cada um explica como decorreu o seu dia, os problemas e progressos que sentiu. Quando alguém está em risco de crise e em perigo de recaída, os outros mobilizam-se para ajudar. A primeira fase de desintoxicação é particularmente dura, mas a taxa de sucesso fala por si mesma. Uma característica especial destas fazendas são as suas capelas: as obras de arte com que estão decoradas foram realizadas pelos seus habitantes com material de desperdício. Esta circunstância demonstra que, mesmo com o que os outros deitam fora, é possível criar algo belo, um símbolo da transformação da vida destes jovens. O verdadeiro objectivo deste trabalho não se limita à resocialização dos toxicodependentes, mas ajudá-los a descobrir a sua dignidade como filhos de Deus. O Padre Werenfried visitou estes jovens e animou-os a prosseguirem neste caminho. Desde o início pensou neste projecto como “pastoral”, pelo que Frei Hans Stapel, pai das Fazendas da Esperança, recebe o apoio da AIS. Indígenas A Igreja não se limita a enfrentar os desafios das grandes urbes. Em muitas zonas do país, as distâncias são imensas, um problema que já em 1973 deu vida ao projecto AMA. A construção da auto-estrada transamazónica supôs uma enorme mudança para os indígenas que habitavam na zona e também para os que tinham migrado do Nordeste e do Sul do país para a região. Até então, eram os rios as únicas vias de comunicação. Com a nova estrada, os Bispos precisavam de camiões para transportar os produtos agrícolas dos colonos para o mercado, levar as crianças à escola e os doentes aos centros sanitários, bem como os fiéis à igreja. Por acaso, nessa altura o Exército suíço colocou à venda os seus camiões usados e a AIS adquiriu, por um preço simbólico, 300 veículos – um dos quais continua ainda hoje a trabalhar. São os sacerdotes, contudo, os que mais precisam de um meio de transporte, dado que alguns se ocupam de 120 paróquias e muitos fiéis só vêm o padre uma vez por ano. A Fundação AIS apoia aqui a Igreja com automóveis e, nalgumas zonas do Rio Amazonas, onde a deslocação apenas é possível pelo rio, encarrega-se de financiar lanchas. Um dos sacerdotes que se desloca nestas embarcações de alumínio com 15 metros é o capuchinho Gino Alberati, que visita periodicamente as comunidades instaladas nas margens do rio. Na maior parte dos casos permanece durante vários dias nas povoações, celebra a Missa, baptiza crianças e adultos, casa os jovens e ouve os fiéis em onfissão. Sem a lancha, muitas povoações não poderiam receber a sua visita e, mesmo assim, a presença de um sacerdote continua a ser excepcional. Durante o resto do tempo, são os meios de comunicação social a “substituir” os sacerdotes. Media católicos A Fundação AIS apoia vários canais católicos de rádio e televisão como, por exemplo, a TV Nazaré ou a TV Rede Vida, esta última de alcance nacional. As seitas estão muito activos neste campo, por disporem de muito dinheiro, o que as capacita para oferecer somas quatro vezes superiores a outros por uma emissora. Para a Igreja Católica não é fácil competir neste âmbito. O trabalho pastoral nos meios de comunicação serve para combater a ignorância religiosa das pessoas e, quando uma diocese dispõe de um programalocal, a identificação dos crentes com a Igreja é reforçada. Por ocasião da visita do Papa, a AIS financiou numerosos repetidores (dispositivos que recebem e retransmitem um sinal) para o canal TV Rede Vida, a fim de que o maior número possível de brasileiros possa participar neste evento. A ajuda segue uma tradição da Fundação, pois um dos primeiros projectos que receberam o apoio da AIS foi a criação de uma escola radiofónica na Arquidiocese de Natal, no Nordeste do país: através da rádio, os ouvintes, organizados em pequenos grupos liderados por professores voluntários, recebiam ensinamento geral e religioso. Uma solução simples e barata, mas certamente genial. As Missões Populares deram um forte impulso para a consciência missionária dos leigos: eles vão de casa em casa, escutam as famílias, rezam com elas e convidam-nas a participar na Missa. Desse forma é mobilizado um grande número de crentes e desperta neles o entusiasmo pelo Evangelho. A formação dos leigos que se empenham nas tarefas eclesiais é outra das prioridades dos Bispos brasileiros e também aqui a AIS dá o seu contributo. Para a formação religiosa, o pequeno catecismo “Eu creio”, editado pela Fundação desde 1988, desempenha um papel fundamental, porque serve sacerdotes, catequistas, famílias, jovens e adultos nas suas aulas de Religião e porque é a base de numerosas actividades pastorais. A Ir. Isabel João Panzo, coordenadora do trabalho catequético da Diocese de Quixadá, assegura que “este livro contribui para que as pessoas tomem consciência de que, em virtude do Baptismo, o Povo de Deus também é responsável pela proclamação do Evangelho”. O catecismo “Eu Creio” chegou, no Brasil, aos 1,3 milhões de exemplares. Nos anos mais recentes, a AIS ajudou a Igreja brasileira com mais de 4 milhões de Euros, e este ano volta a apoiar inúmeros projectos. No Rio de Janeiro, o Padre Werenfried finalizava a sua oração a Cristo com o seguinte pedido: “Desde as alturas do teu monte, no Rio, olha para a Europa e abençoa-a para que possa tornar-se grande no amor”. Um pedido que não perdeu nenhuma actualidade.

Conhecer a realidade das prisões é urgente

Conhecer a realidades das prisões é urgente aponta a Obra Vicentina, que este fim de semana organizou em Santa Maria da Feira um dia de reflexão sob o tema “A reclusão e as suas consequências. Como Ajudar?”. “Conhecendo primeiro a realidade dos estabelecimentos prisionais no nosso país”, responde à Agência ECCLESIA Manuel Almeida dos Santos, responsável da Obra Vicentina de Apoio aos Reclusos, na diocese do Porto, manifestando que “apenas chegamos a dois por cento da população prisional. Faltam 98%”, sublinha. Neste dia de reflexão estiveram presentes vicentinos, auxiliares, capelães e visitadores para que todos tivessem uma percepção actual da realidade a que os reclusos estão sujeitos, realidade esta que influencia também as suas famílias. “É necessário melhorar a sensibilidade da comunidade para a situação das prisões”, aponta o responsável. Comunidade civil e religiosa, “ficamos com a certeza que o nosso trabalho é muito pequeno dada a dimensão do restante que é preciso desenvolver. Mas para isso é preciso envolver todas as entidades”, aponta Manuel Almeida dos Santos. A Obra Vicentina presta apoio moral, espiritual e material aos reclusos, para que depois da situação de reclusão possam retomar a sua vida familiares e profissional de forma a impedir a reclusão. “Temos em conta que muitas vezes é impossível retomar os laços familiares que se mantinham antes da reclusão”, explica Manuel Dos Santos. Quando essas situações acontecem, contam com a ajuda de instituições que acolhem temporariamente os ex – reclusos “e prestam apoio material e ajudam nos primeiros tempos”, explica o responsável pela Obra Vicentina. Estas instituições também estiveram presentes na Jornada de reflexão partilhando o seu trabalho. A reincidência dos reclusos é “superior a 50 %”, dá conta Manuel dos Santos. O trabalho desenvolvido “não é fácil”. Por isso é preciso que todos se envolvam. O Padre João Gonçalves, coordenador nacional da Pastoral das Prisões deu o seu testemunho e tomou “consciência das dificuldades de desafios futuros que se colocam”, apontou Manuel dos Santos.

Voluntariado: um dinamismo indispensável nas prisões

O encontro de voluntários da Fraternidade das Instituições de Apoio a Reclusos juntou cerca de 60 pessoas de várias confissões religiosas onde se pretendeu reflectir sobre o que move o voluntário no seu trabalho junto de reclusos, quer a nível espiritual quer a nível mais prático de encontro e de trabalho. “O trabalho realizado nas prisões é muito alargado e abrangente” dá conta à Agência ECCLESIA o Padre João Gonçalves, Coordenador Nacional da Pastoral das Prisões. E acrescenta mesmo que se trata de um trabalho “já indispensável”. Um simples encontro de diálogo livre, ou a prestação de cursos quer de formação ou na área intelectual, ou mais lúdico e recreativo de trabalhos manuais e de teatro, preenchem a vida de quem vive o seu tempo num estabelecimento prisional, não se limitando apenas ao acompanhamento espiritual. “O bem que o voluntariado faz pela presença e pela boa recepção que tem junto dos reclusos, faz deste serviço um dom indispensável”, existindo claramente uma complementaridade de serviços, mas fazendo do voluntariado um “sinal de disponibilidade e de variedade de dons”. A boa aceitação por parte dos reclusos não é clara apenas no nosso país, “é também uma realidade noutros países” afirma com base num inquérito realizado, por exemplo, em Espanha. A realidade prisional de solidão “abre uma porta ao transcendente e ao sobrenatural e a nossa presença vem dar resposta a uma atitude e predisposição dos reclusos para essa abertura espiritual”. Mas a motivação de escuta e presença levada pelo voluntário é determinante para este acolhimento “porque o grande respeito com que vamos às prisões faz a diferença”, conferindo ao voluntariado um dinamismo indispensável.

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