Responsáveis recordam violência no Iraque e na Síria, lançando coleta anual de Sexta-feira Santa

Cidade do Vaticano, 30 mar 2018 (Ecclesia) – A Igreja Católica vive hoje uma jornada de solidariedade com as comunidades cristãs do Médio Oriente, na coleta anual de Sexta-feira Santa, evocando os conflitos na região.

“Não podemos esquecer milhares de famílias, entre as quais crianças e jovens, que escapam da guerra na Síria e no Iraque, muitos dos quais em idade escolar, que apelam à nossa generosidade para retomar a vida escolástica e assim poderem sonhar com um futuro melhor”, refere o apelo lançado pela Congregação para as Igrejas Orientais (Santa Sé).

A carta aos bispos de todo o mundo é assinada pelo cardeal Leonardo Sandri e pelo arcebispo Cyril Vasil, respetivamente prefeito e secretário do dicastério.

“Muitos cristãos iraquianos e sírios desejam regressa à sua própria terra, onde as suas casas foram destruídas, onde escolas, hospitais e igrejas foram devastadas. Não os deixemos sós!”, pede a Santa Sé.

Este ano, de modo especial, o cardeal Sandri recorda obras em curso em duas Basílicas: a da Natividade, em Belém, construída sobre a gruta onde nasceu Jesus; e a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, construída sobre o túmulo de Cristo.

“Edificar a Igreja da Terra Santa, nos seus edifícios e nas suas pedras vivas, que são os fiéis cristãos, é responsabilidade de toda a Igreja Cristã particular, conscientes de que a fé cristã teve como seu primeiro centro propulsor a Igreja Mãe de Jerusalém”, pode ler-se, na missiva divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.

Os cristãos que beneficiam desta ajuda vivem em Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano, Turquia, Iraque, Irão, Egito, Etiópia, Eritreia e Chipre.

D. Leonardo Sandri evoca o “grito de milhares de pessoas que se encontram privadas de tudo, até ao limite da própria dignidade de homens”.

“Uma lembrança particular vai para a pequena comunidade cristã do Médio Oriente que continua a manter a fé entre os refugiados no Iraque e na Síria, ou na Jordânia e no Líbano assistida pelos seus pastores, religiosos e voluntários de vários países. Os rostos destas pessoas interrogam-nos sobre o sentido do ser cristão, as suas vidas em extrema dificuldade inspiram-nos”, pode ler-se.

O prefeito da Congregação para as Igrejas Orientas encoraja ainda ao regresso das peregrinações à Terra Santa, uma ajuda na sobrevivência de milhares de famílias.

A Igreja Católica promove anualmente uma recolha de donativos para as comunidades que vivem na Terra Santa e para a manutenção dos lugares ligados à vida de Jesus e ao início do Cristianismo.

O Papa Paulo V, com o documento ‘Celestis Regis’, de 22 de janeiro de 1618, foi o primeiro a determinar a finalidade desta recolha de donativos e Bento XIV confirmou-a com o breve apostólico ‘In supremo militantis Ecclesiæ’, de 7 de janeiro de 1746.

A preservação da memória dos chamados Lugares Santos, que está confiada à Custódia franciscana, passa pela preservação dos vários monumentos que assinalam a ligação dos espaços a Jesus e os apóstolos, mas sobretudo pelo apoio às atuais comunidades cristãs – uma minoria entre muçulmanos e judeus na Palestina e Israel – que vivem situações difíceis.

OC

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