Reitor do Seminário Maior foi cicerone da visita ao templo que acolhe um Museu de Arte Sacra e Arqueologia

Foto: C.M. Porto

Porto, 07 ago 2018 (Ecclesia) – A igreja de São Lourenço, do Seminário do Porto, oferece uma vista única para a cidade e para Vila Nova de Gaia, promovendo iniciativas culturais e acolhendo um Museu de Arte Sacra e Arqueologia.

“Limpamos, conversamos, e construímos este passadiço que permite uma visão de 360 graus”, explica o reitor do Seminário Maior do Porto, realçando que se consegue “contemplar” a Torre dos Clérigos, a igreja da Misericórdia, o Palácio da Bolsa, a igreja de São Francisco, o Paço Episcopal, a casa do Cabido e a Sé.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o padre José Alfredo contextualiza que esse projeto foi realizado “em sintonia” com a reabilitação iniciada nos finais da década de 90, motivada pela classificação do centro histórico do Porto como Património Mundial da Humanidade.

Face a Vila Nova de Gaia, da “varanda sobre um património imenso”, avistam-se as caves do Vinho do Porto, património religioso e, claro, o próprio rio Douro.

“É possível contemplar a cidade naquilo que são a história, a cultura, a memória, também os desafios”, acrescentou o reitor, sobre o edifício oferecido ao episcopado do Porto pelo Rei D. Pedro para instalar o seminário maior.

No contexto da atualidade, o sacerdote explica que “hoje é impossível olhar” para a cidade do Porto sem ser “com olhar de criatividade e de desafio” e de muitos dinamismos que importa “assumir e procurar desenvolver e cultivar” pelos futuros padres.

Já no interior do templo, os visitantes podem contemplar e ouvir um órgão ibérico, dos finais do século XVII e que foi restaurado há 20 anos.

O padre José Alfredo realça que o seminário promove anualmente um ciclo de concertos, aberto ao público, e que o estudo do órgão também faz parte da formação dos seminaristas.

Na igreja de São Lourenço é possível contemplar vários estilos de arte, o maneirista, alguma decoração neoclássica, como no altar-mor, e o barroco visível no altar-relicário, com 14 bustos relicários, no retábulo de Nossa Senhora da Purificação.

No patamar inferior da igreja existe um Museu de Arte Sacra e Arqueologia com um “espólio de diferentes espaços da diocese”, que vai sendo atualizado desde os anos 50, quando foi criado pelo antigo “célebre reitor” D. Domingos de Pinho Brandão (bispo auxiliar do Porto de 1972-88).

“Na altura com vertente formativa, educativa e pedagógica para os alunos, mas que cumpre hoje manter e desenvolver na nossa missão e trabalho de formação dos futuros sacerdotes”, desenvolveu o atual reitor.

Com peças variadas, o Museu de Arte Sacra, no antigo Corredor das Confissões, está organizado desde o Antigo Testamento até à vida dos santos”.

Existe também a Sala Irene Vilar com um “esboceto de um Cristo”, que foi o estudo para a obra que está no Centro Paulo VI, em Fátima, entre outras obras.

A 23 de junho, foi inaugurada a Sala D. Domingos Pinho de Brandão (1920-1988) que tem, por exemplo, quatro pinturas, dos finais do século XVI e início século XVII, documentos alusivos à criação do museu, fichas das peças e publicações.

O reitor explicou também que a igreja de São Lourenço pertence ao Seminário Maior do Porto há 150 anos, e originalmente era dos Jesuítas.

Quando a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal, a igreja foi confiada à Universidade de Coimbra que instalou frades Agostinhos e começou a ser popularmente conhecida por igreja dos Grilos, porque os religiosos viajaram do Convento do Grilo, em Lisboa.

LFS/CB/OC

 

 

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