José Luís Nunes Martins

Há pouco tempo, na Alemanha, o primeiro-ministro da Baviera resolveu colocar crucifixos em todos os edifícios públicos da sua região. Os bispos alemães logo se mostraram contra a medida, uma vez que se tratava de aproveitamento político, uma instrumentalização que, mais importante ainda, se tornou motivo de divisão, colocando as pessoas umas contra as outras.

No passado dia 10 de maio, em Nova Iorque, foi aberta ao público uma exposição no MET (Metropolitan Museum of Art) cujo título é “Corpos Celestiais: Moda e a Imaginação Católica”, que pretende conjugar a moda com a fé católica. A ideia inicial contou com o apoio do Vaticano, que cedeu mais de 40 peças. No entanto, na gala de inauguração, as indumentárias dos convidados fizeram perceber a todos que a fé católica, naquele contexto específico, é apenas um tema sobre o qual cada um pode fazer o que quiser, em nome da criatividade da moda.

O desrespeito foi mais do que evidente. Centenas de convidados desfilaram com trajes onde a fé católica era apenas e só o ponto de partida para uma imaginação sem limites nem escrúpulos. Será que a falta de respeito não é, por si só, prova evidente de falta de imaginação?

Talvez a Igreja Católica tenha sido escolhida por ser a mais tolerante a este tipo de abusos. Confesso discordar do apoio do Vaticano, pelo menos pelo que me é dado saber. Afinal, a visibilidade pública, por maior que seja, não conseguirá ser suficiente para justificar as ofensas feitas à fé católica.

Ter boa intenção não chega. É necessário antecipar o que é previsível e decidir em função disso. Sem ingenuidades.

Qual seria a reação dos convidados se tivesse sido escolhida outra igreja ou religião? Por que razão a Igreja Católica aceitou ser instrumentalizada?

Um crucifixo é mais do que um simples sinal. É símbolo do amor. Não deve ser utilizado como meio para qualquer outro fim. Qualquer que ele seja.

Quando um católico usa um crucifixo ao pescoço, deve usá-lo como símbolo da sua fé, jamais como um adereço estético. Não serve para se promover a ele mesmo, mas para louvar o sacrifício daquele que deu a sua vida por nós.

Exibir um qualquer objeto religioso fora do seu contexto é potenciar o erro de o julgar por si mesmo.

Cada um é livre de escolher o que veste. Mas é uma hipocrisia considerar que não deve respeitar os outros, nem sequer conceder-lhes o direito de expressar a sua repugnância pelas suas escolhas.

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