Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

A atitude que o Papa Francisco propõe à Igreja Católica e à sociedade face aos migrantes e refugiados tem merecido várias críticas, dentro e fora, o que não é de espantar, face à diversidade de opiniões e posicionamentos do mundo contemporâneo. As palavras do pontífice, no entanto, devem ser sempre avaliadas na sua totalidade e, no caso concreto, aludindo a todos os verbos que o próprio assumiu como eixo desta ação: acolher, proteger, promover e integrar.

A poucos dias da celebração do Dia Mundial do Migrante e Refugiado, Francisco recorreu ao Twitter para deixar uma mensagem que questiona qualquer pessoa: “Quem não sofre com o irmão sofredor, ainda que diferente dele por causa da religião, língua ou cultura, deve interrogar-se sobre a própria humanidade”.

Esta interrogação estende-se a outros campos, como ficou claro no recente discurso ao corpo diplomático: o direito à vida, a defesa da família e das mulheres, as vítimas do tráfico de pessoas ou os idosos maltratados, entre outros.

Muitas situações estão, naturalmente, ligadas. Defender o acolhimento e a liberdade de partir não implica, como alguns insinuam, esquecer que o primeiro desejo de muitos migrantes e refugiados era terem podido ficar na sua própria terra. Integrar não é transformar a sociedade numa amálgama disforme e o próprio Papa tem repetido apelos ao respeito pelas leis do país de destino.

Numa questão central, não deveria haver cisões. 2018 é o ano em que se debatem pactos globais sobre os refugiados e as migrações na ONU e as Nações Unidas têm oportunidade de se assumirem como referência da família humana, que é só uma.

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