Congresso em Roma conta com contributo português

Cidade do Vaticano, 30 nov 2018 (Ecclesia) – O Papa defendeu o “diálogo” entre a comunidade católica e a sociedade civil como caminho para decidir o destino de igrejas que deixam de estar afetas ao culto, um tema em debate num congresso internacional, em Roma.

“Recomendo vivamente [aos bispos] que cada decisão seja fruto de uma reflexão conjunta conduzida dentro da comunidade cristã e em diálogo com a comunidade civil”, assinala a mensagem de Francisco que foi lida no início dos trabalhos da iniciativa ‘Dispensa de lugares de culto e gestão integrada de bens eclesiásticos culturais’, promovida em conjunto com a Conferência Episcopal Italiana e a Universidade Pontifícia Gregoriana.

O congresso, iniciado esta quinta-feira, conclui-se na tarde de hoje e inclui uma intervenção da diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, Sandra Costa Saldanha, sobre a experiência portuguesa na “formação e compromisso com a comunidade”.

O Papa sublinha que existem muitas igrejas que hoje deixaram de ser necessárias, “seja por falta de fiéis e de clero, seja por uma distribuição diferente da população nas cidades e nas zonas rurais”.

Segundo o pontífice, esta realidade “convida a uma reflexão e impõe uma adaptação”, por parte dos responsáveis católicos.

“A redução não deve ser a primeira e a única solução na qual pensar nem jamais ser efetuada com o escândalo dos fiéis. Caso seja necessária, deveria ser inserida na ordinária programação pastoral, precedida por uma adequada informação e ser o mais partilhada possível”, refere a mensagem.

O Pontífice conclui recordando que a edificação de uma igreja ou o seu novo destino não são operações meramente técnicas ou económicas, mas devem ter em conta “o testemunho da fé da Igreja, que acolhe e valoriza a presença do seu Senhor na história”.

O reitor da Universidade Gregoriana, o jesuíta português padre Nuno Gonçalves, disse nos trabalhos que Deus continua a estar “verdadeiramente presente numa comunidade cristã que se vê obrigada a fechar uma igreja ao culto”.

O congresso conta com a participação de 250 pessoas e relatores de 36 países, com delegações de 23 conferências episcopais.

O programa inclui a discussão e aprovação de diretrizes para desafetação ao culto e reutilização de locais de culto.

O Código de Direito Canónico prevê que, quando uma igreja deixe de empregar-se para o culto divino, o bispo diocesano possa “reduzi-la a usos profanos não sórdidos”.

Para alargar o debate, os organizadores lançaram um concurso fotográfico, nas redes sociais, com o marcador ‘#nolongerchurches’, que convidava os participantes a documentar “mais do que os casos de abandono, os da reutilização virtuosa” de antigas igrejas.

Uma das fotos vencedoras ilustra o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa; a igreja remonta ao ano de 1389, estando ligada ao condestável do Reino, São Nuno Álvares Pereira.

Após os danos provocados pelo terramoto de 1755 e na sequência da extinção das Ordens Religiosas, seria fundado o Museu, em 1864, pelo primeiro presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1806-1896).

OC

Vaticano: Congresso debate destino de igrejas que deixam de ter culto

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