Cidade do Vaticano, 20 mar 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou hoje que “criticar Deus é envenenar a alma” e pediu aos fiéis que olhem para o crucifixo quando se sentirem abatidos com as dificuldades da vida.

Na Eucaristia matinal, o pontífice explicou que “olhar para Cristo crucificado” é a chave da paciência no caminho da vida, “a chave para superar os desertos”.

“Olhar. Olhar as Chagas. Entre nas Chagas. Por aquelas Chagas fomos curados. Sente-se envenenado, triste, sente que a sua vida não tem sentido, está cheia de dificuldades e de doenças? Olhe para lá”, acrescentou, na homilia que proferiu na Capela da Casa de Santa Marta.

Francisco recordou que, quando era criança, ia com a avó à celebração de Sexta-feira Santa e na procissão de velas da paróquia transportavam uma imagem Cristo deitado, em mármore, de dimensões naturais.

“Olhe bem para ele, amanhã ressuscitará!”, dizia a avó, que na manhã seguinte, Sábado Santo, fazia-os lavar os olhos “para ver a glória de Cristo” quando se ouviam os sinos da ressurreição, ainda antes da reforma litúrgica do Papa Pio XII.

O Papa pediu que se ensine os “filhos a olhar para o crucifixo e para a glória de Cristo” nos maus momentos.

A homilia teve como referência a primeira leitura, que narra a desolação do povo de Israel no deserto, após a sua libertação do Egito.

“Olhavam para a própria força e tinham-se esquecido da força do Senhor, que os libertou da escravidão de 400 anos”, observou Francisco, explicando que “o povo não suportou a viagem” e pensava com remorso sobre o passado.

Neste contexto, alertou para uma “memória doentia” parcial que era a “saudade distorcida”.

“Existem sempre provações e as consolações do Senhor, o maná, a água, os pássaros que nos dão de comer mas aquela comida era melhor. Não se esqueça que comia à mesa da escravatura”, observou.

Também a partir da liturgia, Francisco assinalou que “criticar Deus”, como fez o povo de Israel, “é envenenar a alma” e Moisés teve de construir uma serpente de bronze, elevada, para o povo fosse poupado.

“Esta serpente era profética. Era a figura de Cristo sobre a cruz”, realçou a intervenção, divulgada peloo sítio online ‘Vatican News’.

Já na oração do Ângelus, deste domingo, o Papa Francisco falou do crucifixo, mais propriamente contra os abusos na sua utilização defendendo que este não é um objeto ornamental, mas de fé.

CB/OC

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