Decreto que aprova milagre atribuído ao arcebispo salvadorenho foi publicado pela Santa Sé

Cidade do Vaticano, 07 mar 2018 (Ecclesia) – O Papa autorizou hoje a publicação do decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão de D. Óscar Romero, antigo arcebispo de El Salvador, onde foi morto a tiro em 1980, às mãos da junta militar que dominava o país.

A decisão, divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, em comunicado, abre caminho à canonização do arcebispo, beatificado como “mártir” da fé católica a 23 de maio de 2015.

A data e local para a cerimónia de canonização vão ser decididos num próximo consistório (reunião de cardeais), no Vaticano, tal como a das outros quatro beatos que viram reconhecidos o milagre necessário para a sua proclamação como santos, entre eles o Papa Paulo VI.

Nos três anos em que serviu as comunidades católicas da capital de El Salvador (São Salvador), o arcebispo Romero denunciou a repressão do regime militar e da violência praticada pelos esquadrões da morte.

O Papa Francisco enviou uma carta, aquando da beatificação de D. Óscar Romero, prestando homenagem a uma figura “que construiu a paz com a força do amor, deu testemunho da fé com a sua vida entregue até o fim”.

“Em tempos difíceis de convivência, D. Óscar Romero soube guiar, defender e proteger o seu rebanho, permanecendo fiel ao Evangelho e em comunhão com toda a Igreja. O seu ministério destacou-se pela atenção especial aos pobres e marginalizados”, escreveu.

Em 2007, durante a viagem para o Brasil, o Papa emérito Bento XVI disse aos jornalistas que D. Oscar Romero “foi certamente uma grandiosa testemunha da fé, um homem de grandes virtudes cristãs, que se comprometeu pela paz e contra a ditadura, e que foi assassinado durante a celebração da Missa”.

A comissão de teólogos da Congregação para as Causas dos Santos (Santa Sé) reconheceu em 2015 o martírio do arcebispo, morto “por ódio à fé”.

Com canonização, um cristão é declarado santo e se alarga a sua veneração a todas as nações e congregações religiosas.

A causa de beatificação de Oscar Arnulfo Romero, cujos restos mortais jazem na catedral da capital salvadorenha, iniciou a sua fase diocesana em 1994, que foi concluída em 1996.

O processo foi então apresentado ao Vaticano, no mesmo ano, e em 1997 foi recebido por Roma o decreto por meio do qual a causa era oficialmente aceite como válida.

D. Gregorio Rosa, amigo e colaborador de D. Oscar Romero, este em Portugal em maio de 2013 e disse então à Agência ECCLESIA que o prelado foi um “mártir” que incomodou poderes, em defesa dos Direitos Humanos.

OC

Percurso biográfico

Óscar Arnulfo Romero nasceu em agosto de 1917 numa família modesta em Ciudad Barrios (El Salvador); aos 14 anos, entra no seminário, mas seis anos depois afasta-se para ajudar a família que estava com dificuldades e passa a trabalhar nas minas de ouro, com os irmãos.

Após retomar os estudos, é enviado para Roma, onde estuda Teologia, na Universidade Gregoriana; ordenado sacerdote em 1942, regressa a El Salvador e assume uma paróquia do interior, antes de ser transferido para a Catedral de San Miguel, onde fica durante 20 anos.

Em 1970 é nomeado bispo auxiliar de San Salvador e, em 1974, Paulo VI designa-o bispo da Diocese de Santiago de Maria, no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas.

Em 1977, D. Óscar Romero é nomeado arcebispo de San Salvador; pouco tempo depois, é assassinado o jesuíta padre Rutílio Grande, figura próxima do futuro santo, que passa então a denunciar a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os setores político-militares e económicos, apoiada pelos EUA, bem como a violência da guerrilha revolucionária.

Fonte: Rádio Vaticano

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