Governo alega que Fernando Albán se suicidou, depois de ter sido detido para interrogatório

Caracas, 10 out 2018 (Ecclesia) – Os bispos católicos da Venezuela querem ver esclarecidos os contornos da morte de Fernando Albán, membro da oposição a Nicolás Maduro, que, segundo as autoridades do país, se suicidou enquanto estava sob custódia do Estado.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, os membros da Conferência Episcopal Venezuelana afirmam “o direito a exigir justiça e a que seja devidamente esclarecido este caso”, que enlutou o país.

Fernando Albán, de 56 anos, era líder do partido Primeira Justiça, força política opositora ao regime de Nicolás Maduro, e vereador no município de Libertador, situado no centro de Caracas.

O político estava detido para interrogatório desde a última semana, na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, por alegado envolvimento num ataque com drones cometido contra o atual presidente do país.

Para a Igreja Católica, é urgente clarificar tudo o que levou à detenção de Fernando Albán, cuja “integridade física”, recordam, estava “a cargo do Estado”, e também várias outras detenções que têm ocorrido, por intermédio das forças de segurança.

“Muitas destas detenções não têm qualquer fundamento legal e trazem a tragédia às famílias venezuelanas”, realçam os responsáveis católicos, que reforçam a sua “preocupação e indignação” com tudo o que está a acontecer na sociedade venezuelana.

“O povo está cansado da mesma retórica e das mesmas desculpas de sempre, e pouco a pouco está a tomar consciência de que este não é o melhor caminho para o seu desenvolvimento integral e para a sua felicidade”, salientam os bispos venezuelanos.

Os prelados alertam ainda que “acontecimentos tão lamentáveis como este”, da morte de Fernando Albán, “bem como de outros tantos onde é derramado o sangue dos venezuelanos”, acabam por “minar a confiança das pessoas” num futuro “de esperança”, pois representam “uma nova expressão de impotência, perante um regime de repressão”.

No mesmo comunicado, a Igreja Católica na Venezuela recorda Fernando Albán como um homem de “profundas convicções religiosas”, que tinha na “opção pela vida” e no “compromisso pelos mais pobres, nas paróquias que servia”, duas das principais linhas condutoras da sua ação, como político e também como cidadão.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já anunciou que irá conduzir uma investigação à morte de Fernando Albán, e a outros abusos que estejam a ser cometidos na Venezuela.

JCP

Partilhar:
Share