150 anos depois, «fazer o bem sempre» é um lema atual para Dominicanas de Santa Catarina de Sena e outras associações

Lisboa, 14 nov 2018 (Ecclesia) – As Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, o Município de Lisboa e a Junta de Freguesia de São Vicente homenagearam a Madre Teresa de Saldanha nos 150 anos do início da sua missão evangelizadora e defesa da dignidade humana.

Em declarações à Agência ECCLESIA, a irmã Rita Maria Nicolau afirmou que “fazer memória é muito importante”, justificando a colocação, na tarde desta terça-feira, de uma placa de homenagem que assinala o início da obra da religiosa portuguesa na fachada do n.º 5, na Calçada do Cascão, no Bairro de Alfama.

“[Madre Teresa de Saldanha] investiu aqui, fez uma escola, trabalhou imenso neste bairro, tem todo o sentido fazermos memória desse ato fundacional que foi há 150 anos”, assinalou a superiora-geral das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena.

A religiosa contextualizou no século XIX o bairro de Alfama era “muito pobre, muito populoso, cheio de crianças, cheio de fábricas e estava perto das prisões” o que “seria ótimo” para a ação das irmãs.

Há 150 anos, no dia 13 de novembro de 1868, Teresa de Saldanha deu início à missão evangelizadora da congregação e abriu uma escola para meninas pobres, a educação era uma preocupação porque “dois terços das mulheres em Portugal não sabiam ler, nem escrever”.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa destaca a enorme preocupação desta figura católica com a educação, em particular das mulheres, das jovens, das crianças, que, “desde muito cedo, viu condenadas a uma vida de trabalho excessivo, miséria, privação”.

“[Teresa de Saldanha] teve essa visão de ver na educação um elemento de cidadania, um elemento de saída da pobreza, ou evitar a pobreza, uma capacidade de construir cidadãos com mais recursos, com mais armas. O século XIX em Portugal, o início do século XX foram tempos muito difíceis no nosso país”, desenvolveu Fernando Medina, em declarações aos jornalistas.

Madre Teresa de Saldanha (1837-1916) foi a primeira mulher a fundar uma congregação em Portugal, após a extinção das ordens religiosas; hoje, as religiosas estão também em Angola, Albânia, Brasil, Moçambique, Paraguai e Timor-Leste, onde continuam o programa de “trabalhar na educação e promoção das crianças, sobretudo das mais pobres”.

A irmã Rita Maria Nicolau comenta que as vocações “não são tantas como há uns anos”, mas têm também “um ramo de voluntários e amigos de Teresa de Saldanha” que “continuam espalhados pelo mundo a fazer o bem”.

Voluntária há 12 anos, Maria Olímpia Castro assinala à Agência ECCLESIA, que se deve, cada vez mais, “pensar nos outros” que é “dedicar um pouco do seu tempo em prol dos outros, daqueles que necessitam, que precisam de uma ajuda”.

Fado, poesia e música com jovens do Externato de São José e do Lar Madre Teresa de Saldanha marcaram a sessão de homenagem antes da visita ao Núcleo de Apoio Local (NAL) que é gerido pela ‘Associação João 13’ que acolhe pessoas em condições de sem-abrigo.

O NAL, na mesma rua em Alfama, fica nas instalações de uma antiga Fábrica dos Botões onde Teresa de Saldanha ajudou raparigas dos doze aos 20 anos que trabalhavam 14 horas por dia que ali trabalhavam, não tinham estudos e vivam em situação de pobreza.

“São das boas coincidências ou das felizes coincidências. 150 anos depois aparecemos aqui a ajudar as pessoas sem-abrigo desta zona de Santa Apolónia. Foi uma bonita união continuarem os dominicanos a fazer o bem como a madre Teresa de Saldanha aqui fazia”, disse frei Filipe Rodrigues, fundador da ‘Associação João 13’.

A associação de solidariedade acolhe as pessoas em situação de “sem-abrigo e carenciadas” e “proporcionar o calor que teriam numa casa”, mas, “por circunstâncias da vida, não o têm na rua”.

Cerca de 40 utentes têm diariamente um “bom acolhimento”, roupa lavada, acesso a banhos, “jantar e pequeno-almoço”, de 120 voluntários.

“É uma ajuda prática dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede e vestir os nus, como Jesus nos ensina”, acrescentou o dominicano, realçando que querem “um envolvimento mais técnico” porque o objetivo é tirar as pessoas da rua.

Depois de visitar as instalações, conhecer voluntários e algumas pessoas ajudadas, Fernando Medina destacou o “papel notável” da ‘Associação João 13’ “em apoiar os seus semelhantes, aqueles que vivem numa situação de maior privação”, realçando, “sem dúvida”, a atenção aos mais excluídos como o faz o Papa Francisco.

Frei Filipe Rodrigues refere que é um serviço “muito na linha do Papa Francisco, e destaca ainda a “bonita coincidência” de terem nascido há quatro anos, “uma ou duas semanas antes do Papa ter posto os balneários no Vaticano”.

CB/OC

 

Lisboa: Presidente do município realça «capacidade de reconciliação e de união» do Papa Francisco pela dignidade humana

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou que o Papa Francisco tem sido alguém “com capacidade única de reconciliação e de união”, de crentes e não crentes, “em torno da dignidade da pessoa humana”.

“Certamente, o maior líder político e moral que o mundo tem neste momento e capaz de unir e ser referência para os crentes e também para aqueles que não são crentes”, disse Fernando Medina.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, há algo que “une” no Papa Francisco que é a “convicção” que transmite em se cuidar “da dignidade da pessoa humana”, no que isso “significa de concreto e de prático”.

Neste contexto, realçou que o Papa o “tem sido uma voz importantíssima” e destacou a sua batalha pela dignidade humana, “de combate às formas extremas de exclusão, de combate às políticas de exclusão e desvalorização” da pessoa humana.

“O Papa Francisco tem sido voz e referência que, a todos os títulos, quero sublinhar; não me tenho cansado de o referir como exemplo, num Estado laico”, explicou.

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