D. António Luciano Santos Costa, formado em enfermagem, quer ser sinal de uma Igreja atenta à «saúde integral das pessoas»

Foto: Francisco Barbeira/Jornal «A Guarda»

Guarda, 03 mai 2018 (Ecclesia) – O novo bispo de Viseu diz que vai abraçar sua nova missão com “força e ânimo”, consciente de que irá ao encontro de uma diocese que está “em caminho de renovação” depois de cinco anos de Sínodo.

Em entrevista hoje à Agência ECCLESIA, D. António Luciano dos Santos Costa adianta que recebeu a notícia da sua nomeação “com muita surpresa”, mas mostra-se pronto para encarar o desafio que agora terá pela frente.

“A minha vida tem sido uma escola, passando de patamar para patamar. Nestes momentos ficamos sempre perplexos, mas o Senhor é que é o pastor da vinha, nós apenas somos chamados a responder, imitando as suas virtudes”, salientou o prelado, de 66 anos.

Natural de Corgas, na freguesia de Sandomil, em Seia, no distrito da Guarda, D. António Luciano dos Santos Costa conta no seu currículo com uma grande diversidade de experiências.

Antes de iniciar o seu percurso de formação para o sacerdócio, em 1980, aquele responsável seguiu o curso de enfermagem e trabalhou nesta área, tendo pelo meio cumprido o serviço militar em Moçambique.

Já depois de ter sido ordenado sacerdote, em 1985, continuou a empenhar-se no setor da Saúde, como capelão e também como docente e investigador.

Apoiado em todo este percurso, o novo bispo de Viseu salienta que a missão da Igreja Católica no mundo deve ser antes de mais “sinal de salvação junto dos mais frágeis, dos doentes, dos débeis, de todos os que hoje precisam de ajuda”, numa atenção muito grande à “saúde integral das pessoas, como dizia São João Paulo II”.

“Sempre transmiti isso a toda a gente, dos doentes aos médicos, aos enfermeiros, ao pessoal auxiliar, alunos, sempre lhes disse que é preciso cuidar bem das pessoas, é preciso fazer o bem com dignidade, respeitando o outro, sendo tolerante, é preciso fazer esse bem no mundo de hoje para que o mundo seja melhor e seja diferente daquele que nós estamos a ver crescer, de uma forma às vezes tão desajustada”, sustentou.

D. António Luciano dos Santos Costa espera agora transportar consigo esta máxima para as comunidades que irá servir, depois de ter sido escolhido pelo Papa Francisco para suceder a D. Ilídio Leandro, que renunciou por motivos de saúde.

O novo bispo de Viseu quis antes de mais deixar “a sua fidelidade, obediência e gratidão ao Papa Francisco” e manifestar depois o desejo de continuar o trabalho que “D. Ilídio Leandro tem feito com mérito”, recordando o Sínodo diocesano que decorreu entre 2010 e 2015 na diocese viseense, que apontou um “caminho de renovação” e que agora “importa levar à prática”.

“O Sínodo que foi feito é importantíssimo e agora conto com a ajuda de todos, a começar pelo clero, pelos consagrados, por todos os mais empenhados na diocese, para o valorizar ainda mais”, apontou D. António Luciano dos Santos Costa, que destaca depois alguns dos desafios que a caminhada sinodal determinou.

Em primeiro lugar, a necessidade de uma resposta às interpelações da Família, num tempo marcado por várias interrogações, desde o aumento dos divórcios ao surgimento de cada vez mais novas configurações de família, dos casais do mesmo sexo, entre outras questões às quais a Igreja Católica é chamada a atender.

“Na Diocese de Viseu já se está a dedicar um biénio à temática da Família, e é isso que eu quero continuar a fazer, para o bem maior de toda a gente”, frisou o novo bispo.

Outra preocupação é abordar a “crise de vocações” sacerdotais e religiosas, que para D. António Luciano Santos Costa tem diretamente a ver também com “o trabalho que é necessário realizar junto das famílias”, pois as igrejas estão “cada vez mais vazias de jovens”.

À semelhança do que acontece com a Diocese da Guarda, tem na sua origem um problema mais abrangente, que é “a desertificação e baixa natalidade” que afeta o interior do país.

“Nós temos os padres que Deus nos dá, mas se calhar as famílias e todos nós devemos trabalhar mais para termos mais vocações. Precisamos de reler este chamamento e ver este mistério e dom da vocação para ele se tornar uma missão cada vez mais visível no mundo de hoje”, referiu o antigo responsável pelo Secretariado das Vocações e Pré-Seminário da Diocese da Guarda.

Na hora da despedida da Diocese da Guarda, o novo bispo de Viseu pede a Deus que “olhe com ternura para esta Igreja diocesana”.

O responsável faz questão de deixar também uma palavra de gratidão e reconhecimento a D. Manuel Felício, por todo o “apoio” que sempre lhe prestou, no âmbito da sua missão sacerdotal junto das comunidades daquela região.

Um “trabalho imenso”, como pároco de várias comunidades, como vigário episcopal para o clero, como diretor do departamento diocesano das missões, e mais recentemente como cónego da Sé da Guarda, mas que fez “com alegria” e sobretudo com sentido “amor ao povo de Deus”.

“Quero deixar uma palavra de muita gratidão também aos meus colegas padres, diáconos, seminaristas, e todos os agentes da pastoral. Aprendi sempre muito com eles e ajudaram-me muito. Um povo simples, humilde, mas ao mesmo tempo rico de fé e de esperança”, completou D. António Luciano Santos Costa.

A ordenação episcopal está marcada para o dia 17 de junho, às 16h00, na Sé da Guarda; o início da atividade pastoral como bispo de Viseu acontece a 22 de julho.

JCP

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