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    <title>Agência Ecclesia</title>
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    <description>Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal</description>
    <language>pt-pt</language>

    <copyright>Copyright 2009 Agência Ecclesia</copyright>

    <lastBuildDate>2010-9-2 17:22:44</lastBuildDate>
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      <title>Ag&#234;ncia Ecclesia</title>
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      <title>Confrontos em Maputo atrasam regresso de voluntários portugueses</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81300</link>
      <description> A situa&#231;&#227;o de conflito que decorre na capital mo&#231;ambicana, Maputo, est&#225; a atrasar o regresso de jovens volunt&#225;rios portugueses, confirmou &#224; ag&#234;ncia ECCLESIA a Irm&#227; Tassy Francisco, da Congrega&#231;&#227;o das Irm&#227;s Concepcionistas ao Servi&#231;o dos Pobres.
 "Eles tinham voo marcado para amanh&#227;, mas estamos a tentar adiar o regresso", explica a religiosa informando que os quatro jovens que se encontram em Gaza, na regi&#227;o de Manjacaze, t&#234;m necessariamente de passar por Maputo para regressar a Portugal.
 Os jovens encontram-se em seguran&#231;a e, afirma a Irm&#227; Tassy Francisco, "n&#227;o h&#225; motivo para preocupa&#231;&#245;es".
 Os confrontos entre a popula&#231;&#227;o de Maputo e a pol&#237;cia come&#231;aram esta Quarta feira devido ao aumento do pre&#231;o dos bens essenciais. Os tumultos registaram at&#233; ao momento sete v&#237;timas mortais e 288 feridos.</description>
      <pubDate>2010-09-02 15:56:05</pubDate>
      <category>Nacional</category>
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    <item>
      <title>Colômbia: Bispos lançam semana pela paz</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81299</link>
      <description> Come&#231;a no pr&#243;ximo dia 5, na Col&#244;mbia, a 17&#170; Semana pela Paz, uma iniciativa da Confer&#234;ncia Episcopal colombiana (CEC), em conjunto com o respectivo Secretariado da Pastoral Social, a C&#225;ritas e a Rede Paz.
 Durante sete dias, a Igreja do pa&#237;s vai caminhar sob o lema "Repara&#231;&#227;o Integral: porque nenhuma v&#237;tima est&#225; al&#233;m de mim".
 De acordo com dados veiculados pela Igreja cat&#243;lica colombiana, nos &#250;ltimos quarenta anos foram assassinadas no pa&#237;s cerca de meio milh&#227;o de pessoas e perto de outras 50 mil foram dadas como desaparecidas.
 Segundo uma nota de imprensa da CEC, a iniciativa "convoca todas as pessoas a reflectir sobre a realidade das v&#237;timas como via para a constru&#231;&#227;o da paz".
 O evento tem como pano de fundo cinco temas, que "v&#227;o marcar as reflex&#245;es das comunidades, grupos e par&#243;quias, ao longo desta semana", adianta a mesma nota.
 Verdade, justi&#231;a, perd&#227;o, comunh&#227;o com as v&#237;timas e reconcilia&#231;&#227;o s&#227;o os assuntos em destaque e que v&#227;o ser trabalhados at&#233; 12 de Setembro.</description>
      <pubDate>2010-09-02 15:38:03</pubDate>
      <category>Internacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>Algarve prepara participação no Encontro Nacional dos Convívios Fraternos</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81298</link>
      <description> Realiza-se um vez mais em F&#225;tima, nos pr&#243;ximos dias 11 e 12 de Setembro, o Encontro Nacional dos Conv&#237;vios Fraternos.
 A equipa dos Conv&#237;vios Fraternos da Diocese do Algarve est&#225; a organizar a desloca&#231;&#227;o dos participantes algarvios ao encontro, sendo que a partida ser&#225; feita de Faro, pelas 7h do dia 11 de Setembro, com passagem pelas 7.30h por Vale Para&#237;so (Ferreiras) para recolher os participantes do barlavento.
 A organiza&#231;&#227;o relembra que a iniciativa "pretende juntar de todo o pa&#237;s, aqueles que j&#225; participaram num Conv&#237;vio Fraterno" e que "&#233; sempre um avivar e testemunhar da F&#233; dos convivas, um espa&#231;o rico em partilha e sobretudo o encontro com Deus, por Maria".
 Mia informa&#231;&#245;es aqui.</description>
      <pubDate>2010-09-02 15:12:00</pubDate>
      <category>Nacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>«Bento XVI vai falar ao coração dos ingleses»</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81297</link>
      <description> A duas semanas da visita de Bento XVI ao Reino Unido, a Igreja inglesa encara a presen&#231;a do Papa como "um momento muito importante para a vida da f&#233;".
 D. Vincent Nichols, presidente da Confer&#234;ncia Episcopal de Inglaterra e Gales, declarou, em entrevista &#224; R&#225;dio Vaticano, que "espera a sua visita com alegria e com grande participa&#231;&#227;o" e classifica o Papa como um "respons&#225;vel elegante, cheio de respeito por todos, que ser&#225; recebido pelas pessoas com um entusiasmo crescente".
 O prelado espera que da visita surjam frutos ecum&#233;nicos, nomeadamente na rela&#231;&#227;o com a Igreja Anglicana.
 A este respeito, o antigo l&#237;der da Igreja Anglicana, arcebispo George Carey j&#225; disse, numa mensagem divulgada pela R&#225;dio Vaticano, que o "Bento XVI ser&#225; bem-vindo na Gr&#227;-Bretanha" sublinhando o papel positivo da Igreja Cat&#243;lica para a sociedade brit&#226;nica.
 O programa prev&#234; uma reuni&#227;o entre Bento XVI e Rowan Douglas Williams, actual Arcebispo de Cantu&#225;ria, "devido ao momento delicado que atravessam as rela&#231;&#245;es entre as duas Igrejas", refere D. Vincent Nichols. O segundo momento ser&#225; na Abadia de Westminster, onde o Papa ir&#225; rezar com todos os crist&#227;os desse pa&#237;s.
 "H&#225; cat&#243;licos de diversos ritos, h&#225; muitas Igrejas diferentes e v&#227;o todos estar juntos, nessa ora&#231;&#227;o da noite", acrescenta ainda o prelado, que ocupa tamb&#233;m o cargo de arcebispo de Westminster.
 Uma das principais iniciativas oficiais de Bento XVI, em terras brit&#226;nicas, ser&#225; a beatifica&#231;&#227;o do Cardeal Newman.
 D. Vincent Nichols classifica aquele acontecimento como "um momento hist&#243;rico por se tratar da primeira vez, em 500 anos, que uma pessoa &#233; beatificada sem ter sido m&#225;rtir".
 O arcebispo considera Newman como "uma figura importante na cultura inglesa" e a sua passagem da Igreja Anglicana para a Igreja romana foi "uma coisa maravilhosa o para seu tempo", acrescenta.
 "Newman tinha a capacidade de explicar o caminho da f&#233;. &#201; certamente uma figura importante, ao n&#237;vel da cultura e da educa&#231;&#227;o".
 Por todas estas raz&#245;es, "esta beatifica&#231;&#227;o &#233; muito importante", sustenta ainda D. Vincent Nichols.
 Sobre o programa da visita de Bento XVI, o Vaticano emitiu hoje um comunicado onde marca para dia 10 a revela&#231;&#227;o de mais pormenores sobre o evento, atrav&#233;s do respons&#225;vel pelo gabinete de comunica&#231;&#227;o da Santa S&#233;, o padre Federico Lombardi.</description>
      <pubDate>2010-09-02 14:41:08</pubDate>
      <category>Internacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>Bento XVI recebeu presidente de Israel e desejou «paz estável para a Terra Santa»</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81296</link>
      <description> Bento XVI recebeu hoje, dia 2, o Presidente do Estado de Israel Shimon Peres, num encontro que tamb&#233;m contou com a participa&#231;&#227;o do Secret&#225;rio de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone e do Secretario para as Rela&#231;&#245;es com os Estados, o arcebispo Dominique Mamberti.
 De acordo com uma nota da sala de imprensa do Vaticano, o encontro serviu para abordar a retoma das negocia&#231;&#245;es entre israelitas e palestinianos, hoje em Washington, tendo o Papa expressado o seu desejo de que &#171;ela ajude a conseguir um acordo condizente com as legitimas aspira&#231;&#245;es dos dois povos e que sirva para levar uma paz est&#225;vel &#225; Terra Santa e a toda a regi&#227;o&#187;.
 Sobre esta quest&#227;o, foi ainda reafirmada &#171;a condena&#231;&#227;o de toda a forma de viol&#234;ncia e a necessidade de garantir a todas as popula&#231;&#245;es da &#225;rea uma melhor condi&#231;&#227;o de vida&#187;.
 Bento XVI, Shimon Perez e os restantes respons&#225;veis presentes dedicaram ainda algum tempo &#224; quest&#227;o do di&#225;logo inter-religioso e lan&#231;aram um olhar ao contexto da sociedade de hoje.
 As rela&#231;&#245;es entre o Estado de Israel e a Santa S&#233;, assim como as existentes entre as autoridades estatais e as comunidades cat&#243;licas locais, foram tem&#225;ticas abordadas.
 A este n&#237;vel, destacou-se a presen&#231;a das comunidades cat&#243;licas na Terra Santa e o contributo que oferecem ao bem comum da sociedade, tamb&#233;m atrav&#233;s das escolas cat&#243;licas.
 Por fim, adianta a mesma nota &#171;os resultados alcan&#231;ados, at&#233; agora, pela comiss&#227;o bilateral de trabalho, empenhada desde h&#225; anos na elabora&#231;&#227;o de um Acordo relativo a quest&#245;es de car&#225;cter econ&#243;mico, entre Israel e Vaticano, permitem concluir que os objectivos ser&#227;o alcan&#231;ados em breve&#187;.
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      <pubDate>2010-09-02 13:37:49</pubDate>
      <category>Internacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>Carta Pastoral de D. António Marto «Chamados à Caridade»</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81295</link>
      <description> Car&#237;ssimos Diocesanos,
 Irm&#227;os e irm&#227;s em Cristo,
 A v&#243;s, gra&#231;a e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
 Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das miseric&#243;rdias e o Deus de toda a consola&#231;&#227;o. Ele nos consola em toda a nossa tribula&#231;&#227;o, para que tamb&#233;m n&#243;s possamos consolar aqueles que est&#227;o em qualquer tribula&#231;&#227;o, mediante a consola&#231;&#227;o que n&#243;s mesmos recebemos de Deus. (2 Cor 1, 2- 4)
 Com estas palavras do Ap&#243;stolo Paulo sa&#250;do-vos afectuosamente. Como ele, em uni&#227;o espiritual convosco, come&#231;o por abrir o cora&#231;&#227;o bendizendo a Deus pelos dons de consola&#231;&#227;o com que confortou a nossa Igreja diocesana ao longo do ano pastoral findo.
 Dons de consola&#231;&#227;o 
 Destaco apenas alguns mais significativos em que sobressa&#237;ram a beleza e a alegria de ser e sentir-se Igreja &#8212; Comunh&#227;o de fi&#233;is em Cristo e correspons&#225;veis na sua vitalidade: o retiro popular, durante a Quaresma, com a participa&#231;&#227;o de 6000 pessoas; os encontros de forma&#231;&#227;o, em cada vigararia, para os membros dos conselhos pastorais e econ&#243;micos das par&#243;quias, que abrangeram 1500 colaboradores; o culminar do ano pastoral com a "Festa da F&#233;: Rosto(s) da Igreja diocesana". Este evento suscitou uma ades&#227;o popular surpreendente e deu visibilidade ao rosto da nossa Igreja na variedade das suas comunidades, dos seus movimentos, grupos e servi&#231;os. Foi uma verdadeira festa da f&#233; que irradiou alegria, comunh&#227;o e fraternidade na cidade dos homens.
 N&#227;o posso deixar de referir as celebra&#231;&#245;es da abertura e do encerramento do Ano Sacerdotal, com a evoca&#231;&#227;o de figuras exemplares de sacerdotes que pertenceram ao presbit&#233;rio diocesano. Ajudaram, sem d&#250;vida, a redescobrir o dom do sacerd&#243;cio para a beleza e sa&#250;de espiritual da Igreja e do mundo; a refor&#231;ar a fraternidade entre os padres; a cuidar das voca&#231;&#245;es sacerdotais. Considero uma verdadeira gra&#231;a do Ano Sacerdotal a ordena&#231;&#227;o de um di&#225;cono e a entrada de seis novos seminaristas para o nosso Semin&#225;rio Maior.
 Como momento culminante lembro a inesquec&#237;vel peregrina&#231;&#227;o do Santo Padre a F&#225;tima que nos trouxe um novo &#226;nimo &#224; f&#233; e nos fez sentir Igreja viva, alegre e mission&#225;ria.
 O percurso pastoral 
 Seguindo o percurso tra&#231;ado pelo S&#237;nodo diocesano iniciamos agora um novo bi&#233;nio voltado para a miss&#227;o e o testemunho da Igreja e dos crist&#227;os no mundo, sob o lema t&#227;o apelativo: "O servi&#231;o &#224; pessoa &#233; o caminho da Igreja".
 Este ano pastoral &#233; dedicado &#224; caridade e &#224; ac&#231;&#227;o s&#243;cio-caritativa. Vem na continuidade dos anos precedentes dedicados ao acolhimento, &#224; voca&#231;&#227;o crist&#227;, &#224; revitaliza&#231;&#227;o da f&#233; e &#224; comunh&#227;o e corresponsabilidade na Igreja. A caridade engloba os temas anteriores, inspira-os e &#233; como o seu coroamento, fazendo-os amadurecer e frutificar.
 "Partindo da comunh&#227;o dentro da Igreja, a caridade abre-se, por sua natureza, ao servi&#231;o universal, frutificando no compromisso dum amor activo e concreto por cada ser humano. Esta dimens&#227;o caracteriza, de modo igualmente decisivo, a vida crist&#227;, o estilo eclesial e a programa&#231;&#227;o pastoral. &#201; de esperar que o s&#233;culo e o mil&#233;nio que est&#227;o a come&#231;ar vejam, de modo ainda mais eficaz, o grau de dedica&#231;&#227;o a que pode levar a caridade para com os mais pobres" (NMI n. 49).
 De facto, como dizia Santo Ant&#243;nio, "a caridade &#233; a alma da f&#233;, torna-a viva. Sem o amor, a f&#233; morre". Al&#233;m disso, ela &#233; a alma da miss&#227;o evangelizadora da Igreja: &#233; o modo mais belo, mais atraente e mais cred&#237;vel de comunicar o Evangelho.
 A caridade, em todas as suas formas, &#233; o testemunho supremo que podem dar os crentes num Deus-Amor. Ela representa o resplendor da vida crist&#227; e eclesial: faz resplandecer a Beleza do Amor divino que sustenta e salva o mundo. "S&#243; a caridade salvar&#225; o mundo", era o programa de S. Lu&#237;s Orione, recentemente canonizado. A caridade e a pastoral s&#243;cio-caritativa s&#227;o a express&#227;o do amor misericordioso e libertador de Deus, o sinal mais cred&#237;vel para dizer quem &#233; Deus, Deus Amor, e o que Ele quer de n&#243;s. Viver a caridade toca pois, profundamente, a qualidade da vida e da miss&#227;o da Igreja e das comunidades crist&#227;s.
 Para este Ano Pastoral propomo-nos tr&#234;s objectivos: redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da exist&#234;ncia crist&#227;, pessoal e comunit&#225;ria; desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do servi&#231;o aos irm&#227;os; repensar e reorganizar os servi&#231;os s&#243;cio-caritativos nas comunidades crist&#227;s.
 Como lema b&#237;blico escolhemos uma frase de Jesus extra&#237;da do seu discurso de despedida na &#218;ltima Ceia: "Como eu vos fiz, fazei v&#243;s tamb&#233;m" (Jo 13, 15). E como s&#237;mbolo escolhemos precisamente o &#237;cone do "lava p&#233;s" dos Ap&#243;stolos, onde se encontra a frase citada, a evocar o gesto de Jesus como fonte, modelo e sentido de todo o servi&#231;o de caridade.
 1. ROSTOS DE POBREZA NO CEN&#193;RIO DO MUNDO
 Atrav&#233;s dos meios de comunica&#231;&#227;o social tornamo-nos hoje cada vez mais conscientes de quanto se sofre no mundo. Quer se trate da sociedade no seu conjunto, da fam&#237;lia ou da situa&#231;&#227;o interior de cada pessoa, deparamos com as noites da dor humana, das solid&#245;es do mundo, de todas as fragilidades e necessidades que clamam por aten&#231;&#227;o, ajuda e apoio.
 O fen&#243;meno da globaliza&#231;&#227;o faz emergir novos e m&#250;ltiplos rostos da pobreza. De facto, "a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n&#227;o nos faz irm&#227;os" (CV n. 19). Vamos contemplar brevemente os rostos da pobreza em tr&#234;s cen&#225;rios.
 1.1. O cen&#225;rio socioecon&#243;mico
 O actual cen&#225;rio do mundo &#233; de crise socioecon&#243;mica com consequ&#234;ncias tremendas a v&#225;rios n&#237;veis. Estamos perante paradoxos que denunciam um "mal-estar de civiliza&#231;&#227;o": aumenta a riqueza mas crescem as desigualdades; aumenta a produ&#231;&#227;o mas morre-se de fome; aumenta o consumismo mas sobem os &#237;ndices de infelicidade.
 Uma breve amostra estat&#237;stica, a n&#237;vel mundial, revela-nos como a situa&#231;&#227;o &#233; clara e arrepiante: 1.300 milh&#245;es de pessoas vivem com menos de um d&#243;lar por dia; 20% da popula&#231;&#227;o mundial absorve 82% dos recursos mundiais enquanto 80% da popula&#231;&#227;o disp&#245;e apenas de 18%. Segundo dados da FAO, em cada dia, no mundo, morrem &#224; fome cerca de 36.500 crian&#231;as. Por ano s&#227;o 13 milh&#245;es de v&#237;timas inocentes! As desigualdades s&#227;o demasiado grandes e gritantes.
 Entre n&#243;s, 18% da popula&#231;&#227;o vive em situa&#231;&#227;o de pobreza. O desemprego &#233; um flagelo e uma das causas prim&#225;rias da exclus&#227;o social. Hoje, a injusti&#231;a, a pobreza, a fome e a exclus&#227;o social s&#227;o uma interpela&#231;&#227;o humana que brada aos c&#233;us.
 Este cen&#225;rio p&#245;e-nos diante da pobreza relativa &#224;s necessidades materiais: alimenta&#231;&#227;o, vestu&#225;rio, sa&#250;de, casa, trabalho, recursos econ&#243;micos. &#201; talvez a pobreza que conhecemos melhor e que atinge fam&#237;lias inteiras.
 1.2. O cen&#225;rio cultural
 A crise econ&#243;mica n&#227;o explica o amplo leque de situa&#231;&#245;es de fragilidade e de precariedade, muitas vezes camufladas e escondidas, presentes na nossa sociedade.
 Ainda se nota uma grande sensibilidade e solidariedade para com as v&#237;timas das grandes calamidades. Mas a cultura dominante do nosso quotidiano est&#225; muito marcada pelo individualismo calculista. "Pensa em ti" &#233; a advert&#234;ncia que ouvimos desde pequenos. A defesa de si mesmo, dos pr&#243;prios interesses e do pr&#243;prio dinheiro &#233;, tantas vezes, a primeira e, porventura, a &#250;nica preocupa&#231;&#227;o de muitos. Uma cultura que quer contabilizar tudo e deseja que tudo seja pago perde o sentido do dom, do servi&#231;o aos outros, da solidariedade, e gera marginaliza&#231;&#227;o.
 A nossa sociedade tornou-se uma rede mundial de possibilidades de comunica&#231;&#227;o. No entanto, o ritmo estressante e a superficialidade da vida tornam dif&#237;cil o verdadeiro encontro pessoal, o acolhimento, a aten&#231;&#227;o, a presen&#231;a aos outros, a comunica&#231;&#227;o profunda, que atinge o pr&#243;prio ambiente familiar.
 "Uma das pobrezas mais profundas que o homem pode experimentar &#233; a solid&#227;o" (CV n. 53), que, por vezes, leva ao desespero. Por falta de amor morre-se, chega-se a desejar e programar a morte.
 Este cen&#225;rio p&#245;e-nos diante da pobreza relativa &#224;s necessidades relacionais: a solid&#227;o, o abandono, a indiferen&#231;a, o esquecimento que afectam particularmente os s&#243;s, os idosos, os doentes, os portadores de defici&#234;ncia, os sem abrigo, os migrantes...
 1.3. O cen&#225;rio do cora&#231;&#227;o humano
 Todas estas fragilidades se repercutem no cora&#231;&#227;o humano, no &#237;ntimo das pessoas. Estar s&#243;s, privados de afecto, de companhia, de ajuda e solidariedade leva o ser humano &#224; desola&#231;&#227;o, &#224; infelicidade. Este aspecto acentua-se, hoje, por uma determinada cultura vazia de grandes ideais, de valores, de espiritualidade e de f&#233;, o que leva o indiv&#237;duo a fechar-se no seu pequeno mundo e a gozar o momento presente. Isto provoca crises de interioridade, a perda de confian&#231;a na vida, o medo do futuro e uma quebra da fraternidade e da compaix&#227;o.
 Este cen&#225;rio p&#245;e-nos diante da pobreza moral e espiritual que est&#225; na raiz de muitas fragilidades da vida pessoal e social, e se manifesta em formas de perturba&#231;&#245;es ps&#237;quico-espirituais, em depress&#245;es e em processos de autodestrui&#231;&#227;o na droga, no &#225;lcool e na viol&#234;ncia.
 Em s&#237;ntese, o problema central que atormenta a vida de muitos e da sociedade, neste cen&#225;rio do mundo, &#233; a falta de amor. Di-lo bem a Madre Teresa de Calcut&#225;: "A pior doen&#231;a do Ocidente de hoje n&#227;o &#233; a tuberculose ou a lepra, mas o n&#227;o sentir-se amados e desejados, o sentir-se abandonados. A medicina pode curar as doen&#231;as do corpo, mas a &#250;nica cura para a solid&#227;o, o desespero e a falta de perspectivas, &#233; o amor. H&#225; numerosas pessoas no mundo que morrem porque n&#227;o t&#234;m sequer um peda&#231;o de p&#227;o; mas um n&#250;mero ainda maior morre por falta de amor".
 1.4. Para uma caridade mais criativa
 Perante os desafios do cen&#225;rio tra&#231;ado compreendemos o apelo de Jo&#227;o Paulo II a "uma nova fantasia da caridade", isto &#233;, uma caridade mais criativa face &#224;s novas interpela&#231;&#245;es. Mas ainda tem sentido falar de caridade, hoje? N&#227;o seria mais pr&#243;prio falar de justi&#231;a?
 Antes de mais, conv&#233;m esclarecer que a caridade n&#227;o se reduz a dar uma esmola ou a prestar uma ajuda ou assist&#234;ncia. &#201; muito mais que isso. A caridade &#233;, ao mesmo tempo, rela&#231;&#227;o, doa&#231;&#227;o e servi&#231;o de amor concreto a todo o ser humano necessitado de ajuda. Assim entendida, engloba, inspira e anima o empenho pela justi&#231;a na sociedade. Trata-se da "caridade social ou pol&#237;tica", de que nos ocuparemos no pr&#243;ximo ano.
 Paulo VI afirmava que "a justi&#231;a &#233; a medida m&#237;nima da caridade". A caridade n&#227;o substitui a justi&#231;a. Por sua vez, a justi&#231;a nunca poder&#225; tornar sup&#233;rfluo o amor de proximidade como rela&#231;&#227;o, servi&#231;o, partilha, apoio concreto e consola&#231;&#227;o ao pr&#243;ximo, &#224;quele que sofre, sobretudo aos pobres e desprotegidos. &#201; desta "caridade de proximidade", enquanto actividade organizada da comunidade crist&#227;, que tratamos aqui como testemunho do Evangelho, que faz crescer a cultura da solidariedade e contribui para a civiliza&#231;&#227;o do amor.
 2. DE DEUS-AMOR AO AMOR DO PR&#211;XIMO
 A beleza e a riqueza da caridade crist&#227; s&#243; se compreendem plenamente a partir do mist&#233;rio de Deus-Amor que se torna vis&#237;vel e pr&#243;ximo nas palavras e nos gestos de Jesus para contagiar os nossos cora&#231;&#245;es e os nossos dias. O que os Ap&#243;stolos viram e tocaram era o amor de Deus descido &#224; terra: Jesus. E foi de tal modo extraordin&#225;rio que, para dizer ao mundo este novo amor, viram-se obrigados a encontrar uma palavra grega ent&#227;o raramente usada: &#225;gape, isto &#233;, caridade. Este voc&#225;bulo passou ent&#227;o a designar o pr&#243;prio Deus (Deus &#233; Amor); o amor gratuito, terno, compassivo e misericordioso de Deus aos homens; o amor do homem a Deus e o amor do homem para com o seu semelhante.
 Assim, vamos contemplar esta beleza da caridade em tr&#234;s passagens do Evangelho, que formam um tr&#237;ptico sobre o mesmo tema.
 2.1. O &#205;cone do Lava-P&#233;s (Jo 13, 1-17): Como eu vos fiz, fazei v&#243;s tamb&#233;m
 &#201; um texto caracter&#237;stico da Quinta-Feira Santa. Pertence ao discurso do adeus de Jesus, na &#218;ltima Ceia, em que Ele nos deixou o seu testamento.
 "... Amou-os at&#233; ao fim"
 A frase de abertura ilumina e d&#225; sentido a todas as palavras e gestos de Jesus na &#218;ltima Ceia: "Jesus, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at&#233; ao fim".
 Com estas palavras t&#227;o solenes, o evangelista introduz-nos na "hora" da morte e ressurrei&#231;&#227;o de Jesus, como express&#227;o m&#225;xima e total do seu amor. &#201; neste contexto que devemos captar o significado e o alcance do lava-p&#233;s.
 "Compreendestes o que eu vos fiz?"
 Estamos diante de um gesto simb&#243;lico e prof&#233;tico, "subversivo" e provocador. &#201; o pr&#243;prio Jesus que o explica: Ele assume a forma de servo (o Servo dos servos) invertendo a rela&#231;&#227;o normal entre o Mestre e os disc&#237;pulos. Neste gesto resume todo o seu mist&#233;rio, o essencial da sua vida, da sua miss&#227;o e paix&#227;o. Toda a sua vida foi um servi&#231;o de doa&#231;&#227;o e entrega de amor e por amor at&#233; ao fim.
 Al&#233;m disso, neste epis&#243;dio contemplamos a revela&#231;&#227;o desconcertante de um Deus ao servi&#231;o do homem por amor. Sim, Deus inclina-se e ajoelha-se aos p&#233;s do homem, em atitude humilde, inclusive diante do seu inimigo que &#233; Judas. As m&#227;os de Jesus s&#227;o a extens&#227;o das m&#227;os do Pai que nos lava no seu Amor para nos purificar do ego&#237;smo e nos tornar participantes da sua comunh&#227;o de vida e do seu pr&#243;prio amor: "Se n&#227;o te lavar os p&#233;s, n&#227;o ter&#225;s parte comigo".
 "Como eu vos fiz, fazei v&#243;s tamb&#233;m."
 Da rela&#231;&#227;o entre o Mestre e os disc&#237;pulos, Jesus passa &#224; rela&#231;&#227;o entre os pr&#243;prios disc&#237;pulos: "Dei-vos o exemplo: como eu vos fiz, fazei v&#243;s tamb&#233;m...Tamb&#233;m v&#243;s deveis lavar os p&#233;s uns aos outros". Em concreto, significa estar ao servi&#231;o uns dos outros sem reservas e sem desejos de poder; a nossa disponibilidade para os outros em atitude de doa&#231;&#227;o, aprendendo pouco a pouco o modo de ser e viver de Jesus. O lava-p&#233;s faz-nos sentir amados e capazes de amar!
 "Dou-vos um mandamento novo..." 
 Compreendemos assim as palavras que Jesus dirige, de seguida, aos disc&#237;pulos e a todos n&#243;s: "Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos tamb&#233;m v&#243;s uns aos outros. Nisto reconhecer&#227;o que sois meus disc&#237;pulos" (Jo 13, 34).
 O "mandamento novo" n&#227;o consiste numa norma nova e dif&#237;cil. A novidade &#233; o dom que nos introduz no pr&#243;prio amor de Cristo que se torna o fundamento e a fonte permanente do amor rec&#237;proco. Este passa a ser o sinal distintivo da identidade do crist&#227;o e da comunidade crist&#227;. "O amor em abstracto nunca ter&#225; for&#231;a no mundo se n&#227;o lan&#231;a as suas ra&#237;zes em comunidades concretas, constru&#237;das sobre o amor fraterno" (Bento XVI).
 Deste modo, Jesus funda a Igreja no Amor, constitui-a comunidade de amor e servi&#231;o, tra&#231;a a sua miss&#227;o no mundo e indica o sinal da credibilidade crist&#227;.
 2.2. O &#205;cone do Bom Samaritano ( Lc 10, 25-37): Vai e faz o mesmo tu tamb&#233;m
 A par&#225;bola do Bom Samaritano &#233; uma aut&#234;ntica p&#233;rola do Evangelho. Indica-nos como viver no mundo e no dia-a-dia o amor que Deus derrama nos nossos cora&#231;&#245;es. Mostra-nos o caminho do amor que Jesus percorreu em primeiro lugar, Ele, o Bom Samaritano por excel&#234;ncia.
 O homem "meio morto"
 No homem assaltado, espancado e abandonado entra a vida e a morte, podemos ler a hist&#243;ria da humanidade sofredora: do ser humano com todas as feridas do corpo e do esp&#237;rito que desfiguram a sua humanidade; de todo o homem e mulher atingidos pela viol&#234;ncia, pela indiferen&#231;a, pelo abandono, pelo desamparo, pela solid&#227;o e marginaliza&#231;&#227;o.
 "Viu-o e encheu-se de compaix&#227;o"
 Antes de descrever os gestos concretos com que o samaritano cuida do homem moribundo, a par&#225;bola diz: "Viu-o e encheu-se de compaix&#227;o", ou mais &#224; letra, "comoveu-se at&#233; &#224;s entranhas". Esta palavra "como&#231;&#227;o" &#8212; que na B&#237;blia designa o amor entranhado e compassivo de Deus para com os homens &#8212; descreve o acontecimento misterioso que brotou no cora&#231;&#227;o do samaritano, que o atraiu para dentro do amor entranhado de Deus e o envolveu na sua profundidade e totalidade; que lhe abriu os olhos, o levou a fazer-se pr&#243;ximo do homem ferido e a cuidar dele.
 Um cora&#231;&#227;o que v&#234; e actua 
 &#192; compaix&#227;o de Deus est&#225; ligada uma nova forma de ver: um cora&#231;&#227;o que v&#234;! "Jesus Cristo n&#227;o nos ensina uma m&#237;stica 'dos olhos fechados', mas sim uma m&#237;stica do 'olhar aberto'; e, com isso, o dever de perceber a condi&#231;&#227;o dos outros, a situa&#231;&#227;o em que se encontra aquele homem que, segundo o Evangelho, &#233; o nosso pr&#243;ximo. O olhar de Jesus, a escola dos olhos de Jesus introduz numa proximidade humana, na solidariedade, na partilha do tempo, dos dotes e tamb&#233;m dos dons materiais" ( Bento XVI).
 "Trata bem dele"
 O samaritano cuidou daquele homem abandonado com gestos de ajuda concreta para o restabelecer. Nestes gestos deu-se a si mesmo. Verificando que por si s&#243; n&#227;o o podia ajudar at&#233; ao fim, compreendeu que era necess&#225;rio o envolvimento dos outros, a sua colabora&#231;&#227;o, a ajuda solid&#225;ria e eficaz. Confia o homem ferido ao cuidado do dono da estalagem: "trata bem dele...". Assim, comunica tamb&#233;m aos outros a compaix&#227;o pelo outro.
 "Qual te parece ter sido o pr&#243;ximo?"
 No di&#225;logo com o doutor da Lei vem ao de cima a novidade introduzida por Jesus: o pr&#243;ximo &#233; aquele que se faz pr&#243;ximo daquele que precisa de ajuda. Pr&#243;ximo n&#227;o &#233; o nome do outro, do homem meio morto; &#233; o nome do samaritano, o nome de todo o homem que se aproxima, com a compaix&#227;o de Deus, dos pobres e abandonados, e actua.
 "Vai e faz o mesmo tu tamb&#233;m"
 Eis o convite e o mandato a tornar-se pr&#243;ximo no amor, na aten&#231;&#227;o, no cuidado, na partilha e no servi&#231;o a todo o ser humano. Eis a miss&#227;o da Igreja samaritana da humanidade, enviada ao mundo, a cada ser humano e a cada povo, para levar a compaix&#227;o, a dignidade e a esperan&#231;a dos filhos de Deus. Como diz Bento XVI: "O programa do crist&#227;o &#8212; o programa do Bom Samaritano, o programa de Jesus &#8212; &#233; 'um cora&#231;&#227;o que v&#234;' onde h&#225; necessidade de amor e actua em consequ&#234;ncia" (DCE n. 31).
2.3. O &#205;cone do Ju&#237;zo Universal ( Mt 25, 31-46): ...Foi a mim mesmo que o fizestes.
 Na hist&#243;ria da espiritualidade crist&#227;, dificilmente encontramos um texto que tenha suscitado um fasc&#237;nio t&#227;o grande como este discurso de Jesus sobre o Ju&#237;zo Universal.
 N&#227;o estamos perante uma reportagem de tipo jornal&#237;stico sobre o fim do mundo e o ju&#237;zo final. Trata-se do discurso conclusivo de Jesus para mostrar que a dimens&#227;o do amor do pr&#243;ximo est&#225; no centro do Reino de Deus, que foi apresentado ao longo do Evangelho. Esse amor ao pr&#243;ximo joga um papel decisivo nas op&#231;&#245;es de cada um em rela&#231;&#227;o a Cristo. Esta mensagem &#233;-nos apresentada numa cena grandiosa, cheia de elementos simb&#243;licos: a convoca&#231;&#227;o de todos os povos diante de Cristo, Pastor da humanidade, Senhor e Juiz da hist&#243;ria.
 "Tive fome e destes-me de comer..."
 Esta p&#225;gina evang&#233;lica diz-nos que, no final, todos seremos julgados pelo amor. A grande surpresa dos "julgados" &#233; precisamente o crit&#233;rio do exame ou ju&#237;zo: "Tive fome e destes-me de comer ... Senhor, quando foi que te vimos com fome...?". O crit&#233;rio do ju&#237;zo &#233; o amor manifestado nas obras de miseric&#243;rdia.
 "Foi a mim mesmo que o fizestes"
 Contudo, a grande novidade do texto &#233; que Cristo se identifica com aqueles que passam fome, sede, nudez, doen&#231;a, pris&#227;o... "Sempre que fizestes isto a um destes meus irm&#227;os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes". J&#225; n&#227;o se pode separar Cristo dos necessitados, dos pobres. O que se faz de bem a eles, &#233; ao pr&#243;prio Cristo que se faz. N&#227;o os servindo, n&#227;o se serve a Cristo. Jesus &#233; amado no amor de uns pelos outros.
 Nesta passagem, Jesus enumera as obras de miseric&#243;rdia. A salva&#231;&#227;o ou a ru&#237;na passam por estes pequenos/grandes gestos quotidianos. Todos podemos percorrer o caminho das obras de miseric&#243;rdia, actualizando-as nos dias de hoje. Elas s&#227;o os sinais postos no caminho do amor.
 Sintetizando, podemos concluir com um belo texto do Papa Bento XVI: "A caridade &#233; o distintivo do crist&#227;o. &#201; a s&#237;ntese de toda a sua vida: do que cr&#234; e do que faz. &#201; a luz que d&#225; bondade e beleza &#224; exist&#234;ncia de cada homem. &#201; o comportamento de quem responde ao amor de Deus e faz da pr&#243;pria vida um dom de si a Deus e ao pr&#243;ximo. &#201; o caminho da santidade. A vida dos santos, de cada santo, &#233; um hino &#224; caridade, um c&#226;ntico vivo ao amor de Deus"!
 3. A IGREJA, CASA E ESCOLA DA CARIDADE
 Chegados aqui vamos tirar algumas conclus&#245;es de ordem pr&#225;tica que sirva de orienta&#231;&#227;o &#224; programa&#231;&#227;o da pastoral s&#243;cio-caritativa.
 Antes de mais, a caridade &#233; uma componente fundamental da vida e da miss&#227;o da Igreja, de cada comunidade crist&#227; e de cada fiel crist&#227;o, tal como o s&#227;o o an&#250;ncio do Evangelho e a celebra&#231;&#227;o dos Sacramentos da Gra&#231;a. A Igreja vive da caridade: anuncia-a, celebra-a e testemunha-a.
 A caridade deveria pois tornar-se o estilo habitual de viver da comunidade crist&#227;, a sua linguagem quotidiana, o modo com que ela se aproxima de cada pessoa, a marca de todo o itiner&#225;rio catequ&#233;tico, a forma que deve caracterizar toda a rela&#231;&#227;o, a atitude com que se exerce cada minist&#233;rio e servi&#231;o. De resto, ela &#233; uma linguagem universal que n&#227;o precisa de int&#233;rpretes. Desde sempre a Igreja anunciou o Evangelho com os gestos da caridade.
 "O amor do pr&#243;ximo, radicado no amor de Deus, &#233; um dever antes de mais para cada um dos fi&#233;is, mas &#233;-o tamb&#233;m para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus n&#237;veis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, at&#233; &#224; Igreja universal na sua globalidade. A Igreja tamb&#233;m enquanto comunidade deve praticar o amor" (DCE n. 20). A comunidade crist&#227;, no seu conjunto, &#233; portanto sujeito da caridade e esta n&#227;o &#233; deleg&#225;vel a um grupo de boa vontade, a uma institui&#231;&#227;o social ou a especialistas na mat&#233;ria.
 Assim, a primeira preocupa&#231;&#227;o de cada comunidade dever&#225; ser a de sensibilizar, educar e formar todos os seus membros para a viv&#234;ncia e o testemunho da caridade. Como? Nas indica&#231;&#245;es que seguem propomos um itiner&#225;rio de forma&#231;&#227;o e de ac&#231;&#227;o.
 3.1. Cultivar a espiritualidade do dom, da partilha e do servi&#231;o
 A caridade crist&#227;, como nos ensina S. Paulo (cf 1 Cor 13), exprime-se antes de mais em orienta&#231;&#245;es profundas da pessoa humana. N&#227;o &#233; uma mera filantropia. O motivo principal do agir deve ser sempre o amor de Cristo derramado nos nossos cora&#231;&#245;es. A caridade &#233;, ent&#227;o, mais do que uma simples actividade de ajuda; &#233; rela&#231;&#227;o e dom de si na partilha e no servi&#231;o. Este dom deve ser humilde, liberto de qualquer sentido de superioridade. A sua for&#231;a vem do alto. Como viver pois a caridade sem alimentar a sua chama interior na Palavra, na ora&#231;&#227;o e na medita&#231;&#227;o?
 O amor evang&#233;lico exige um trabalho delicado no cora&#231;&#227;o de cada um de n&#243;s: um verdadeiro itiner&#225;rio espiritual que requer a escuta da Palavra de Deus, um exerc&#237;cio paciente de convers&#227;o dos pensamentos, sentimentos, comportamentos e reac&#231;&#245;es, uma purifica&#231;&#227;o do ego&#237;smo e comodismo, uma grande disponibilidade ao amor pelos mais fr&#225;geis, uma generosa capacidade de partilha, uma participa&#231;&#227;o mais calorosa e atenta na vida da comunidade. &#201; indispens&#225;vel um fervor espiritual que nos pode contagiar na familiaridade com a vida dos santos.
 Para ajudar a cultivar esta espiritualidade continuaremos, como nos anos anteriores, a propor o Retiro para o Povo de Deus, durante a Quaresma, sob a forma de uma breve "Leitura orante da Palavra de Deus" (lectio divina), acompanhada pelo testemunho da vida de alguns santos e de outros exemplos luminosos da caridade. Pe&#231;o aos p&#225;rocos que se empenhem com toda a paix&#227;o na divulga&#231;&#227;o, no incentivo e na prepara&#231;&#227;o adequada e atempada deste retiro para que possa produzir muitos frutos.
3.2. O testemunho do amor fraterno
 O primeiro testemunho &#233; o do amor fraterno dentro da comunidade crist&#227;. Sem um estilo de fraternidade, de proximidade, de cuidado das rela&#231;&#245;es entre as pessoas, os grupos e os movimentos, a comunidade n&#227;o irradia o Evangelho da caridade, n&#227;o realizar&#225; a sua miss&#227;o. Jesus afirma que reconhecer&#227;o os seus disc&#237;pulos pelo amor rec&#237;proco. &#201; preciso que as nossas comunidades d&#234;em exemplo de rela&#231;&#245;es pessoais sinceras, acolhedoras, pacientes, reconciliadoras. S&#243; assim se tornar&#227;o testemunho e profecia da caridade.
 Sem o cuidado das rela&#231;&#245;es fraternas, a comunidade assemelha-se a uma pequena ou m&#233;dia empresa que funciona mais ou menos, onde as presta&#231;&#245;es e os balan&#231;os contam mais do que as rela&#231;&#245;es. Ora a Igreja n&#227;o nasceu como uma empresa, mas sim como uma fam&#237;lia, onde o que conta &#233; a aten&#231;&#227;o &#224;s pessoas e a rela&#231;&#227;o fraterna.
 3.3. O testemunho de proximidade aos mais vulner&#225;veis e aos mais pobres
 A dedica&#231;&#227;o e o apoio &#224; pessoa do irm&#227;o necessitado s&#227;o um aspecto irrenunci&#225;vel da caridade, particularmente para com os mais vulner&#225;veis e os mais pobres, os que s&#227;o abandonados at&#233; ao limite da resist&#234;ncia porque n&#227;o conseguem fazer-se ouvir. "O amor preferencial pelos pobres &#233; uma dimens&#227;o necess&#225;ria do ser crist&#227;o e do servi&#231;o do Evangelho"(EE n. 86).
 Trata-se, antes de mais, de abrir os olhos e o cora&#231;&#227;o para tomar consci&#234;ncia das pessoas que vivem uma situa&#231;&#227;o de necessidade; para aprender a reconhecer as pobrezas com que muitas vezes se convive na maior indiferen&#231;a; para identificar e partilhar as diversas situa&#231;&#245;es de fragilidade. Penso em concreto nos doentes, nos idosos, nos s&#243;s, nos portadores de defici&#234;ncia e seus familiares, nas v&#237;timas da crise econ&#243;mica, nos sem abrigo, nos migrantes, nos ciganos, nas situa&#231;&#245;es de viol&#234;ncia dom&#233;stica e de depend&#234;ncia da droga ou do &#225;lcool. 
 Torna-se pois necess&#225;rio que cada comunidade trace um quadro o mais completo poss&#237;vel das diversas formas de pobreza e de fragilidade que existem no seu meio e verifique as possibilidades, os meios e os modos de actua&#231;&#227;o.
 3.4. A caridade no itiner&#225;rio da inicia&#231;&#227;o crist&#227;
 Ser iniciado &#224; f&#233; implica necessariamente ser iniciado ao amor fraterno. Ent&#227;o h&#225; que fazer da caridade uma componente indispens&#225;vel da catequese, de modo a proporcionar &#224;s crian&#231;as e aos adolescentes a aprendizagem da capacidade de doa&#231;&#227;o, de partilha e de servi&#231;o. Esta aprendizagem deveria tornar-se pr&#225;tica habitual para os crismandos atrav&#233;s de experi&#234;ncias concretas &#8212; bem preparadas, acompanhadas e orientadas &#8212;, de visita e at&#233; de servi&#231;o a institui&#231;&#245;es que cuidam dos mais vulner&#225;veis.
 3.5. A Eucaristia, Sacramento da Caridade
 Outro momento de inicia&#231;&#227;o &#224; caridade e fonte permanente do seu dinamismo &#233; a celebra&#231;&#227;o da Eucaristia. Nela "Jesus faz de n&#243;s testemunhas da compaix&#227;o de Deus por cada irm&#227;o e irm&#227;; nasce assim, &#224; volta do mist&#233;rio eucar&#237;stico, o servi&#231;o da caridade para com o pr&#243;ximo, que consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que n&#227;o me agrada ou nem sequer conhe&#231;o. (...) Ent&#227;o aprendo a ver aquela pessoa j&#225; n&#227;o somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. Desta forma, nas pessoas que contacto reconhe&#231;o irm&#227;os e irm&#227;s, pelos quais o Senhor deu a sua vida amando-os 'at&#233; ao fim' ( Jo 13, 1)" (SC n. 88).
 O pr&#243;prio gesto da paz, na celebra&#231;&#227;o, convida-nos a "fazer-nos pr&#243;ximo" da pessoa que est&#225; a nosso lado; n&#227;o porque a escolhemos n&#243;s mas porque Deus a chamou e a p&#244;s a&#237;. A recolha das ofertas tamb&#233;m promove a aten&#231;&#227;o e a solidariedade para com as necessidades dos irm&#227;os.
 Recomendo aos sacerdotes que, na celebra&#231;&#227;o da Santa Missa, usem mais frequentemente a Ora&#231;&#227;o Eucar&#237;stica V/D, do Missal Romano, intitulada "Jesus passou fazendo o bem".
 3.6. A coopera&#231;&#227;o mission&#225;ria
 Uma forma importante de caridade fraterna &#233; a coopera&#231;&#227;o mission&#225;ria entre as Igrejas, com particular aten&#231;&#227;o &#224;s Igrejas do chamado Terceiro Mundo. O interc&#226;mbio dos dons da f&#233; e dos valores culturais e a comunh&#227;o dos bens econ&#243;micos oferecem um campo imenso de pr&#225;tica da caridade em ordem &#224; promo&#231;&#227;o humana e crist&#227;.
 A nossa Diocese est&#225; envolvida numa gemina&#231;&#227;o com a diocese do Sumbe em Angola. Temos a trabalhar na miss&#227;o do Gungo uma equipa constitu&#237;da por um padre e alguns leigos volunt&#225;rios. Fa&#231;o um apelo para que esta realidade seja dada a conhecer em cada uma das nossas comunidades, de tal modo que se torne interpeladora e suscitadora de voca&#231;&#245;es mission&#225;rias entre os jovens e menos jovens, em forma de voluntariado, e que cada comunidade se sinta correspons&#225;vel neste projecto.
 3.7. Servi&#231;os diocesanos de apoio &#224; pastoral s&#243;cio-caritativa
 A Diocese tem v&#225;rios servi&#231;os centrais organizados para promover e apoiar a pr&#225;tica da caridade, em todas as suas formas e em todas as comunidades, sob a coordena&#231;&#227;o do Departamento da Pastoral Social, a saber: a Caritas Diocesana, a Comiss&#227;o Diocesana Justi&#231;a e Paz, o Servi&#231;o de Pastoral da Sa&#250;de e o Servi&#231;o de Apoio Pastoral &#224; Mobilidade Humana.
 A Caritas &#233; a express&#227;o da actividade s&#243;cio-caritativa organizada da nossa Igreja diocesana. &#201;, pois, um organismo pastoral para ajudar toda a comunidade diocesana a tornar-se comunidade de caridade, respondendo &#224;s necessidades imediatas das situa&#231;&#245;es de pobreza. Para alcan&#231;ar este objectivo compete-lhe tamb&#233;m promover ac&#231;&#245;es de sensibiliza&#231;&#227;o e coordenar e apoiar as iniciativas dos v&#225;rios grupos s&#243;cio-caritativos que actuam neste &#226;mbito.
 &#201; oportuno que, sob a orienta&#231;&#227;o do Departamento da Pastoral Social, se avalie e repense o servi&#231;o s&#243;cio-caritativo a n&#237;vel diocesano em ordem a uma actividade mais coordenada e criativa. Neste sentido, apelo &#224; reflex&#227;o conjunta e &#224; procura de caminhos de coopera&#231;&#227;o que envolva as institui&#231;&#245;es de solidariedade social, as miseric&#243;rdias, as confer&#234;ncias vicentinas, as confrarias e outras, que reforce a identidade e motiva&#231;&#227;o crist&#227; dos seus servi&#231;os, possibilite economia de meios e pessoas e leve a servir mais e melhor as pessoas carenciadas.
 3.8. Servi&#231;o s&#243;cio-caritativo paroquial
 Em cada comunidade, o servi&#231;o da caridade deve ser cuidado, organizado e estruturado, tal como os servi&#231;os da Palavra e da Liturgia, para que a caridade n&#227;o seja algo meramente pontual ou ocasional. Para tal &#233; preciso que se encontrem espa&#231;os, instrumentos e pessoas.
 Em ordem a tornar efectiva a pr&#225;tica da caridade &#233; necess&#225;rio que em cada par&#243;quia se constitua um servi&#231;o s&#243;cio-caritativo reconhecido e com representa&#231;&#227;o no Conselho Pastoral. Este servi&#231;o assumir&#225; a fun&#231;&#227;o de animar e coordenar a pr&#225;tica da caridade na diversidade das express&#245;es existentes, de modo a que se possa fazer uma programa&#231;&#227;o calendarizada de iniciativas, encontros e celebra&#231;&#245;es tal como se faz com a Catequese e a Liturgia.
 Para uma resposta mais pronta e eficaz &#224;s situa&#231;&#245;es de necessidade &#233; salutar que os servi&#231;os s&#243;cio-caritativos das par&#243;quias trabalhem em rede dentro de cada vigararia e com a Caritas diocesana.
 3.9. Promo&#231;&#227;o do voluntariado
 A experi&#234;ncia do voluntariado &#233; uma aut&#234;ntica escola de vida e de fraternidade onde se aprende a acolher o outro, a cultivar o esp&#237;rito de generosidade e servi&#231;o, a partilhar os dons e a p&#244;-los a render em prol dos outros. Para os jovens &#233; um caminho particularmente eficaz para lhes abrir horizontes de solidariedade, para orientar as suas energias, por vezes desperdi&#231;adas em experi&#234;ncias de transgress&#227;o, para vencer as pr&#243;prias fragilidades e os preparar para as op&#231;&#245;es maduras da vida.
 De igual modo, podem ser valorizadas as possibilidades de muitos profissionais leigos que, por vezes, apenas est&#227;o &#224; espera de poderem p&#244;r &#224; disposi&#231;&#227;o do bem comum as suas compet&#234;ncias e, assim, se sentirem participantes na comunidade eclesial.
 A par&#243;quia pode tornar-se o espa&#231;o adequado onde confluam estas compet&#234;ncias e boas vontades, promovendo quanto existe de bom e de v&#225;lido nas malhas do tecido social.
 Apraz-me aqui reconhecer e agradecer &#224; multid&#227;o de pessoas que, nos v&#225;rios &#226;mbitos da Igreja diocesana, nas par&#243;quias, em in&#250;meros servi&#231;os e institui&#231;&#245;es, mesmo civis e de solidariedade, exercem o voluntariado, gratuita e dedicadamente, ao servi&#231;o das pessoas carenciadas. Bem hajam!
 3.10. Perfil espec&#237;fico e a necessidade de forma&#231;&#227;o
 "Fazer bem o bem que se faz" &#233; uma exig&#234;ncia da caridade inteligente e respeitadora da dignidade da pessoa. N&#227;o basta pois o voluntarismo ou o amadorismo. &#201; necess&#225;ria uma forma&#231;&#227;o espec&#237;fica e por vezes especializada que tenha em conta o perfil espec&#237;fico da actividade caritativa da Igreja.
 Requerem-se, antes de mais, compet&#234;ncia profissional, continuidade no empenho assumido, conhecimento dos problemas, disponibilidade para trabalhar juntos nos objectivos e projectos. &#201; fundamental a capacidade de actuar em rede para optimizar os recursos sem dispersar for&#231;as.
 Todavia, a actividade caritativa n&#227;o pode ser reduzida a uma mera assist&#234;ncia social nem ser compreendida s&#243; a partir da l&#243;gica profissional. Para al&#233;m da ajuda ou apoio material, ela &#233; express&#227;o de amor e aten&#231;&#227;o &#224; pessoa na sua totalidade. "Por isso, para tais agentes, requer-se tamb&#233;m e sobretudo a 'forma&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o'... a dedica&#231;&#227;o ao outro com todas as aten&#231;&#245;es sugeridas pelo cora&#231;&#227;o, de modo que ele sinta a riqueza da sua humanidade" (DCE n. 31): a proximidade, o acolhimento, a escuta, a rela&#231;&#227;o, a ternura, a partilha...
 A actividade caritativa da Igreja, como facilmente se compreende, deve ser independente de ideologias e partidos, sem proselitismo, n&#227;o lucrativa e humilde na aproxima&#231;&#227;o aos necessitados.
 A coopera&#231;&#227;o com os organismos do Estado &#233; ditada por objectivos comuns em ordem a servir mais, melhor e mais eficazmente. Esta coopera&#231;&#227;o exige seriedade da parte das institui&#231;&#245;es da Igreja e o cuidado para n&#227;o deixar que se perca a sua identidade crist&#227;.
 Ao longo do Ano Pastoral promoveremos uma ac&#231;&#227;o de forma&#231;&#227;o para os servi&#231;os e grupos s&#243;cio-caritativos em cada vigararia.
 3.11. Fam&#237;lia, o primeiro lar da caridade
 A primeira casa e escola onde somos iniciados &#224; caridade e chamados a viv&#234;-la e a testemunh&#225;-la &#233;, por natureza, a fam&#237;lia. "A caridade bem ordenada come&#231;a na pr&#243;pria casa", diz o ad&#225;gio. &#201; a&#237; que fazemos a primeira experi&#234;ncia do amor humano mais gratuito e generoso: de pais e filhos e de irm&#227;os. Hoje, m&#250;ltiplos factores, desde o desencontro dos hor&#225;rios de trabalho at&#233; &#224;s solicita&#231;&#245;es das novas tecnologias, desde a ruptura cultural entre as gera&#231;&#245;es &#224; perda de valores educativos, provocam um curto circuito na circula&#231;&#227;o e no crescimento deste amor familiar: na proximidade, na disponibilidade, no acolhimento, no di&#225;logo e no sacrif&#237;cio de uns pelos outros. A caridade, o amor gratuito, oblativo e generoso &#233; o que torna mais bela a fam&#237;lia. Por isso, sugiro a cada fam&#237;lia fazer um exame de consci&#234;ncia sobre a qualidade das suas rela&#231;&#245;es, cultivar gestos de partilha com os mais necessitados, educar os filhos para a generosidade e gratuidade no servi&#231;o aos outros. Com confian&#231;a e afecto fa&#231;o um apelo: "Fam&#237;lia, reacende o fogo da caridade que est&#225; em ti"!
3.12. A caridade, fonte de voca&#231;&#245;es
 Creio que, se durante este ano pastoral conseguirmos atear o fogo da caridade nas fam&#237;lias e nas comunidades crist&#227;s, poderemos ter fundada esperan&#231;a numa primavera vocacional. Relembro o testemunho de Santa Teresa do Menino Jesus: "Compreendi que s&#243; o amor fazia actuar os membros da Igreja e que se o amor viesse a extinguir-se nem os Ap&#243;stolos continuariam a anunciar o Evangelho, nem os m&#225;rtires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as voca&#231;&#245;es". O servi&#231;o de anima&#231;&#227;o vocacional nas comunidades tamb&#233;m &#233; servi&#231;o de caridade!
 3.13. Centen&#225;rio das Apari&#231;&#245;es: F&#225;tima, escola de caridade e de servi&#231;o aos irm&#227;os
 No primeiro domingo do Advento, iniciaremos um per&#237;odo de 7 anos de prepara&#231;&#227;o para o Centen&#225;rio das Apari&#231;&#245;es da Senhora "vinda do C&#233;u" visitar a nossa terra com uma mensagem de amor e de paz a uma humanidade dividida por &#243;dios e guerras fratricidas. "Com a fam&#237;lia humana pronta a sacrificar os seus la&#231;os mais sagrados no altar de mesquinhos ego&#237;smos de na&#231;&#227;o, etnia, ra&#231;a, ideologia, grupo, indiv&#237;duo, veio do C&#233;u a nossa bendita M&#227;e oferecendo-se para transplantar no cora&#231;&#227;o de quantos se lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Eram ent&#227;o s&#243; tr&#234;s, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superf&#237;cie da terra - nomeadamente &#224; passagem da Virgem peregrina -, que se votaram &#224; causa da solidariedade fraterna" (Bento XVI, Homilia em F&#225;tima).
 Espero que os diocesanos de Leiria-F&#225;tima, terra agraciada com a visita&#231;&#227;o da Senhora, primem nesta prepara&#231;&#227;o espiritual e ajudem a tornar F&#225;tima cada vez mais escola de caridade e de servi&#231;o aos irm&#227;os.
 Maria, no mist&#233;rio da Visita&#231;&#227;o a Isabel, &#233; um &#237;cone vivo do servi&#231;o da caridade. A ela, M&#227;e do Amor perfeito e belo, confiamos o bom &#234;xito do Ano Pastoral: "M&#227;e da Visita&#231;&#227;o, ajuda-nos a ser como Tu, atentos, inteligentes, concretos, alegres, ternos e generosos no servi&#231;o humilde da caridade"! 

 Sobre todos v&#243;s, caros irm&#227;os e irm&#227;s, invoco a b&#234;n&#231;&#227;o do Senhor e proponho-vos uma ora&#231;&#227;o da Liturgia para rezarmos, com frequ&#234;ncia, durante o ano pastoral:
 Pai Santo, dai-nos o Esp&#237;rito do Amor.
 Abri os olhos do nosso cora&#231;&#227;o 
 &#224;s necessidades e aos sofrimentos dos irm&#227;os;
 inspirai as nossas palavras e obras
 para confortarmos os que andam cansados e oprimidos;
 e ensinai-nos a servi-los de cora&#231;&#227;o sincero, 
 segundo o exemplo e o mandamento de Cristo.
 Fazei que a vossa Igreja seja o testemunho vivo
 da verdade e da liberdade, da justi&#231;a e da paz,
 para que em todos os homens se renove a esperan&#231;a do mundo novo.
 Feliz Ano Pastoral!
 Um abra&#231;o amigo do vosso irm&#227;o bispo,
 &#8224; Ant&#243;nio Marto, Bispo de Leiria-F&#225;tima
Leiria, 28 de Agosto de 2010, Festa de Santo Agostinho, Padroeiro da Diocese</description>
      <pubDate>2010-09-02 13:35:17</pubDate>
      <category>Documentos</category>
    </item>
    <item>
      <title>Paróquias de Leiria - Fátima devem criar serviço de acção social</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81294</link>
      <description> D. Ant&#243;nio Marto pede que todas as par&#243;quias da diocese de Leiria &#8212; F&#225;tima constituam um servi&#231;o s&#243;cio-caritativo. A diocese vai centrar o seu ano pastoral na caridade social e pol&#237;tica, afirma o bispo da diocese D. Ant&#243;nio Marto, numa carta pastoral &#171;Chamados &#224; Caridade&#187; enviada &#224; ag&#234;ncia ECCLESIA, que evidencia um itiner&#225;rio "formativo e de ac&#231;&#227;o".
 "O servi&#231;o s&#243;cio-caritativo de cada par&#243;quia ter&#225; como fun&#231;&#227;o animar a coordenar a pr&#225;tica da caridade, trabalhando em rede dentro de cada vigararia e com a C&#225;ritas diocesana, de forma a conseguir uma actividade "mais coordenada e criativa".
 Quer o bispo que a diocese redescrubra a caridade na "forma de ser crist&#227;o", no seu aspecto pessoal e comunit&#225;rio, mas tamb&#233;m que possa "repensar e reorganizar os servi&#231;os s&#243;cio-caritativos nas comunidades crist&#227;s".
 "Apelo &#224; reflex&#227;o conjunta e &#224; procura de caminhos de coopera&#231;&#227;o que envolva as institui&#231;&#245;es de solidariedade social, as miseric&#243;rdias, as confer&#234;ncias vicentinas, as confrarias e outras, que reforce a identidade e motiva&#231;&#227;o crist&#227; dos seus servi&#231;os, possibilite economia de meios e pessoas e leve a servir mais e melhor as pessoas carenciadas".
 Num cen&#225;rio onde se "ainda se nota uma grande sensibilidade e solidariedade", mas onde predomina a cultura do "individualismo calculista", pede o bispo de Leiria &#8212; F&#225;tima que cada comunidade "trace um quadro o mais completo poss&#237;vel" das situa&#231;&#245;es de "pobreza e de fragilidade" e verifique as "possibilidades, os meios e os modos de actua&#231;&#227;o".
 Afirma D. Ant&#243;nio Marto que o servi&#231;o de ac&#231;&#227;o social deve ser programado "tal como se faz com a catequese e a liturgia".
 A caridade deve, segundo o prelado, ser uma componente "indispens&#225;vel" da forma&#231;&#227;o crist&#227;.
 "H&#225; que proporcionar &#224;s crian&#231;as e aos adolescentes a aprendizagem da capacidade de doa&#231;&#227;o, de partilha e de servi&#231;o", refere, acrescentando ser oportuno criar experi&#234;ncias concretas para os crismandos como visitas ou servi&#231;os em institui&#231;&#245;es que cuidam dos mais vulner&#225;veis.
 A caridade que a diocese quer promover deve ser "competente e profissional" nem ser reduzida "a uma mera assist&#234;ncia social nem ser compreendida s&#243; a partir da l&#243;gica profissional", escreve o bispo.
 Ao longo do ano pastoral a diocese vai promover uma ac&#231;&#227;o de forma&#231;&#227;o para os servi&#231;os e grupos s&#243;cio-caritativos em cada vigararia de forma a conseguir uma actividade caritativa "independente de ideologias e partidos, sem proselitismo, n&#227;o lucrativa e humilde na aproxima&#231;&#227;o aos necessitados".
 Lembra D. Ant&#243;nio Marto que a coopera&#231;&#227;o mission&#225;ria &#233; uma forma de caridade. A diocese de Leiria &#8212; F&#225;tima est&#225; envolvida numa gemina&#231;&#227;o com a diocese do Sumbe em Angola, contando com um sacerdote e alguns leigos a trabalhar na miss&#227;o do Gungo.
 "Fa&#231;o um apelo para que esta realidade seja dada a conhecer em cada uma das nossas comunidades, de tal modo que se torne interpeladora e suscitadora de voca&#231;&#245;es mission&#225;rias entre os jovens e menos jovens, em forma de voluntariado, e que cada comunidade se sinta correspons&#225;vel neste projecto".
 D. Ant&#243;nio Marto explica ainda que cada fam&#237;lia &#233;, por natureza, chamada &#224; caridade.
 "Sugiro a cada fam&#237;lia fazer um exame de consci&#234;ncia sobre a qualidade das suas rela&#231;&#245;es, cultivar gestos de partilha com os mais necessitados, educar os filhos para a generosidade e gratuidade no servi&#231;o aos outros".
 Escreve o prelado, na carta pastoral, que as fragilidades sociais se acentuam num mundo paradoxal.
 "Aumenta a riqueza mas crescem as desigualdades, aumenta a produ&#231;&#227;o mas morre-se de fome, aumenta o consumismo mas sobem os &#237;ndices de infelicidade", uma realidade, afirma, que atinge 18% da popula&#231;&#227;o portuguesa que vive em situa&#231;&#227;o de pobreza.
 "O desemprego &#233; um flagelo e uma das causas prim&#225;rias da exclus&#227;o social. Hoje, a injusti&#231;a, a pobreza, a fome e a exclus&#227;o social s&#227;o uma interpela&#231;&#227;o humana que brada aos c&#233;us", num confronto com as necessidades de "alimenta&#231;&#227;o, vestu&#225;rio, sa&#250;de, casa, trabalho, recursos econ&#243;micos".
 No tempo de Quaresma, a diocese vai ainda propor um retiro para cultivar "a espiritualidade" e promover "exemplos luminosos da caridade".
 Espera D. Ant&#243;nio Marto conseguir "atear o fogo da caridade nas fam&#237;lias e nas comunidades crist&#227;s" e assim "ter fundada esperan&#231;a numa primavera vocacional".</description>
      <pubDate>2010-09-02 13:30:41</pubDate>
      <category>Nacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>Vaticano: «Igreja precisa do génio apostólico das mulheres», defende o Papa </title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81293</link>
      <description> Bento XVI espera que as mulheres ganhem um papel cada vez mais importante no an&#250;ncio da Palavra de Deus.
 Perante uma multid&#227;o de cinco mil pessoas, que se juntaram na pra&#231;a de Castel Gandolfo para a audi&#234;ncia papal de Quarta-feira, o Papa apoiou-se na carta apost&#243;lica Mulieris Dignitatem, de 1998, recordando o contributo dado pela figura feminina na Igreja, a partir da Idade M&#233;dia, pelo seu testemunho de santidade e pela riqueza das suas doutrinas.
 Bento XVI destacou Santa Hildegarda de Bingen, religiosa beneditina e m&#237;stica alem&#227;, nascida na antiga Ren&#226;nia, no s&#233;culo XII.
 Uma figura &#171;culta e espiritualmente elevada&#187;, respons&#225;vel pela cria&#231;&#227;o de conventos de clausura na regi&#227;o germ&#226;nica, explicou o Papa.
 Ao longo da sua vida, Santa Hildegarda de Bingen teve muitas vis&#245;es m&#237;sticas, que ela pr&#243;pria considerou como ilus&#245;es e n&#227;o dons de Deus.
 Bento XVI sublinhou esta humildade da santa, que n&#227;o ostentou os seus dons e demonstrou uma grande obedi&#234;ncia &#224; Igreja, &#171;mesmo numa altura em que esta estava ferida pelos pecados de sacerdotes e leigos&#187;.
 Ele expressou ainda os votos de que &#171;o seu exemplo fa&#231;a crescer, em tantas mulheres de hoje, o desejo de empenharem o seu g&#233;nio na obra apost&#243;lica da Igreja&#187; .
 Dirigindo-se com afecto e alegria para a comunidade portuguesa que o escutava, o Papa saudou de modo especial um grupo de irm&#227;s salesianas e de leigos da par&#243;quia de &#201;vora.
 &#171;Seguindo o exemplo de Santa Hildegarda de Bingen, que possam sempre colocar os dons de Deus a servi&#231;o da edifica&#231;&#227;o das vossas comunidades. Des&#231;a a minha b&#234;n&#231;&#227;o sobre v&#243;s e vossas fam&#237;lias&#187; concluiu Bento XVI.</description>
      <pubDate>2010-09-02 13:01:29</pubDate>
      <category>Internacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>Ser educadora de infância na Zâmbia e em Portugal</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81292</link>
      <description> Uma nuvem de p&#243; resultado das muitas crian&#231;as que numa alegria enorme foram receber os novos volunt&#225;rios &#233; a primeira imagem que Cristiana Galante guarda dos instantes iniciais na miss&#227;o de Chibuluma, na Z&#226;mbia.
 Foi atrav&#233;s da Funda&#231;&#227;o Champagnat, ligada &#224; congrega&#231;&#227;o dos irm&#227;os maristas, que esta educadora de inf&#226;ncia esteve 45 dias em miss&#227;o. Educadora de profiss&#227;o esta jovem de 30 anos foi continuar o trabalho que desenvolve em Portugal, mas em condi&#231;&#245;es muito diferentes.
 Estar longe da fam&#237;lia e dos amigos, explica Cristiana, "obriga-nos a pensar na vida e a valorizar o que temos".
 Na escola onde fazia diversas actividades com crian&#231;as recorda que um dia levou "l&#225;pis e um afia para que as crian&#231;as pudessem pintar. No dia seguinte uma crian&#231;a apareceu com l&#225;pis muito pequeninos que possivelmente teriam sido deixados por outros mission&#225;rios, a pedir para os afiar".
 As crian&#231;as, conta, n&#227;o tinham o m&#237;nimo de condi&#231;&#245;es para viver, mas mesmo assim, "estavam sempre felizes e com um sorriso na cara", recorda &#224; Ecclesia sem esconder os afectos estabelecidos.
 O contacto com a realidade "foi duro". Crian&#231;as sem condi&#231;&#245;es "que deveriam ter o m&#237;nimo estabelecido universalmente" e o equil&#237;brio entre "a vontade de dar e n&#227;o poder criar depend&#234;ncias" conduziram esta educadora de inf&#226;ncia que, agora em Portugal, emprega a sua experi&#234;ncia a favor das crian&#231;as que educa.
 "Todos os dias dou um pouco do que vivi aos meus alunos e tento fazer com que valorizem o que t&#234;m", explica Cristiana Galante.
 Num mundo "consumista onde vivemos e onde tudo &#233; f&#225;cil", esta educadora gerou projectos de ajuda entre crian&#231;as de 3 e 5 anos. "Cri&#225;mos um projecto de mealheiros para a Z&#226;mbia e sempre que posso tento partilhar os momentos fant&#225;sticos que vivi na Z&#226;mbia e que marcaram a minha vida". 
 Este testemunho de miss&#227;o pode ser ouvido no programa que a Ecclesia transmite na Antena 1, &#224;s 22h45m.</description>
      <pubDate>2010-09-02 12:41:24</pubDate>
      <category>Nacional</category>
    </item>
    <item>
      <title>A vida é um «choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado», diz Cardeal Patriarca</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81291</link>
      <media:content url='http://www.agencia.ecclesia.pt/imgs/bo/tomaz_nunes_missa_exequial_igreja_fatima_lx_2010_09_02_manuel_costa.jpg' medium='image'/>
      <description> Cerca de mil pessoas participaram esta manh&#227; na missa de ex&#233;quias de D. Tomaz da Silva Nunes, que se realizou na Igreja de Nossa Senhora de F&#225;tima, em Lisboa.
 Entre os participantes na eucaristia, presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Jos&#233; Policarpo, estiveram cerca de 15 bispos, mais de 200 padres e 15 di&#225;conos, al&#233;m de membros de congrega&#231;&#245;es religiosas e leigos.
 Na homilia, o Cardeal Patriarca lembrou o momento em que, h&#225; 12 anos, imp&#244;s as m&#227;os sobre D. Tomaz Nunes para o ordenar bispo.
 Nesse dia, disse D. Jos&#233; Policarpo, "estivemos nesta igreja, com tantos ou mais bispos do que hoje, com o clero de Lisboa cheio de alegria".
 Logo a seguir, "o senhor D. Tomaz foi daqui para o hospital, para fazer uma interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica que o m&#233;dico n&#227;o queria atrasar nem 24 horas. E o Senhor deu-lhe ainda estes anos de sa&#250;de e de jovialidade ao servi&#231;o da Igreja".
 O Cardeal Patriarca evocou o momento em que se deparou com a morte do bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comiss&#227;o Episcopal da Educa&#231;&#227;o Crist&#227;.
 "Ontem, quando entrei no quarto do senhor D. Tomaz e vi o seu corpo sem vida, n&#227;o senti que a vida &#233; um choque com o futuro, mas senti muito profundamente que &#233; um choque com a eternidade, violento, surpreendente e inesperado", disse o prelado.
 "Jesus &#8212; prosseguiu &#8212; tinha-nos avisado. Mas n&#243;s esquecemos com tanta facilidade esse aviso tantas vezes repetido: 'Virei quando menos se espera'."
 Para D. Jos&#233; Policarpo, "a morte &#233;, sob o ponto de vista humano, a mais radical experi&#234;ncia de solid&#227;o, mesmo que os outros estejam &#224; nossa volta, e s&#243; Deus a pode vencer".
 "O senhor D. Tomaz morreu sozinho e n&#243;s est&#225;vamos l&#225;, perto dele. Mas ele n&#227;o p&#244;de sentir o calor da nossa amizade naquele momento dif&#237;cil", lembrou o Cardeal Patriarca.
 Referindo-se &#224; experi&#234;ncia da morte e &#224; sua rela&#231;&#227;o com a vida, D. Jos&#233; Policarpo sublinhou que o "choque com a eternidade ser&#225; libertador se o experimentarmos permanentemente com Jesus ressuscitado".
 "Jesus Cristo, na sua P&#225;scoa, surge como essa experi&#234;ncia fundamental de humanidade que encerra a sua &#250;nica verdadeira esperan&#231;a, que &#233; mitigar esse choque com a eternidade e fazer dele um encontro jubiloso", referiu.
 "A experi&#234;ncia ao longo dos s&#233;culos deixa-nos clareiras de esperan&#231;a para acreditarmos que esse &#233; um momento de grande j&#250;bilo", afirmou o prelado, que no entanto advertiu: "Ai daqueles que nesse momento derradeiro negam o encontro com Deus."
 Sobre a urna fechada de D. Tomaz Silva Nunes foi deposta a sua mitra e um evangeli&#225;rio (livro com textos b&#237;blicos do Evangelho proclamados nas missas), aberto ao centro.
 D. Tomaz da Silva Nunes faleceu esta Quarta feira devido a um enfarte agudo do mioc&#225;rdio, segundo apurou a Ag&#234;ncia ECCLESIA junto do Patriarcado de Lisboa.
 Ap&#243;s a celebra&#231;&#227;o das ex&#233;quias, a urna saiu da igreja em sil&#234;ncio, mas uma salva de palmas irrompeu quando o corpo de D. Tomaz da Silva Nunes foi depositado no carro funer&#225;rio.
 O cortejo exequial seguiu para o cemit&#233;rio do Alto de S&#227;o Jo&#227;o, em Lisboa, escoltado pela Pol&#237;cia de Seguran&#231;a P&#250;blica.
 Os ritos que antecederam o sepultamento no jazigo do Patriarcado, presididos por D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, contaram com a presen&#231;a de uma centena de pessoas.
 Foto: Missa exequial de D. Tomaz Silva Nunes, igreja de Nossa Senhora de F&#225;tima, Lisboa</description>
      <pubDate>2010-09-02 12:22:06</pubDate>
      <category>Nacional</category>
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    <item>
      <title>Ásia: Bento XVI desafia leigos a serem testemunhas de Cristo</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81290</link>
      <description> Bento XVI manifestou Quarta-feira, dia 1, o desejo de que a Igreja na &#193;sia testemunhe cada vez mais a beleza do ser crist&#227;o, pretendendo que os leigos desempenhem um papel mais activo na regi&#227;o.
 A Coreia do Sul acolhe, por estes dias, o Congresso de Leigos Cat&#243;licos da &#193;sia, uma iniciativa que re&#250;ne mais de 400 pessoas, entre representantes das diversas confer&#234;ncias episcopais, movimentos eclesiais e novas comunidades reconhecidas pela Santa S&#233; naquele continente.
 Subordinado ao tema "Proclamar Cristo na &#193;sia hoje", o evento pretende ajudar os leigos cat&#243;licos a redescobrirem a import&#226;ncia e a beleza da sua voca&#231;&#227;o e miss&#227;o na Igreja e no mundo.
 Numa mensagem lida dia 1 de Setembro, pelo n&#250;ncio apost&#243;lico da Coreia do Sul, D. Osvaldo Padilla, o Papa defendeu que "os povos da &#193;sia precisam de Jesus Cristo e do seu Evangelho", e a Igreja local tem a miss&#227;o de "testemunhar a incompar&#225;vel beleza de ser crist&#227;o e anunciar Jesus Cristo como &#250;nico Salvador do mundo".
 Segundo a R&#225;dio Vaticano, Bento XVI dirigiu palavras de especial encorajamento aos leigos, sublinhado que todos os crist&#227;os, acompanhados de uma "sadia forma&#231;&#227;o espiritual e catequ&#233;tica", devem ser "encorajados a colaborar activamente, n&#227;o somente a construir as suas comunidades crist&#227;s locais, mas tamb&#233;m a percorrer novos caminhos para o Evangelho, em todos os sectores da sociedade".
 Testemunhar a verdade evang&#233;lica na vida conjugal e familiar, particularmente na defesa da vida, na assist&#234;ncia aos pobres e aos marginalizados, a pr&#225;tica do perd&#227;o, da justi&#231;a e da solidariedade s&#227;o outros pontos essenciais da miss&#227;o dos leigos, segundo o Papa.
 O Congresso de Leigos Cat&#243;licos da &#193;sia termina no pr&#243;ximo Domingo, dia 5 de Setembro.</description>
      <pubDate>2010-09-02 12:12:31</pubDate>
      <category>Internacional</category>
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      <title>Moçambique: Arcebispo de Maputo apela à calma</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81289</link>
      <media:content url='http://www.agencia.ecclesia.pt/imgs/bo/confrontos_maputo.jpg' medium='image'/>
      <description> Tumultos na rua, confrontos entre policia e popula&#231;&#227;o, carros, lojas e armaz&#233;ns vandalizados, levantamento de barricadas, um clima de guerra que se criou em Maputo, desde Quarta-feira, dia 1, e que j&#225; causou pelo menos 6 mortos e muitos feridos.
 Em causa est&#227;o os protestos da popula&#231;&#227;o devido ao aumento do custo de vida em Mo&#231;ambique, principalmente no que diz respeito aos bens de primeira necessidade, como a &#225;gua, luz e o p&#227;o. Os combust&#237;veis tamb&#233;m aumentaram quatro vezes, nos &#250;ltimos meses.
 O D. Francisco Chimoio, descreveu &#224; ag&#234;ncia ECCLESIA o cen&#225;rio que se vive na cidade, nos &#250;ltimos dias.
 O arcebispo de Maputo fala de "um ambiente de caos, com manifesta&#231;&#245;es nas ruas, levadas a cabo pelas popula&#231;&#245;es, que pedem ao governo para que os pre&#231;os n&#227;o subam tanto".
 O governo mo&#231;ambicano justificou esta escalada nos pre&#231;os com a situa&#231;&#227;o de crise que o mundo atravessa.
 O presidente Armando Guebuza, declarou ontem que "o governo est&#225; consciente da situa&#231;&#227;o que vive o povo", mas n&#227;o hesitou em condenar os protestos, que diz apenas servirem para "trazer luto e dor ao seio da fam&#237;lia mo&#231;ambicana e para agravar as condi&#231;&#245;es de vida dos nossos concidad&#227;os", lamentando ainda "a perda de preciosas vidas humanas e a destrui&#231;&#227;o de bens p&#250;blicos e privados".
 A arquidiocese de Maputo j&#225; apelou &#224; calma e &#224; compreens&#227;o, para ambas as partes, numa mensagem transmitida pela r&#225;dio e pela televis&#227;o.
 "O governo tem de se sentar com as pessoas e procurar ouvir as suas necessidades, encontrando uma solu&#231;&#227;o conjunta, uma plataforma de entendimento. Ao mesmo tempo, tem de encontrar uma forma de gerir esta situa&#231;&#227;o", espera o arcebispo de Maputo.
 A pol&#237;cia tem tentado p&#244;r cobro aos protestos com g&#225;s lacrimog&#233;neo e balas de borracha.
 Apesar da aparente tentativa das autoridades em lidarem com a situa&#231;&#227;o de forma a evitarem perdas humanas, D. Francisco Chimoio adianta que j&#225; se registaram pelo menos "6 a 10 mortos, h&#225; ainda muitos feridos e pelo menos142 pessoas foram j&#225; aprisionadas pela pol&#237;cia", acrescentando que "h&#225; muitos jovens e crian&#231;as envolvidos na confus&#227;o".
 Neste momento, est&#225; reunido o conselho de ministros, numa reuni&#227;o extraordin&#225;ria, e o arcebispo espera que seja dada uma resposta aos anseios da popula&#231;&#227;o.
 "O governo tem uma miss&#227;o n&#227;o indiferente, porque foi eleito por esta popula&#231;&#227;o, para ir ao encontro das suas necessidades, t&#234;m de trabalhar em nome do povo", diz D. Francisco Chimoio.
 O clima de inseguran&#231;a &#233; t&#227;o grande que o prelado nem consegue sair &#224; rua. Os transportes p&#250;blicos n&#227;o circulam, autocarros, carros, lojas e armaz&#233;ns foram vandalizados, e continuam a ser queimados pneus &#224; entrada da cidade, onde se podem ver barricadas com pedras, para impedir a passagem dos carros.
 Ontem, um avi&#227;o da South &#193;frica Airways n&#227;o aterrou, porque n&#227;o havia condi&#231;&#245;es de seguran&#231;a, no aeroporto, cheio de manifestantes. Muita gente n&#227;o trabalhou, e pessoas que visitaram a cidade n&#227;o conseguiram regressar &#224;s suas casas.
 "Eu queria ir reunir com os meus sacerdotes, directores espirituais da juventude na cidade de Beira, por causa da prepara&#231;&#227;o para as JMM 2010, mas dizem-me que n&#227;o &#233; seguro", adianta o prelado.
 Segundo o arcebispo, a confus&#227;o pode alastrar-se ainda a outras zonas do pa&#237;s.</description>
      <pubDate>2010-09-02 11:59:26</pubDate>
      <category>Internacional</category>
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      <title>Diocese da Guarda prepara Plano Pastoral centrado no Bíblia</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81288</link>
      <description> O Centro Apost&#243;lico D. Jo&#227;o de Oliveira Matos acolhe, a 17 e 18 de Setembro, as Jornadas de lan&#231;amento do Plano Pastoral da Diocese da Guarda.
 O Plano Pastoral Diocesano prop&#245;e, para os pr&#243;ximos anos, um esfor&#231;o, de todas as comunidades crist&#227;s, no sentido de fazerem o encontro vivo com a Palavra de Deus contida na B&#237;blia. Na estrutura&#231;&#227;o do trabalho ser&#225; seguido o evangelista prevista para cada ano lit&#250;rgico dos ciclos A, B e C. Assim, em 2010-11, o Evangelista S. Mateus ser&#225; o ponto de refer&#234;ncia do Plano Pastoral.
 "Sentimos que este encontro com a Palavra de Deus deve ser feito em pequenos grupos, grupos b&#237;blicos e, por isso, a constitui&#231;&#227;o dos grupos b&#237;blicos em cada Par&#243;quia ou grupo de Par&#243;quias tem de constituir a nossa principal preocupa&#231;&#227;o, no imediato" refere D. Manuel Fel&#237;cio, Bispo da Guarda, em nota enviada ao Jornal A Guarda.
 As jornadas diocesanas para o lan&#231;amento do Plano Pastoral s&#227;o especialmente direccionadas para os agentes pastorais das comunidades espalhadas pela Diocese e tamb&#233;m para os membros dos movimentos, servi&#231;os e obras da pastoral.
 D. Manuel Fel&#237;cio quer que "os P&#225;rocos convidem para estas jornadas sobretudo aqueles e aquelas que poder&#227;o vir a ser os animadores dos grupos b&#237;blicos".
 As jornadas ser&#227;o orientadas pelos Padres Capuchinhos, com larga e provada experi&#234;ncia neste trabalho.</description>
      <pubDate>2010-09-02 10:50:15</pubDate>
      <category>Nacional</category>
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      <title>Novo director do jornal «Diário do Minho» assume funções</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81287</link>
      <description> Lu&#237;s da Silva Pereira inicia fun&#231;&#245;es como director do jornal &#171;Di&#225;rio do Minho&#187;. No editorial que esta manh&#227; assina, o novo director assume ser a promo&#231;&#227;o dos valores &#171; integralmente humanos&#187; o prop&#243;sito desta publica&#231;&#227;o.
 "Queremos contribuir para a forma&#231;&#227;o do homem todo. Essa totalidade inclui, necessariamente, a dimens&#227;o cultural e religiosa", exprime no primeiro n&#250;mero que assina como director da publica&#231;&#227;o.
 Acrescenta Lu&#237;s da Silva Pereira que a perspectiva crist&#227; "respeita absolutamente a verdade, na medida em que ela puder ser apurada", por isso assume que esse ser&#225; um "princ&#237;pio sagrado" na reda&#231;&#227;o do jornal e de "todos os que aqui trabalham".
 No editorial o novo director relembra ainda os que o precederam e afirma procurar "ser digno de todos" e querer dar o melhor para "manter o DM na alta considera&#231;&#227;o dos muitos milhares de leitores".
 O director Lu&#237;s da Silva Pereira &#233; desde 1 de Setembro, director do jornal &#171;Di&#225;rio do Minho&#187;, a cessa&#231;&#227;o da comiss&#227;o de servi&#231;o do padre Jos&#233; Miguel Pereira que dirigiu o jornal durante cinco anos.
 O novo director &#233; professor na Faculdade de Filosofia da Universidade Cat&#243;lica Portuguesa, no p&#243;lo de Braga.</description>
      <pubDate>2010-09-02 10:25:15</pubDate>
      <category>Nacional</category>
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      <title>Um bispo que soube conciliar fé e cultura</title>
      <link>http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=81286</link>
      <description> O director do Departamento de Educa&#231;&#227;o Moral e Religiosa do Secretariado Nacional da Educa&#231;&#227;o Crist&#227;, Dimas Pedrinho, considerou que D. Tomas Silva Nunes soube "conciliar perfeitamente o di&#225;logo entre f&#233; e cultura".
 Em entrevista &#224; Ag&#234;ncia ECCLESIA, o respons&#225;vel afirmou que o bispo auxiliar de Lisboa "era uma pessoa de f&#225;cil trato, muito dada e simples", e com uma atitude que privilegiava a escuta.
 Para Dimas Pedrinho, D. Tomaz Nunes "deixa uma marca muito incisiva naquilo que &#233; nuclear na disciplina de Educa&#231;&#227;o Moral e Religiosa Cat&#243;lica", especialmente na sua organiza&#231;&#227;o e renovamento.
 O te&#243;logo Juan Ambrosio, que foi adjunto do prelado na direc&#231;&#227;o do Secretariado do Ensino Religioso do Patriarcado de Lisboa, salientou a capacidade dialogante do presidente da Comiss&#227;o Episcopal da Educa&#231;&#227;o Crist&#227;.
 "D. Tomaz foi sempre capaz de se rodear de outras pessoas, ouvindo, discutindo e reflectindo em conjunto", recordou o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Cat&#243;lica Portuguesa.
 "Era uma grande amizade que nos unia e que certamente continuar&#225;, ele na presen&#231;a do Senhor e eu aqui, continuando a luta, certamente com a ajuda dele", concluiu Juan Ambrosio.
 O corpo de D. Tomaz Silva Nunes, que faleceu esta Quarta feira na Casa Patriarcal, est&#225; na Igreja de Nossa Senhora de F&#225;tima, em Lisboa, onde foi baptizado e ordenado Bispo.
 &#192;s 22h00, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Jos&#233; Policarpo, dirige o Of&#237;cio de Defuntos na mesma igreja.
 A missa exequial, marcada para esta Quinta-feira, 2 de Setembro, &#224;s 11 horas, vai tamb&#233;m ser presidida pelo Cardeal Patriarca. 
 O cortejo f&#250;nebre seguir&#225; para o jazigo do Patriarcado no Cemit&#233;rio do Alto de S&#227;o Jo&#227;o, em Lisboa, onde D. Tomaz Nunes ser&#225; sepultado.</description>
      <pubDate>2010-09-01 20:31:49</pubDate>
      <category>Nacional</category>
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