D. Manuel Quintas alertou para problemas que «desfiguram» e «desprezam a dignidade»

Foto União das Misericórdias Portuguesas

Faro, 08 fev 2019 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou que as Santas Casas da Misericórdia são das instituições que “mais têm contribuído” para “tocar, cuidar e curar as chagas humanas e sociais”, na Eucaristia de abertura do Congresso Nacional das Misericórdias, em Albufeira.

“[Misericórdias] Na sua vasta e diversificada ação mais têm contribuído para tocar, cuidar e curar as chagas humanas e sociais, infelizmente nem sempre com o reconhecimento devido pela sociedade em geral e assumido por quem tutela a sua ação”, disse D. Manuel Quintas.

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, pelo jornal diocesano ‘Folha de Domingo’, o bispo realçou que “todos” desejam e auguram que o 13.ª congresso nacional contribua para “encontrar respostas mais adequadas e mais eficazes de realização da missão destas instituições”.

“De modo a garantir a qualidade dos serviços prestados e a sua sustentabilidade e estabilidade, tantas vezes conseguidos à custa de verdadeiros milagres de gestão”, desenvolveu.

O bispo diocesano alertou e enumerou o que considerou serem cinco “chagas humanas e sociais” que “desfiguram” e “desprezam a dignidade” das pessoas e a todos “desafiam” e “comprometem” na procura de respostas mais adequadas e eficazes.

“Má distribuição da riqueza e o crescente fosso entre ricos e pobres; não satisfação das necessidades básicas ao nível da alimentação, da saúde e da educação; drama dos migrantes e dos refugiados; a violência doméstica; a corrupção”, explicou D. Manuel Quintas, em contexto com a festa litúrgica das Cinco Chagas do Senhor, que a Igreja Católica celebrou esta quinta-feira.

Na sua homilia, sobre o drama dos migrantes, o bispo assinalou que “não se resolve com a construção de muros”, e sobre a corrupção alertou que está presente na “perversão até da própria democracia”, abrindo portas as outros “males abomináveis” como “a droga, o tráfico de pessoas, a prostituição, a escravidão, o comércio de órgãos e o tráfico de armas”.

Mais de 700 congressistas estiveram presentes da sessão de abertura do Congresso Nacional das Misericórdias, que tem como tema ‘Missão, Rigor e Compromisso’, até este domingo, 10de fevereiro, em Albufeira.

Depois da Missa, na igreja matriz de Albufeira, os participantes seguiram em desfile até ao Palácio de Congressos do Algarve e passaram pela câmara municipal.

Em Portugal existem 398 Santas Casas da Misericórdia, incluindo 23 na diocese anfitriã do encontro, o Algarve, informa o jornal ‘Folha do Domingo’.

“Tendo consciência de que não há duas Misericórdias iguais, cada uma responde às suas necessidades e Portugal é um país muito diverso. Há um traço decisor comum muito presente na nossa missão: Não há ilhas, todos tratamos de tudo e faz com que os provedores tenham confiança na sua missão”, disse o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, em declarações à Agência ECCLESIA.

CB

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