Francisco denuncia violência contra mulheres, tráfico de drogas e «cultura de morte» na região

Cidade do Panamá, 24 jan 2018 (Ecclesia) – O Papa encontrou-se hoje no Panamá com os bispos da América Central, e desafiou-os a salvar os jovens da violência e do crime organizado na região.

“Exorto-vos a promover programas e centros educativos que saibam acompanhar, apoiar e responsabilizar os vossos jovens; roubai-os à rua, antes que a cultura de morte, vendendo-lhes fumo e soluções mágicas, se apodere e aproveite da sua inquietação e imaginação”, declarou, num longo discurso, na igreja de São Francisco de Assis.

O pontífice recordou os jovens “seduzidos por respostas imediatas” e as vítimas da “violência doméstica, feminicídio” – que classificou como uma “praga” no continente –, “grupos armados e criminosos, tráfico de droga, exploração sexual”.

No Panamá, o Papa evocou um sistema económico que deixou de ter como prioridade as pessoas e o bem comum, “fazendo da especulação o seu paraíso”.

Francisco chegou esta quarta-feira ao país da América Central, destino da sua 26ª viagem internacional, na qual vai participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), até domingo.

“Esta Jornada Mundial da Juventude é uma oportunidade única para sair ao encontro e aproximar-se ainda mais da realidade dos nossos jovens, cheia de esperanças e sonhos, mas também profundamente marcada por tantas feridas”, disse.

O primeiro Papa sul-americano na história da Igreja Católica desafiou os bispos a combater a “desertificação cultural e espiritual”, a ajudar os migrantes, os indígenas e os afrodescendentes.

A intervenção partiu da figura do santo D. Óscar Romero (1917-1980), canonizado em outubro de 2018, no Vaticano; o arcebispo de São Salvador foi morto a tiro, às mãos da junta militar que dominava o país.

Neste contexto, propôs uma Igreja mais distante “dos poderosos ou da política” capaz de “caminhar sustentada unicamente pelos braços do Crucificado, que é a sua verdadeira força”.

Francisco destacou a importância da “compaixão” na vida da Igreja e da “capacidade de escutar”, pedindo aos bispos que tenham sempre “portas abertas” para os padres da sua diocese.

O Papa cumprimentou, no final do encontro, a presidência do Secretariado Episcopal da América Central (SEDAC), que reúne bispos do Panamá, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

A mesa questionou os presentes sobre a eventual presença de bispos da Venezuela, o que não se veio a verificar, dado que o encontro era reservado aos episcopados do SEDAC.

OC

Partilhar:
Share