Reitor espera «acolhimento caloroso» em viagem que inclui momentos entre os jovens e nas «periferias»

Lisboa, 21 jan 2019 (Ecclesia) – A imagem n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima vai ser acolhida hoje solenemente no Panamá, primeiro país da América Central a acolher as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), com a presença do Papa Francisco.

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, acompanha esta deslocação inédita de uma das imagens oficiais às JMJ.

“Esta ida da Imagem Peregrina ao Panamá, no contexto das Jornadas Mundiais da Juventude, nasce precisamente do desejo daquele povo, de recebê-la”, referiu o sacerdote à Agência ECCLESIA, que acompanhou o embarque.

O padre Carlos Cabecinhas espera um “acolhimento caloroso” da população, num país onde a devoção a Fátima tem vindo a crescer, com um “programa intenso” que prevê momentos no meio dos jovens participantes da JMJ 2019, bem como “passagens pelas periferias”, por lugares que poderiam ser considerados “insuspeitos”.

A agenda inclui visitas a um hospital e a uma prisão, além de celebrações com o clero e com o Papa Francisco.

O último momento celebrativo está marcado para a tarde 29 de janeiro, no Aeroporto Internacional de Tocumen, onde o padre Carlos Cabecinhas vai presidir a uma Missa de despedida.

“A mensagem de Fátima tem capacidade de se incarnar em culturas diversas”, assinala o reitor do Santuário.

A Imagem, “particularmente significativa” e que raramente sai da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, assinala o sacerdote, foi alvo de um processo de estudo técnico e material, tendo o Santuário de Fátima encomendado uma nova coroa para uso nesta e nas restantes 12 imagens oficiais da Virgem Peregrina.

O reitor admite a necessidade de “cuidados especiais” no acondicionamento da imagem, para evitar qualquer dano numa viagem “longa, extensa e exigente”.

“Esta imagem, pela importância que tem, vai como um passageiro, de facto, na cabine do avião. Isto não acontece, obviamente, com as outras imagens peregrinas de Nossa Senhora de Fátima”, precisa.

A passagem por postos de controlo de aeroportos e pelos bancos dos aviões obriga a um esforço logístico, “de forma a que o transporte se faça de modo respeitoso”.

A nossa passagem com o estojo, com a Imagem Peregrina, não deixa de ser um sinal nestes ambientes que não são religiosos, longe disso, que são ambientes até muito distraídos dessa realidade”.

O padre Carlos Cabecinhas considera estas deslocações como sinal de “uma fé que vai ao encontro das diversas situações” e dos diversos contextos em que as pessoas se encontram

Entre 1947 e 2003, a Imagem Peregrina n.º 1 de Nossa Senhora de Fátima percorreu os cinco continentes, num total de 630 mil quilómetros, aproximadamente 15 voltas ao mundo; foi entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em 2003, saindo apenas excecionalmente do Santuário de Fátima.

A cerimónia oficial de receção está marcada para as 17h15 locais (22h15 em Lisboa), no Aeroporto de Tocumen, com a presença do arcebispo local D. José Domingo Ulloa; do embaixador de Portugal, Pedro Pessoa e Costa; e da embaixadora do Panamá em Portugal, Ilka Varela de Barés.

A imagem será colocada na igreja de Lourdes, Carrasquilla, onde vai ser celebrada a Missa de entronização.

A Arquidiocese do Panamá solicitou ao Vaticano a concessão de indulgência plenária durante a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

A Penitenciaria Apostólica (Santa Sé) acedeu ao pedido e informou que a indulgência plenária vai ser concedida nas “condições habituais”: confissão sacramental, comunhão eucarística e orações de acordo com as intenções do Papa.

“O significado fundamental é este, de perceber a Mensagem de Fátima como uma mensagem de conversão e ver, nesta possibilidade dada aos cristãos que participam nos vários atos, um momento de conversão efetiva, em direção a Deus”, assinala o padre Carlos Cabecinhas.

A organização da JMJ 2019 no Panamá quis, desde o anúncio da sua escolha, que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima estivesse presente nos “atos centrais” do evento, sendo esta a segunda inscrição na jornada, antecedida apenas pelo Papa Francisco.

PR/CB/OC

 

Antes desta saída excecional, a imagem n.º 1 da Virgem Peregrina foi alvo de um processo de estudo técnico e material, tendo o Santuário de Fátima encomendado uma nova coroa para uso nesta e nas restantes 12 imagens oficiais.

“A criação foi solicitada à Casa Leitão & Irmão, Joalheiros, responsável pela coroa da Imagem de Nossa Senhora de Fátima que é venerada na Capelinha das Aparições – coroa criada em 1942 e colocada na escultura em 1946”, lê-se numa nota informativa do Museu do Santuário de Fátima, enviada à Agência ECCLESIA.

Na base da coroa aparece a seguinte legenda: ‘Regina Pacis. Regina Rosarii Fatimae. Regina Mundi’ (Rainha da Paz. Rainha do Rosário de Fátima. Rainha do Mundo).

Desenvolvida a partir do programa iconográfico fornecido pelo Museu do Santuário de Fátima, o seu autor, Jorge Lé, configurou a coroa tomando como mote a ideia simbólica da Árvore da Vida, descrita no livro do Apocalipse (22,2: “No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.

O autor refere que “a árvore da vida, elemento principal desta coroa, símbolo de vida e evolução perpétua, representa a ligação entre a terra e o céu”.

Antes da viagem, o Centro de Conservação e Restauro da UCP-Porto identificou os materiais que constituem o suporte e superfície da escultura criada por José Ferreira Thedim em 1947, bem como “a caracterização das técnicas construtivas utilizadas”.

Os investigadores começaram por tentar perceber “o estado de conservação do suporte” e “detetar intervenções” passadas de conservação ou restauro e recolheram e analisaram micro amostras com “o auxílio de infravermelhos e de raio-X” para estudar “o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados”.

 

Fátima: Santuário divulga programa de visita da Imagem Peregrina ao Panamá

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