«Falta ir ao encontro deles para, com eles, ir mais longe», assinala antigo responsável nacional 

Aveiro, 27 jan 2019 (Ecclesia) – O antigo diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), Manuel Oliveira de Sousa, afirma que organizar a Jornada Mundial da Juventude 2022 é uma “oportunidade excelente para voltar às catequeses, às comunidades bases” e um desejo antigo.

“A Jornada Mundial da Juventude é uma oportunidade para estes jovens não ficarem só pela espuma, pela velocidade de uma partilha nas redes sociais, um é ressurgir importante”, disse em declarações à Agência ECCLESIA.

O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, entre 1999 e 2007, recorda que existe vontade em organizar este encontro há várias décadas e há “esperança” quando vão para a JMJ 2002 em Toronto (Canadá) e lançam “esse desafio”.

“O monsenhor Boccardo estava empenhadíssimo e os cardeais responsáveis pelo Conselho Pontifício do Apostolado dos Leigos deram ‘sim, senhor”, acrescenta o professor.

Do Canadá a JMJ foi para Colónia em 2005, na Alemanha, e “há empenho na preparação” do encontro seguinte, que se realiza em Sydney (Austrália), no ano de 2008, porque “depois havia de ser cá”.

A JMJ, realça Manuel Oliveira de Sousa, é uma “oportunidade excelente para voltar às catequeses, às comunidades bases”, para se dar atenção também ao que é “a primeira evangelização, o ecumenismo e o catecumenato”.

Para o antigo diretor do DNPJ, entre 1999-2007, em relação à pastoral juvenil hoje existe o “desafio” de “voltar à comunidade de base, reinventar a comunhão numa era de comunicação”.

“Se andamos só nos momentos, que são muito interessantes, para tirar uma foto, seja ir a Taizé, vir ao Fátima Jovem ou um acampamento ficamos como atividades de primeira evangelização mas nunca consolidamos. Vêm porquê e o que levam como compromisso”, reflete.

A “comunhão precisa de ser reinventada”, reforça, adiantando que “há dificuldade de inculturação” dos jovens, que têm “o protagonismo mediático, da comunicação, naquilo que são as novas responsabilidades”.

Para o entrevistado, “falta ir ao encontro deles para com eles ir mais longe”, como dizia São João Paulo II, e que “se evangelizem por dentro”, citando o bispo D. António Marcelino.

“É preciso responsabilizar porque ‘o evangelizar por dentro’ é assumir essa responsabilidade de compromisso em Igreja. E passou-se, acompanhou-se rapidamente os jovens para um patamar de mediatismo de coisas do homem light”, critica, considerando que existiam “alicerces que não se podia deixar de ser abalados”, algo que também aconteceu “com hiatos em termos de responsáveis”.

Na história do acompanhamento dos jovens a “segunda metade” da década de 70 é “determinante” com a “Páscoa jovem que é marcante”, dinamizados pelo padre Vítor Feytor Pinto; Entre 1980-1985, o padre Dehoniano Adérito Barbosa é o diretor do DNPJ, existe um “vazio nesta responsabilidade” assumido em 1995 pelo padre Augusto Gonçalves, até 1999.

“O Fátima Jovem de 92 é uma marca extraordinária; Em 1994 com as três vertentes – festival, peregrinação e fórum – são mudança de registo”, referiu Manuel Oliveira de Sousa que para além do departamento nacional também liderou o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Aveiro durante 13 anos.

O Vaticano anunciou hoje que a cidade de Lisboa vai acolher a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2022.

A revelação foi acompanhada, no campo São João Paulo II, onde foi celebrada a Missa Conclusiva da JMJ 2019, por uma delegação do Patriarcado de Lisboa, presidida por D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa; pelo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa; e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

HM/CB

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