Antigo diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil assinala a importância de acompanhamento no «pós-jornadas»

Lisboa, 27 jan 2019 (Ecclesia) – O antigo diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, o padre Pablo Lima, diz que a organização de umas Jornadas Mundiais das Juventude (JMJ) é “uma oportunidade extraordinária que se reveste de riscos”.

“Pode ser um grande risco para a Igreja em Portugal adormecer à sombra das Jornadas, pensar que a JMJ são uma receita mágica, preocupar-se sobretudo com a logística e menos com a preparação espiritual e evangelização e, sobretudo, o que tem sido a maior tentação e pecado da pastoral juvenil em Portugal, é não ter um pós jornadas”, explica à Agência ECCLESIA o sacerdote que conduziu o departamento nacional entre os anos 2009 e 2011.

Recordando a vontade de Portugal acolher um evento semelhante, o antigo diretor do DNPJ, assinala o “grande sinal” dado em Madrid, em 2011, quando a organização no país vizinho “autorizou que os jovens portugueses pudessem fazer um encontro no mesmo horário das catequeses, fazendo uma grande catequese com todos os jovens portugueses”.

“Foi uma manifestação pública de que havia um desejo, vontade e capacidade organizativa dos jovens portugueses de poderem levar avante uma Jornada em Portugal”.

As JMJ em Madrid levaram ao país vizinho cerca de 12 mil jovens portugueses acompanhados por 17 bispos.

“A Santa Sé viu um sinal positivo que os jovens portugueses e os seus pastores estavam interessados em começar a fazer um caminho mais concreto de poder apresentar uma candidatura”, recorda o padre Pablo Lima.

O sacerdote da diocese de Viana do Castelo lamenta que a aproximação de um evento semelhante espolete “entusiasmo e fervor” e que o trabalho no “pós-jornadas” seja “descurado, tanto quanto parece”.

Sendo uma organização da Igreja católica, as JMJ assumem uma “dimensão de cidadania muito forte”, uma vez que “reúnem centenas de milhares ou milhões de jovens”, sem “perturbações sociais, é um sinal muito significativo”, destaca.

“É uma oportunidade para criar sinergias com a sociedade civil e laica, com outras confissões religiosas, outras Igrejas: tudo deve ser aproveitado”, sublinha o antigo responsável.

A preparação de um evento semelhante, vaticina o sacerdote, exige “grande transparência e responsabilidade”.

“Um evento como a JMJ vai despertar sensibilidades muito diversas e ali também a Igreja tem um dever enorme de proceder com responsabilidade que não põe em causa os agentes pastorais nem a própria jornada, mesmo ao nível financeiro”.

A organização “requer uma estratégia clara de comunicação, proactiva e inteligente, que possa falar para todos, não apenas para os de dentro”.

O padre Pablo Lima assinala a oportunidade de, com a organização de umas JMJ, a Igreja demonstrar que tem “as mesmas preocupações do resto da sociedade que é promover o bem-estar das pessoas”.

O Vaticano anunciou hoje que a cidade de Lisboa vai acolher a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2022.

A revelação foi acompanhada, no campo São João Paulo II, onde foi celebrada a Missa Conclusiva da JMJ 2019, por uma delegação do Patriarcado de Lisboa, presidida por D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa; pelo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa; e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

HM/LS

Partilhar:
Share