Padre João Chagas é responsável pela secção da Juventude na Cúria Romana

João Pedro Gralha e Paulo Rocha, enviados da Agência ECCLESIA ao Panamá

Cidade do Panamá, 28 jan 2019 (Ecclesia) – O responsável pela secção da Juventude do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), padre João Chagas, disse à Agência ECCLESIA que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2022, em Lisboa, desafia Portugal a mostrar o que tem de “melhor” e a sua “vocação de grandeza”.

“Portugal tem oportunidade de, mais uma vez, mostrar a sua grandeza ao mundo”, realçou o sacerdote, que acompanha de perto a organização das edições internacionais da JMJ, por parte do Vaticano.

“A Jornada ajuda-nos a tirar o melhor de nós mesmos. Portugal, certamente, tem uma alma grande, um coração grande, já o demonstrou na sua história”, acrescentou.

O padre João Chagas recordou a experiência no Rio de Janeiro, em 2013, quando as autoridades – a preparar também o Campeonato do Mundo de Futebol (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) – consideravam a JMJ o evento “mais desafiante” de todos.

“É um evento muito grande”, assinala o sacerdote brasileiro, destacando a presença de “jovens muito pobres” nas Jornadas Mundiais.

“Vêm jovens de todas as classes sociais e muitas coisas têm de ser improvisadas, no sentido de organizar com os menores custos possíveis”, refere.

O responsável do Vaticano adverte que as companhias aéreas e hotéis que “podem tender a querer ganhar muito”, numa JMJ, podem ficar dececionadas.

“Não é um evento onde se possa cobrar muito caro, pelo contrário: ganhariam muito mais se fizessem preços mais económicos”, sustenta.

O Vaticano anunciou este domingo que Portugal vai acolher a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na cidade de Lisboa, em 2022.

O padre João Chagas sublinha que a JMJ não são apenas os encontros com centenas de milhares de pessoas, no encerramento do evento.

“Existem muitas outras coisas que se passam, à volta da Jornada”, recorda, dando como exemplo o que aconteceu no Panamá, onde confessionários foram feitos por reclusos.

“É um evento dentro do evento”, precisa.

O responsável pela secção destaca a importância dos encontros dos jovens entre si, com as famílias de acolhimento ou com os bispos, nas catequeses.

A Jornada é um evento de massa, mas não é um evento massificante, porque no seu interior é muito promovido o encontro pessoal. Isso é o mais importante”.

Desde 1997, em Paris, a JMJ é antecedida pelos chamados “Dias nas dioceses”, envolvendo todo o país de acolhimento e inclusive outras nações vizinhas.

“Cada país, cada diocese tem a oportunidade de mostrar a sua originalidade”, defende o padre João Chagas.

“Portugal pode inventar uma coisa nova”, conclui o responsável, admitindo abertura a “novas propostas”.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível local (diocesano) no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos, numa grande cidade.

As edições internais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

PR/OC

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