«A Páscoa de Jesus ou se leva a sério ou redunda em nada», disse D. Manuel Clemente

Lisboa, 25 mar 2018 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa alertou hoje, na Missa do Domingo de Ramos, para uma diluição do sentido da Semana Santa, lamentando o “abuso” de algumas referências à cruz de Jesus.

“Uma certa habituação ao calendário ‘cristão’ reduz o significado e dilui em antigos ou requentados paganismos. Quando tal acontece, e se usa e abusa do nome de Cristo para lhe anular a cruz, nem acontece Páscoa nem se mudam as vidas”, advertiu D. Manuel Clemente, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

Falando na celebração que inaugurou a Semana Santa, na Sé de Lisboa, o patriarca realçou que Jesus Cristo se aproximou de todos, em especial dos que “ninguém queria, atacados pelas lepras do corpo ou da vida”, propondo “conversões radicais ao Evangelho que propunha”.

“A Páscoa de Jesus ou se leva a sério ou redunda em nada, no que a nós respeita. Jesus nunca recuou um passo no caminho que abriu”, insistiu.

D. Manuel Clemente recordou o entusiasmo que a vida e o ensinamento de Jesus geraram na multidão, mas alertou para o perigo das ilusões, que “geram desilusões, pseudoconversões dão grandes abandonos”.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa falou num tempo de “sonolência espiritual”, que se combate com a “comunhão absoluta do cálice que o Pai dá a beber”.

“Não nos pareça estranho o que é afinal a verdadeira lei da vida, que apenas se garante na entrega de si. E sempre com Cristo, em qualquer Getsémani que nos surja, digamos que sim e sigamos em frente. Acaba por ser mais uma ocasião de crescimento, com Deus para os outros e com todos para Deus”, apelou.

D. Manuel Clemente aconselhou os católicos a viver a Semana Santa sem se distraírem do “essencial”, o “seguimento de Cristo, da Ceia até ao Horto, do Horto até à Cruz”

“Aí lhe ouviremos por fim o grande brado com que expirou, ou seja, deu o Espírito. O brado que ressoa em todas as cruzes deste mundo e que teremos de acolher, no realismo dos Gólgotas de ontem e de hoje. É ouvindo o brado que recebemos o Espírito, para ressuscitar também”, concluiu.

OC

 

Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

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