Paulo Rocha

A Jornada Mundial da Juventude, que decorre no Panamá entre os dias 22 e 27 de janeiro, coloca o centro do mundo na América Latina. E não apenas para os jovens, e ainda menos exclusivamente para os crentes católicos. Em causa não está um evento isolado, que se dirige a um grupo, a alguns eleitos (e seriam sempre muitos, se pensarmos que este projeto pensado pelo Papa João Paulo II, em 1985, já atingiu mais de 4 milhões de participantes numa das suas edições). De facto, o encontro mundial de jovens interpela sempre a sociedade, crentes e não crentes, instituições civis e políticas, todos os que, de alguma forma, se cruzam com a organização de um acontecimento global como o é uma JMJ, sejam setores de segurança, de saúde, comunicações, transportes, proteção civil, media… Estes e muitos outros fazem parte, direta ou indiretamente, do acolhimento de jovens de todo o mundo, numa cidade.

A avaliação de eventos, os que enchem pavilhões, atraem povos e países, elevam a ocupação hoteleira ou preenchem os roteiros turísticos, faz-se nas sociedades atuais pelos indicadores de retorno económico-financeiro no país que acolhe. Um fator relevante, cheio de realismo! E não só quando são razões comerciais, científicas ou políticas que motivam reuniões globais, como também quando convicções pessoais, nomeadamente religiosas, levam à peregrinação de milhares ou milhões de mulheres e de homens até lugares de perto ou de longe! E essa é uma marca da comunidade crente tão evidente como o retorno, também económico-financeiro, que foi provocando  ao longo da história, a tal ponto de determinar a definição de rotas de transporte, de aglomerados populacionais ou concentração de bens e serviços.

Mas será de outra ordem o principal retorno de um acontecimento como o de uma Jornada Mundial da Juventude, a descobrir no itinerário pessoal de cada participante, naqueles que se deixam interpelar pelo que observam, nas instituições que se congregam para organizar, acolher e fazer história pelo que decorre durante alguns dias ou semanas. De facto, sendo inegável os benefícios deixados por uma Jornada Mundial da Juventude no que respeita ao envolvimento empreendedor em torno de novos projetos, da transformação de espaços, da mobilização pessoal, familiar e institucional para o acolhimento de quem chega, também não se devem deixar de referir retornos que resultam da presença de povos de todo o mundo e até de taxas habituais que decorrem na entrada no país de mais de um milhão de pessoas, como acontece em cada JMJ.

É certo também que, após uma Jornada, ou outro encontro de massas, facilmente resultam críticas apontando para a inconsequência de tais eventos. Será, no entanto, prudente abordar quem participou numa, duas ou muitas mais jornadas, nomeadamente da juventude. O que ouvimos em cada testemunho não corresponde a narrativas normalmente baseadas em interpretações de factos e não nos factos. Aliás, essa seria uma ótima atitude a cultivar no setor mediático: dar prioridade à apresentação de factos, também os relativos ao tema “religião”.

Partilhar:
Share