Cidade do Panamá, 26 jan 2019 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje, no Panamá, à dedicação do novo altar da Catedral Basílica de Santa Maria La Antígua, após um ano de obras de restauro conduzidas por técnicos portugueses.

Francisco foi recebido na entrada principal pelo Capítulo Metropolitano, que lhe entrega o crucifixo e a água benta; perto do altar, duas religiosas ofereceram-lhe uma rosa de prata que o Papa colocou aos pés da imagem da Virgem Maria.

Esta é a primeira catedral católica construída em “terra firme” no continente americano, situando-se na Cidade Velha do Panamá; iniciada em 1608, a construção concluiu-se em 1716, sendo a Sé consagrada em 1796.

Santa Maria la Antígua é padroeira da República do Panamá desde 2001.

O Papa sublinhou o simbolismo deste momento de reabertura de portas, após um “longo tempo de restauro”, em que a Sé esteve fechada durante quase sete anos, motivando uma salva de palmas da assembleia.

“Uma Catedral espanhola, índia e afro-americana torna-se, assim, Catedral panamense, dos panamenses de ontem, mas também dos de hoje que a tornaram possível. Já não pertence só ao passado, mas é beleza do presente”, declarou.

A celebração foi acompanhada pelo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou esta sexta-feira ao Panamá.

A Missa foi o momento escolhido pelo pontífice para o tradicional encontro com sacerdotes, consagradas e movimentos laicais, durante as suas viagens internacionais.

Na sua homilia, Francisco convidou a refletir no “cansaço” de Jesus e dos seus discípulos, evocando as atuais “condições laborais e afetivas tóxicas”, que levam ao “esgotamento”.

“O cansaço da esperança nasce da constatação duma Igreja ferida pelo seu pecado e que, muitas vezes, não soube escutar tantos gritos nos quais se escondia o grito do Mestre”, advertiu.

A intervenção assinalou que, muitas vezes, os responsáveis das comunidades católicas sentem um “cansaço paralisador”; de “não saber como reagir face à intensidade e incerteza das mudanças”.

Dececionados com uma realidade que não compreendemos ou na qual pensamos já não haver lugar para a nossa proposta, podemos conferir ‘cidadania’ a uma das piores heresias possíveis no nosso tempo: pensar que o Senhor e as nossas comunidades não têm nada para dizer nem dar a este mundo novo em gestação”.

O Papa desafiou os consagrados e consagradas a regressar ao “poço originário do primeiro amor” da sua vocação, seguindo Jesus e os “carismas fundacionais” das suas ordens e congregações.

“Irmãos, não deixemos que nos roubem a beleza herdada dos nossos pais! Seja ela a raiz viva e fecunda que nos ajuda a continuar fazendo bela e profética a história da salvação nestas terras”, concluiu.

No final da celebração, depois do discurso de saudação do arcebispo de Panamá, D. José Domingo Ulloa, Papa desloca-se de carro para o Seminário Maior de São José, onde almoça com 10 jovens de várias nacionalidades.

OC

Panamá: Papa Francisco vai consagrar altar da catedral, após intervenção de técnicos portugueses (c/vídeo)

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